Colunista Júnior Gurgel

  • HISTÓRIA DO CLÃ CUNHA LIMA (parte III)

    30/11/2021

    O ano de 1977 foi marcado por grandes inquietações políticas no cenário nacional. No dia 1º de Abril, o presidente Ernesto Geisel surpreendeu o país, fechando o Congresso Nacional. O AI-5 - arma de defesa dos Militares - sem uso desde 31/12/69, foi acionado para alterar a legislação. Fazer mudanças no Poder Judiciário - impedidas pelo Senador Paulo Brossard - e uma Emenda Constitucional que ampliava vagas na Câmara dos Deputados – beneficiando Estados do Norte/Nordeste – criando também mais uma vaga para o Senado (por Estado) através das eleições indiretas, juntamente com governadores ano seguinte (1978).  O episódio ficou conhecido como “pacote de abril” e os novos Senadores, “qualificados” pejorativamente pela mídia como “Biônicos”.

    Em meio a todo o pandemônio, Aluísio Cunha Lima nos convidou para ir ao aeroporto João Suassuna receber Fernando, que vinha no seu próprio Jatinho, acompanhado do deputado federal Humberto Lucena e do ex-ministro Abelardo Jurema. Nos dirigimos para uma granja, de propriedade de Aluísio, localizada nos Cuités. Hoje não sabemos mais se ainda é granja, ou área urbana. A presença de Fernando era muito marcante. Possuidor de carisma tão impactante quanto Ronaldo, porém se expressava de forma absolutamente distinta. Dominava o ambiente, centralizava a discussão...Todos queriam apenas ouvi-lo. Explanou sobre geopolítica, macroeconomia; política internacional; a acelerada falência da Rússia e leste Europeu - fato ainda ignorado por todos - e o “milagre Japonês” ... Na época, o Japão estava para o mundo como hoje está a China. Era a segunda maior economia do Ocidente.

    Um otimista que transmitia segurança. Escutamos e ficamos boquiaberto com seus relatos, sempre citando opiniões e pontos de vistas de figuras respeitadas como Celso Furtado, de quem era amigo pessoal, Oscar Niemeyer; Adolpho Bloch – que o tinha como um filho – Condessa Pereira de Carneiro, dona do Jornal do Brasil; Aureliano Chaves – então governador de Minas Gerais, eleito vice-presidente de João Batista Figueiredo nas eleições indiretas de 1978... Ao cabo de três horas de conversa, quando todos já estavam saindo, Aluísio nos chamou e se dirigiu a Fernando: “este é o amigo que te falei...” Memória privilegiada, Fernando respondeu de imediato, o do Rio Grande do Norte? Sim, respondemos. Conhece Cortez Pereira? Não, apenas sabemos que foi governador e misteriosamente afastado.

    Ele ainda conseguiu implantar o projeto “Serra do Mel”, comentou Fernando. Apesar de ser Potiguar, morava em Campina Grande, e não sabia que projeto era este. Muito tempo depois, tomamos conhecimento. Fernando junto com Cortez, trouxeram para o Rio Grande do Norte um grupo de investidores judeus, aproveitaram uma área inabitada, das mais críticas do semiárido - apesar de se localizar a 50 km do litoral – consideradas terras devolutas da União. Cortez desapropriou e começou a instalar um "kibutz" no estilo Israelita. Hoje Serra do Mel é um município, e o maior produtor de castanha de caju do RN, que é o maior produtor do país. Os judeus transferiram apenas Know-how. Não investiram porque havia impedimentos burocráticos.

    Nosso primo Bandeira (o General), continuou Fernando, foi quem fez a transição suave, sigilosa e sem danos morais para Cortez. Não foi cassado, afastou-se. Indagamos se o problema tinha sido corrupção, pois Cortez era Udenista e tinha respaldo do líder dos Militares no Senado, Dinarte Mariz. “Briga de cachorro grande”, respondeu Fernando. Nossa última pergunta foi sobre o “pacote de Abril”: haverá retrocesso? A pergunta era pertinente, estávamos em maio de 1977. “Não. Quem foi cassado? Ninguém. Quanto tempo durou o recesso? Duas semanas. Geisel tem compromissos com Jimmy Carter e a comunidade financeira internacional. O Exército voltará aos Quartéis até 15 de março de 1979”. Os acontecimentos ocorreram exatamente da forma que ele discorreu. Isto não é “previsão”, nem “bola de cristal”. Estava tudo planejado. E fica mais que explícito, sua participação nos bastidores da “transição”.

    Noventa dias após o fim do recesso do Congresso (1977) no dia 20/07/1977 morre o Senador Rui Carneiro, líder do MDB no Estado e um dos mais expressivos políticos paraibano no Congresso Nacional. A perda de seu irmão Janduí, deputado federal de 1945 até 07/06/1975 – quatro meses após o início do seu oitavo mandato, o tinha deixado profundamente abalado. Foram dois irmãos no Congresso por três décadas. Janduí na Câmara e Rui no Senado. Rui e Janduí tinham sido reeleitos em 1974. O suplente Otacílio Queiroz concluiu o mandato de Janduí. Outra perda irreparável do MDB, setembro ainda do fatídico 1975, foi do deputado federal Petrônio Figueiredo, filho do ex-senador Argemiro de Figueiredo. Concluiu seu mandato Arnaldo Lafayette, suplente com 1.700 votos. Quem era o suplente de Rui que continuaria em seu lugar no Senado até abril de 1983? Ivandro Cunha Lima. Voltamos a indagar: destino ou acaso? Ivandro perdeu a eleição municipal de 1976. Se tivesse sido eleito, não teria ocupado por cinco anos uma cadeira no Senado da República, conquistando inclusive o ambicionado cargo de 1º Secretário da Mesa Diretora, cargo que administra a Casa. Fernando fortaleceu-se, e se tornou o herdeiro natural dos ideais de Rui Carneiro.

  • A HISTÓRIA DO CLÃ CUNHA LIMA (Parte II)

    27/11/2021

    Ex-prefeito Evaldo Cruz estava encerrando sua gestão (1976). Eleito em 1972, sucedeu Luís Mota Filho - segundo interventor nomeado pelos Militares - para substituir Ronaldo da Cunha Lima (cassado) e seu vice Orlando Almeida, impedido de assumir. Na realidade o eleito (1972) tinha sido Juracy Palhano. O pleito foi "tomado" pelo Major Câmara, então comandante da 5ª Cia de Infantaria, hoje 31º Batalhão de Infantaria Motorizado, aquartelada aqui em Campina Grande.

    Após o traumático pleito de 1968, a inesperada derrota do Senador Argemiro de Figueiredo (1970), falecimento de Seu Cabral e as cassações de Ronaldo e Vital do Rego, a Rainha da Borborema vivia seu “saara” político. Luizito Mota (1972) indicou Evaldo Cruz, então Diretor da CANDE (fábrica de tubos que concorria com a Tigre), empresa de Humberto Almeida, irmão de Orlando Almeida, o vice que não assumiu. Parecia ser candidatura única...Até o dia em que o então Vereador Everaldo Agra começou a anunciar que seria candidato para enfrentar Evaldo.

    Dois empresários emergentes entraram na disputa: Antônio Gomes, como vice de Evaldo Cruz; Juraci Palhano, bastante conhecido na cidade como Professor, ex-radialista, ex-funcionário do Banco do Brasil, proprietário de Colégios, agropecuarista e investidor imobiliário na cidade...  

    Convidado por Everaldo Agra – conversa intermediada pelo Jornalista Aécio Diniz - inverteu os papéis: ele seria "cabeça de Chapa” e Everaldo vice. Foi uma das mais belas campanhas da cidade. Contagiante, a partir do jingle de Juracy. Em noventa dias, saíram do zero e chegaram ao topo.

    Em sua última visita ao Diário da Borborema (1975), Major Câmara foi se despedir. Havia sido transferido para Natal. Desconhecendo a história de Aécio Diniz e sua ligação com Juraci Palhano, fez um longo relato/desabafo sobre o combate ao comunismo que realizou na cidade. A narrativa culminou na confissão: “o tal do Juraci estava eleito prefeito... Uma comissão de “Senhores Responsáveis”, defensores da gloriosa Revolução, foi até o Quartel no final do primeiro dia de apuração dos votos, e nos informou quem estava por trás do tal candidato: Vital do Rego, os Cunha Lima... E citou uma lista de cassados”.  Finalizou: “Naquela noite mandei uma escolta trazer até o Quartel o presidente da Junta Apuradora, e fui direto: não quero saber de votos. O prefeito é Evaldo Cruz. Se o resultado for outro, prendo todos vocês comunistas”.

    No primeiro dia de apuração, Juraci estava dando 2x1 em Evaldo Cruz. No dia seguinte o quadro se inverteu. Teve urnas no bairro da Liberdade - maior reduto de Juraci e Cunha Lima - que não foi contabilizado um único sufrágio em seu favor. Terminada a apuração, Evaldo Cruz saiu em passeata. Os eleitores de Juraci também. A passeata de Juracy (derrotado) tinha o dobro de pessoas que a do eleito. William Tejo e Tarcísio Cartaxo, perplexos com o fato que testemunharam, sempre falavam que fora algo inédito - treta descarada - que jamais seria visto na história política da Paraíba.

    Voltando às eleições de 1976, Evaldo Cruz - amigo e respeitado pelo então governador Ivan Bichara Sobreira, entregou-o à tarefa de escolher o seu sucessor. Ligado ao Grupo da Várzea, o consenso foi indicar Enivaldo Ribeiro, deputado estadual de primeiro mandato, eleito em 1974. Carismático, popular, Enivaldo pôs imediatamente a campanha nas ruas, pois já tinha um adversário: Juracy Palhano, que vinha para o tira-teima. Mas, o MDB preferiu sair do anonimato e lançar seu próprio candidato. Não iriam mais apoiar Juraci (Arena 2) sublegenda. O nome escolhido – julgamos que forçado – foi o de Ivandro Cunha Lima, suplente de senador de Rui Carneiro.

    Como conversávamos diariamente com Aluísio, não sentimos entusiasmo pela escolha de Ivandro. Sensato, Aluísio enfatizava que o tempo era outro, diferente de 1968. Enivaldo vinha com a máquina do governo. Andava rua acima, rua abaixo, puxado por um cordão de bêbados, povão pedinte; entrava em todas as casas... Ivandro era um gentleman, cordial; cavalheiro; todos na cidade gostavam dele, não tinha inimigos, nem sequer quem o invejasse. Entretanto, não tinha o perfil de Enivaldo e do próprio Ronaldo, na facilidade de se envolver com o povão. Jamais iria fazer um discurso contundente contra o “Regime”. Era conciliador e estava correndo o risco de ter um grande prejuízo material: dividirem seu Cartório - até hoje - o único da Cidade de Registros. A lucidez de Aluísio era impressionante.

