Colunista Jnior Gurgel

  • ROMERO: candidato de cima para baixo

    16/01/2021

    Apostando no radicalismo Romero Rodrigues se lança candidato de cima para baixo

    Abrindo espaço numa agenda repleta de pendências - com urgências “semanas de atraso” - o presidente Jair Bolsonaro recebeu ontem (14.01.2021) o ex-prefeito de Campina Grande Romero Rodrigues, num encontro que consumiu quarenta minutos do seu preciosíssimo tempo. O momento foi inoportuno. Chefe da Nação vive grandes tensões com as eleições para presidentes da Câmara e Senado, COVID-19; calendário nacional de vacinação; diplomacia para acelerar na ANVISA liberação da vacina FIOCRUZ; calamidade pública na Amazônia; posse do novo presidente dos Estados Unidos...

    Contestando o proverbio Português “Rei morto, Rei posto”, Romero Rodrigues recém “apeado” do cargo, além de mostrar prestígio junto ao presidente Bolsonaro, revelou a existência de um misterioso “túnel” - até então desconhecido - que ligava a Prefeitura de Campina Grande ao Palácio do Planalto (?). O fato surpreende, pela postura de seus principais aliados: Clã Ribeiro, adversários do Presidente. Cássio e Pedro Cunha Lima, idem. Romero (2018) não elegeu – com seu apoio direto – nenhum deputado federal ou senador. Quem “estreitou” a relação?

    A demonstração de força de Romero surte efeito midiático perecível, com precedentes históricos, como por exemplo o empenho de Lula em eleger Roberto Paulino e José Maranhão (2002/2006) e uma última tentativa frustrada em 2010. Saudoso Júlio Rafael, esteve presente nos três eventos, desempenhando a importante missão de “rachar” o PT, trabalho que levou a cabo com brilhantismo. Que falta fez Júlio a Cássio em 2014... Partiu prematuramente em junho de 2013.

    Todos recordam os feitos exitosos de Júlio Rafael - com apoio de seu amigo e confidente Zé Dirceu - criando os comitês: Lula lá (PT), Cássio cá (PSDB), em João Pessoa e Campina Grande, quando PT e PSDB estavam numa disputa renhida pela Presidência da República. Estes episódios, apontam para uma logística indiscutível: construção de candidaturas se inicia pelas bases (alicerce) e não pelo “teto”.

    Provavelmente, conselheiros políticos de Romero Rodrigues apostam no radicalismo direita x esquerda nas eleições de 2022. Estão corretos. Mas, quem representará as esquerdas na Paraíba? João Azevedo é centro. O esquerdismo do PSB (Ricardista) e PT de Luís Couto/Anastácio, são barcos à deriva. Um nome “psolista”?

    O mapa do resultado das urnas de 2020 mostrou com clareza que o “radicalismo” estabelecido entre direita x esquerda é um tema debatido em nível nacional, abrangendo questões que na visão do eleitor, só o Presidente da República e o Congresso Nacional têm competência para resolver. Não está na alçada, nem no poder de caneta de um governador ou prefeito.

    Romero se lançou. Aparecerá uma terceira postulação? Caso contrário, o pleito de 2022 será decidido em primeiro turno

  • OS REGOS LARGARAM NA FRENTE

    14/01/2021

    Com dois assentos no Senado Federal (mãe e filho), filiação de Veneziano Vital do Rego ao MDB - momento importantíssimo para a legenda que lançou uma candidata para disputar a presidência da Casa Revisora do Congresso Nacional – o clã Rego se transforma no maior e mais importante aliado do governador João Azevedo, com vistas a seu projeto de reeleição.

    O processo constante de distanciamento dos extremos - sobretudo das esquerdas - tem conduzido naturalmente João Azevedo para o “centro”. Ao abdicar do radicalismo doutrinário e “raivoso” protagonizado pelo seu antecessor, criou-se naturalmente a oportunidade de diálogo, anseio da classe política – independente de siglas - que elege sempre como prioridade, temas de equilíbrio e crescimento gradual do Estado, mesmo em tempos de pandemia.

    Como um bom enxadrista, João Azevedo fez lances importantes nas eleições municipais de 2020, livrando-se de muitos “xeques”. “Flertou” com o PP de Cícero Lucena (Capital), apoiou a oposição de Campina Grande, e na maioria dos principais redutos do Estado manteve apoios “formais”. Não fechou portas, nem criou “labirintos” para sua jornada do ano vindouro (2022).

    Evidente que como prefeito de João Pessoa, Cícero Lucena buscará ampliar seu território político. Tentará se inserir no projeto João Azevedo – única alternativa – após seu rompimento traumático com os Cunha Lima. Talvez queira indicar um vice e eleger um deputado federal. Mas, não dispõe de “cacife” como os Regos. Uma chapa do PP/PSDB a esta altura é projeto natimorto.

    Resta saber o que fará os irmãos Cartaxo. Estéreis politicamente, não aproveitaram a oportunidade de 2018, que seria Luciano e não Lucélio, e sobraram na curva em 2020. Luciano fez uma boa gestão na Capital. Entretanto, faltou-lhes a coragem e ousadia do saudoso Luciano Agra, quem lhes deu o primeiro mandato. No presente, tudo o que pode almejar é uma vaga para a Câmara dos Deputados.

    Restam Romero Rodrigues e o PP, com Daniella e Aguinaldo. Só quem pode “queimar cartuxos”, sem riscos de ficar sem mandato, é Daniella Ribeiro que tem mais quatro anos no Senado Federal, e mesmo derrotada, seu nome não ficará “congelado” por tanto tempo.  

    Como se posicionará Romero Rodrigues? O melhor prefeito de Campina Grande do século XXI! Reunirá condições e apoios para enfrentar João Azevedo? Ou terá que dividir espaços com Aguinaldo, Pedro Cunha Lima para retornar ao seu mandato de deputado federal, interrompido quando se elegeu prefeito de Campina Grande em 2012?

    Quanto a Senadora Nilda Gondim, provavelmente passará um bom tempo no Senado. Apesar de estar se recuperando com sucesso do COVID-19, pelos depoimentos dos sobreviventes que estiveram na UTI, as sequelas são terríveis. Além do temor de uma reinfecção, o que seria fatal.

  • O RESISTENTE

    04/01/2021

    Governador João Azevedo entra no terceiro ano de sua gestão, voando em céu de brigadeiro. Dois primeiros anos do seu mandato – pelo menos um tutelado pelo ex-governador Ricardo Coutinho - foram marcados pelas turbulências da “operação calvário”. Momentos dramáticos para a tripulação, a quem só restava o aviso de “apertar os cintos”. Previsões otimistas? Uma “aterrisagem forçada”: afastamento ou renúncia.

    Sorte, prudência e fé salvaram-no de um desastre fatal, trágico e catastrófico. Hoje, mesmo com “nuvens carregadas” e sem previsões precisas da “meteorologia” do Poder Judiciário, João Azevedo pilota sua aeronave com otimismo, pretendendo continuar a travessia sobre o “atlântico pandêmico” ainda em 2021, chegando em terra firme em 2022, para reabastecer e decolar novamente em busca de sua reeleição.

    Analistas políticos experientes consideram que o melhor momento de um governante está na ausência das críticas, nos poucos elogios recebidos pelos formadores de opinião “profissionais”. Oportunidade ímpar, onde não se oferece discurso para municiar as canhoneiras da beligerante oposição. Mudando o roteiro da analogia para o futebol, no entendimento do eleitor comum “time que está jogando bem, não se mexe”. Tocando a bola, João e sua equipe continuam no jogo, observando a eliminação de seus principais adversários na fase “classificatória” do pleito municipal de 2020.

    Na Capital - mais um ano atípico - torna-se inimaginável o surgimento de “outsiders” que agrupem forças políticas das oligarquias municipais estruturadas em todo o Estado. O clã dos Rego de Campina Grande abandonou em definitivo o “mago girassol” e tenta ocupar espaço junto a João Azevedo, no propósito de participar dos dois últimos anos da gestão, marcar território e compor sua chapa majoritária. Governador precisa fincar estacas nos alicerces do Compartimento da Borborema.

    Este espaço estava sendo vislumbrado pelo PP do clã Ribeiro, enquanto Aguinaldo esteve como pré-candidato a presidência da Câmara dos Deputados. Daniella Ribeiro elegeu o filho vice-prefeito da Rainha da Borborema. Indiscutivelmente seria candidata a governadora e João Azevedo disputaria o Senado Federal. Entretanto a desistência de Aguinaldo – cremos que involuntária – enfraqueceu o prestígio do grupo que deixa de ter cacife para impor ou reivindicar posições na chapa majoritária de 2022.

    Resta saber quem enfrentará o “resistente” João Azevedo, que sem radicalismo, vê pelo retrovisor Ricardo Coutinho, José Maranhão, Cássio Cunha Lima... Despido de vaidade e na certeza que está apenas cumprindo seu dever.

  • DECISO DO STF CULMINA EM MOTIM DA POPULAO

    28/12/2020

    As manifestações ocorridas no Estado da Amazônia, contra o novo decreto do governador que impõe mais um lockdown - evitar proliferação do COVID-19 - gerou um quadro de desobediência civil, quando a população foi as ruas desafiar sua autoridade. Em resposta, o chefe do poder executivo da Amazônia tomou medidas extremas, como ordenar a Polícia Militar a abrir fogo contra os insurretos. Felizmente, a tropa se conteve ao perceber que o povo não recuava, gesto que evitou um banho de sangue.

    A cidade de Búzios (litoral do Estado do Rio de Janeiro) já havia feito o mesmo. Estado de São Paulo, dezena de municípios anunciaram esta semana que não cumprirão o decreto do governador João Dória. Ato que além do lockdown, suspende a gratuidade do transporte público aos usuários acima de sessenta anos. O Brasil vive sua maior crise institucional das últimas sete décadas, algo somente comparável ao fato histórico ocorrido após o suicídio de Getúlio Vargas, quando o presidente da Câmara dos Deputados Carlos Luz, estava interinamente como vice-presidente, “internou” o vice em exercício Café Filho e com apoio da Suprema Corte, pretendia implantar uma Ditadura, impedindo a posse do presidente e vice eleitos (outubro de 1955) Juscelino Kubistchek e João Goulart.

    Marechal Henrique Teixeira Lott – um dos tenentes de 1922 – estava como Ministro da Guerra. Usou sua coragem cívica para impedir um golpe de Estado, dando um contragolpe e restabelecendo a ordem Constitucional. Ordenou que as tropas do Exército cercassem o Palácio do Catete (sede do governo) no Rio Janeiro então Capital da República, Câmara dos Deputados; Batalhões da Polícia; Correios e Telégrafos...Ato seguinte (ainda em novembro de 1955) o vice-presidente do Senado Nereu Ramos, com apoio do Marechal Lott, convocou o Congresso, que cassou o mandato de Carlos Luz e votou o impeachment de Café Filho. Fechou a Suprema Corte e decretou “Estado de Sítio” até 31 de janeiro de 1956, quando Juscelino e Goulart foram empossados.

    A ingovernabilidade da época tinha origem na corrupção desenfreada movida pela ganancia insaciável: “em casa de pouco pão, todos gritam e ninguém tem razão”. O Tesouro Nacional não era o suficiente para alimentar a “fome” do Congresso e seus parasitas de sempre. Se não fora a “espada de Lott”, que garantiu todo o governo de JK, abortando outras rebeliões ou “quarteladas”, não se tem noção do que teria sido o destino deste país.

    Quando nos reportamos as “semelhanças históricas”, é que percebemos hoje no Brasil de 2020, repetição de 1955. O povo elegeu um Presidente (2018) que o Congresso e STF não querem deixa-lo governar. Vargas foi eleito, não conseguiu e suicidou-se. Bolsonaro resiste, pelo apoio popular, graças as redes sociais. A grande mídia golpista, em conluio com a maioria dos governadores dos Estados, quer depô-lo a todo custo. Resta saber se aparecerá em tempo hábil, um Marechal Lott do século XXI. Não estamos fazendo apologia ao intervencionismo. Mas, qual o poder do Presidente da República?

