Colunista Júnior Gurgel

  • BASTIDORES

    16/09/2021

    Tem sido difícil para a classe política da Paraíba, aceitar o fato que a eleição de João Azevedo encerrou abruptamente um capitulo em sua história, e com ele, desapareceram muitos personagens que compuseram os diversos roteiros das tramas e intrigas - desde o episódio do Clube Campestre - racha do MDB de Humberto/Ronaldo, com José Maranhão.

    A longa “trilogia” trouxe reeleição de José Maranhão, eleição e reeleição de Cássio Cunha Lima; Ricardo Coutinho igualmente eleito e reeleito, transformando-se no personagem principal de sua época, pelo fato de ter elegido seu sucessor, sem contestações. Desde 1960, em eleições diretas, fenômeno triunfal só alcançado por Ronaldo Cunha Lima – elegeu Antônio Mariz – e Ricardo Coutinho, João Azevedo.

     A eleição de João Agripino Maia (1965), candidato apoiado pelo governador Pedro Gondim, foi fraudada na cidade de Cajazeiras. O número de eleitores foi superior à sua população. Eram cearenses. Após a recontagem dos votos, e certificação do domicilio dos eleitores, no final de seu mandato – quatro anos depois - o TRE o cassou. João apelou, e duas décadas depois, saiu a decisão final do TSE: o governador eleito foi Rui Carneiro, e não João Agripino Maia. Ambos já tinham falecido. A única reparação feita foi a pensão vitalícia de ex-governador, que concederam aos herdeiros de Rui Carneiro, e ficaram de postar sua foto na Galeria de ex-governadores, no Palácio da Redenção. Não sabemos se cumpriram. Num tempo que existia “vergonha”, voto impresso e recontagem roubavam eleições, E hoje? Urnas eletrônicas sem recontagem? É brincadeira...

    Imaginem a “bronca” para mais de 30 mil funcionários nomeados por João Agripino, um governador que não foi eleito? O medo de perderem seus cargos... E os barnabés que foram exonerados? Muitos tiveram suas vidas destruídas por “embusteiro”. Hoje, talvez poucos estejam vivos. Mas, a mácula da fraude comprometeu a imagem de João Agripino. Não na Paraíba, pois o fato era considerado “boato” e nunca foi divulgado com amplitude... Sequer registrado na mídia! Mesmo assim, João Agripino quando quis voltar a governar a Paraíba - sucedendo Ernani Sátyro ainda no período dos Militares – indicado por Golbery, não conseguiu. O austero SNI o barrou.

    Estender-me no texto, é uma forma de contar um pouco de nossa História, que muitos desconhecem, e consideram “Estória”.  

    Voltando aos “bastidores”, onde ganha fôlego o projeto do Clã Rego em chegar ao governo do Estado – antes sonho do Ministro Vital Filho – hoje “empreitada” já abraçada por seu irmão Senador Veneziano Vital do Rego, a “partida” se constitui em dois lances, no tabuleiro do xadrez político. O primeiro é um “xeque” no governador João Azevedo. Estão propondo sua desistência da reeleição, e apoiar Veneziano. Em troca, a vaga de Senador. Oferta bastante tentadora. Porém, João não é mais dono de seu destino político. Ao seu lado, tem vários grupos de correligionários, que não esperam serem abandonados pelo Comandante, em plena batalha.

    Se João concordasse com a ideia, receberia o “empenho” e “estrutura” de Ney Suassuna, suplente de Veneziano. O PSB voltaria a elogiá-lo. O PT de Lula, teria um nome na Paraíba, que ainda não está no “SERASA” das condenações por corrupção. Ricardo Coutinho sabe que uma “ação” de Lula no STF, mudará o destino da “Calvário”, que se tornaria semelhante a “Lava-Jato”. Ricardo ainda Indicaria o Vice, e asseguraria sua vaga na Câmara dos Deputados.

    O segundo “xeque”, é desafiar o governador, trazer Lula para o palanque de Veneziano, se compor com Ricardo Coutinho - mesmo depois de ter lhes dado as costas e ficado na base do governo João Azevedo – com mais de duas centenas de cargos; “azeitar” sua assessoria jurídica, para arrancar uma decisão que envolva João Azevedo na “Calvário” e o deixe inelegível. Com relação à Justiça, é questionável uma sentença estapafúrdia, antes de junho de 2022, período das convenções e registros de candidaturas.

    Se o plano for um fiasco, Veneziano não perde nada. Continuará Senador, se posicionará como a segunda força política do Estado, pavimentando sua volta, ou nova tentativa de se abrigar no Palácio da Redenção. Seus peões tem avançado, ocupado espaço e cercado os “cavalos” e “bispos” que defendiam Romero Rodrigues como candidato da oposição. Tudo muito bem pensado. Falta só um detalhe: “estão combinando com o povo”?