    Passamos a conversar nos finais de tarde, em sua loja na rua João Pessoa. Tinha deixado de frequentar o “cafezinho”. Só voltaria após a campanha.  Temperamento forte e pavio curto, não levava desaforo para casa. Segundo Aluísio, “Ivandro estava passando por uma provação. Deus vai escolher a sua melhor derrota. Perguntamos sobre Fernando. Tem a mesma opinião que a minha, respondeu. Mas, não pôde deixar de atender a Rui Carneiro. Realmente Fernando veio a Campina Grande só na última semana da eleição. Iria conversar com Juraci Palhano, para que o mesmo desistisse de sua candidatura e viesse apoiar Ivandro. A turma do boato espalhou que Fernando veio “comprar” Juraci. Episódio que feriu os brios de Juraci, que sequer aceitou o encontro. Foi até o final, dividindo votos da oposição. Enivaldo venceu. Ivandro foi sossegar. Mas, o projeto de Fernando permanecia mais vivo que nunca. Seria posto em prática apenas dois anos depois, a partir de 1978.

  • A HISTÓRIA DO CLÃ CUNHA LIMA (Parte I)

    26/11/2021

    Destino ou acaso? A história do clã Cunha Lima teve sua origem - ascensão - de forma bem distinta e com desfechos não previstos pelos principais líderes da família - irmãos mais velhos de Ronaldo - Aluísio; Fernando e Ivandro.  

    Janeiro de 1974, aos 18 anos, fomos admitidos no Diário da Borborema. Seis meses depois assumimos um cargo de direção, indicação do superintendente e mestre Aécio Diniz de Almeida.

    Começamos a frequentar o atual Calçadão (na época o Cafezinho São Braz) e participar do bate-papo bacurau. As conversas se estendiam até altas horas da noite. As rodas dos participantes eram bem divididas. Tinha a turma dos ‘Comunistas Moscovitas’, dos ‘Chineses’; da ‘política local’; do ‘futebol’; dos ‘negócios (grandes empresários)’ e conseguimos “penetrar” nos debates de todas.  

    Ora ouvindo, ora opinando...

    Conhecemos o então o saudoso amigo Aluísio Cunha Lima e através dele começamos a conhecer a história política e sócio/econômica da cidade. Passamos a conversar diariamente, nos encontrando até após o almoço, no Cafezinho. Para tabagistas, três ou quatro goles da preciosa “rubiácea”, pós refeição, é indispensável.

    Quando indagávamos sobre a volta de Ronaldo, Aluísio sempre desconversava. Enfatizava que o poeta estava muito bem no Rio de Janeiro e com certeza logo que os militares deixassem o poder, conquistaria um mandato de deputado federal (pelo Rio).  

    E quanto à Paraíba?

    Respondia: “o homem” será Fernando. Tem grandes negócios, forte influência e apoio dos meios empresariais do país. Será governador em 1982.

    Aos poucos foi relatando o prestígio de Fernando Cunha Lima...  

    Amigo pessoal de Juscelino Kubitschek, tinha sido diretor do Banco DENASA de Investimentos - que era do ex-presidente - trabalhava com capital externo, atraindo investidores internacionais... Braço direito do Senador Rui Carneiro, representante no Brasil do Chase Manhattan Bank, aqui com o nome de Banco Lar Brasileiro, Fernando dispunha de todas as ferramentas necessárias para o projeto do clã, além de “informações privilegiadas”.

    Na curiosidade de saber mais - sempre que havia oportunidade - abordávamos sobre a cassação de Ronaldo. Ele tinha ligações com os comunistas? Era amigo dos banidos de 1964? O afastaram pelo simples fato de ter sido eleito pelo MDB?  

    Aluisio baixava um pouco a cabeça, olhava-nos sobre os óculos, e respondia: um dia você vai saber. Eu vou te contar. E para que não insista mais sobre este assunto, saiba que o general Bandeira (linha dura temível da época) é primo legítimo nosso. Ele é sobrinho de minha mãe (Dona Nenzinha) e amigo de todos nós: é sangue.

    Em junho deste mesmo ano de 1974, começaram as eleições para renovar 1/3 do Senado Federal. Rui Carneiro mais uma vez foi candidato. Perguntamos a Aluísio se Fernando seria seu suplente. “Não... Vai ser Ivandro”. O projeto de Fernando começará em 1978, elegendo-se o deputado federal mais votado do Estado. Os militares voltarão aos quartéis no final deste governo (Geisel)”.

    Julgamos impossível, e questionamos: esta informação é de Fernando ou do general Bandeira? De ambos, respondeu. Em 15 de novembro (1974) Rui Carneiro foi eleito senador, para tentar cumprir seu último mandato. Ivandro, que nunca tinha sonhado com política, era seu primeiro suplente. Um resultado que surpreendeu a Paraíba.

    Saudoso amigo jornalista Tarcísio Cartaxo nos levou até a coordenação da campanha de Rui em Campina Grande, para negociarmos as matérias pagas e inserções de anúncios publicitários do candidato. Foi nesta ocasião que conheci, na Rua Dr. João Moura (em sua residência) o amigo tribuno Vital do Rêgo. Ele era quem estava comandando a logística da campanha na Rainha da Borborema, de Rui e Ivandro. Exatamente Vital, que seis anos antes tinha sido derrotado por Ronaldo e em 1965 foi adversário de Rui na campanha fraudada que levou João Agripino ao Governo (1965).

    Duas décadas depois, no programa Debate Borborema, horário que dividíamos com o companheiro Dagoberto Pontes, fizemos um comentário (2004) de que a história Vital x Ronaldo só tinha uma explicação: “Carma”, filosofia mística da Índia, que aborda sobre o destino programado pelos Deuses aos homens. Algo como “escrito nas estrelas”. Na sequência, apontaremos fatos, relatos esquecidos e não registrados historicamente, sobre a trajetória do clã, suas tragédias e perdas, 1978/1979.  

  • TRAGÉDIA DE MARÍLIA MENDONÇA DEIXA RECADO DE SOBREVIVÊNCIA PARA MÍDIA TRADICIONAL

    13/11/2021

    Passaram-se sete dias do fatídico desastre aéreo que culminou na morte de cinco pessoas, dentre as quais a cantora Marília Mendonça. Pouco mais das 17hs. do último dia 05 de novembro (2021) as redes sociais congestionam-se. Transbordaram as postagens de fotos dos destroços da aeronave, da cantora; família – mãe e ex-marido - vídeos de seus shows; músicas recentes...Até no Twitter (radical) vinte e quatro horas no ar, só com debate político – houve trégua.

    A mídia tradicional, também conhecida como “profissional” – que abomina as redes sociais - registrou no primeiro momento o fato. Porém, quando percebeu (horas depois) que a perda de Marília Mendonça provocou uma comoção nacional, correu atrasada em busca de levantar matérias sobre a artista, e identificar o que ela representava para o Brasil, que ignorava e desconhecia. No meio artístico, quem não estiver no eixo Rio/Bahia, aparecendo diante das câmeras das quatro redes de TV, não tem talento nem público.

    Observemos o último feito desta “Grande Mídia Nacional” que equivocadamente insiste em não olhar para frente. Encetaram com estardalhaços o “seriado” CPI da COVID-19, na esperança de recuperar espaço e audiência perdida. Por cinco meses, todos juntos e a todo minuto, tentaram destruir a imagem do presidente Bolsonaro. A novela chegou ao seu final com índice de audiência inexistente. Fim de carreira para os velhos atores que protagonizaram as cenas: Renan, Aziz, Randolfe Rodrigues...

    No dia que Marília Mendonça deixou este plano terrestre, fomos conferir sua popularidade no Instagram. Tinha 38 milhões de seguidores. Hoje, uma semana depois, aumentou e aparece com 41 milhões. O Brasil está em terceiro lugar no ranking mundial de usuários desta plataforma, ficando atrás apenas dos Estados Unidos e Índia. Até 2020, eram 69 milhões de brasileiros, ligados diuturnamente no Instagram. Percebem o quanto era querida a jovem cantora de 26 anos, simples; humilde e em plena ascensão, sem cobertura da “Grande Mídia”? De cada dois perfis do Instagram, mais de um deles a segue.

    Se juntar todas as “vacas sagradas” que levaram bilhões da Lei Rouanet na era petista, seus seguidores (hoje) não alcançam a metade do patamar desfrutado por Marília Mendonça. Gil, Caetano, Chico Buarque; Ivete Sangalo; Cláudia Leite...

    Nas eleições presidenciais de 2018, a Globo, capitaneando todo o grande “sistema” de comunicação do país, só noticiou que Bolsonaro seria candidato no dia de sua convenção. Não observou que ele vinha usando a mais popular ferramenta da internet (Facebook), com milhões de seguidores e fazendo diariamente “lives comícios”.

    Um seguidor nas redes sociais é um fã, amigo ou admirador. Ninguém segue quem detesta. Hoje, Bolsonaro tem mais de 40 milhões de seguidores. E fazendo um comparativo com seus prováveis adversários ou concorrentes veja o quadro atual: Bolsonaro no Twitter 7,128 milhões; Facebook 10 milhões; Instagram 19 milhões. Lula no Twitter 2,853 milhões; Facebook 4,148 milhões; Instagram 3,4 milhões. Sergio Moro no Twitter 3,336 milhões; não tem Facebook; Instagram 2,5 milhões.

    Estes dados revelam tendências bem diferentes das viciadas pesquisas, patrocinadas pela “velha mídia”. Amostragem de simpatia, com possibilidades de se converterem em votos. Fica a pergunta: ainda há tempo da “velha mídia” ser aceita nas redes?

  • O PREÇO DO SILÊNCIO

    01/11/2021

    A experiente senadora Nilda Gondim, com seu prudente e disciplinado silêncio que talvez confundam com submissão, tem representado ao longo do tempo papéis secundários para quem a considera apenas como viúva do saudoso tribuno Vital do Rego, filha única do ex-governador Pedro Moreno Gondim, liderança que governou a Paraíba por duas vezes, e elegeu seu sucessor.

    A vida é um eterno aprendizado, e suas lições alcançam até os “disléxicos” ou hiperativos, considerados pela Neurologia, pacientes de TDAH. O que não é o caso da senadora, que teve habilidade por décadas de ser a esposa, companheira; confidente e mãe de três filhos, do genial e excêntrico Vital do Rego. No anonimato e sem “glamour”, segurou a “barra” desempenhando o delicado papel de “lã entre cristais”, evitando choques entre seu pai, seu esposo e demais familiares próximos e influentes.