    Quem está provocando todo este “clima” de insegurança e governabilidade? O STF. Quadro de pandemia é o mesmo que “estado de guerra”. O Presidente da República, com a poio das Forças Armadas é a única autoridade Constitucional competente, para legalmente está a frente da crise. O STF tirou-lhes estes poderes e os transferiu para Estados e Municípios. Esvaziou sua autoridade mais uma vez, constantemente atropelada pelo Congresso Nacional. Como se não bastasse, rasgou a Carta Magna pela enésima vez, e decidiu pela obrigatoriedade da vacina, com punição aos desobedientes. Isto é Ditadura! Basta observar-se o número de sentenças, liminares e decisões colegiadas do STF em 2020: 100 mil. O país está “engessado” na Justiça. Com certeza o Presidente Jair Bolsonaro não assinou 100 mil decretos neste ano de 2020. Da mesma forma, os Presidentes das duas Casas Legislativa (Câmara/Senado) estão longe de alcançar o STF.

  • MEMRIA CURTA

    05/12/2020

    Seu Cabral (Severino Bezerra Cabral) uma das maiores lideranças política de Campina Grande do século XX – que se elegeu, e elegeu o Prefeito de sua preferência na Rainha da Borborema de 1947 até 1968 - tomou a decisão de se imortalizar através da construção do Teatro Municipal de Campina Grande. Uma obra gigante, para uma cidade que tinha um perfil de entreposto comercial e pouca vocação para cultura. Seu projeto arquitetônico, avançado e único, sem as “curvas” do concreto – inovação proposta pelo gênio Oscar Niemeyer – tinha um modelo de navio. Quando perguntavam a seu Cabral se era um navio, ele respondia que achava parecido.

    A inauguração seria no final de seu mandato (1963), e a curiosidade reinante era o nome que receberia o Teatro. Na época, a Câmara Municipal tinha grandes intelectuais como Raimundo Asfora, Ronaldo Cunha Lima; Figueiredo Agra... Que começaram a sugerir nomes como Augusto dos Anjos, José Américo de Almeida; José Lins do Rego; Assis Chateaubriand... Mas, seu Cabral resistia, e insistia que o nome seria surpresa.

    Analfabeto funcional, seu Cabral depositava toda sua confiança em Souza da Pipoca, vereador que atuava como um líder informal na Câmara e nos bastidores da política. Mesmo grau de instrução de seu Cabral. Quem tivesse algo complicado para resolver com seu Cabral e Souza não resolvesse, podia desistir. Asfora, Ronaldo; Figueiredo Agra... E quase a unanimidade da Câmara cobraram de Souza um nome ideal para ser eternizado na obra mais bela de Campina Grande dos anos sessenta. Imbuído da importante missão, Souza enfrentou seu chefe: “o nome tem que sair seu Cabral...” Sem rodeios, seu Cabral foi na bucha: Teatro Severino Cabral. Souza o aplaudiu e concordou

    com a ideia. Entretanto, quando chegou com a noticia na Câmara, a reação por parte dos parlamentares intelectuais foi um protesto veemente, ameaçado de não ser aprovado. Cabral era um analfabeto... Uma agressão a memoria e cultura da cidade... Isto jamais.

    Souza foi o portador do descontentamento da bancada. E, instruíram-no para argumentar: “seu Cabral não era escritor, artista, poeta...” Seu Cabral ouviu e mandou um recado de volta: vai ser Severino Cabral e vou está presente na sessão. Todos temiam Cabral por sua coragem pessoal. Alto, 1,90, as vezes intolerante, sua mão sempre ia ao pé do ouvido de alguém, que de forma desaforada o ofendesse. Chegou o dia da sessão, e Cabral estava presente. A turma dos intelectuais usou mais uma vez Souza. Quando a propositura foi apresentada e posta em votação, Souza argumentou: “seu Cabral tem que ser um nome ligado as letras, artes; poesia... Cabral o interrompeu: “Souza pergunte a quem mandou você discordar de mim, em qual time jogou Getúlio Vargas e Plinio Lemos? Os dois campos de futebol da cidade são em nome deles”. Silêncio reinante, a propositura foi aprovada por unanimidade.

    Seu Cabral se imortalizou. Mas, por ironia do destino, os dois maiores Prefeitos do século XX de Campina Grande foram Vergniaud Borborema Wanderley (pronuncia-se Verniô) e Enivaldo Ribeiro. O primeiro demoliu o centro antigo da cidade e construiu ruas e avenidas largas. O segundo, fez o Plano Diretor que até hoje está aí, e foi um recorde em obras. Todavia, não deixaram nada escrito sobre suas obras. Agora está se despedindo de sua gestão Romero Rodrigues. Em nossa opinião o maior Prefeito de Campina Grande do século XXI. Cometendo o mesmo erro de Vergniaud e Enivaldo. Em duas décadas, poucos se lembrarão de sua gestão.

  • MEXERAM COM O LEO FERIDO

    01/12/2020

    Adágio popular: “você entra na política pelos amigos, não sai pelos inimigos”. Mas, quem são estes inimigos? Frase cunhada pelo saudoso Senador do RN Dinarte Mariz: “politica é a arte de atrair adversários e trair correligionários”. Evidente que os inimigos são aqueles que sempre estiveram ao seu lado, bajularam; ocuparam espaços e se projetaram sob a hipócrita insígnia da “lealdade”.

    Ávidos pelo poder, no mundo político são raras as “criaturas” que controlam a ganância, e se contêm para não se voltarem e destruírem o seu “criador”. Willian Shakespeare - em sua obra Júlio César - descreve de forma brilhante os instintos da traição pelo poder, sempre perpetrados por aqueles que estão em sua volta, gozam de privilégios, confiança; intimidade, e posicionam-se acima de qualquer suspeita. Este é o “elemento surpresa”, imprevisto por conta da “gratidão”, sentimento nobre, porém, jamais cultivado pela maioria daqueles que ambiciona alcançar o topo da pirâmide.

    Nas eleições de 2018, enquanto Cássio Cunha Lima procurava viabilizar sua volta para o Senado Federal, todos se uniram e conspiraram para derrota-lo de forma humilhante. Os irmãos Cartaxo, sua companheira Daniella Ribeiro; Ricardo Coutinho; Ney Suassuna; dissidências em sua própria família... Tudo sob o olhar perplexo de outro traído: Jose Maranhão. Os Regos não podem figurar nesta lista. São seus únicos inimigos políticos autênticos e históricos. Ricardo e José Maranhão, foi ou são ainda circunstanciais. Todos tinham um projeto político e Cássio era o poste no meio da ponte.

    Sangrando como Júlio Cesar (2018), após seis punhaladas, Cássio Cunha Lima sobreviveu. Ficou fora de combate, abandonado pelos amigos; fiéis seguidores e ex-companheiros de jornadas, sem forças sequer para sustentar a espada e o escudo. Optou pelo silêncio. Cuidou em sarar as feridas da alma, mesmo sabendo que ficariam as cicatrizes como lembrança permanente.

    Eis que agora em 2020, chega Brutus (Cícero Lucena), o único que não apareceu na emboscada de 2018. Tinha que cravar também uma adaga, no peito do já considerado moribundo político, Cássio Cunha Lima. Até tu Cícero? A carta desabafo do ex-senador foi pertinente. Após o assassinato de Júlio César, surgiu o Cristianismo, como Religião e Filosofia. A gratidão está intrinsicamente ligada aos dois principais mandamentos desta ordem humanista que prega a paz entre os homens, a fé e esperança ao recomendar o dom do perdão e o poder da renúncia.

    Cássio renunciou a política e perdoou seus agressores, como um bom Cristão. Mas, como esquecer? E agora, depois de Cícero? Com certeza vai voltar ao campo da honra e travar mais uma batalha em 2022. Provavelmente este não seria seu desejo. Mas, perder, reconhecer a derrota e ser eternamente tripudiado! Mexeram com um leão ferido O instinto de defesa o moverá para um contra-ataque feroz, mortal e talvez até irracional.

  • O DESASTRE ELEITORAL DE 2020

    21/11/2020

    A ausência de uma legislação eleitoral permanente, infelizmente constantemente alterada a cada dois anos - ajustando-as às conveniências do Congresso Nacional – culminou num modelo que se exauriu em definitivo no pleito deste ano de 2020, quando foi posto em prática o excêntrico Fundo Especial de Financiamento de Campanha, ou “Fundão Eleitoral”.

    A nefasta experiencia do “Fundão Eleitoral” agora em 2020 instituiu (provavelmente) em definitivo a compra obrigatória de votos - crime eleitoral que vem sendo combatido após 1986 - ocasião em que se realizou o pleito com vistas à instalação da Assembleia Nacional Constituinte de 1988. Na época, os mais diversos setores da economia do país investiram em candidatos para defenderem seus interesses na elaboração da nova Carta Magna – atual Constituição Cidadã.

    Neste ano de 2020 todos os votos foram comprados e venceu quem gastou mais. Inexistiram os debates ideológicos. Valores e preparos intelectuais dos postulantes foram nivelados por baixo. Estabeleceu-se o “leilão”: quem pagou mais, levou o sufrágio. Não se discutiu o hoje e o amanhã do município, numa perspectiva futurista da Nação, debatendo modelos econômicos e conjunturas político/social. Esmagadora maioria do eleitorado adotou a “Lei de Gerson” (levar vantagem em tudo) ao saber da existência de 3,0 bilhões de reais destinados a candidatos, para serem gastos em suas eleições.

    Depois de quarenta anos, com todos os avanços tecnológicos e acesso a informação instantânea (internet), as declarações de Pelé, o Rei do Futebol – contemporânea a publicidade de Gerson veiculada na mídia vendendo as pilhas Rayovac - estão imortalizadas: “o brasileiro não sabe votar... Ainda não conhece o valor de um voto”.

    O desastre 2020 só vem constatar que nunca houve vontade politica do Congresso Nacional em acabar com a corrupção no país, processo que se inicia a partir das eleições. O experimento do “Fundão Eleitoral” e das “nominatas partidárias” foi um tiro no pé. Se estas regras prevalecerem para 2022, nenhum parlamentar do famigerado “Centrão” retornará às Casas Legislativas do país.

    O custo de um mandato de deputado federal será de no mínimo 10 milhões de reais. Estadual, metade. E de um Senador da República, inimaginável. Isto tendo como base valores do voto para vereador (2020) que oscilou entre R$ 300,00 e 600,00 dependendo do tamanho da cidade: quanto menor, mais caro o sufrágio. O fenômeno da pura democracia vivida em 2018, disputa renhida entre Direita x Esquerda, conservadores e progressistas – sem o abuso do poder econômico – culminando na vitória de Bolsonaro – ora pode se considerar como um fato raro e inusitado, instante de lucidez e cidadania que jamais se repetirá em nossa história.

  • STJ MOSTRA A FORA DO CORPORATIVISMO

    19/02/2020

    A decisão “corporativa” de manter a liminar que determinou soltura do líder da ORCRIM girassol, Ricardo Coutinho - concedida pelo plantonista provisório à época Ministro Napoleão Nunes Maia – amplia mais ainda o profundo fosso que separa uma nova sociedade em mutação (sedenta por Justiça) do distante e inatingível Poder Judiciário, regiamente pago pelo suor do trabalhador brasileiro, que almeja punições severas contra os ousados e arrogantes malbaratadores do erário público.

    Alcançado pela compulsória marcada para este ano, precisamente em 30/12/2020, quando completará 75 anos, Napoleão Maia foi salvo por seus pares da 6ª turma (STJ) ontem (18/02/2020) placar de 4x1. Em final de carreira, ser punido por companheiros, mesmo que por erro grave e insanável? Mancharia sua “biografia”. A opção em “salvar” o Ministro de sua ultima travessura, culminou em danos à figura de um Desembargador do TJ-PB probo, digno e de conduta ilibada, que por méritos chegou ao TJ-PB, dispensando qualquer apoio político de sua ilustre família.