  • UM CANDIDATO SEM DISCURSO

    14/09/2021

    Blogs seguidores do Senador Veneziano Vital do Rego começaram a divulgar sua candidatura ao Governo do Estado (eleições 2022) como um projeto do ex-presidente Lula, enxergado hoje como “estrela cadente” na grande constelação da politica nacional. Suas últimas aparições em público, e as manifestações do dia 12.09.2021 - não só do PT - mas reunindo todas as esquerdas, mostraram que o partido perdeu força e apoio popular.

    A precipitação de Veneziano revela seu lado desagregador, quando opta por seus projetos pessoais ou devaneios - mesmo que Quixotescos - que venham nutrir seu desejo de ser inquilino do Palácio da Redenção, como fora seu avô materno Pedro Gondim.

    Esta sua ansiedade momentânea pode ser enxergada como uma característica genética ou hereditária. Seu pai, o saudoso tribuno Vital do Rego, era detentor - por competência - de uma das carreiras politicas mais promissoras da Paraíba no final dos anos sessenta (século passado). Entretanto, movido pela inquietação, cometeu dois erros cruciais, com consequências desastrosas para seu futuro, oportunizando o surgimento do Clã Cunha Lima, que comandou ininterruptamente Campina Grande por vinte e dois anos.

    O Jovem Vital do Rego - para os mais íntimos Tonito - sobrinho do Senador Argemiro de Figueiredo, filho do Major Veneziano, era deputado federal desde 1963. Casado com a filha única do governador Pedro Gondim, de quem foi líder do governo e residiu no Palácio da Redenção. Participou ativamente da campanha para o sucessor do seu sogro (1965), João Agripino Maia, com o compromisso de ser o candidato a prefeito em 1968.

    O tribuno Vital havia se superado. Conseguiu amainar as mágoas que guardavam os Figueiredos do grande líder Seu Cabral, que compôs a chapa de João Agripino como Vice. Seu pai, o Major Veneziano, era presidente da SANESA (hoje CAGEPA). E, tudo ocorria as mil maravilhas até o fatídico 1968. Próximo às eleições, Seu Cabral resolveu ser candidato, e se despedir da vida pública, como prefeito pela última vez de Campina Grande.

    Antes houve conversas de bastidores. Os tempos eram outros... Pedro Gondim fazia oposição ostensiva ao Governo Militar. João Agripino era muito respeitado pelos Quartéis. Argemiro não era simpático aos sucessores de Castelo Branco. Vital do Rego era muito jovem (trinta anos), o vice ideal para Seu Cabral. Teria sido o único herdeiro do grande espólio politico de Seu Cabral/Argemiro de Figueiredo. Mas, a ansiedade...

    Conselhos e apelos não faltaram. Vital permaneceu irredutível. Não aceitava ser o Vice. Tentaram ainda convencê-lo sair candidato na sub-legenda da ARENA, partido de Seu Cabral, que já era imbatível. O MDB claudicava com a candidatura de Ronaldo Cunha Lima e Orlando Almeida. Era uma “barbada”. Confiante na teoria do “fato novo”, Vital rompe com a ARENA e se filia ao MDB como sub-legenda de Ronaldo Cunha Lima. Resultado do pleito: Ronaldo 12.800 votos, Vital pouco mais de 12 mil votos; Seu Cabral 23. 200 votos. O prefeito eleito, para surpresa da cidade, foi Ronaldo que suplantou Vital com 800 votos.

    O que levou Vital à derrota? A falta do discurso. No entender do povão, ele cuspia no prato que comeu. Exibia uma carta compromisso, assinada por João Agripino. Mas, a radicalização da época, levou-o a ser considerado “traidor”. Por mais que ele insistisse que era “o barra limpa”, slogan de sua campanha, o povo não entendeu o por quê dele ter rompido com Seu Cabral. Poderia ter chegado ao Governo do Estado, pois Agripino não tinha nomes para sucedê-lo. Foi forçado a entregar a seu inimigo Ernani Sátiro.

    O segundo erro do tribuno, fica para outro artigo. Mas, quem saiu ganhando mais uma vez, foram os Cunha Lima.  

    Veneziano ao se lançar contra João Azevedo, se torna no oxigênio imprescindível para que os Cunha Lima voltem a respirar politicamente. Parece que a história “Karmica” vai se repetir

  • Jogo Perigoso: O PACTO DE CAMPINA

    29/07/2021

    A crônica política paraibana foi surpreendida nesta semana com um “furo” vazado, propositalmente, sobre conversas de bastidores envolvendo o ex-governador Cássio Cunha Lima (PSDB) e o senador Veneziano Vital do Rego (MDB). Ao ser indagado sobre a veracidade dos “colóquios”, Veneziano tergiversou... Falou sobre maturidade política, e enfatizou que os “temas” discutidos são conjunturais e “Republicanos”. Cássio, segundo o ex-cabeludo, trabalha na área de consultoria (?) no Senado Federal.  