    Semana passada, após recentes “escaramuças” intempestivas e desagregadoras protagonizadas por Veneziano e Ana Cláudia, Nilda encontrou-se casualmente no Senado da República (Brasília) com o governador João Azevedo. Fez a festa... O abraçou, e exclamou: “meu governador!”. É impossível dimensionar o nível de tolerância de Nilda. Sobrou-lhes habilidade e sacrifício, para manter o equilíbrio da convivência extremada, entre seu esposo e filhos (Vital e Veneziano), cujos projetos políticos sempre estiveram em rota de colisão.

    Saudoso amigo, advogado Luís de Marillac Toscano - que conheceu Nilda desde criança no Palácio da Redenção - nos falou algumas vezes sobre seu poder de renúncia ao abdicar do espólio político deixado por seu pai, ainda em vida, quando foi cassado. Em sua visão, ela deveria ter sido deputada federal em 1970. Citava o exemplo de Aluízio Alves - governador do Rio Grande do Norte - amigo e contemporâneo de Pedro Gondim, com quem esteve ao seu lado até na cassação, vinda da inesperada lista de 1968, onde incluía o esposo de Nilda, Vital do Rego. Por que Nilda não foi deputada federal em 1970? Henrique Eduardo Alves (RN) filho de Aluízio, se elegeu com 21 anos. Cortaram a árvore, em seu lugar brotu uma semente.

    Antes tarde que nunca. Quem curiosamente observa à distância a vida de Nilda Gondim, conclui que sua existência foi resumida a “deveres”, sem a menor chance de ter uma única vez “direitos” de ser ouvida, mostrar o que pensa; suas ideias... Ou simplesmente, saber se seu sonho político, são valores latentes da genética paterna.

    Esteve sempre sob a “copa das árvores”, sombreada até por suas próprias crias - que em tese – impediram seu crescimento. A esta altura da vida, talvez tenha chegado o momento de exigir “alforria”. Talvez tenha decidido ser Nilda Gondim, e não a filha de Pedro, viúva de Vital; mãe de Vital Filho e Veneziano. Se desejar continuar na vida pública, e julgar que João Azevedo – ainda aliado - é um líder no processo eleitoral de 2022, que atrele seu destino ao dele. Pelo que aprendeu ao longo de sua existência, com certeza - no mínimo – resta-lhes uma simples lição doméstica: “não se faz omeletes, sem quebrar ovos”.

    Rosalba Ciralini é esposa de Carlos Augusto Rosado, que foi deputado estadual e presidente da Assembleia Legislativa do Rio Grande do Norte. Rosalba não tinha tradição político/familiar: Rosado/Maia, Medeiros/Mariz nem Alves, Oligarquias do RN. Mas, foi tudo o que seu marido (Rosado) sonhou e não conseguiu. Até hoje, vivem felizes. Prefeita de Mossoró por cinco vezes, realizando sonho de Carlos Augusto. Elegeu-se Senadora da República e Governadora do Rio Grande do Norte. E se Nilda Gondim, filha de Pedro, tivesse desfrutado desta oportunidade a partir de 1970?

  • A CORRIDA PARA CHEGAR AO SENADO

    28/10/2021

    Acordo Romero Rodrigues e João Azevedo está consumado. A reunião de Brasília foi pretexto para Romero e Eva ouvirem Gilberto Kassab. Resta agora, a disputa pela vaga do Senado. Nilda Gondim será candidata a reeleição? Seu filho Veneziano Vital do Rego, ainda claudica na busca de chegar ao Palácio da Redenção, através de uma ampla frente de oposições, onde estarão Ricardo Coutinho, Luís Couto e todos os investigados da “Operação Calvário”. Palanque que só desmontará, em troca de espaços na chapa majoritária, e com repercussão contundente: reduzir a cinzas a chapa “Ricardistas”.

    Aguinaldo Ribeiro foi madrugador e tem trabalhado com afinco seu voo para o Senado. Estaria numa posição bem mais confortável, se a postulação tivesse surgido do povo ou lideranças representativas. É possuidor de um sistema de comunicações (Rádios) totalmente inaproveitável para suas ambições políticas. Dispõe de uma assessoria (desconhecida) que ao invés de aproximá-lo do eleitorado, blinda-o. No seu estilo “sorrateiro” esqueceu até a “sintonia” da mesa de jantar.

    Quando Daniella Ribeiro fez algumas declarações severas contra o governador João Azevedo no início deste ano (2021), alegando que o mesmo teria que “conversar” sobre política e eleições, deveria ter dado demonstração prática de seu descontentamento. Era para ter se lançado pré-candidata, e iniciado andanças por todo o Estado, visitando cidades onde foi votada. Hoje teria poder de barganha para assegurar a vaga de seu irmão. Ou Quiçá, consolidado uma postulação de oposição.

    Como não existe espaço vazio, o senador Veneziano Vital do Rego - figura política mais aquinhoada com cargos no governo do Estado – julgou que havia chegado seu momento. Mas, João disputando o Senado, e ele como candidato a inquilino da Granja Santana. Sua ousadia, espantou o núcleo governista. João Azevedo, como homem função (politico), representa o projeto de um grupo, onde ele é o “cabeça”. São mais de 18 deputados estaduais, pelo menos metade da bancada da Câmara dos Deputados, que estão no mesmo barco onde João é o timoneiro. Um exército de veteranos profissionais – não aventureiros - que dependem do mandato, como único meio de sobrevivência.

    Comenta-se agora que Veneziano Vital do Rego pode rever sua postura e unir-se ao “grupão”, ao lado de Romero, João Azevedo; Cícero Lucena... A condição seria Romero abrir mão da vaga de vice, para Ana Cláudia, e disputar o Senado Federal. Injunções “suprapartidárias” já estariam sendo feitas junto a Gilberto Kassab, sob o argumento que para o PSD seria melhor um Senador, que um vice-governador.

    Esta especulação desconexa, está sendo criada para fortalecer a posição de Veneziano como “coringa”. Esqueceram de um detalhe: parentesco. Caso João Azevedo seja reeleito, e renuncie para disputar o Senado (2026), Ana Cláudia assumindo, deixaria Veneziano inelegível para disputar o governo. Só poderia disputar a renovação de seu mandato. Ana é sua parente em primeiro grau. Nilda ainda poderá ser a surpresa...

    Pela mais absoluta falta de apoios em redutos expressivos como Campina Grande e João Pessoa, Efraim Filho não tem cacife para enfrentar Aguinaldo ou Nilda. Seria um candidato pesado e “puxado” pelo chapão de João Azevedo. A não ser que seja o “Trem pagador” da campanha. Neste caso, o acomodarão.

  • VÃO SACRIFICAR ROMERO OU PEDRO?

    27/10/2021

    O Clã Cunha Lima sabe perfeitamente que não tem quadros para encabeçar uma chapa de oposição, com chances de enfrentar o pré-candidato à reeleição, governador João Azevedo. Esta mesma realidade insofismável é concebida (intramuros) pelo MDB, ao observar a falta de entusiasmo da classe política, que não enxerga estrutura no desejo “utopista” do senador Veneziano Vital do Rego, e sua “solitária” empreitada de chegar ao Palácio da Redenção em 2022.

    Ex-governador Cássio Cunha Lima, “machucado” por duas derrotas consecutivas (2014/2018), está sem discurso “motivacional” que o estimule a uma terceira tentativa “majoritária”. A inteligente “distensão” imposta por João Azevedo esvaziou o “pastoril” Cunha Lima x Ricardo Coutinho x José Maranhão, este último em seu repouso eterno.

    A dinâmica da política pôs o PSDB em declínio. Uma agremiação que corre o risco de se tornar “nanica” em nível nacional, após o pleito de 2022. A aventura João Dória – referência tucana – será mais desastrosa que a de Geraldo Alckmin em 2018. Alckmin até se afastar do governo - próximo ao pleito – era muito bem avaliado pelo seu Estado (SP), responsável por 1/3 do PIB do Brasil. Mas, a onda “Bolsonarista” radicalizou a eleição entre direita e esquerda. PT x Bolsonaro. O que mudou desde então? Nada.

    O acordo João Azevedo/Romero Rodrigues foi a costura mais que perfeita para sobrevivência política dos Cunha Lima, principalmente para aqueles que integram a ala “Cassista”. Com o fim das famigeradas coligações, só o governo e sua “máquina” tem condições de eleger metade dos parlamentares federais e estaduais.

    João Azevedo – que perdeu para o desconhecido Lucélio (2018) em Camina Grande - não subestima o comportamento “sincericida” da cidade, que detesta o PT, abomina as esquerdas e despreza comunistas. A direita - quem a represente ou se identifique com ela - sempre venceu na Rainha da Borborema. Collor de Melo – Ronaldo era Prefeito do PMDB e não conseguiu votos para Ulisses Guimarães – Fernando Henrique Cardoso; José Serra; Geraldo Alckmin; Aécio Neves e Bolsonaro.

    O pleito certamente será “estadualizado”, distante do radicalismo nacional, para ser consumado no primeiro turno. Bolsonaro pode até perder em todo o país. Mas, em Campina Grande, se repetirá o fenômeno “antipetista” das eleições de 2006: a única cidade do interior nordestino que o tucano venceu.

    A rebeldia desagregadora de Cássio Cunha Lima – se for aceita por Romero - terá um custo: sacrificará a carreira política de seu filho Pedro, a de Romero Rodrigues ou de ambos. Ele substituirá Pedro, como candidato a deputado federal? PSDB, em quaisquer circunstâncias, dificilmente elegerá três representantes para a Câmara dos deputados. Cássio ou Pedro, Rui Carneiro e Romero? Pelo coeficiente eleitoral previsto – algo em torno de 200 mil votos – a legenda terá que obter cerca de 600 mil, número de sufrágios conquistados por Cássio em 2018 para o Senado, ficando em quarto lugar (601.333). Entre 2014/2018, Cássio - se não os perdeu - tomaram-lhes mais de 400 mil votos.

    Perda de apoios importantes como o de Cícero Lucena, prefeito do maior colégio eleitoral do estado, tem um peso significativo. Esta peripécia contará com apoio de Cabedelo, Patos; Sousa e Cajazeiras?

    Quanto a Campina Grande, Bruno Cunha Lima é muito jovem. Tem que escrever sua própria história, realizando uma gestão diferenciada e voltada para recuperar a autoestima do povo desta terra: o “Campinismo”. Sua eleição será plebiscitária - em 2024 - e não ano vindouro. Queimará cartuchos numa batalha perdida, ou os guardará para usá-los em sua defesa no “Campo da Honra” de 2024?