    A 6ª turma do STJ não avaliou a periculosidade de um quadrilheiro em liberdade... Doravante irá destruir provas, intimidar testemunhas; chantagear autoridades e obstruir a Justiça. Qual a diferença entre os crimes praticados por Ricardo Coutinho e Sérgio Cabral? Provavelmente seja a figura do julgador: Juiz Marcelo Bretas que o meteu na cadeia, e quando vislumbrou que seria boicotado pelas Cortes Superiores, sentenciou-o a 180 anos de cadeia. Mostrando seu destemor do mundo político e suas influencias, encarcerou Pezão, no exercício de suas funções como governador do Rio de Janeiro, saindo algemado do Palácio da Guanabara.

    Quem assistiu ao julgamento no TSE (24.04.2018) do então governador Ricardo Coutinho – transmitido pela TV Justiça - percebeu a “indisfarçável simpatia” do Ministro Napoleão Maia pelo réu socialista, fundador da quadrilha girassol. Amor à primeira vista? Mesmo sendo o relator, não leu seu voto, sequer teve a preocupação de fundamentá-lo usando qualquer “entendimento” da confusa e ininteligível legislação eleitoral. A remissão fiscal de impostos como IPVA, ICMS (gol de prata); Multas e Taxas do DETRAN-PB, prejuízo ao erário estimado em 36 milhões de reais, em plena campanha eleitoral de 2014, na visão de Napoleão Maia, não desequilibrou a disputa do pleito. Absurdo! Dezenas de milhares de votos de proprietários de motocicletas foram trocados pelo perdão da dívida do IPVA.

    “Assistencialismo necessário” (?) foi a tese vergonhosamente “improvisada” pelo Ministro Relator Napoleão Maia, alegando que motocicleta no Nordeste era um “jumento motorizado”. Que conhecia a pobreza da região, e que todo tipo de “assistencialismo” – mesmo em período eleitoral – era importante e bem vindo, para amainar o sofrimento desta gente. Sem “assistencialismo” o nordestino morre de fome e sede. Onde se encontra esta lei, artigo ou Jurisprudência? Finalizou alegando que a vontade popular deveria ser respeitada. Mas, não houve “vontade” e sim “motivação” do eleitor pelo dinheiro e os benefícios da máquina pública.

    A Ministra Rosa Weber tentando minimizar o vexame, não escondeu sua sinceridade: “no meu entendimento este tipo de ação é conduta vedada e desequilibra qualquer pleito”. Concordou com o Vice Procurador Geral Eleitoral, Nicolao Dino - irmão do governador do Maranhão Flávio Dino (PCdoB) - que compõe o arco de alianças dos partidos de esquerdas, onde se inclui o PSB. Separando o “homem ser, do homem função”, Nicolao Dino pediu a cassação da chapa de 2014, por considerar uma “aberração” o TRE-PB não ter observado os crimes cometidos durante a campanha.

    Jornalista Flávio Lúcio, que tripudia com ironia em seus textos o Desembargador Ricardo Vital e GAECO-PB, após resultado do julgamento da 6ª turma lhes pôs uma “alcunha” de o “Sérgio Moro da Paraíba”. O zelo, conhecimento e preparo do Desembargador Ricardo Vital em nada difere do respeitado Juiz, homenageado em todo o planeta por sua coragem de prender e condenar o Chefe de Estado mais corrupto da história do século XX e XXI, do mundo civilizado.

    Sérgio Moro do Paraná, não esperou fechar o “conjunto da obra” da corrupção contumaz que sorveu dos cofres públicos trilhões de reais, instalada no país desde 2003. Bastou o Triplex do Guarujá. Demais criminosos envolvidos na gang, seriam pegos pelas delações e seu efeito dominó. Teve que encarar o Ministro Teori Zavascki, que atendendo pedido da então Presidenta Dilma, concedeu liminar a Renato Duque. Duque tinha diversos crimes, porém, bem menos graves que os de Ricardo Coutinho. Duas semanas depois, o Justiceiro do Brasil o pôs novamente na cadeia. E, cuidou em sentenciá-lo, evitando que o exemplo encorajasse outros delinquentes, e se criasse a esperança da impunidade.

    Para Ricardo e seus comparsas, tudo está dentro do planejado: em 120 dias terá sua candidatura a prefeito registrada e ficará impedido de ser preso até 31/12/2020, a não ser em flagrante delito. A Justiça, neste período engajada no processo eleitoral, dificilmente terá tempo para julgar um processo, que a cada dia fica mais extenso.   

  • ESTRATGIA POLTICA DE RC PODER VENCER O JOGO

    15/02/2020

    Já não existe mais o que se delatar sobre os desvios milionários da gestão Girassol. Para se condenar um ladrão, não precisa provas que roubou milhões ou irrisórios centavos, a pena é a mesma. O que o GAECO- PB ainda não alcançou foi a estratégia dos advogados de Ricardo Coutinho, e onde pretendem chegar, quando exibirem troféu de uma vitória, debaixo do nariz do Poder Judiciário da Paraíba.

    Decorreram-se quatorze meses de investigações, prisões; delações com revelações tão estapafúrdias, que se não fossem amparadas em materialidades, o conjunto das provas seria difícil de merecer credibilidade, em função da ousada selvajaria da quadrilha e seu chefe – ex-governador Ricardo Coutinho – que ainda chegou a ser detido provisoriamente. Entretanto, como um prolixo discurso de bêbado, tudo já foi dito, mas, ainda não sabemos quando irão finalizar esta “peça” de retórica. 

    O processo se arrasta... Aguardam mais delações? As que já existem são suficientes para um século de cadeia. Uma queda de braço entre o GAECO-PB, MP e PGR, quer a volta de Ricardo Coutinho ao cárcere. Para que? Virá Gilmar Mendes ou Dias Toffoli e põe ele na rua, usando o mesmo “entendimento” e até decisão da Suprema Corte sobre prisão em segunda Instância. Neste caso, estão fazendo o “jogo” do ex-governador, ou morderam a “isca” de seus advogados?

    Chegamos ao mês de fevereiro (2020). Em Junho, se inicia o período eleitoral. É exatamente esta oportunidade que Ricardo Coutinho aguarda para sair pela porta da frente, sem fugir da Justiça. Carnaval, Páscoa e São João, e pelo visto, o chefe da OCRIM Girassol não será condenado. Se isto não ocorrer – o que achamos pouco provável – será candidato a Prefeito de João Pessoa.

    A partir do registro de sua candidatura, não pode mais ser preso, a não ser em “flagrante delito”. Quanto à possibilidade de uma condenação em pleno período eleitoral, mesmo que ocorra, uma “liminar” de plantão o deixará disputar o pleito. Se porventura vencer, será diplomado e empossado. Os processos da Operação Calvário iniciarão sua longa jornada procrastinatória, com vistas alcançarem a prescrição.

    O Desembargador continua “notificando” mais suspeitos, o GAECO-PB mantém sua “volante” procurando encontrar mais comparsas do bando, quando o líder já está cercado? Redundância absurda! A grande noticia seria: “processo concluso para julgamento”. Aí, a expectativa seria - não pelos anos de cadeia de seus prováveis condenados - mas, pela inelegibilidade de Ricardo Coutinho no pleito que começa em 130 dias. O Chefão da Máfia Girassol continua “ficha limpa” para a Justiça Eleitoral.

    Dispondo de milhões de reais, indiscutivelmente Ricardo Coutinho disputa com chances de vitória as eleições da Capital. Seu discurso deixará o eleitor “tonto” e inseguro: “sou ficha limpa... Não tenho nenhuma condenação na Justiça... Investigam-me por delações de ladrões que roubaram no meu governo, traíram minha confiança... Se eu fosse culpado, não estaria aqui pedindo seu voto”. Alguém duvida? Aguardem!

    Em tempo: Ricardo Coutinho nunca sofreu uma derrota no TRE-PB, não tem contas rejeitadas pela Assembleia Legislativa; nenhum outro tipo de condenação, sequer pelo PROCON. Para o eleitor e opinião pública, já saturada com tanta ação do GAECO-PB sem reação imediata do TJ-PB, se ele esteve durante todo este tempo no bordel, vestido de Freira, fica uma incógnita: talvez estivesse apenas em meio às prostitutas.

  • NO V O SEPARAR O JOIO DO TRIGO?

    05/02/2020

    O pastor Shimidt, guardião da fé dos fieis de uma pequena cidade da Alemanha, durante o momento mais difícil da II Guerra (final de 1944), confessou quando interrogado pelas tropas aliadas - qual seu papel no conflito e por que estava na prisão quando os vencedores derrotaram os Nazistas.

    A resposta do líder religioso foi simples e intrigante: “vou procurar saber, se é que ainda existe alguém que possa me explicar”. Continuando, elucidou: “primeiro prenderam meu vizinho da direita, por entenderem que ele era comunista. Eu não era. Em seguida vieram e levaram o da esquerda, suspeito de ser Judeu. Não sou Judeu. Um dia me levaram (?)”. O clima de vingança pela inevitável queda do III Reich culminou na busca de culpados, criando em seguida à rota de fuga do “salve-se quem puder”.

    A Operação Calvário, desencadeada pelo GAECO-PB, teve origem no Rio de Janeiro, chegou à Paraíba, Goiás e Rio Grande do Sul. A metástase deste câncer talvez tenha atingido todo o país, de forma direta e indireta. Entretanto, o envolvimento da unanimidade da classe política paraibana é discutível e inaceitável. Todos estavam participando destas atividades criminosas? Até a oposição? Não acreditamos. Esta na hora de separar o joio do trigo.

    Por que a Assembleia Legislativa não instalou imediatamente uma CPI, para apurar quem participou deste assalto aos cofres públicos? Silenciou ou se intimidou? O fato estapafúrdio do TCE – Tribunal de Contas do Estado, órgão de Assessoria do Parlamento ter sido denunciado, e o Poder Legislativo Paraibano – independente segundo a Constituição – não instalar um inquérito, admite a culpa de todos, inclusive a dos deputados não importando sua legenda ou posição política, por omissão.

    Início de Janeiro deste ano (2020) faleceu o ex-deputado federal Ibsen Pinheiro, presidente da Câmara dos Deputados no ano de 1992, que corajosamente aceitou a denuncia, e pôs em Plenário o impeachment do então presidente Fernando Collor de Melo. Um ano depois - setembro de 1993 – “estourou” o escândalo dos “Anões do Orçamento”. Ibsen, inocente, foi forçado a renunciar para não ser cassado. O fato acabou com sua vida pessoal e política. Teve que mudar de cidade, deixar a barba crescer; perdeu todos os amigos e foi condenado ao eterno ostracismo.

    Crise de consciência do gerente da sucursal da revista Veja em Brasília, vinte e dois anos depois, numa entrevista ao programa de Jô Soares, confessou que a matéria estava errada. A cópia do depósito feito por Ibsen tinha data atrasada. Na hiperinflação, o governo tinha cortado três zeros. Portanto, o que seria três mil Cruzeiros, figurou na reportagem de capa como três milhões de cruzeiros. Antes de a revista circular, o gerente ligou para o editor na sexta-feira e toda a hierarquia da Editora Abril. Tarde demais... Recusaram-se a mudar a capa. O efeito foi devastador.

    Canalhice maior foi o comportamento delinquente dos maus profissionais da grande mídia, que sabiam do erro que cometeram - assassinato da honra de Ibsen – não se recusaram em ser agraciados com o Prêmio Esso de Jornalismo, e mesmo depois de revelado a trama, ninguém até hoje devolveu a honraria para justificar a falta de caráter.

    A instalação de uma CPI pela Assembleia Legislativa do Estado da Paraíba, para apurar com rigor o coro de denuncias vulgarizadas pela mídia - objetos de delações premiadas - é ato de ofício da Casa, que representa um poder independente. Não é para inocentar culpados. O Parlamento dispõe de mecanismos para investigar, apurar, poder de policia para convocar membros do GAECO e se inteirar - não só da veracidade dos fatos - mas, como se procederam desenrolar dos acontecimentos.

