Valberto José

Jornalista, habilitado pelo curso de Comunicação Social da Universidade Regional do Nordeste (URNE), hoje UEPB. Colunista esportivo da Gazeta do Sertão e d’A Palavra, passou pelo Diário da Borborema e Jornal da Paraíba; foi comerciante do setor de carnes, fazendo uma pausa de 18 anos no jornalismo.

Triplicidade maternal

Publicado em 9 de maio de 2026

A palavra sogra, com suas sílabas “so” e “gra”, lembra solidão, solidariedade e gratidão, dependendo do contexto familiar e até da sabedoria nas relações entre as famílias envolvidas, isto é, a originária e a que se formou. Solidão, quando o filho ou filha deixa a mãe para se unir a outra pessoa, e solidariedade, quando existe apoio, acolhimento e mutualidade de ajuda; gratidão, quando há reconhecimento pelo auxílio do dia a dia e pela criação educativa do parceiro ou parceira.

Os homens da minha família têm vocação para gostar da sogra. Costumo dizer, brincando, que a minha foi tão boa para mim, que até na época de pedir a mão da filha, estava em São Paulo visitando os filhos. E não foi esperteza minha, não. Quando nos casamos, ela ficou morando com a gente. Dona Cleonice, minha mãe, estende sua excelência maternal às noras.

Meu irmão Afonso, que mora em Teresina, fica na casa da sogra quando vem a Campina Grande, e todos da nossa família aprovamos, começando por minha mãe. Na Semana Santa deste ano, ele e a mulher vieram, peguei carona e usufrui da hospitalidade de Dona Lindalva e filhos. Por dois dias, tirei a sesta após o almoço gostoso, estendido na rede armada na varanda da acolhedora casa.

Quem está lendo este texto deve estar se perguntando por que estou falando em sogra na semana do Dia das Mães. É que a história de George, amigo da academia, me inspirou e comecei a escrever, querendo o texto publicado até o Dia da Sogra, 28 de abril.

O casamento do filho num sábado, e no outro a nossa investidura no Ministério da Eucaristia, além dos serviços de pintura da casa, não me deixaram concluir as linhas a tempo. Acreditar que a grande maioria tem a sogra como mãe, e não madrasta, me motiva a unificar as datas.

“Tenho duas sogras e gosto das duas”, disse-me George no intervalo entre um treino e outro. A dupla felicidade na afinidade parental do amigo não se origina da prática poligâmica, como se pode imaginar; nasceu da força do destino, após a partida eterna da primeira esposa.

Menos de dois anos depois, na ansiedade paternal de três filhos órfãos de mãe, encontra novamente a mulher certa e casa-se de novo. Este ano, George comemora Bodas de Ouro: 20 no primeiro casamento e 30 no segundo.

George é a expressão física de bondade, paciência e serenidade, e essa trilogia me anima a fazer certas brincadeiras com ele. Como na semana antes de 28 de abril, quando cheguei perto dele e, sem nada querer, além de brincar, disse-lhe: se você bebesse, no dia 28 teria motivo para tomar duas doses. Ele riu o seu riso paciente.

A sogra do primeiro casamento já se aproxima dos 100 anos. Linda a história de como as duas se conheceram, após sentarem juntas em cadeiras coladas em viagem de ônibus entre Campina Grande e João Pessoa – ou vice-versa. Iniciaram um bate-papo e, na profundidade da conversa, descobriram a feliz coincidência de terem o mesmo genro.

Quem encontra uma sogra repleta de bondade, ganha mais uma mãe, diz mais ou menos assim a máxima popular. Pela satisfação demonstrada ao dizer “tenho duas sogras e gosto das duas”, deduz-se que George encontrou na sua vida mais duas mães. Divina triplicidade maternal.