  • A FEIRA DE CAMPINA

    25/10/2021

    Na história das civilizações, todas as grandes cidades surgiram às margens dos rios, lagos e oceanos. Sem água não existe vida. Mesmo assim, os aglomerados urbanos se consolidavam pela existência de atividades econômicas, dentre as quais a principal era a de entreposto comercial (feiras).

    Em nossa última postagem, mostramos a baixa taxa de crescimento populacional e econômico de Campina Grande – nas últimas três décadas - que perdeu a posição de maior cidade do interior nordestino para Feira de Santana (BA) e estamos no mesmo patamar de Caruaru/Toritama (PE); seguido de perto por Petrolina (PE) englobando Juazeiro (BA). No caso desta última, a diferença é a vantagem geográfica. Separada por uma ponte, ambas se localizam às margens do rio São Francisco, contam com a navegação e tem uma das maiores áreas irrigadas/produtiva do país e em plena expansão.

    Destas quatro cidades do interior nordestino, que esbanjaram progresso no século XX, a mais bela história – até inexplicável do ponto de vista geográfico - é Campina Grande. Todavia, todas cresceram a partir de suas feiras livres. Caruaru era um Distrito da cidade de Bezerros. Com a instalação de um terminal ferroviário, iniciou-se a grande feira de gado. Feira de Santana (BA), o nome já revela a sua origem. Sua localização num entroncamento rodoviário, promoveu seu crescimento ininterrupto – acima da média regional – durante os últimos trinta anos.

    Campina Grande, sem rios, lagos e distante do oceano, no topo de um Planalto, começou a crescer como entreposto comercial a partir de sua feira livre. Segunda década do século XX, ocorreu sua grande explosão demográfica - entre 1912/1945 - quando o trem chegou à cidade. A feira era enorme, vendia-se e comprava-se tudo. Seu espaço (onde está até hoje), estrangulou. Surgiram os atacadistas nas ruas Maciel Pinheiro, Marquês do Herval; João Pessoa; João Suassuna; Cardoso Vieira... Áreas residenciais às pressas transformadas em zonas comerciais.

    A Estação do Trem – hoje Museu do Algodão ao lado do Bompreço - ficava distante da feira livre. Havia uma farta disponibilização de mão-de-obra. Potiguares, Cearenses e Pernambucanos – trabalhadores e investidores - correram para Campina Grande. Em 1930, dezoito anos após a chegada do trem, começaram a surgir bairros populosos e a necessidade de transporte para população. O pernambucano de Limoeiro, Heráclito do Rego, associou-se com Salvino Figueiredo (pai de Argemiro Figueiredo) e implantaram linhas de bonde na cidade, movidas por tração animal. Major Veneziano Vital do Rego, irmão de Heráclito, veio gerenciar as linhas de bonde de Campina Grande. Conheceu uma das filhas de Salvino Figueiredo (a poetisa Vicentina) e casou-se com ela, tornando-se cunhado do futuro Interventor da Paraíba, e seu maior amigo.

    Em todo o interior do RN, PE; CE, quem tinha o que comprar, vender ou trocar (escambo), só tinha um destino: Campina Grande. A feira livre trazia bovinos, caprinos; ovinos... Que oportunizou a fundação dos primeiros Curtumes Industriais: Os Motta, Vilarim; Alvino Pimentel... Em apenas duas décadas, a cidade se transformou no maior polo coureiro do Nordeste. As algodoeiras se instalaram simultaneamente: João Rique, Fleury Soares; Cassiano Pereira; Pedro Ribeiro; Claudino Colaço... Chegaram a mais de duas dezenas, inclusive com uma multinacional: SANBRA.

    Entre 1935/1945 todas as grandes companhias de petróleo instalaram seus depósitos em Campina Grande. Shell, Esso; Atlantic... O álcool era monopolizado por João Felinto. Com o início da Segunda Guerra Mundial, Campina Grande se tornou o único centro abastecedor de todo o interior nordestino, até para Capitais como Natal, João Pessoa e a distante Fortaleza. Entre 1912 e 1945, a cidade cresceu de oito mil habitantes, para 145 mil. Sua importância era inquestionável, a ponto de Getúlio Vagas nomear o campinense Argemiro de Figueiredo como Interventor do Estado. Sem água, rios; lagos e oceano; a cidade tinha uma economia pujante, alicerçada na maior feira livre do Nordeste. Infelizmente, hoje, 109 anos depois, a feira ainda é do mesmo tamanho físico de 1920, funciona no mesmo local, e mal abastece a cidade. Mataram a nossa “galinha dos ovos de ouro”.

    Caruaru e Feira de Santana, não deixaram suas feiras morrerem. Reinventaram-se, modificando o seu formato original. Continuaram crescendo com entreposto comercial. Como o futuro sempre esteve no passado, o que se espera do prefeito Bruno Cunha Lima é que imite a ação do “ovo de Colombo”. Construa uma nova área, que permita a retomada da realização de Feiras, para que consigamos voltar a ocupar o espaço que perdemos nos últimos 60 anos. Daremos sequência a história do progresso, estagnação e perdas da cidade que já foi a mais próspera do Norte e Nordeste do Brasil.

  • JOÃO AZEVEDO É VITIMA DE INCIDENTE MINI CAMPESTRE

    09/10/2021

    Superestimando a importância política de sua esposa Ana Cláudia em Campina Grande -nivelando por baixo o governador - Senador Veneziano Vital do Rego fez mais uma tentativa de se afastar de João Azevedo (como vítima) e tocar seu projeto de candidato pelas oposições, nas eleições do ano vindouro (2022). Qual o motivo da sanha? Ana Cláudia não estar na mesa da entrevista coletiva, concedida pelo Governador (?).  

    Com este tipo de comportamento excêntrico, o Senador Veneziano Vital do Rego está esquecendo que os papéis - sob sua visão politicamente estrábica - foram invertidos. Quem deveria estar presente, era ele próprio, que preferiu embarcar para uma visita a cidade de Imperatriz no Maranhão. Onde estão seus votos?  

    Vivemos numa democracia. Quem governa é a maioria. Ao eleger-se governador, João Azevedo assumiu o comando dos destinos de todos os paraibanos. Não apenas – e tão somente – daqueles que votaram nele. Mesmo sob este prisma, Veneziano Vital do Rego é “minoritário” na Rainha da Borborema desde 2012. Não conseguiu eleger sua candidata Tatiana Medeiros... Quatro anos depois (2016) obteve pouco mais de 50 mil votos – foi esmagado por Romero Rodrigues que se reelegeu – e ano passado (2020), Ana Cláudia não teve os sufrágios necessários para alcançar o segundo turno. João Azevedo teria que ser “tutelado” por Ana Cláudia na Rainha da Borborema?  

    Senador Veneziano Vital do Rego carece de sensibilidade para a vida, aquela que é vivida pelos humanos comuns e mortais. Despertar e observar a filosofia simplista dos adágios e sabedorias populares. Só assim perceberá que os “Cemitérios” estão todos ocupados por insubstituíveis”. A sua presença hoje (08.10.2021) em Campina Grande tinha o papel de “abre alas”. Ou ele não viu o calendário de eventos que o governador veio cumprir em sua cidade? onde ele foi vereador, prefeito, deputado federal e Senador (mesmo ficando na terceira colocação) acima apenas, do estranho e indigesto Luís Couto.  

    Romero Rodrigues - se tiver um mínimo de inteligência política - ligará ainda hoje para João Azevedo, hipotecando solidariedade ao desconforto de ser “arrostado” por uma auxiliar de sua equipe, nomeada por ele (Cargo de Confiança). A mesma, se comportou de modo desrespeitoso, abandonando sua comitiva, ignorando sua autoridade como Chefe do Executivo Paraibano. A resposta a uma atitude desta, por parte de qualquer outro governador – exceto o saudoso Ivan Bichara Sobreira – seria uma imediata “Edição Extra” do Diário Oficial, exonerando todos os cargos indicados pelo Senador amotinado.  

    Algo semelhante ao episódio de hoje, ocorreu no Clube Campestre (1998), aniversário do Senador Ronaldo Cunha Lima. Ferido em sua vaidade e à procura de um simples pretexto – o poeta não suportou os dez minutos de foguetório patrocinado por Expedito Pereira então de Bayeux - saudando a presença do governador José Maranhão, aproveitou o ensejo, não entendido pela maioria dos presentes, para romper de modo grosseiro; destemperado e agressivo. Foi a oportunidade que teve para justificar sua intenção de voltar ao Palácio da Redenção.  

    Acotoveladas, empurrões, cadeiras jogadas... A festa acabou. Me confessou Mário Silveira, que ao saírem do Campestre, Maranhão e sua equipe foram direto para casa de Ivandro Cunha Lima. Lá, Maranhão pediu para o próprio Mário redigir uma carta renúncia, abdicando de sua postulação a reeleição, que tinha como vice Ivandro. Saudosa Walnyza Borborema – esposa de Ivandro - o interrompeu. Não aceitou a ideia. “Se Ronaldo queria voltar ao governo, porque não comunicou a Maranhão ou ao próprio Ivandro, seu irmão?” A atitude de Ronaldo, movida pela ansiedade, alicerçava-se na “bajulação” excessiva de seu séquito. O poeta esperava um clamor de toda a Paraíba por sua volta. Mas, o “poder de caneta” estava com Maranhão. Veneziano ainda sonha com “fatos novos” na “Operação Calvário”, que provoque recuo de João Azevedo. Para o poeta, o castigo foram duas derrotas, em duas convenções partidárias subsequentes, e ficar sem legenda para disputar o pleito. Quanto a Veneziano... 

  • O CAMPINISMO FOI SUCUMBIDO PELA TAMBAUZADA

    05/10/2021

    Por onde andam os três Senadores da República de Campina Grande? Seus Deputados Federais e Estaduais? Todos em João Pessoa, na orla, próximo do governo e distante da terra que os elegeu. A Capital do Trabalho, movida pelo sentimento do “Campinismo”, está se transformando eleitoralmente na cidade “motel”.  

    O amor por sua gente explode só no micro período eleitoral. Depois dos votos apurados, “só lembranças”, como “choraminga” em sua canção o artista “brega” Bartô Galeno.  

    O termo “Tambauzar” foi criado pelo amigo jornalista Aécio Diniz de Almeida, quando Superintendente do Diário da Borborema (1972/1978). Sua intenção não foi radicalizar ainda mais o “bairrismo” histórico existente na época, entre a Capital do Estado e a maior cidade do interior nordestino. O propósito era altruísta - comprometer a classe política com os destinos de Campina - evitando que após alguns mergulhos na praia de Tambaú lideranças esquecessem a terra fundada pelos desbravadores tropeiros.