    A operação Gautama (2007) desencadeou uma série de outras denúncias e outras operações como a “Navalha”. Todos os caminhos levavam ao então Presidente do Senado Renan Calheiros. E em meio a tantas revelações, surgiu a existência da “Sala Cofre” do Senado, onde continha os “Atos Secretos” e provavelmente farto material sobre o funcionamento da Casa Revisora do Congresso, desconhecido pelo público. A Policia Federal obteve autorização para busca e apreensão no Gabinete do Presidente do Senado e da Sala Cofre. Mas, a reação de Renan os impediu de cumprir o mandado.

    Ao tomar conhecimento que a PF viria ao Senado, Renan Calheiros convocou a Polícia Legislativa – armada até os dentes – e passou a ordem: “não discutam, o primeiro que entrar, arrombando a porta, atirem para matar”. Em seguida, respaldado pela Constituição, pediu Tropas Federais para guardar o Congresso. Ministro e PF recuaram. Mas, semanas de negociações, a PF foi levada a Sala Cofre e colheram os documentos que procuravam. Renan foi afastado da Presidência. Permaneceu como Senador e depois voltou a comandar o Senado por duas vezes. Errado ou não, ganhou respeito de seus pares.

  • CUBA: SESSENTA ANOS DE SOLIDO DA ILHA

    05/01/2020

    No dia 31/12/1959, meia noite e um minuto, Havana foi invadida por dezenas de milhares de agricultores armados, caminhões militares lotados de guerrilheiros que estavam escondidos em Sierra Maestra, disparando fuzis para o alto, e autofalantes anunciando a vitória da revolução.

    Ditador Fulgêncio Batista, retirou-se imediatamente das festividades, rumou com a família para o Aeroporto e do alto via as explosões de fogos de artifícios, canhões, e artilharia pesada comemorando não o ano novo, mas, sua queda. Desinformado, em menos de quarenta e oito horas dois quartéis haviam sido tomados pelos revolucionários, e os demais não ofereceram resistência evitando derramar sangue de inocentes: os revolucionários usaram o povo como escudo humano, para invadir as casernas onde se concentrava o maior poder de fogo.

    A ganância do Ditador vinha passando dos limites. Exigia sociedade nos empreendimentos norte-americanos na Ilha, ameaçando nacionaliza-los. Cuba explodia em prosperidade. Distante 200 milhas dos Estados Unidos, com sol durante todo o ano sobre suas belíssimas praias, vinha disputando com a Côte d’Azur da França: Mônaco, Nice; Capri... Locais frequentados pelos bilionários de todo o mundo.

    A bagunça foi generalizada. Invadiram Hotéis, Cassinos; Restaurantes; Casas de Show... Depredaram tudo. A turba armada e embriagada marchou rumo à avenida beira mar - seis quilômetros de extensão - onde os Bangalôs no estilo Hollywood pertenciam a milionários norte-americanos e os grandes astros do cinema, música; esporte e TV dos Estados Unidos. Saquearam bens de valores e ocuparam-nos como moradia. Hoje, uma favela em ruínas.

    Fulgêncio Batista pediu inúmeras vezes apoio aéreo ao então presidente Dwight Eisenhower, que enviou seus F-15, mais bombardeavam sempre e propositalmente distante de Sierra Maestra, ponto onde estava Fidel e seus pouquíssimos seguidores.

    Dia primeiro de Janeiro (1959) o Aeroporto e o Porto estavam congestionados. Todos os Americanos temendo por suas vidas, deixavam a Ilha. Fidel, por volta das 15h00min, ocupou o Rádio e fez um discurso de sete horas ininterruptas. Hubert Matos e outros tentaram interrompê-lo para falar algo, mas, sem sucesso. Era prolixo e adorava microfones. Na plateia mão tinha proletários. Só funcionários públicos, estudantes e toda a classe média da Ilha, que o apoiou e financiou a derrubada do tirano, corrupto, Fulgênio Batista. Criaria uma Junta Governativa provisória, e marcaria eleições gerais.

    Concluído seu discurso inaugural, pediram-no para tirar o psicopata assassino Ernesto Che-Guevara da Sacristia de uma Igreja, onde já tinha começado um fuzilamento desde as primeiras horas da manhã, embriagado e matando pessoas comuns como guarda civis, vigilantes e até Militares colaboradores com a causa. Guevara foi para um quartel, dormiu e ao acordar, reiniciou os fuzilamentos em diversas unidades Militares. Fidel ocupado com Embaixadores, empresários; industriais; comerciantes, e dando entrevistas, não teve tempo de conter a fúria do assassino Argentino.

    Foi uma semana de paralisação na Ilha. Quando finalmente foram cuidar das Forças Armadas, todos tinham desertados. E as armas? Che-Guevara tinha dado ao povo com munição suficiente: “A revolução não tem retorno, vocês serão nosso Exército”. Dois meses, começaram as cobranças dos Estados Unidos para regularização da Ilha. Fidel não tinha como explicar o desastre que cometera, a partir de sua família.

    O pai de Fidel era um dos grandes latifundiários de Cuba. Exceto Raul, os demais irmãos, tios e primos fugiram, temendo serem mortos. As terras foram invadidas por homens armados, que desconheciam o privilégio dos Castros. Cuba pertencia doravante a Revolução e ao povo (?). Com imagem e prestígio em alta, Che-Guevara fazia seus comícios incentivava as invasões e ocupação, principalmente de propriedades norte-americanas. A única alternativa de refrear Guevara era removê-lo com promoção. Foi nomeado Presidente do Banco Central de Cuba e Chefe do Tesouro.

    Fidel para chegar a Havana, loteou a ilha com facções de esquerda e direita ligadas a trabalhadores e empregadores. Imaginou que em seguida, se livraria de todos. Mas, esqueceu-se de Che-Guevara. Seis meses de Junta Governativa, a Ilha estava totalmente desabastecida. Faltava do alimento ao combustível e principalmente o necessário para as termoelétricas. Hotéis, Restaurantes e Cassinos fechados. Chamou Che-Guevara e determinou usar o dinheiro para suprir as necessidades mínimas. Para sua surpresa, não havia mais um centavo no Banco Central. Guevara havia distribuído com o povo - a quem forneceu as armas - dinheiro suficiente para se alimentarem por um ano. Gastaram tudo e não tinha mais onde se comprar uma refeição básica

    Não houve outro caminho, a não ser o apontado por Trotskista Guevara: pedir socorro a Moscou. Navios de combustíveis e alimentos começaram a chegar à Ilha, e a distância entre os Estados Unidos tornou-se um fosso profundo – tão extenso - onde se tornara impossível construir “pontes”.

    Fidel sobreviveu e morreu bilionário no poder. Porém antes, enterrou os sonhos e esperança de seu povo, que viviam na prosperidade, e hoje são sobreviventes da miséria. Passou a ser o espião número um da CIA e de Moscou. Guevara pagou caro pelo mal que fez a Fidel e Cuba. Primeiro o mandaram para Angola – combinado com os Estados Unidos – para evitar a presença de Moscou. Conseguiu sair com vida da guerrilha revolucionária. Ao chegar a Cuba, despacharam-no para Bolívia. Lá o mataram. O comunismo Soviético chegou a 72 longos anos, até que a queda do muro de Berlim simbolizar seu fim. Cuba completa 60 anos de sofrimento. Será que ainda aguentará por mais 12 anos? A Ilha de São Domingos, seu vizinho mais próximo, hoje é um dos locais turísticos mais caros, visitados pelos norte-americanos. Um paraíso em todos os sentidos. Como dizem os Cubanos, a Ilha se afunda, mas, o regime não cai.

  • O DRAMA DOS DOUTORANDOS

    10/12/2019

    Desde o ano 2000, os cursos das mais diversas áreas das Engenharias ofertados pelas Universidades Públicas, vêm sofrendo pesadas baixas, a partir do processo de acesso (antigo vestibular/ENEM) até sua conclusão. Nesta última década, a crise se aprofundou. Os resultados são os piores possíveis e inimagináveis.

    Disponibilizam cinquenta vagas no primeiro semestre e cinquenta no segundo. Nos últimos cinco anos, os que conseguiram aprovação no ENEM e se matricularam, não conseguiram formar uma turma de quarenta alunos. Findo o primeiro semestre a deserção atinge 30%. Primeiro ano, metade. No último ano, restam apenas 10 ou 12 que concluem o curso, motivados pela carreira acadêmica – bolsas de Mestrado e Doutorado - não pelo mercado de trabalho.

    Engenharia Civil, Mecânica; Produção; Pesca; Química; Materiais... Estão se nivelando a Pedagogia, Letras; Filosofia; Ciências Sociais e Economia: o aluno entra na Universidade, optando por estes cursos, em função do baixo nível de concorrência. Mesmo assim, ainda têm que serem “alavancados” pelo sistema de quotas, que privilegia os alunos oriundos da escola pública, afrodescendente; deficiente físico; pardo... E recentemente, a mais esdrúxula das quotas, crida no nordeste: nativos da região do semiárido ganham um peso elevadíssimo. Somando-se todas as regalias, basta não “zerar” na redação, que a vaga na Universidade está garantida.

    A UFRN criou um curso de Medicina no Campus Avançado da cidade de Caicó (RN). No ENEM de 2018 o “ponto de corte” foi um dos maiores do país: 850 pontos. Os concorrentes que foram aprovados, não tinham 10% da capacidade e nível de

    conhecimento ou competitiva da USP. Mas, quando levavam os atestados da Escola Pública, afrodescendentes ou pardos, e nascido no semiárido, liquidava os pobres miscigenados de olhos claros, que chamam de brancos. Qual a serventia desta Universidade, que despreza em seu processo seletivo o conhecimento, e valoriza a cor da pele, origem e passagem pela Escola Pública?

    O momento mais marcante do estudante universitário de Engenharia (anos 70) era o dia do seu baile de formatura. Belíssima festa após, ou concomitantemente com a Colação de Grau. Ocasião triunfal e inesquecível para família, evento marcado pelas despedidas da turma concluinte, jovens que acabara de vencer a belíssima jornada do aprendizado. De mala pronta, dia seguinte hora de partir. Enfrentar novos desafios como profissionais, no promissor mercado de trabalho do sudeste do país, onde estavam instaladas e se instalando, grandes plantas industriais. A nação na época chegou a crescer 14% ao ano. Hoje já não existem mais os bailes das Engenharias. Colação de grau de todos e num único dia, juntando um “punhado” de cada curso. Triste!

    Particularizando os conhecimentos acadêmicos da Engenharia Mecânica, sua metodologia permanece “congelada” no distante tempo do final dos anos setenta. Não houve nenhum tipo de avanço em mais de quatro décadas. Algo semelhante a tentarmos alfabetizar nossos netos, usando a Cartilha de Sarita, onde aprendemos a soletrar as primeiras palavras. Ou estudar a Matemática Moderna do autor Osvaldo Sangiorgi, movimento renovador do modelo de aprendizagem para o antigo curso Ginasial.

    Ao iniciar o curso de Engenharia Mecânica, o aluno tem que optar em desenvolver a didática absorvida, pondo em prática estes conhecimentos construindo ao longo de todo o curso, um protótipo de automóvel fora de estrada denominado “Baja”. Um carro esportivo, que transporta só o seu piloto, nunca vendido nem adquirido no mercado ou pelas montadoras de automóveis. A segunda opção é a construir miniatura de avião (Aeromodelo), hoje peça de museu depois do Drone.

    Em 2015, o Brasil produziu 2,4 milhões de automóveis, das mais diversas marcas e montadoras. Não tem um único genuinamente brasileiro. Suas peças e componentes, não pertencem à indústria nacional. Absolutamente tudo é importado, ou licenciado para ser produzido no país, usando mão de obra mais em conta. Por que as 127 Universidades públicas - afora Campus Avançados - em quase meio século nunca desenvolveram um motor de automóvel? Banhado pelo Oceano Atlântico, O Brasil tem 9.200 km de litoral navegável.