    Que tipo de consultoria?

    O equívoco da mídia é acreditar que Veneziano espontaneamente “conversaria” com seu principal rival político, a quem sempre desprezou e fez ferrenha oposição desde que entrou na vida pública, assumindo a postura de líder do anti-Cunha Limismo. O “bônus” foi um mandato de Vereador, quase foi eleito (42mil votos) deputado federal; sua eleição e reeleição para prefeito de Campina Grande, quebrando uma série de vitórias do Clã, na época liderado por Ronaldo, que permaneceu 22 anos no poder.

    Ex-governador Cássio Cunha Lima, diferente de Veneziano, sempre esteve aberto a qualquer tipo de “acomodação”, desde que permaneça em sua zona de conforto e assegure seu espaço no poder. No período pré-convencional das eleições do ano 2000, procurou ao lado de Arthur Cunha Lima seu maior adversário - ex-prefeito Enivaldo Ribeiro - e lhes propôs ser o seu vice, com garantias que assumiria a titularidade em 2022, quando disputaria o governo do Estado.

    Enivaldo respondeu que não tinha como dizer a Campina que decidira se agrupar com os Cunha Lima. Cássio ainda deu-lhes uma semana para pensar e avisou: “se não vier, vou tritura-lo”. De fato aconteceu. Fechou com a então radical Cozete Barbosa (PT) – algo impossível ou inimaginável – e saiu das urnas com 82% dos votos válidos.

    Para chegar ao Palácio da Redenção trouxe Wilson Braga e Efraim Morais. Para alcançar o Senado, juntou-se com Ricardo Coutinho e toda a turma “girassol” que o detestava. Depois de duas derrotas consecutivas (2014/2018), o tucano sabe que sua última chance de voltar à vida pública (Senado Federal) é através dos Regos, e tendo Veneziano como candidato ao governo do Estado. Romero e Bruno entrarão em xeque-mate: não tem como traírem o primo. Os Ribeiros que se cuidem...

    O leitor com certeza indagará: quem é capaz de montar toda esta trama, tão bem maquinada? Vital Filho, Cassio Cunha Lima e Ney Suassuna. O único obstáculo seria o ex-senador José Maranhão, que não resistiu o COVID. Veneziano, sem nenhum demérito, politicamente age como “autista”, num mundo que só ele conhece. Seu irmão Vital Filho, ardiloso e perspicaz sempre decidiu por ele. O fato de estar no TCU o impede de formar na linha de frente. Mas, corre solto e sem marcação nos bastidores. Sabe separar o “homem ser, do homem função” parafraseando seu pai, o saudoso Tribuno.

    Ney Suassuna todos sabem que em 2018 só veio garantir a vitória de Veneziano depois de acordar sua volta ao Senado Federal por mais quatro anos.

    Em uma de nossas postagens recentes, não previmos este episódio. Destacamos que o governador João Azevedo “navegava em mar de Almirante”. Entretanto era impossível em grandes travessias, a inexistência de tempestades.

  • Bruno, Síndico de Condomínio

    26/07/2021

    Passaram-se seis meses da posse do prefeito Bruno Cunha Lima, a cidade ainda desconhece na prática suas ideais ou projetos, voltada para o propósito inspirador dos habitantes da Rainha da Borborema: Campina Grande sempre.

                Até o presente, Bruno vem desempenhando o melancólico papel de “síndico de condomínio”, executando serviços de manutenção e conclusão do gigantesco complexo de obras de infraestrutura, deixadas por seu antecessor Romero Rodrigues – um dos três maiores gestores da história da cidade - ao lado e Vergniaud (pronuncia-se Verniô) Wanderlei e Enivaldo Ribeiro.

                Campina Grande hoje é uma das raras cidades do país, que não tem déficit habitacional, mesmo se aproximando de meio milhão de habitantes. Para sua dimensão, pode e deve exibir com vaidade, seu sofisticado sistema de “mobilidade urbana”, que permite o cidadão de onde esteja – bairros norte/sul/leste/oeste – chegar ao centro ou outro destino qualquer, sem engarrafamentos, no tempo mínimo de 15 minutos.

                Este modelo extraordinário, teve origem no Plano Diretor concebido na gestão Enivaldo Ribeiro, obra de autoria do saudoso – infelizmente esquecido na memória dos Campinenses – Arquiteto Pernambucano Renato Azevedo, que como muitos, se apaixonou pela cidade.