    Aécio Diniz estava correto. Foi ele que iniciou a exitosa campanha através do Diário da Borborema, usando as emissoras de Rádio e a TV, forçando posições através de entrevistas de deputados estaduais e federais, cobrando do governador Ernani Sátiro um Estádio, que tinha sido destinado pelo Governo Federal para João Pessoa (Almeidão), trazê-lo para Campina Grande. A cidade detinha a hegemonia do futebol paraibano, através dos clubes Treze e Campinense.  

    “Amigo Velho” se rendeu às pressões, e com recursos do tesouro do estado, construiu “O Amigão”.

    O programa das Centrais de Abastecimentos (CEASA e CIBRAZEM) fazia parte da estratégia de abastecimento, concebidpa pelos militares. As CEASAS seriam construídas apenas nas Capitais. Outra briga comprada pelo Diário da Borborema, através de Aécio Diniz. Como deixar Campina sem uma CEASA, se sua origem foi a feira livre?  

    CEASA é uma feira permanente. Quem quer vender ou comprar grãos e hortifrutigranjeiros, aves ... Só tem um endereço: CEASA. Mais uma vez “Amigo Velho” mostrou que seria o melhor governador para Camina Grande até os dias de hoje: construiu a CEASA de Campina Grande, e a seu reboque veio a CIBRAZEM. Antes, por iniciativa dos Gaudêncio, investiu uma montanha de dinheiro na segunda adutora de Boqueirão.  

    Campina havia “engessado” seu crescimento por falta d’água. Expandiu toda a rede de saneamento básico abrangendo toda a cidade e iniciando o esgotamento sanitário dos bairros.

    A classe política de Campina Grande era temida e respeitada, por sua coragem e ousadia. Em troca recebia como bônus, sua recíproca: fidelidade do eleitor. Campina só votava em campinenses. Infelizmente nas últimas três décadas, a cidade perdeu seu ritmo de crescimento e está praticamente estagnada.  

    Causou-nos espanto o censo do IBGE 2020/21, cujos dados mostram que Campina Grande (411.807 mil habitantes) já não é mais a maior cidade do interior do Nordeste. Muito embora sua região metropolitana - composta por dezenove municípios - alcance 638.017 habitantes. Perdemos a posição para Feira de Santana-BA, com 624.107 habitantes.

    Estamos “espremidos” entre Feira de Santana e Caruaru–PE, com 369.343 habitantes. Se Toritama (12 km) de Caruaru for considerada como “Região Metropolitana”, suplanta Campina Grande. Em quarto lugar - crescendo a todo vapor - vem Petrolina-PE, com 359.372 habitantes. Somando-se a população de Juazeiro-BA (219.544), separada por uma ponte, torna-se bem maior que Campina Grande e com a mesma população de sua “Região Metropolitana”.  

    Onde foi que erramos? E qual o motivo do nosso declínio? As nossas escolhas políticas. Todos se “tambauzaram”.

  • OS SEMELHANTES SE ATRAEM

    25/09/2021

    Diariamente a narrativa da crônica política – como numa transmissão radiofônica de uma partida de futebol – mostra que a equipe comandada por Romero Rodrigues chegou a grande área e está prestes em marcar o “gol” do acordo político que fechará a chapa, com vistas ao projeto de reeleição do governador João Azevedo.

    Nas leis da física - corpos celestes e força da gravidade - aprendemos na escola que os opostos se atraem. Nas relações humanas é o contrário: os semelhantes se completam. Observemos posturas idênticas do governador João Azevedo e Romero Rodrigues. Comungam a “distensão”. Superaram ódios e rancores que marcaram o período “pastoril” da política paraibana por mais de duas décadas. Percorreram os mesmos caminhos. Romero, sombreado por Cássio Cunha Lima, João Azevedo como “opção” de Ricardo Coutinho.

    Antes de Romero, ex-governador Cássio Cunha Lima fez duas tentativas com o saudoso Rômulo Gouveia. Duas derrotas seguidas para os Regos em sua principal base, Campina Grande. João Azevedo teve seu nome para ser o candidato de Ricardo Coutinho a PMJP e foi preterido. Entrou numa lista e após suplantar seus concorrentes – Buba Germano era o preferido – conseguiu ser o candidato para enfrentar os irmãos Cartaxo e José Maranhão (2018).

    Romero Rodrigues deve parte de suas conquistas ao saudoso Rômulo Gouveia e principalmente Gilberto Kassab. Na sua primeira eleição (Prefeitura de Campina Grande 2012), foi o último candidato a por sua campanha nas ruas. Não tinha dinheiro para o material, fotos, adesivos... Rômulo Gouveia o levou a Gilberto Kassab, que lhes deu um milhão de reais. Ao chegar ao segundo turno, Kassab veio a Campina Grande trazer mais dois milhões.

    Gilberto Kassab hoje precisa mais do que nunca de companheiros como Romero Rodrigues (PSD) para que sua legenda não sofra grandes estragos ano vindouro. É contra o radicalismo Bolsonaro x Lula e defende uma “terceira via”. Sugere o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, como candidato.

    Recentes declarações do governador João Azevedo, afirmando que não dividirá o palanque com Ricardo Coutinho, deixa claro que Romero Rodrigues reúne todas as qualidades para compor sua chapa, como Vice ou candidato ao Senado. O ex-prefeito de Campina Grande mostrou que sua densidade eleitoral na Rainha da Borborema está absolutamente consolidada. Foram quatro derrotas impostas aos Regos entre 2012 e 2020.

    Romero derrotou Tatiana (2012). Em seguida (2016), foi reeleito e deu uma verdadeira “surra de votos” em Veneziano. Praticamente três por um. Para o Senado, Veneziano obteve pouco mais que metade dos votos de Cássio Cunha Lima, candidato de Romero. E ano passado (2020), Bruno Cunha Lima apoiado por Romero bateu Ana Cláudia (esposa de Veneziano Vital do Rego) no primeiro turno do pleito.

    João Azevedo é filiado ao CIDADANIA. Se sua equipe política aprimorar na “costura”, poderá receber apoio das Prefeituras de Campina Grande e João Pessoa. Cícero Lucena poderá indicar Aguinaldo Ribeiro para o Senado e seu filho ocupará esta vaga na Câmara. Romero, terá a paciência de esperar quatro anos para ser o sucessor de João Azevedo. Reconduzirá com facilidade Pedro Cunha Lima e Rui Carneiro. Isto, se Cássio Cunha Lima não decidir disputar a vaga de Edna. Lígia Feliciano já foi reeleita como Vice. Seguindo este roteiro – sempre conversando e com cautela - não precisa combinar com o povo. O povo é que correrá atrás.

  • BRUNO CUNHA LIMA: UMA GESTÃO POLITICA OU TECNOCRATA?

    23/09/2021

    A “Tecnocracia” foi um termo forjado (maldosamente) pela grande mídia, defensora da velha politica de então - sempre apostando contra o país - período dos governos Militares. O termo ironizava os Generais, que resolveram buscar nas nossas Universidades Públicas, seus melhores e mais talentosos alunos, e por mérito, convidaram-nos para ocuparem todos os escalões do governo. Este processo exitoso, que fez o Brasil elevar seu PIB em até 15% em um ano, perdurou por doze anos, encerrando-se no final do mandato do presidente Ernesto Geisel.

    Graças a “Tecnocracia”, Campina Grande na época sentiu-se orgulhosa - hoje simplesmente esqueceu - o seu gênio Linaldo Cavalcanti de Albuquerque, Diretor da Escola Politécnica, que estava transformando-a na FURNE, modelo para todo o Nordeste. A ideia logo chegou ao Palácio do Planalto. Imediatamente o convidaram para assumir a Reitoria da UFPB. Seu Chefe de Gabinete era o ex-governador Tarcísio Buriti.

    Um ano depois, foi “catapultado” por méritos, para ocupar o ambicionado cargo do MEC - disputado pelos meios acadêmicos que se concentravam no eixo Rio/São Paulo - Departamento de Assuntos Acadêmicos e Universitários. Linaldo convenceu o Presidente Médici, a descumprir o acordo firmado entre o Brasil e Estados Unidos, denominado MEC/USAID (1968) que extinguia e proibia a Universidade Pública e Gratuita.

    Nosso Paraibano esquecido, fez um belo projeto, e contando com a colaboração da maioria de seus amigos da Paraíba: Luís Almeida, Atila Almeida; José Silvino Sobrinho; Edvaldo do Ó; Stenio e seu filho Marcelo Figueiredo Lopes; Lopes de Andrade... Sua ideia foi aprovada por Médici, com brigas colossais nos quartéis. Ao invés de privatizar totalmente as Universidades, Linaldo propôs e conseguiu a “Expansão Universitária”: uma Universidade Pública em cada Estado da Federação. Criou o intercâmbio (hoje fracassado projeto denominado Ciências Sem Fronteiras) e foi escolhido - último posto no governo federal - para tarefa de criar o CNPQ (governo Geisel).

    As gestões de Ernani Sátiro; Enivaldo Ribeiro e o primeiro mandato do ex-governador Tarcísio Buriti, marcaram época. Ambos, adotaram o modelo “Tecnocrata”. No seu segundo mandato, Buriti optou pela “gestão politica”. Conseguiu apagar tudo de bom que fez na Paraíba em seu primeiro mandato.

    Ao convidar Eva Gouveia e Pimentel Filho para dirigirem a URBEMA, Bruno está enveredando pela gestão “politica”. Ambos entendem tanto de URBEMA, quanto o próprio Prefeito de Física Quântica. O politico para obter êxito em sua carreira - sempre ascendente - tem que enxergar uma década a sua frente. Nem Eva, Pimentel ou o Prefeito conhecem as razões da existência da URBEMA. Foi criada pelo então Prefeito de Campina Grande Enivaldo Ribeiro, por sugestão de José Silvino Sobrinho e Renato Azevedo.

    A ideia original era que a URBEMA seria uma “Usina” de projetos para consolidar a Região Metropolitana da Rainha da Borborema. Tinha autonomia tanto para projetar obras, como executa-las ou terceiriza-las. A necessidade se impôs, após as conquistas (hoje bilionárias) dos projetos CURA I,II e III. A cidade não tinha empreiteiras para realizar um gigantesco volume de obras. A URBEMA, poderia participar da execução. Por outro lado, a URBEMA seria uma extensão de apoio a CONDECA. Quem da atual classe politica Campinense - clientelista e mercenária - sabe pelo menos selecionar uma equipe para elaborar projetos? Entretanto todos têm um “projeto politico” para si, usando a “maquina”.