    As nossas Universidades Públicas mostraram-se literalmente incompetentes em criar através de suas Engenharias (Mecânica, Elétrica; de Materiais; Produção...) possibilidades de se desenvolver no Brasil uma Indústria Naval, com centenas de Estaleiros produzindo todo tipo de barco, navios de transportes, de passageiros e cargueiros. Que se destaque o grande mercado consumidor, a região norte, em especial a Amazônia, onde 80% do transporte de pessoas e cargas são através dos rios que compõe sua gigante bacia hidrográfica.

    O Brasil hoje é o 8º maior produtor de Motocicletas do mundo. As nossas Universidades foram incapazes de desenvolver através de suas Engenharias um simples motor para locomoção em duas rodas. Aqui montamos: Honda, Yamaha; Suzuki; Shineray; Kawasaki... Mas, o “sindicalismo universitário” consome 100 bi anualmente.

    Os Doutorandos das Engenharias – verdadeiros heróis em perseverança – além de terem sido ludibriados por um sistema perverso de doutrinação, e não aprendizado se depara com a dura realidade: para receber o diplomado, a Universidade exige um estágio. Em toda região norte/nordeste não existem indústrias Mecânicas ou Químicas que se enquadrem dentro dos padrões exigidos pela Universidade. Se não existe vaga para estágio gratuito, haverá emprego? Sem o estágio, não concluem o curso. Milhares abandonaram e outros tantos foram jubilados. Vale a pena manter estes cursos?

    Daremos continuidade ao tema, mostrando em outros artigos, as “excentricidades” das nossas Universidades Públicas, que perdeu o “bonde” da história, como coadjuvante na construção de uma grande nação.

  • QUAL O FUTURO DA UNIVERSIDADE PBLICA?

    04/12/2019

     As nossas Universidades Públicas - desde 1980 - entraram num processo lento e gradual de “sucateamento”, na medida em que suas estruturas cientificas foram confundidas com processo político/populista de inclusão, priorizando especificamente a “diplomação” do terceiro grau maior. O Orçamento Geral da União – dinheiro dos impostos pagos pelo trabalhador brasileiro - destina ao Ministério da Educação 140 bilhões de reais anualmente, dos quais mais de 80% é consumido pelo ensino superior, para alimentar um gigante complexo de 127 Universidades além dos IF.

    Estas Instituições abrigam mais de seis milhões de jovens estudantes - esperançosos em assegurarem para sua vida um futuro promissor – infelizmente ora perdidos na contra mão da história, em virtude do conteúdo curricular assimilado, literalmente ultrapassados e distantes da realidade do mercado formal de trabalho, que antes se reinventa a cada década, hoje anualmente.

    Confere o adágio popular nordestino: “em casa de Ferreiro o espeto é de pau”. Universidades são centros de estudos e principalmente pesquisas. Entretanto, propositalmente nunca realizaram a mais primária de todos: averiguar quais as profissões do futuro. Este ano comemorou-se cinquenta anos da chegada do homem a Lua. Todos os técnicos e cientistas envolvidos neste fato histórico passaram pelas Universidades, onde desenvolveram pesquisas aproveitadas pela indústria: aeronáutica,

    química; elétrica; mecânica; eletrônica; física; médico/biológica, a exemplo de como reagiria o corpo humano sem a gravidade.

    As constantes descobertas de novas tecnologias - que não pedem permissão a Universidade Publica do Brasil para se expandirem - estão sendo desenvolvidas e avançando por todo o planeta, “engolindo” postos de trabalho através da “automação” ou de “aplicativos” inseridos na internet, deixando nossos “Doutores” com diplomas desempregados. Quantas profissões já desapareceram nestas duas últimas décadas? Quantas sucumbirão até 2030? Para que se tenha noção do amanhã, exemplificamos um fato previsível para década (2020/2030) que se inicia ano vindouro: a rede bancária funcionará totalmente através da internet. Este segmento profissional (Bancários) em declínio e extinção, ora ainda emprega milhares de trabalhadores “qualificados” através de diplomas universitários nas áreas de Administração, Ciências Contábeis; Economia; Engenharia; Matemática... O que farão a partir da década de 2030/2040?

    No quadro deplorável em que se encontra o país - herança dos governos social/populistas instalados desde 1995 – todas as demandas dos diversos setores da sociedade são prioritárias: saúde, educação; segurança pública; infraestrutura; matriz econômica - com política de distribuição de rendas - inspirada na versão século XXI... No caso da educação - ensino superior - a gravidade identificada é se existem chances de “recomeço”. Talvez o governo tenha que refundar este sistema.

    Inútil tentar remodelar um método anacrônico e inadequado, através de simples processo de “reciclagem”. Seria o mesmo que utilizar toda tecnologia dos atuais automóveis, num chassis de um Ford T-34 modelo 1930.

    Pesquisas oriundas dos Centros Acadêmicos avançados das Universidades dos países que progrediram no século XX, reposicionaram suas perspectivas num mundo futurista, como “locomotiva” na jornada do progresso científico, puxando o comboio dos mercados de trabalho e consumo. E o que ocorreu no Brasil? Chegando ao poder, as esquerdas adotaram o atávico sistema “sindicalista” dos anos 30 (século passado), posto em prática na Itália de Benito Mussolini (era Fascista), copiado por Getúlio Vargas e que perdura até os dias de hoje.

    As Universidades Públicas Brasileiras sindicalizaram-se, priorizando o emprego e garantindo a estabilidade de seus integrantes. Com autonomia financeira, tornaram-se independentes do MEC. Passaram a eleger seus quadros dirigentes (Conselhos) e até Reitores (?). Absurdo visto apenas no Brasil e Cuba. Ao invés do Concurso Publico, optaram pelos “Processos Seletivos”, cuja nomenclatura por si já expressa seu objetivo: só para “cumpanheirada”. Todos seus Reitores da imensa rede de Universidades Públicas (até 2018) eram militantes políticos do PT, PCdoB; PSOL. Tornaram-se difusores e doutrinadores de ideologias, convertidas em “formação de opinião”, que se expandiram de forma geométrica, explorando a ignorância política da juventude de forma perversa, transformando-os em “talibãs”.

    Paralelamente, as Universidades Privadas estão se posicionando rapidamente no ranking classificatório – em alguns Estados – bem a frente das públicas. Os Cursos à distância estão sendo moldados dentro das exigências do mercado, garantindo emprego imediato em novas profissões ou atividades, sintonizadas com o mundo globalizado do conhecimento prático. Qual o destino das Universidades Públicas? Opinião sobre este tema com completa radiografia sobre este “sistema”, não permite se encerrar num único artigo. Daremos sequencia. Próximo tema: O DRAMA DOS DOUTORANDOS.

  • ESQUERDAS E CENTRO PREPARAM ATAQUE FULMINANTE

    18/11/2019

    Manobras e sabotagens levadas a efeito, desde a posse do presidente Jair Bolsonaro – apenas com dez meses de gestão – têm sido orquestradas e ganham ênfase, ao se perceber a perfeição do plano para derrubá-lo. As peças soltas deste quebra-cabeça aos poucos estão se “encaixando” e mostrando a imagem prevista por Zé Dirceu, entrevista publicada pelo El País há um ano: perdemos uma eleição, mas tomaremos o poder, o que de fato é o mais importante.

    As esquerdas, aliadas ao centrão e com apoio logístico do STF, preparam uma emboscada fulminante, onde as chances de sobrevivência do governo Bolsonaro são mínimas, para não dizer “milagrosas”. Os motivos não se atêm ao presente, se impõem por força do inapagável passado de corrupção, que envolveu todos, e culminou na operação lava-jato. A queda de Dilma – eleita por urnas eletrônicas fraudulentas – foi um ato suprapartidário dos patronos da corrupção institucionalizada. A presidente não conseguiu frear a devastadora operação lava-jato, que avançava no formato “efeito dominó”: um a um começou a “cair” e logo todos estariam no chão.

    A trama contou com os principais partidos que lhes davam apoio e contraditoriamente estavam “apojados” nas “tetas” do governo: PMDB, PP; PTB; PR; DEM... Consolidou-se com o “racha” dos ideológicos PDT/PSB. No STF, ministros nomeados por Dilma – inclusive o último – Edson Fachin, foram incapazes de criarem Jurisprudência procrastinatória, em virtude da “contaminação” da Corte com nomes de alguns dos seus membros citados pelos grandes empresários delatores da lava-jato. Todos preferiram salvar a pele. Que viesse Temer e parasse a lava-jato.

    O candidato Jair Bolsonaro (2018) passou a se constituir como o principal inimigo da “Central” das OCRIM da corrupção. Tomou uma facada – não por questões ideológicas – mas, para eliminar por antecipação um provável justiceiro, considerado algoz da bandidagem do colarinho branco. Escapou do atentado e venceu o pleito. Cumprindo o que havia prometido a seus eleitores, convidou o Juiz Sérgio Moro para o Ministério da Justiça. Hoje, se percebe que houve precipitação de ambos. Do convite de Bolsonaro e da concordância do Juiz. Talvez se ainda estivesse em Curitiba, toda a “corja” estaria agora na cadeia.

    Michel Temer mudou o foco do país e tentou parar a lava-jato. Esqueceu-se do Procurador Geral da República Rodrigo Janot, que acelerou a mega delação da Odebrecht e pegou os gatunos da JBS e Funaro. Com eles, encurralaram o presidente, levando a corrupção à sala de estar do insuspeito Poder Executivo. Curioso foi a Câmara que cassou Dilma por “pedaladas fiscais” não ter cassado Michel Temer por corrupção passiva, lavagem de dinheiro e formação de quadrilha. Observem a força do “corporativismo”, que independente de legendas se une para escapar da lei.

    O processo silencioso com propósito de derrubarem o governo Bolsonaro prossegue em ritmo célere, sem a percepção do povo. Aqui, acolá, deixaram “pistas” soltas, ignoradas pelos mais perspicazes observadores, que consideram ainda impossível tamanha ousadia. Mas, a vaidade do Ministro Gilmar Mendes, em uma entrevista concedida a Mário Sérgio Conti da TV Globo News (14/11/2019), deixou marcas evidentes das peadas na trilha por onde caminha o “golpe”. Segundo o Ministro “Lula merece um julgamento justo pelo STF e seu processo pode ser anulado, mesmo com as condenações do TRF-4/STJ”. Culpou a mídia e acusou STJ de medroso (?).

    Gilmar Mendes apontou corrupção na Força Tarefa da lava-jato, sugeriu conluio do Juiz Sérgio Moro com os Promotores do MPF; considerou Moro como facilitador da vitória de Bolsonaro, por ter vazado a delação de Palocci nas vésperas da eleição; sobre prisões de Moro ele avaliou como “tortura psicológica”, com objetivo de colher confissão. Criou um roteiro sugerindo que as ações do atual Ministro visavam chegar ao Ministério. Gilmar mostrou-se fiel ao script, e cumpre seu papel na missão da “conspiração”: denegrir e desmoralizar Sérgio Moro, MPF e Força Tarefa da lava-jato.

     ESQUERDAS E CENTRÃO PREPARAM ATAQUE FULMINANTE

    Manobras e sabotagens levadas a efeito, desde a posse do presidente Jair Bolsonaro – apenas com dez meses de gestão – têm sido orquestradas e ganham ênfase, ao se perceber a perfeição do plano para derrubá-lo. As peças soltas deste quebra-cabeça aos poucos estão se “encaixando” e mostrando a imagem prevista por Zé Dirceu, entrevista publicada pelo El País há um ano: perdemos uma eleição, mas tomaremos o poder, o que de fato é o mais importante.