    Bruno é muito jovem, com certeza não conhece a historia da cidade cujo comando do seus destino hoje está em suas mãos. Escolha a “Meritocracia” como senha de acesso a sua gestão. Despreze a “politicagem” seus “politiqueiros”. Pense figurar no futuro como um gestor diferenciado, que reordenou as vocações de Campina Grande, evitando que ela se perca num cenário voltado para o século XXI.

  • BASTIDORES

    16/09/2021

    Tem sido difícil para a classe política da Paraíba, aceitar o fato que a eleição de João Azevedo encerrou abruptamente um capitulo em sua história, e com ele, desapareceram muitos personagens que compuseram os diversos roteiros das tramas e intrigas - desde o episódio do Clube Campestre - racha do MDB de Humberto/Ronaldo, com José Maranhão.

    A longa “trilogia” trouxe reeleição de José Maranhão, eleição e reeleição de Cássio Cunha Lima; Ricardo Coutinho igualmente eleito e reeleito, transformando-se no personagem principal de sua época, pelo fato de ter elegido seu sucessor, sem contestações. Desde 1960, em eleições diretas, fenômeno triunfal só alcançado por Ronaldo Cunha Lima – elegeu Antônio Mariz – e Ricardo Coutinho, João Azevedo.

     A eleição de João Agripino Maia (1965), candidato apoiado pelo governador Pedro Gondim, foi fraudada na cidade de Cajazeiras. O número de eleitores foi superior à sua população. Eram cearenses. Após a recontagem dos votos, e certificação do domicilio dos eleitores, no final de seu mandato – quatro anos depois - o TRE o cassou. João apelou, e duas décadas depois, saiu a decisão final do TSE: o governador eleito foi Rui Carneiro, e não João Agripino Maia. Ambos já tinham falecido. A única reparação feita foi a pensão vitalícia de ex-governador, que concederam aos herdeiros de Rui Carneiro, e ficaram de postar sua foto na Galeria de ex-governadores, no Palácio da Redenção. Não sabemos se cumpriram. Num tempo que existia “vergonha”, voto impresso e recontagem roubavam eleições, E hoje? Urnas eletrônicas sem recontagem? É brincadeira...

    Imaginem a “bronca” para mais de 30 mil funcionários nomeados por João Agripino, um governador que não foi eleito? O medo de perderem seus cargos... E os barnabés que foram exonerados? Muitos tiveram suas vidas destruídas por “embusteiro”. Hoje, talvez poucos estejam vivos. Mas, a mácula da fraude comprometeu a imagem de João Agripino. Não na Paraíba, pois o fato era considerado “boato” e nunca foi divulgado com amplitude... Sequer registrado na mídia! Mesmo assim, João Agripino quando quis voltar a governar a Paraíba - sucedendo Ernani Sátyro ainda no período dos Militares – indicado por Golbery, não conseguiu. O austero SNI o barrou.

    Estender-me no texto, é uma forma de contar um pouco de nossa História, que muitos desconhecem, e consideram “Estória”.  

    Voltando aos “bastidores”, onde ganha fôlego o projeto do Clã Rego em chegar ao governo do Estado – antes sonho do Ministro Vital Filho – hoje “empreitada” já abraçada por seu irmão Senador Veneziano Vital do Rego, a “partida” se constitui em dois lances, no tabuleiro do xadrez político. O primeiro é um “xeque” no governador João Azevedo. Estão propondo sua desistência da reeleição, e apoiar Veneziano. Em troca, a vaga de Senador. Oferta bastante tentadora. Porém, João não é mais dono de seu destino político. Ao seu lado, tem vários grupos de correligionários, que não esperam serem abandonados pelo Comandante, em plena batalha.

    Se João concordasse com a ideia, receberia o “empenho” e “estrutura” de Ney Suassuna, suplente de Veneziano. O PSB voltaria a elogiá-lo. O PT de Lula, teria um nome na Paraíba, que ainda não está no “SERASA” das condenações por corrupção. Ricardo Coutinho sabe que uma “ação” de Lula no STF, mudará o destino da “Calvário”, que se tornaria semelhante a “Lava-Jato”. Ricardo ainda Indicaria o Vice, e asseguraria sua vaga na Câmara dos Deputados.

    O segundo “xeque”, é desafiar o governador, trazer Lula para o palanque de Veneziano, se compor com Ricardo Coutinho - mesmo depois de ter lhes dado as costas e ficado na base do governo João Azevedo – com mais de duas centenas de cargos; “azeitar” sua assessoria jurídica, para arrancar uma decisão que envolva João Azevedo na “Calvário” e o deixe inelegível. Com relação à Justiça, é questionável uma sentença estapafúrdia, antes de junho de 2022, período das convenções e registros de candidaturas.

    Se o plano for um fiasco, Veneziano não perde nada. Continuará Senador, se posicionará como a segunda força política do Estado, pavimentando sua volta, ou nova tentativa de se abrigar no Palácio da Redenção. Seus peões tem avançado, ocupado espaço e cercado os “cavalos” e “bispos” que defendiam Romero Rodrigues como candidato da oposição. Tudo muito bem pensado. Falta só um detalhe: “estão combinando com o povo”?

  • UM CANDIDATO SEM DISCURSO

    14/09/2021

    Blogs seguidores do Senador Veneziano Vital do Rego começaram a divulgar sua candidatura ao Governo do Estado (eleições 2022) como um projeto do ex-presidente Lula, enxergado hoje como “estrela cadente” na grande constelação da politica nacional. Suas últimas aparições em público, e as manifestações do dia 12.09.2021 - não só do PT - mas reunindo todas as esquerdas, mostraram que o partido perdeu força e apoio popular.

    A precipitação de Veneziano revela seu lado desagregador, quando opta por seus projetos pessoais ou devaneios - mesmo que Quixotescos - que venham nutrir seu desejo de ser inquilino do Palácio da Redenção, como fora seu avô materno Pedro Gondim.

    Esta sua ansiedade momentânea pode ser enxergada como uma característica genética ou hereditária. Seu pai, o saudoso tribuno Vital do Rego, era detentor - por competência - de uma das carreiras politicas mais promissoras da Paraíba no final dos anos sessenta (século passado). Entretanto, movido pela inquietação, cometeu dois erros cruciais, com consequências desastrosas para seu futuro, oportunizando o surgimento do Clã Cunha Lima, que comandou ininterruptamente Campina Grande por vinte e dois anos.

    O Jovem Vital do Rego - para os mais íntimos Tonito - sobrinho do Senador Argemiro de Figueiredo, filho do Major Veneziano, era deputado federal desde 1963. Casado com a filha única do governador Pedro Gondim, de quem foi líder do governo e residiu no Palácio da Redenção. Participou ativamente da campanha para o sucessor do seu sogro (1965), João Agripino Maia, com o compromisso de ser o candidato a prefeito em 1968.

    O tribuno Vital havia se superado. Conseguiu amainar as mágoas que guardavam os Figueiredos do grande líder Seu Cabral, que compôs a chapa de João Agripino como Vice. Seu pai, o Major Veneziano, era presidente da SANESA (hoje CAGEPA). E, tudo ocorria as mil maravilhas até o fatídico 1968. Próximo às eleições, Seu Cabral resolveu ser candidato, e se despedir da vida pública, como prefeito pela última vez de Campina Grande.

    Antes houve conversas de bastidores. Os tempos eram outros... Pedro Gondim fazia oposição ostensiva ao Governo Militar. João Agripino era muito respeitado pelos Quartéis. Argemiro não era simpático aos sucessores de Castelo Branco. Vital do Rego era muito jovem (trinta anos), o vice ideal para Seu Cabral. Teria sido o único herdeiro do grande espólio politico de Seu Cabral/Argemiro de Figueiredo. Mas, a ansiedade...

    Conselhos e apelos não faltaram. Vital permaneceu irredutível. Não aceitava ser o Vice. Tentaram ainda convencê-lo sair candidato na sub-legenda da ARENA, partido de Seu Cabral, que já era imbatível. O MDB claudicava com a candidatura de Ronaldo Cunha Lima e Orlando Almeida. Era uma “barbada”. Confiante na teoria do “fato novo”, Vital rompe com a ARENA e se filia ao MDB como sub-legenda de Ronaldo Cunha Lima. Resultado do pleito: Ronaldo 12.800 votos, Vital pouco mais de 12 mil votos; Seu Cabral 23. 200 votos. O prefeito eleito, para surpresa da cidade, foi Ronaldo que suplantou Vital com 800 votos.

    O que levou Vital à derrota? A falta do discurso. No entender do povão, ele cuspia no prato que comeu. Exibia uma carta compromisso, assinada por João Agripino. Mas, a radicalização da época, levou-o a ser considerado “traidor”. Por mais que ele insistisse que era “o barra limpa”, slogan de sua campanha, o povo não entendeu o por quê dele ter rompido com Seu Cabral. Poderia ter chegado ao Governo do Estado, pois Agripino não tinha nomes para sucedê-lo. Foi forçado a entregar a seu inimigo Ernani Sátiro.

    O segundo erro do tribuno, fica para outro artigo. Mas, quem saiu ganhando mais uma vez, foram os Cunha Lima.  

    Veneziano ao se lançar contra João Azevedo, se torna no oxigênio imprescindível para que os Cunha Lima voltem a respirar politicamente. Parece que a história “Karmica” vai se repetir

  • Jogo Perigoso: O PACTO DE CAMPINA

    29/07/2021

    A crônica política paraibana foi surpreendida nesta semana com um “furo” vazado, propositalmente, sobre conversas de bastidores envolvendo o ex-governador Cássio Cunha Lima (PSDB) e o senador Veneziano Vital do Rego (MDB). Ao ser indagado sobre a veracidade dos “colóquios”, Veneziano tergiversou... Falou sobre maturidade política, e enfatizou que os “temas” discutidos são conjunturais e “Republicanos”. Cássio, segundo o ex-cabeludo, trabalha na área de consultoria (?) no Senado Federal.  

    Que tipo de consultoria?

    O equívoco da mídia é acreditar que Veneziano espontaneamente “conversaria” com seu principal rival político, a quem sempre desprezou e fez ferrenha oposição desde que entrou na vida pública, assumindo a postura de líder do anti-Cunha Limismo. O “bônus” foi um mandato de Vereador, quase foi eleito (42mil votos) deputado federal; sua eleição e reeleição para prefeito de Campina Grande, quebrando uma série de vitórias do Clã, na época liderado por Ronaldo, que permaneceu 22 anos no poder.

    Ex-governador Cássio Cunha Lima, diferente de Veneziano, sempre esteve aberto a qualquer tipo de “acomodação”, desde que permaneça em sua zona de conforto e assegure seu espaço no poder. No período pré-convencional das eleições do ano 2000, procurou ao lado de Arthur Cunha Lima seu maior adversário - ex-prefeito Enivaldo Ribeiro - e lhes propôs ser o seu vice, com garantias que assumiria a titularidade em 2022, quando disputaria o governo do Estado.

    Enivaldo respondeu que não tinha como dizer a Campina que decidira se agrupar com os Cunha Lima. Cássio ainda deu-lhes uma semana para pensar e avisou: “se não vier, vou tritura-lo”. De fato aconteceu. Fechou com a então radical Cozete Barbosa (PT) – algo impossível ou inimaginável – e saiu das urnas com 82% dos votos válidos.

    Para chegar ao Palácio da Redenção trouxe Wilson Braga e Efraim Morais. Para alcançar o Senado, juntou-se com Ricardo Coutinho e toda a turma “girassol” que o detestava. Depois de duas derrotas consecutivas (2014/2018), o tucano sabe que sua última chance de voltar à vida pública (Senado Federal) é através dos Regos, e tendo Veneziano como candidato ao governo do Estado. Romero e Bruno entrarão em xeque-mate: não tem como traírem o primo. Os Ribeiros que se cuidem...

    O leitor com certeza indagará: quem é capaz de montar toda esta trama, tão bem maquinada? Vital Filho, Cassio Cunha Lima e Ney Suassuna. O único obstáculo seria o ex-senador José Maranhão, que não resistiu o COVID. Veneziano, sem nenhum demérito, politicamente age como “autista”, num mundo que só ele conhece. Seu irmão Vital Filho, ardiloso e perspicaz sempre decidiu por ele. O fato de estar no TCU o impede de formar na linha de frente. Mas, corre solto e sem marcação nos bastidores. Sabe separar o “homem ser, do homem função” parafraseando seu pai, o saudoso Tribuno.

    Ney Suassuna todos sabem que em 2018 só veio garantir a vitória de Veneziano depois de acordar sua volta ao Senado Federal por mais quatro anos.

    Em uma de nossas postagens recentes, não previmos este episódio. Destacamos que o governador João Azevedo “navegava em mar de Almirante”. Entretanto era impossível em grandes travessias, a inexistência de tempestades.

  • Bruno, Síndico de Condomínio

    26/07/2021

    Passaram-se seis meses da posse do prefeito Bruno Cunha Lima, a cidade ainda desconhece na prática suas ideais ou projetos, voltada para o propósito inspirador dos habitantes da Rainha da Borborema: Campina Grande sempre.

                Até o presente, Bruno vem desempenhando o melancólico papel de “síndico de condomínio”, executando serviços de manutenção e conclusão do gigantesco complexo de obras de infraestrutura, deixadas por seu antecessor Romero Rodrigues – um dos três maiores gestores da história da cidade - ao lado e Vergniaud (pronuncia-se Verniô) Wanderlei e Enivaldo Ribeiro.

                Campina Grande hoje é uma das raras cidades do país, que não tem déficit habitacional, mesmo se aproximando de meio milhão de habitantes. Para sua dimensão, pode e deve exibir com vaidade, seu sofisticado sistema de “mobilidade urbana”, que permite o cidadão de onde esteja – bairros norte/sul/leste/oeste – chegar ao centro ou outro destino qualquer, sem engarrafamentos, no tempo mínimo de 15 minutos.

                Este modelo extraordinário, teve origem no Plano Diretor concebido na gestão Enivaldo Ribeiro, obra de autoria do saudoso – infelizmente esquecido na memória dos Campinenses – Arquiteto Pernambucano Renato Azevedo, que como muitos, se apaixonou pela cidade.

                Ao jovem Bruno Cunha Lima, indiscutível vitorioso na guerra pelo voto em 2020, resta a observação: “o exército de combate nunca deve ser o mesmo de ocupação”. Enivaldo Ribeiro nomeou um Secretariado eminentemente técnico. José Silvino Sobrinho (era Diretor do CCT com pós graduação em transportes público no Japão), Renato Azevedo, um dos mais promissores Arquiteto Urbanístico do país (na sua geração). Zélice Pereira de Morais... A CONDECA, presidida por Marcos Ribeiro (seu primo), cedido pela Telpa, escola do competente engenheiro Alemão Jost Van Damme...

                A Tecnocracia estava vivendo o seu auge e Campina tinha as melhores “cabeças” de toda região, como por exemplo, Linaldo Cavalcanti de Albuquerque. Ao lado do obstinado Edvaldo do Ó, haviam fundado a FURNE (hoje UEPB). Linaldo foi escolhido no governo Médici, por meritocracia, para dirigir o DAU – Departamento de Assuntos Universitários do MEC, que com competência e sensibilidade impôs a expansão das Universidades. Posteriormente, Reitor da UFPB. Em seu mandato (UEPB), na hora de escolherem o governador para suceder Ivan Bichara Sobreira (eleição indireta) o Palácio do Planalto indicou seu ex-chefe de gabinete (Buriti), e não ele, o merecido esquecido.

                Nos primeiros seis meses de governo do então prefeito Enivaldo Ribeiro, todas as rotas de transportes Coletivos da cidade, estavam sendo asfaltadas. Uma surpresa inacreditável para população, que só via asfalto na Praça da Bandeira. O “gargalo” da antiga “Volta de Zé Leal” - entrada de Campina Grande por Bodocongó - tinha sido extinto. A Av. Floriano Peixoto, estava atravessando o Açude Novo, cortando a Rua da Independência e rumando em busca do Hoje Hospital de Traumas. Foi projetada por Renato e Silvino para ser a maior Avenida da Paraíba.

                Estas foram obras do primeiro ano de Enivaldo Ribeiro. Acompanhamos de perto o ritmo alucinante das equipes, como Assessor de Imprensa da CONDECA, estatal municipal que graças a Renato e Silvino, trouxeram a Campina Grande Robert McNamara, ex-secretário de Defesa dos presidentes Kennedy e Lyndon Johnson, então presidente do BIRD, para nos doar 22 milhões de dólares. Investimento destinado a financiamento de projetos arquitetônicos e de infraestrutura da Rainha da Borborema. Destaque: estes recursos só poderiam ser aplicados em Capitais. Todas concorreram. Recebia quem apresentasse o melhor projeto. Campina só entrou, por conta da CONDECA, que era uma empresa voltada para captar recursos com vistas a projetos de infraestrutura para se fortalecer como cidade polo regional. Foi a vencedora.

                O Prefeito Bruno Cunha Lima, talvez não tenha percebido que a “meritocracia” é o novo formato que sucede a “Tecnocracia” de outrora. Se entregar sua gestão aos políticos, estes só trabalharão seus projetos pessoais de poder. Os “veteranos” (Vereadores ex-deputados e ou suplentes) buscarão a renovação de mandatos. Os “noviços”, sonham apenas em se projetarem individualmente, para num futuro próximo, ocuparem o espaço dos ora “tarimbados”. Que destino dará Bruno Cunha Lima ao futuro de Campina Grande?

  • A HORA MAIS ESCURA

    17/07/2021

    Restando cinco meses para o alvorecer eleitoral de 2022, os caciques políticos da Paraíba vivem sua hora mais escura. As mudanças foram profundas, com perdas e danos irreparáveis, tanto pela pandemia, quanto pela “Operação Calvário”.

    A pandemia provocou baixas inestimáveis, com a perda de diversas lideranças, em vários e importantes redutos do Estado. Um dos principais, o Marechal de Campo - Senador José Maranhão - que comandava um grande exército (MDB), foi abatido pelo vírus. Seu sucessor foi uma surpresa para a “tropa”: Senador Veneziano Vital do Rego. Aquele que o havia abandonado nas eleições de 2018, votando em quem traíra Maranhão e o derrotara por duas vezes, ex-governador Ricardo Coutinho. Vivo, José Maranhão jamais passaria o comando da legenda para o ex-cabeludo.

    Cícero Lucena, Prefeito de João Pessoa, não esconde sua escolha e preferência pelo projeto de reeleição do governador João Azevedo. No pleito do ano passado - disputa pela prefeitura - carecendo da inestimável ajuda do governo, não hesitou em abandonar o ninho tucano e se livrar do herdeiro de Ronaldo Cunha Lima, a quem devia o mandato de vice-governador, Secretaria com status de Ministério (Integração Regional) e dez meses como governador (1994) à frente dos destinos da Paraíba. Cássio derrotado em 2018 de forma humilhante, e sem mandato... Cícero apesar de sertanejo, raciocinou como “brejeiro”: em tempos de pouca farinha, primeiro o meu pirão.

    Romero Rodrigues e os irmãos Cartaxo (Luciano e Lucélio) tiveram sua oportunidade em 2018. O primeiro ainda elegeu um Deputado Estadual, seu irmão, com pouquíssimos votos. Cássio perdeu para Daniella, Pedro teve uma desidratação inimaginável em seus sufrágios e o atual Prefeito de Campina Grande, Bruno Cunha Lima, perdeu para a esposa do saudoso deputado estadual João Henrique, outro que tombou ao enfrentar o vírus. Luciano e Lucélio não elegeram o vice Manuel Júnior.

    João Azevedo continua navegando em “mar de Almirante”. Mas, é bom alertá-lo que não existem grandes travessias, sem tempestades. Ricardo Coutinho será candidato. A queda de braço PT x Bolsonaro, pode não influenciar no pleito estadual. Entretanto, não é prudente esquecer que Ricardo – mesmo com a desventura de 2020 – não tem nada a perder. Quanto a questão da “elegibilidade”, o STF não o negará. Na Corte Alta de Justiça do país, ainda tem sete Ministros indicados por Lula, patrono da causa de Ricardo Coutinho.

    Alguns cronistas do quotidiano político ainda apostam na candidatura de Cássio Cunha Lima, como “legítima” oposição. Mas, ele conta com quem mais, para formar este bloco? Paradoxalmente, é tudo que o governador deseja: dividir seus oponentes e evitar o “voto útil” no primeiro turno.

  • Governo João Azevedo: OS EFEITOS DA POLITICA DE DISTENSÃO

    14/06/2021

    Saudoso Petrônio Portela, ministro da Justiça do ex-presidente Ernesto Geisel, após episódio Abril de 1977- quando o governo usou o AI-5 e fechou o Congresso Nacional - eliminando as esperanças dos políticos cassados de retornarem à vida pública, apareceu como um grande moderador, criando o que ele batizou de “distensão”. Entretanto, todos os sinais apontavam para um recrudescimento pior que 1968, haja visto restar apenas um ano para escolha do sucessor de Geisel.