    As esquerdas, aliadas ao centrão e com apoio logístico do STF, preparam uma emboscada fulminante, onde as chances de sobrevivência do governo Bolsonaro são mínimas, para não dizer “milagrosas”. Os motivos não se atêm ao presente, se impõem por força do inapagável passado de corrupção, que envolveu todos, e culminou na operação lava-jato. A queda de Dilma – eleita por urnas eletrônicas fraudulentas – foi um ato suprapartidário dos patronos da corrupção institucionalizada. A presidente não conseguiu frear a devastadora operação lava-jato, que avançava no formato “efeito dominó”: um a um começou a “cair” e logo todos estariam no chão.

    A trama contou com os principais partidos que lhes davam apoio e contraditoriamente estavam “apojados” nas “tetas” do governo: PMDB, PP; PTB; PR; DEM... Consolidou-se com o “racha” dos ideológicos PDT/PSB. No STF, ministros nomeados por Dilma – inclusive o último – Edson Fachin, foram incapazes de criarem Jurisprudência procrastinatória, em virtude da “contaminação” da Corte com nomes de alguns dos seus membros citados pelos grandes empresários delatores da lava-jato. Todos preferiram salvar a pele. Que viesse Temer e parasse a lava-jato.

    O candidato Jair Bolsonaro (2018) passou a se constituir como o principal inimigo da “Central” das OCRIM da corrupção. Tomou uma facada – não por questões ideológicas – mas, para eliminar por antecipação um provável justiceiro, considerado algoz da bandidagem do colarinho branco. Escapou do atentado e venceu o pleito. Cumprindo o que havia prometido a seus eleitores, convidou o Juiz Sérgio Moro para o Ministério da Justiça. Hoje, se percebe que houve precipitação de ambos. Do convite de Bolsonaro e da concordância do Juiz. Talvez se ainda estivesse em Curitiba, toda a “corja” estaria agora na cadeia.

    Michel Temer mudou o foco do país e tentou parar a lava-jato. Esqueceu-se do Procurador Geral da República Rodrigo Janot, que acelerou a mega delação da Odebrecht e pegou os gatunos da JBS e Funaro. Com eles, encurralaram o presidente, levando a corrupção à sala de estar do insuspeito Poder Executivo. Curioso foi a Câmara que cassou Dilma por “pedaladas fiscais” não ter cassado Michel Temer por corrupção passiva, lavagem de dinheiro e formação de quadrilha. Observem a força do “corporativismo”, que independente de legendas se une para escapar da lei.

    O processo silencioso com propósito de derrubarem o governo Bolsonaro prossegue em ritmo célere, sem a percepção do povo. Aqui, acolá, deixaram “pistas” soltas, ignoradas pelos mais perspicazes observadores, que consideram ainda impossível tamanha ousadia. Mas, a vaidade do Ministro Gilmar Mendes, em uma entrevista concedida a Mário Sérgio Conti da TV Globo News (14/11/2019), deixou marcas evidentes das peadas na trilha por onde caminha o “golpe”. Segundo o Ministro “Lula merece um julgamento justo pelo STF e seu processo pode ser anulado, mesmo com as condenações do TRF-4/STJ”. Culpou a mídia e acusou STJ de medroso (?).

    Gilmar Mendes apontou corrupção na Força Tarefa da lava-jato, sugeriu conluio do Juiz Sérgio Moro com os Promotores do MPF; considerou Moro como facilitador da vitória de Bolsonaro, por ter vazado a delação de Palocci nas vésperas da eleição; sobre prisões de Moro ele avaliou como “tortura psicológica”, com objetivo de colher confissão. Criou um roteiro sugerindo que as ações do atual Ministro visavam chegar ao Ministério. Gilmar mostrou-se fiel ao script, e cumpre seu papel na missão da “conspiração”: denegrir e desmoralizar Sérgio Moro, MPF e Força Tarefa da lava-jato.

    Paradoxalmente, a única vez que o Ministro Mendes se referiu ao Presidente Jair Bolsonaro foi para elogiá-lo, por ter nomeado para PGR o Procurador Aras - fora da lista do MPF - instituição que ele abomina e denuncia como “corporativista e imoral”. Enalteceu o presidente, por não ter escolhido um nome da Força Tarefa da lava-jato.

    Paralelamente, trabalham a quatro mãos, em outra frente, o presidente do Senado Federal David Alcolumbre e o presidente da Câmara dos Deputados Rodrigo Maia. Alcolumbre não instalou - e nem instalará - a CPI da lava-toga, impeachment de quatro ministros do STF; votação do fim do foro privilegiado.

    Rodrigo Maia, por sua vez, tirou o COAF das mãos do Ministro Moro e “guilhotinou” o Secretário da Receita Federal. Já colheu 200 assinaturas para PEC 0037/2019 – criada inexplicavelmente em março – inicio do governo, cujo objetivo é impedir o General Mourão assumir o cargo de Presidente, em caso de cassação, morte ou impedimento do titular Jair Bolsonaro. A PEC não precisa mais passar pela CCJ da Câmara. Pode ser levada a Plenário a qualquer hora, provavelmente antes do recesso do final deste ano, por ocasião da última sessão prevista para 20 de dezembro.

    Se em Abril de 2020, o TCU apresentar relatório recomendando a desaprovação das contas do presidente Jair Bolsonaro, será o suficiente para se iniciar um processo de impeachment, numa casa legislativa onde o mesmo está sem partido e em minoria. Só o povo pode impedir de acontecer, o que está fatidicamente consumado: Poder Legislativo e Judiciário unidos para derrubar o governo e se salvarem do fantasma da corrupção que os persegue.

  • CSSIO ABENOADO PELO FATOR SURPRESA

    13/11/2019

    O prefeito de Campina Grande, Romero Rodrigues, construiu a maior obra da cidade dos últimos tempos: complexo habitacional - ou cidade - Aluízio Campos. Segurou o quanto pode o evento da inauguração - entrega das quatro mil e cem unidades habitacionais – na certeza que este “momento” o consagraria historicamente como a maior liderança política da Rainha da Borborema, isolando-se dos demais e ganhando fôlego para no início do próximo ano lançar seu candidato à sucessão. Certamente no seu imaginário – e do meio político - derrota sofrida em 2018 pelo grupo Cunha Lima afastava qualquer perspectiva de um membro deste clã reunir condições para uma disputa municipal.

    E o que se passava pela cabeça de Cássio Cunha Lima? Eleito aos 21 anos deputado federal Constituinte, iniciou uma jornada sucessiva e ininterrupta de vitórias por uma longa temporada de 28 anos. Prefeito de Campina Grande, três vezes; deputado federal duas vezes; governador do Estado duas vezes; senador da República um mandato. Seu primeiro tropeço (derrota) foi em 2014. Mesmo assim, venceu o governador candidato à reeleição Ricardo Coutinho no primeiro turno. No segundo, perdeu por mais de 120 mil votos.

    Em 2018, ao tentar renovar seu mandato para o Senado, foi atingido por um tsunami: Ricardo Coutinho “obrando milagres” avançou nos redutos “cassistas” e sem piedade o deixou na quarta posição – última – dos que disputaram as duas vagas. Perdeu até em Campina Grande para Daniella Ribeiro, muito embora tenha ficado bem à frente de seu concorrente direto, Veneziano Vital do Rego. Entretanto foi “atacado” pelo desconhecido Luíz Couto, que lhe arrancou 44 mil votos.

    O marechal “tempo” transformou os “milagres” de Ricardo Coutinho em “calvário”. Está sendo castigado por ter saqueado os cofres públicos. Da Cruz Vermelha foram desembolsados 200 milhões de reais para compra de votos. Estimado em 100 reais – per capita – compraram o equivalente a dois milhões de sufrágios.

    Além da Cruz Vermelha, já estão surgindo nomes de dezenas de empresas, através das delações premiadas dos envolvidos no maior “esquema” de corrupção da história da Paraíba, estimado pelo GAECO em dois bilhões de reais desviados nos últimos oito anos. Evidente que a visão deste quadro só pode ser observada agora, depois da prisão e confissões de membros da quadrilha. No pós-campanha de 2018, todos atribuíram a derrota de Cássio ao cansaço de sua liderança. Esqueceram até de mencionar a “maquina” do Estado usada como “Blitzkrieg”, cujo alvo principal era varrer a resistência “tucana” em todos os redutos da Paraíba.

    Sob a ótica de Ricardo Coutinho, a reeleição de Cássio Cunha Lima ameaçaria seu projeto de voltar ao governo em 2022, passando antes pela PMJP. Para tanto, faltou-lhes coragem de renunciar e disputar uma das vagas do Senado. Talvez este tenha sido o motivo de sua ira: ficar imobilizado, sem mandato e agora sem prerrogativa de foro. Cássio, num tom de desabafo, declarou precipitadamente que estava mudando seu domicilio para Brasília, deixando subentendido que havia abandonado a vida pública.

    A ironia do destino, considerado como “fator” surpresa no dia 11/11/2019 - não “elemento” surpresa que é cuidadosamente preparado e planejado - inverteu completamente as expectativas de toda a classe política de Campina Grande e da Paraíba. O primeiro episodio foi a descortesia “oficial” do governador João Azevedo, que deveria ter ido receber o Presidente da República no aeroporto, devolvendo a gentileza que teve Jair Bolsonaro em recebê-lo em audiência no Palácio do Planalto. Um ato de grosseria. O segundo equivoco foi do senador Veneziano Vital do Rego, que não soube explorar politicamente a ocasião, oportunidade que destacaria a “paternidade” da obra: governo petista de Dilma Rousseff, hoje sua aliada.

    Romero Rodrigues, que deveria ter chegado ao lado de Cássio, talvez tenha avaliado que o ex-senador estivesse com receio de ser apenas um a mais no palanque, completamente perdido no tempo, sem o velho aconchego do povão. Todos erraram e só Cássio que chegou cautelosamente temendo ser percebido, foi ovacionado de modo emocionante como nos velhos tempos e com rasgados elogios de Bolsonaro.

    Curioso, imprescindível e imprevisível é a troca repentina de projetos, e o mapa que começa a se redesenhar nas hostes Cunha Lima. Se Romero Rodrigues guardava sob a manga um candidato à sua sucessão, a preferência agora é do ex-senador  Cássio Cunha Lima. Enivaldo Ribeiro pode ser o vice de Cássio, tem direito a uma reeleição. Só, Veneziano jamais enfrentaria Cássio Cunha Lima. Caso venha disputar e vencer o pleito, aquilo que foi planejado por Ricardo Coutinho quem executará será Cássio Cunha Lima. João Azevedo não terá estrutura para enfrentar o governo federal e provavelmente até 2022 Ricardo Coutinho esteja inelegível.

    Cássio Cunha Lima doravante tem que “assoprar” a fogueira e não deixar a chama baixar. Não repetir o erro cometido em 2014, quando por três anos afirmou que não seria candidato ao governo e apoiaria a reeleição de Ricardo Coutinho. Deixou para se lançar sete meses antes do pleito, perdendo parte de seu Exército e ganhando o estigma e discurso de traidor.

  • NO ESPEREM OS MILITARES

    04/11/2019

    Por ocasião do início da “Operação Lava-Jato”, começou a surgir um movimento nas redes sociais pedindo intervenção das Forças Armadas nos três poderes da República. O povo exigia ampla investigação e punição severa a todos que levaram nas ultimas três décadas o País a bancarrota. A suspensão temporária do processo democrático - continua sendo reivindicação da maioria dos brasileiros – é um fato incontestável que sugere franca demonstração de insegurança e completa desconfiança nas instituições, exceto nos militares, particularmente no Exército Brasileiro.

    Ao longo dos últimos trinta e cinco anos a sonhada democracia aspirada por uma “minoria” que tinha sede de poder – não pela maioria do povão – sequestrou uma gigante Nação com apoio da grande mídia, e manteve sua gente presa no escuro cativeiro da ignorância. Desterraram de suas mentes as conquistas ocorridas entre 1964/1978, período “satanizado” como “a era do chumbo”. Silentes, os militares não se manifestaram (até o momento) em responder ao clamor popular. Foram “despolitizados” em 1978, pelo ex-presidente Ernesto Geisel, ao perceber que as esquerdas estavam chegando aos quartéis. Tirou-os da vida pública e das ruas, e os conduziu de volta para a caserna, de onde não surgiu mais novas lideranças.

    A Lei da Anistia (ampla geral e irrestrita de 1989) – perdoando sequestradores, assassinos; guerrilheiros e seus mentores – teve dois pesos e duas medidas. Os militares que apenas cumpriram ordens foram vítimas de um golpe cultural/midiático (1986) quando as esquerdas chegaram ao poder, e com revanchismo criaram a fantasmagórica “Comissão da Verdade” para humilhar publicamente as Forças Armadas. O discurso antes de alcançar o poder era revelar a “roubalheira” dos governos militares. Como não encontraram nenhum erro, optaram pelo processo de “desconstrução” da história.

    Picharam imagens de octogenários – ainda vivos - que se dedicaram em servir ao País, criando mentiras e enredos hediondos. Reescreveram temporariamente este capitulo no formato “quadrinhos”, onde guerrilheiros assassinos tornaram-se heróis e militares que defenderam a Nação e povo impedindo a instalação de uma verdadeira ditadura comunista foram considerados vilões truculentos e torturadores. Absurdo!

    Os militares, desde a Independência, tiveram um papel preponderante na história do Brasil. Consolidaram um gigante território de dimensão continental - dentro de um País - falando uma única língua. Contiveram diversos levantes separatistas, com combates e milhares de vítimas. Porém, em julho de 1922 o Exército foi abalado pelo movimento “tenentista”, que exigia mudanças na política e renovação nas Forças Armadas, fato marcado pelo episódio dos dezoito do Forte.

    A partir de então, as inquietações foram uma constante nos quartéis que se politizaram. O movimento “tenentista” ganhou força ao longo das décadas que se seguiram, sempre reprovando com intransigência os privilégios da velha política, corrupção e “entreguismo” de nossas riquezas a novos colonizadores travestidos de “investidores”. Sobreviveu ao Estado Novo – ditadura Vargas - governo de transição do General Gaspar Dutra; crise do suicídio de Getúlio (1954); asseguraram o mandato de Juscelino Kubitschek – abortando algumas sublevações – garantiram a posse do pleito que elegeu Jânio Quadros, mas, não estavam esperando o golpe mais duro: sua renúncia. A partir de então, começaram a estruturar a intervenção.

    Com a renúncia de Jânio, por não ceder à gula da “camarilha” que se apoderou do Congresso Nacional, queriam impedir a posse - e até o retorno do vice-presidente João Goulart - que estava em visita oficial a China. Os “tenentes” asseveraram sua volta e posse. Mas, o Congresso promoveu um golpe político na calada da noite, mudando a Constituição e criando um Parlamentarismo, transformando o presidente em “Rainha da Inglaterra”. Usando de poderes Constitucionais, João Goulart um ano depois convocou um plebiscito e a maioria do povo optou pelo Presidencialismo, defenestrando os abutres congressistas da época (1963) que nada difere dos atuais (2019).

    Alguns historiadores consideram 1964 como o fim do ciclo “tenentista” de 1922. O presidente Castelo Branco chegou ao poder eleito pelo Congresso Nacional e começou a implantar as sonhadas reformas, através de atos institucionais, cassando mandatos de corruptos inveterados, expatriando muito deles; enxugou a máquina pública; extinguiu salários de vereadores, permitido apenas para cidades com mais de 200 mil eleitores; pagou toda a dívida externa; liquidou o rombo e calote da previdência, unificando numa só: INSS. Extinguiu o famigerado “Subsidio Parlamentar” hoje renomeado como “Emendas”. Nenhum dos poderes tinha autonomia financeira (duodécimo sobre o orçamento) e a folha de pagamentos era centralizada no governo federal. Poder Legislativo e Judiciário foram proibidos de contratar e criar qualquer tipo de despesa extra.

    Uma intervenção militar neste momento seria o ideal para desbaratar as OCRIM que operam dentro e fora dos poderes. Exigir austeridade para se instalar auditorias com IPM – Inquérito Policial Militar; cassação de mandatos; sequestros de bens; concentração das finanças públicas; redistribuição de rendas; muitas prisões e uma nova Constituição. Para por a Nação nos trilhos, o tempo presumido será de no mínimo uma década. As Forças Armadas do Brasil tem excelentes comandantes militares. Mas, será que estão preparados para governarem a Nação?

    Não esperem os militares...

  • A DISTRAO DE ROMERO

    28/10/2019

    Restam pouco mais de trezentos dias para as eleições municipais de outubro de 2020. O tempo passou muito rápido, roubando a atenção de toda classe política, envolvida ou sobressaltada com a enxurrada de denuncias e operações policiais, promovida pelo MP no seu incansável combate à corrupção. Nos últimos três anos, o País amanhece diariamente repleto de surpresas, quer seja nos municípios, estado; governo federal; Congresso Nacional; STF... Momentos conturbados para muitos, que terminaram por esquecer de olhar o calendário e enxergar que a democracia tem seus prazos com data e hora marcados, para celebração de sua festa cívica: eleições.

    Campina Grande passou por uma grande transformação urbana nestes últimos sete anos. O prefeito Romero Rodrigues vai deixar marcas históricas de sua gestão, mesmo com adventos indesejáveis, como denuncias de desmandos (corrupção) que envolvem membros de sua equipe. Eventos que talvez “pessoalmente” não lhes renda desgaste em curto prazo, todavia cria roteiro para inspirar fortes discursos da oposição, por ocasião da campanha com vistas a sua sucessão. Mais grave tem sido sua distração em não ter ainda começado a preparar seu candidato, na certeza que o tempo esperará por seu momento. A desatenção para este pequeno detalhe criou um vácuo dentro da aliança partidária que o apoia, abrindo-se espaços que começam a ser preenchidos por nomes alheios ao seu meio.

    Formadores de opinião da sociedade começam a especular sobre dois importantes nomes, como pré-candidatos. Dalton Gadelha da UNIFACISA, que está dando uma grande contribuição para a cidade se tornar um polo regional de educação e saúde, e o médico Geraldo Medeiros, consagrado como excelente gestor na área da saúde pública, probo - acima de qualquer suspeita - distante das investigações que apuram os desvios da “operação Calvário”, praticados pela Cruz Vermelha.

    Na medida em que a administração Romero Rodrigues avança, com conquistas extraordinárias para a cidade – destaque-se o fim do déficit habitacional - e a gigantesca obra do complexo habitacional “Aluizio Campos”, paradoxalmente ele se distancia no ranking que elenca as principais lideranças políticas do Estado. Nestes últimos sete anos, tenta enxergar no empoeirado retrovisor de sua trajetória, onde “se apeou” o seu líder,  ex-senador Cássio Cunha Lima, com duas derrotas consecutivas: 2014/2018.

    A queda brutal da popularidade do deputado federal Pedro Cunha Lima; reeleição “suada” de seu contraparente Tovar; Daniella Ribeiro suplantando Cássio na Rainha da Borborema (?) absurdo! Bruno Cunha Lima sendo derrotado por Edna para Câmara dos Deputados... Acrescente-se ainda, baixas inestimáveis registradas por deserção do valente exercito que compunha a “Legião de Honra” do Ronaldismo/Cassista.

     Dalton Gadelha, despido de ambições ou projetos políticos, está no comando do maior empreendimento da cidade: UNIFACISA. Concluirá até o inicio de 2020, um dos mais bem equipado hospitais do país, com tecnologia de última geração. Profissionais vindos do exterior, através de cooperação técnica/científica - objeto de convênios celebrados com os grandes centros de pesquisas da área médica – propiciará um  intercâmbio com o centro médico da UNIFACISA, cujo curso de Medicina recebe “cinco estrelas” do MEC, posicionando-se acima ou a frente da UFCG e UFPB. Não se sabe em qual legenda Dalton pertence - muito menos se é filiado a algum partido - nem se aceitará disputar as eleições de 2020. Porém, seu nome desponta como forte candidato.

    Quanto a Geraldo Medeiros é o nome ideal para o governador João Azevedo. Não tem a rejeição do senador Veneziano, e está apto a conquistar o eleitorado do ex-cabeludo. Abre inclusive a perspectiva de acomodar o atual vice-prefeito Enivaldo Ribeiro - que pode ser candidato à reeleição - trazendo para seu palanque a senadora Daniella Ribeiro e o deputado federal Aguinaldo Ribeiro, que têm interesse em se aproximar do governo do estado, fortalecendo a aliança que apoia João Azevedo.

    Finalmente, Romero Rodrigues sai com quem? Félix Araújo Neto?

  • O SILNCIO SEPUCRAL DO TRE-PB

    18/10/2019

    Desde as primeiras diligências da “Operação Calvário”, investigação hoje merecedora de elogios ao GAECO-PB – que inúmeras vezes criticamos sua lentidão, confrontando com a agilidade do GAECO-RN – a Paraíba espera uma reação do TRE-PB, manifestando-se sobre duas dezenas de ações ajuizadas pelas coligações derrotadas em 2018, todas acusando o PSB de praticar abuso do poder econômico e o ex-governador Ricardo Coutinho pelo uso da máquina pública em favor de seu candidato.

    O TRE-PB tem um comportamento estranho. Nunca deu “provimento” a uma ação eleitoral contra o ex-governador José Maranhão, desde o imbróglio das convenções que derrotaram o então senador Ronaldo Cunha Lima nas convenções do PMDB de 1988. As ações contra o ex-governador Ricardo Coutinho se arrastaram por longos quatro e oito anos para serem julgadas. Uma foi parar no TSE, cujo julgamento envergonhou a nação. O Ministro Relator demonstrou claramente que não leu o processo. Discorreu sobre sua passagem pela Justiça Federal na Paraíba, e seu saudosismo deste período (?).

    Contra Veneziano Vital do Rego – então prefeito de Campina Grande – o descaso com a lei passou dos limites. Algo jamais visto em nenhuma Corte de Justiça, a não ser em Tribunais de Exceções, quando o réu vai apenas ouvir o veredicto formal do que já foi decidido. Atropelaram até o Regimento da Corte. A Sessão se iniciou e o Juiz Relator votou pela cassação do mandato do então prefeito Veneziano Vital do Rego reeleito em 2008, exibindo farta materialidade de provas que atestavam abuso do poder econômico e uso da máquina. Foi seguido por mais dois desembargadores.

    Quando o quarto Desembargador se preparava para pronunciar seu voto, decidindo a cassação, o presidente da Corte – que só vota em caso de empate – se antecipou e pediu vistas. Duas sessões seguintes, a Corte volta a se reunir e o Relator mudou seu voto – posicionando- se contra a cassação - e foi seguido por todos (até pelo presidente) que fez questão de votar. Em apenas sete dias, reverteram um 3x0, em 7x0. A gravidade dos fatos trouxe a então Ministra Eliana Calmon, presidente do CNJ a Paraíba, para exigir uma correição sobre o episódio, logo arquivado pelo TJ-PB.

    O saudoso Tribuno Vital do Rego sempre mencionava com certa insipidez, a “politização” instalada nos TRE e no TSE, Corte que ajudou na sua formatação, Constituição de 1988. Este comentário ganhou ênfase por ocasião da cassação do mandato do ex-governador Cássio Cunha Lima, ocorrido dentro de um rito de celeridade sem precedentes na história, numa única sessão de cinco horas de duração.

    Oito meses após sua posse, Cássio Cunha Lima teve seu mandato cassado pelo TRE-PB. Sua permanecia no governo, por pouco mais de um ano, deveu-se a inúmeros embargos da defesa e pedido de vistas dos Ministros (TSE). O saudoso Tribuno, que foi participar como convidado da sessão de julgamento do TRE-PB confessou-me seu estarrecimento com o comportamento excêntrico da Corte, a partir de seu presidente, que queria empossar após o encerramento e cassação, o então Senador José Maranhão, antes da publicação dos acórdãos e notificação do cassado, assegurando-lhes o direito constitucional da “ampla defesa”.