    Eleições diretas para governadores, prefeitos das capitais e cidades consideradas áreas de segurança nacional? Nem pensar! Pleito direto para Presidência da República? Impossível. O radicalismo insano do MDB – manipulado nos bastidores integrados pelas esquerdas radicais e setores da economia insatisfeitos com o crescente processo de privatizações - levou as grandes lideranças pró democracia a medir forças com o Governo.

    A distensão foi uma grande obra cívica construída tijolo por tijolo. Petrônio Portela - patrono esquecido da causa - convocou a classe política para discutir “Brasil”, despido de qualquer ideologia radical importada. Ouvir os anseios da sociedade civil organizada, alheia às demandas da “guerra fria”, em seu auge: Jimmy Carter x Leonid Brejnev. A distensão relaxou a tensão, culminando com o fim do AI-5, e a Lei da Anistia Ampla Geral e Irrestrita (agosto de 1979) presidente João Batista Figueiredo.

    Governador João Azevedo, conhecedor ou não da história, instintivamente está buscando os mesmos caminhos percorridos por Petrônio Portela, usando a “distensão política” para defenestrar o “radicalismo” plantado desde o “episódio do Clube Campestre” (1998). Neste ínterim, só quem perdeu foi a Paraíba: mais de duas décadas sem Emendas de Bancadas e Coletivas. Centenas de milhões de reais perdidos, tão necessários para investimentos em infraestrutura. Dividida em dois “lados”, ora Ronaldo/Cássio x Maranhão; Maranhão x Ricardo Coutinho (preposto de Cássio); Ricardo contra todos, que só provou que o saudoso cronista Nelson Rodrigues estava certo: “toda unanimidade é burra”.

    Já percebemos que velhos radicais aproveitadores e beneficiários da intriga politiqueira tentam colocar palavras na boca do governador, forçando-o a se posicionar ideologicamente no plano nacional. Não acreditamos que João Azevedo irá repetir o erro de (*)Baggio e Zico: perder um pênalti, que marcou suas vidas para sempre.

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    *Roberto Baggio um dos mais populares jogadores da Seleção Italiana, brigado com o técnico e contundido, errou o pênalti que levaria Brasil ou Itália ao tetra campeonato. Zico, o melhor da Seleção de Telê, perdeu um no México, quando fomos eliminados pela França.

  • João Azevedo é o maquinista do trem da Índia com destino às eleições de 2022

    12/02/2021

    Apoiado por vinte e seis - dos trinta e seis - deputados estaduais com assento no poder legislativo paraibano, João Azevedo continua recebendo passageiros e “caronistas” no seu “Trem da Índia”, que já percorreu mais da metade da distância que o separa do destino final: eleições 2022. Causa perplexidade para quem acompanha o quotidiano político/partidário a habilidade do governador na condução de seu projeto de reeleição, que pode levá-lo a “autoproclamar-se” como primeira força política do Estado, já que estão fora do páreo José Maranhão, Ricardo Coutinho - e até o momento - Cássio Cunha Lima.

    Lembramos que Ronaldo Cunha Lima chegou ao governo do Estado como “terceira força”. Protagonistas que ocupavam os dois primeiros lugares eram Tarcísio Burity e Wilson Braga, à frente dos destinos da Paraíba no período de 1978 a 1990. Ronaldo venceu graças à Constituição de 1988, que criou o segundo turno. No primeiro, Braga obteve uma maioria de 40 mil votos sobre Ronaldo.

    Entre 1990 e 2014, cenário político da Paraíba esteve polarizado, se revezando no poder figuras de Ronaldo/Cássio Cunha Lima e José Maranhão. Um grupo que se dividiu, deixando fora do páreo Burity e Wilson Baga. Ricardo Coutinho foi prefeito da Capital eleito por José Maranhão. Governador do Estado, com apoio de Cássio Cunha Lima. Em 2014 – depois de 24 anos - reelegeu-se como “terceira força” e assumiu o “podium” 2018, derrotando Cássio e Maranhão. Um para o Senado, outro para o Governo do Estado.

    João Azevedo se instalou no Palácio da Redenção para “guardar” o assento de Ricardo Coutinho até 2022. Porém, o “Mago” tropeçando em seus próprios passos foi preso, suspeito de comandar um esquema de corrupção e desvio do erário público. Sequelas do cárcere o levaram a ocupar a quarta colocação na disputa pela PMJP (2020). Ontem (11.02.2020), as contas de sua gestão foram rejeitadas pelo TCE. Fica inelegível.

    Cada nova investida da “operação calvário” dificulta a reabilitação política de Ricardo Coutinho. As deserções em suas tropas deixam seu Exército desfalcado. Seu único deputado federal (Gervásio Filho) está subindo no “Trem da Índia”, ao lado de “desafetos” de outrora, como Manoel Ludgério – que pede uma vaga para o ex-prefeito de Campina Grande Romero Rodrigues – mesmo que seja em vagões separados, distantes do Senador e da Senadora do Clã Rego.

    Cícero Lucena não quer ficar fora da aventura, corre para chegar primeiro que o Clã Ribeiro, representado pela Senadora Daniella e seu irmão deputado federal Aguinaldo Ribeiro. Lá já estão Wilson (pai e filho) Santiago, Efraim Filho; Hugo (pai e filho) Mota; Damião e Ligia, atual vice de João Azevedo; deputada federal Edna Henrique e seu filho Michel (ocupando vaga do pai) ... Vai haver eleição para governo ou “aclamação”?

    Ricardo Barbosa (quem diria) já com um pé em Brasília, comanda um “blocão” de 20 deputados estaduais. O recado está dado a Gervásio: ele vem para a ALPB ocupando a vaga de Ricardo, que o substituirá em Brasília.

    A oposição está refém do “liseu” (falta de dinheiro) ou fonte financiadora para campanha. Inexiste outro “meio” de transporte para chegar a 2022, senão o “Trem da Índia”. Curiosidade: alguma possibilidade ou risco de descarrilhamento? o “Trem” suporta o peso? A viagem segue o curso, e a cada “Estação” mais passageiro a bordo, não importa o desconforto.

  • MANOEL LUDGÉRIO ESQUECEU ADRIANO GALDINO?

    02/02/2021

    A sugestão do deputado estadual Manoel Ludgério – em entrevista ao Portal Maispb – apontando alternativas como celebração de um “acordão” envolvendo os Cunha Lima e o governador João Azevedo - evitando uma disputa no pleito do ano vindouro - deixa transparecer a fragilidade da pré-candidatura do ex-prefeito de Campina Grande Romero Rodrigues, cuja postulação permanece restrita aos limítrofes do município.

    Ludgério - nas entrelinhas de suas palavras – revela o que seria um segredo: Romero Rodrigues (hoje) não tem condições de arregimentar um “exercito”, com tropas suficientes para enfrentar o contingente aquartelado no Palácio da Redenção. Faltam-lhes “meios” e tema que sustente um forte discurso de oposição, capaz de sensibilizar o eleitorado paraibano. Inspirado no ditado popular que “o homem é senhor do que cala e escravo do que fala”, o “silêncio” de João Azevedo tem emudecido os Cunha Lima, Ricardo Coutinho, PT... Não se sabe se isto é uma estratégia, ou pura intuição.

    Uma paz pública é o que defende Manoel Ludgério, quando não existe guerra entre João Azevedo e seus “supostos” adversários. Cita o Rio Grande do Norte como exemplo, porém, não conhece a história da paz que culminou em desastres.

    A primeira paz pública no Rio Grande do Norte foi celebrada para reconduzir Jessé Pinto Freire ao Senado Federal, nas eleições de 1978. Liberaram Aluízio Alves (ainda cassado e antes da anistia) para subir em palanques, discursar e fazer campanha. Aluízio indicou o vice de Lavoisier Maia (Geraldo Melo), que posteriormente foi govenador. Quatro anos depois (1982) Aluízio foi candidato ao governo e perdeu para o neófito José Agripino Maia. Este foi o preço que Aluízio pagou pela “paz pública”: levou velhos aliados apaixonados para os braços dos Maia, de onde se recusaram a sair em 1982.

    Tentando escapar quatro anos depois (1986) Aluízio Alves “rachou” parte da base dos Maia, que elegeram dois Senadores, mas, perderam por 14 mil votos para Geraldo Melo, candidato dos Alves. Aos poucos o Clã foi se recompondo, e criou-se a alternância do poder entre Alves e Maia. Num cochilo dos Alves, Vilma de Farias se elegeu governadora, na sucessão de Garibaldi depois de oito anos governando o RN.

    Mais e Alves pela segunda vez se sentaram para “conversar” em 2006 e celebrarem outra paz pública. Tinham que derrotar Vilma de Farias, que tentaria se reeleger e emplacar uma “terceira força” política. Primeira pesquisa: Garibaldi 67%, Vilma de Farias 19%. Seria uma vitória acachapante se não tivessem esquecido o presidente da Assembleia Legislativa Robson Farias, que estava há quatro anos no comando do poder legislativo Potiguar. Robson tinha uma estreita relação com os deputados. E, decidiu apoiar Vilma, na condição de ser o seu sucessor em 2010.

    O voto é secreto, e no mundo político, compromissos “cumpridos” nem dinheiro cobre. Vilma chegou ao segundo turno, e de virada, derrotou o imbatível Garibaldi com mais de 100 mil votos de maioria. Fez uma excelente gestão. Cometeu apenas um erro que lhes custou toda a sua carreira política: não cumpriu o prometido a Robson Farias, que permanecia como presidente da Assembleia já no quarto mandato.

    Caminhando lado a lado desde 2006, Alves e Maia costuraram um acordão envolvendo até o PT e o governo federal e lançaram Henrique Eduardo Alves (2014) para

    o governo do estado. O filho predileto e sucessor de Aluízio, com 10 mandatos de deputado federal, na época era presidente da Câmara dos Deputados. Esqueceram mais uma vez o sempre ignorado, Robson Farias. Orgulho ferido, o presidente da AL-RN se lançou candidato contra Henrique, e com apoio imperceptível - sem alardes - dos seus amigos deputados estaduais, venceu o único que não tinha como perder.

    Atualmente nenhum membro da família Maia tem mandato no Rio Grande do Norte. Dos Alves, só resta um, Walter, deputado federal que dificilmente se reelegerá (2022). Manoel Ludgério não reconhece o espaço e importância de Adriano Galdino? Indicou seu irmão Secretario de Articulação Política do Governo e pala terceira vez presidi a ALPB. Quem somaria mais para uma reeleição de João Azevedo: Romero Rodrigues ou Adriano Galdino? Se Romero entrar pela porta da frente do Palácio da Redenção, os Regos saem pela porta dos fundos. Regos não convivem com Cunha Lima.


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