    Todas as delações feitas até agora pelos investigados da “Operação Calvário”, se reportam diretamente a caixa dois e propinas destinadas para compra de votos nas eleições de 2018. A Cruz Vermelha registra desembolso de 200 milhões de reais, dinheiro que desequilibraria uma campanha presidencial, imagine uma eleição para governo. O nome de João Azevedo ainda não foi citado. Em nossa opinião, talvez jamais seja. Ele poderia até suspeitar o que estava acontecendo em seu derredor. Mas, dá ou receber dinheiro, não cabe dentro da moldura do seu perfil.

    O conteúdo de todas estas delações está sendo encaminhado ao Ministério Público Eleitoral? Elas se constituem em provas, preenchendo lacunas das denuncias feitas pelas coligações derrotadas em 2018. O que ainda espera o TRE-PB para fazer estes processos andarem? Todos ainda dormitam no protocolo, aguardando despachos e designação de Relatores. Enquanto isto, quinto Constitucional, afia facas e garfos para o grande banquete.

  • O CUSTO FINAL DA REFORMA DA PREVIDNCIA

    14/10/2019

    A Reforma da Previdência era para ter sido votada e aprovada até o recesso parlamentar da legislatura de 2018. Ex-presidente Michel Temer tinha negociado e pago por antecipação ao Congresso Nacional. Mas, após as eleições e vitória de Bolsonaro, a OCRIM “Centrão” viu ruir parte de sua estrutura com a derrota de velhos Caciques que compunham a Grande Nação “Baixo Clero” – Confraria que se divide de forma aparente em dezenas de legendas e em palanques opostos - porém se unem na hora de saquearem ou assaltarem os cofres públicos.

    Bem que Michel Temer forçou a barra até seu ultimo dia de governo, pois tinha força sobre a quadrilha. Todavia, “manhosamente” o sicário exterminador dos sonhos brasileiros, Rodrigo Maia, aconselhou o imaturo e despreparado superministro Paulo Guedes, aguardar a nova legislatura que se instalaria em 02/02/2019. O argumento – para não por em votação - foi o risco de uma derrota em plenário da proposta de Temer, com a abstenção dos parlamentares que foram derrotados. Só cai neste golpe, quem desconhece por completo o mundo político, em particular o Congresso Nacional. O momento era mais que oportuno, pois quem estava sendo “despejado” pelo voto popular, aceitaria qualquer adjutório para recomeçar a vida. Principalmente como adidos nas Embaixadas, Membros dos Conselhos das Estatais; Cargos Comissionados no Parlamento... Infelizmente a ocasião “custo zero”, foi desperdiçada.

    Rodrigo Maia não tinha votos suficientes para ser reconduzido à presidência da câmara. Muitos novatos – ou herdeiros dos assentos – não o conhecia e esperavam um nome indicado pelo Palácio do Planalto. O presidente Bolsonaro conhecia o “campo” e “jogo”, fato que nos deixa perplexo pela sua inapetência em não ter participado da partida: escolha da mesa diretora, sabendo do imensurável poder de barganha que tem o parlamento sobre o Poder Executivo. Ignorando o caráter pusilânime da maioria dos Congressistas, o neófito Paulo Guedes, em nome do “Carioquismo” criou seu Frankstein (Rodrigo Maia) a quem conferiu poderes para articular sua permanência na Presidência da Câmara e catapultar Alcolumbre. Por que Bolsonaro em pessoa não trabalhou a eleição de Álvaro Dias? Justamente quem mais o ajudou (indiretamente) nos debates da campanha (2018) na TV, enfrentando e desmoralizando o PT.

    Para aprovar a Reforma da Previdência na Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia cobrou liberação de todas as emendas (restos a pagar) governo anterior, o controle do COAF – instrumento que hoje permite chantagear seus pares – tirando-o das mãos do Ministro Sérgio Moro, indo para o Banco Central com poderes divididos. O sigilo, quem gerencia é um indicado de Rodrigo Maia. Exigiu a demissão do Secretario da Receita Federal, que estava investigando parlamentares e ministros do STF, indicando uma pessoa de sua confiança.O Centrão também ocupou a presidência do FNDE, Banco do MEC, determinando a exoneração do nome escolhido por Paulo Guedes e Bolsonaro. FNDE é o único Banco Autárquico que não é fiscalizado pelo BANCEN e opera uma montanha incalculável de dinheiro. Nomearam um Assessor Parlamentar do Centrão (?) que só conhece Banco pelo nome. Inúmeros outros cargos do terceiro escalão, por onde flui o desembolso do Orçamento Geral da União foram indicados por Maia. Ficou melhor que antes: trocaram o “varejo”, pelo sedutor “atacado”.

    David Alcolumbre observando os “ganhos” de Rodrigo Maia partiu também para chantagem. Só vota o segundo turno da Reforma da Previdência, se o governo liberar 30% do leilão da cessão onerosa do Pré-Sal, estimada em 106 bilhões. O projeto teve que ir a Câmara, que num único dia aprovou o pleito do Senado e decidiu que dos 30% (31 bilhões), 15% serão destinados para Estados e os outros 15% para Municípios, dando prioridade ao Nordeste com parcelas maiores. O projeto está de volta ao Senado, onde Alcolumbre quer alterar: 10% para estados, 10% para municípios e 10% para famigeradas “emendas parlamentares”. Se o governo federal conseguisse ficar com o dinheiro que é todo seu, iríamos zerar o déficit púbico este ano. Alcolumbre ainda quer mais: relação de cargos para indicar pessoas de seu time e de sua confiança.

    Quanto finalmente vai custar a Reforma da Previdência ao Brasil? Talvez o mesmo valor, que teoricamente iria economizar. E quantas vezes o povo terá que pagá-la? Muitos já arcam com o ônus antecipado de jamais se aposentarem. Para o governo e Paulo Guedes foi uma vitoria de Pirrica*.

    *Vitória Pirrica – Pirro, Rei de Épiro, ousado guerreiro que resolveu no ano 279 a.c enfrentar os Romanos na Batalha de Ásculo. Perdeu metade de seu Exército. Ao parabeniza-lo seus Generais ouviram como resposta: “outra vitória desta, estarei arruinado”. O que de fato aconteceu no segundo embate, onde suas tropas desertaram e ele voltou a Épiro, perdendo também o seu Reino.

  • A REVANCHE - ALEXANDRE DE MORAES, SALVAO DO STF

    30/09/2019

    O ex-presidente Michel Temer, logo após o impeachment da presidente Dilma Rousseff, se preparou para ser reeleito no cargo. Gozando de popularidade momentânea imposta pela grande mídia nacional, era festejado pelo Congresso, STF; STJ. Mas, esqueceu a PGR (Procuradoria Geral da Repúbica) e a figura polêmica de seu titular Rodrigo Janot, escudeiro e protetor do MPF, patrocinador da operação Lava-Jato.

    O inesperado e fatídico acidente (?) que culminou na morte do ministro Teori Zavascki (STF), deu a oportunidade para Michel Temer escolher o sucessor. Optou pelo “tucano” Alexandre de Moraes, ex-secretário de segurança pública do governo Geraldo Alckmin, indicado ministro da Justiça e Segurança Pública no início do governo Temer pela bancada do PSDB, que o escalou para importante missão de limitar as investigações da lava-jato, restringindo-as no âmbito do PT. Nada de avançar contra o PSDB, PMDB; PP... Com o PT “desalojado” do Planalto Central, criar-se-ia uma agenda de “revezamento do poder”. Senado, Câmara e Presidência da República estavam sob o comando do PMDB: Renan, Eduardo Cunha e Michel Temer. PSDB foi convidado para sentar à mesa, na condição de reciprocidade: apoio no Congresso Nacional. Tudo acertado, mas esqueceu-se de consultar Rodrigo Janot.

    Quem ouviu, assistiu ou leu atentamente o discurso de posse de Rodrigo Janot, não se enganou com os desdobramentos da operação lava-jato e outros atos ousados como a delação dos irmãos Batistas (JBS), primeira denúncia contra o ex-presidente Michel Temer por corrupção passiva, organização criminosa e obstrução à Justiça. Na sequência, prisões de ex-ministros - até então “insuspeitos” - e honoráveis lideranças políticas, que aparentemente sugeria respeitabilidade incontestável. Homens grisalhos, com dezenas de anos na vida pública, foram algemados e encarcerados como ladrões, quadrilheiros e bandidos da pior espécie.

    Quando esteve como Ministro da Justiça e Segurança Pública, Alexandre de Moraes tinha o controle da Força de Segurança Nacional, Polícia Federal e Advocacia Geral da União (AGU). Seu papel era “estreitar” o relacionamento com o STF e “engessar” a PGR, matando por asfixia a operação lava-jato. Ex-presidente Michel Temer navegava em “mar de almirante”... Em apenas onze meses, Alexandre de Moraes teve seu nome indicado para o STF, apoiado pelos ministros Marco Aurélio, Gilmar Mendes e Luiz Fux, que enfrentaram publicamente a oposição de alguns parlamentares, criticando a indicação como “partidária”.

    Não se sabe se Alexandre de Moraes tentou cumprir a parte mais difícil de sua incumbência: propor a recondução de Rodrigo Janot na PGR, em troca, sepultar a lava-jato. Talvez lhes tenha faltado coragem ou oportunidade. Mal se sentou na cadeira (STF), veio a surpresa: pedido de prisão de Eduardo Cunha, Moreira Franco; Eliseu Padilha; Gedel Vieira Lima; denúncias contra Aécio Neves; Aluisio Nunes; prisão da irmã de Aécio Neves; Michel Temer apontado – em segunda denúncia - como chefe de organização criminosa, após delação do doleiro Lúcio Funaro. O mundo ruiu. Não era só o PT que roubava, segundo Janot e a PGR, eram quase todas as legendas.

    O que fazer para conter Janot? Quando tomou conhecimento que não seria reconduzido por mais dois anos, concedeu entrevista e foi claro: “enquanto houver bambu, teremos flechas”. Ex-presidente Michel Temer escolheu uma opositora do Procurador Geral: Raquel Dodge. Entretanto, os estragos feitos pelo “bombardeio” de Janot, popularizou a lava-jato transformando-a na única instituição justiceira do país. Notabilizou a coragem do Juiz Sérgio Moro, hoje herói nacional. E, provocou uma reviravolta no mundo político, culminando na eleição do presidente Jair Bolsonaro. Não esqueçamos que, se ao invés de Rodrigo Janot estivesse na PGR um Sepúlveda Pertence, não existiria lava-jato, Sérgio Moro e Jair Bolsonaro.

    Um fato que ocorreu em 2017 – Janot ter desejado assassinar Gilmar Mendes - narrado e confessado em áudio dois anos depois, ser merecedor de uma reação tão forte como a do Ministro Alexandre de Morais, causou perplexidade e medo em todo o país. Principalmente após o Senado ter coibido - através da Lei de Abuso de Autoridade - atos arbitrários deste tipo, inimaginável ser cometido contra alguém que tem Foro Privilegiado. Invadir o apartamento de um Procurador da República, sem denúncia e sequer um Boletim de Ocorrência! Apreender sua arma – posse e porte garantidos pela Constituição – e o mais grave: levar seu computador? Qual a finalidade da apreensão do computador? Ele põe em ameaça a vida de Gilmar Mendes ou a existência do STF? A vingança foi explicitada de forma tão clara e indiscutível, semelhante a “batom na cueca”. O que não se esperava era a precaução de apreender o computador de Janot.

    A última manifestação do Ministro Barroso - voto vencido contra o perdão ao crime do colarinho branco - defendido por seus pares da Corte, reforçou seu argumento historiando passo a passo todos os atos orquestrados pelo STF, para acabar com a lava-jato. Mostrou que o País está em rota de colisão frontal com suas instituições e o desastre é inevitável. Não dá para esperar mais três longos anos por uma nova eleição.


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