                Ao jovem Bruno Cunha Lima, indiscutível vitorioso na guerra pelo voto em 2020, resta a observação: “o exército de combate nunca deve ser o mesmo de ocupação”. Enivaldo Ribeiro nomeou um Secretariado eminentemente técnico. José Silvino Sobrinho (era Diretor do CCT com pós graduação em transportes público no Japão), Renato Azevedo, um dos mais promissores Arquiteto Urbanístico do país (na sua geração). Zélice Pereira de Morais... A CONDECA, presidida por Marcos Ribeiro (seu primo), cedido pela Telpa, escola do competente engenheiro Alemão Jost Van Damme...

                A Tecnocracia estava vivendo o seu auge e Campina tinha as melhores “cabeças” de toda região, como por exemplo, Linaldo Cavalcanti de Albuquerque. Ao lado do obstinado Edvaldo do Ó, haviam fundado a FURNE (hoje UEPB). Linaldo foi escolhido no governo Médici, por meritocracia, para dirigir o DAU – Departamento de Assuntos Universitários do MEC, que com competência e sensibilidade impôs a expansão das Universidades. Posteriormente, Reitor da UFPB. Em seu mandato (UEPB), na hora de escolherem o governador para suceder Ivan Bichara Sobreira (eleição indireta) o Palácio do Planalto indicou seu ex-chefe de gabinete (Buriti), e não ele, o merecido esquecido.

                Nos primeiros seis meses de governo do então prefeito Enivaldo Ribeiro, todas as rotas de transportes Coletivos da cidade, estavam sendo asfaltadas. Uma surpresa inacreditável para população, que só via asfalto na Praça da Bandeira. O “gargalo” da antiga “Volta de Zé Leal” - entrada de Campina Grande por Bodocongó - tinha sido extinto. A Av. Floriano Peixoto, estava atravessando o Açude Novo, cortando a Rua da Independência e rumando em busca do Hoje Hospital de Traumas. Foi projetada por Renato e Silvino para ser a maior Avenida da Paraíba.

                Estas foram obras do primeiro ano de Enivaldo Ribeiro. Acompanhamos de perto o ritmo alucinante das equipes, como Assessor de Imprensa da CONDECA, estatal municipal que graças a Renato e Silvino, trouxeram a Campina Grande Robert McNamara, ex-secretário de Defesa dos presidentes Kennedy e Lyndon Johnson, então presidente do BIRD, para nos doar 22 milhões de dólares. Investimento destinado a financiamento de projetos arquitetônicos e de infraestrutura da Rainha da Borborema. Destaque: estes recursos só poderiam ser aplicados em Capitais. Todas concorreram. Recebia quem apresentasse o melhor projeto. Campina só entrou, por conta da CONDECA, que era uma empresa voltada para captar recursos com vistas a projetos de infraestrutura para se fortalecer como cidade polo regional. Foi a vencedora.

                O Prefeito Bruno Cunha Lima, talvez não tenha percebido que a “meritocracia” é o novo formato que sucede a “Tecnocracia” de outrora. Se entregar sua gestão aos políticos, estes só trabalharão seus projetos pessoais de poder. Os “veteranos” (Vereadores ex-deputados e ou suplentes) buscarão a renovação de mandatos. Os “noviços”, sonham apenas em se projetarem individualmente, para num futuro próximo, ocuparem o espaço dos ora “tarimbados”. Que destino dará Bruno Cunha Lima ao futuro de Campina Grande?

  • A HORA MAIS ESCURA

    17/07/2021

    Restando cinco meses para o alvorecer eleitoral de 2022, os caciques políticos da Paraíba vivem sua hora mais escura. As mudanças foram profundas, com perdas e danos irreparáveis, tanto pela pandemia, quanto pela “Operação Calvário”.

    A pandemia provocou baixas inestimáveis, com a perda de diversas lideranças, em vários e importantes redutos do Estado. Um dos principais, o Marechal de Campo - Senador José Maranhão - que comandava um grande exército (MDB), foi abatido pelo vírus. Seu sucessor foi uma surpresa para a “tropa”: Senador Veneziano Vital do Rego. Aquele que o havia abandonado nas eleições de 2018, votando em quem traíra Maranhão e o derrotara por duas vezes, ex-governador Ricardo Coutinho. Vivo, José Maranhão jamais passaria o comando da legenda para o ex-cabeludo.

    Cícero Lucena, Prefeito de João Pessoa, não esconde sua escolha e preferência pelo projeto de reeleição do governador João Azevedo. No pleito do ano passado - disputa pela prefeitura - carecendo da inestimável ajuda do governo, não hesitou em abandonar o ninho tucano e se livrar do herdeiro de Ronaldo Cunha Lima, a quem devia o mandato de vice-governador, Secretaria com status de Ministério (Integração Regional) e dez meses como governador (1994) à frente dos destinos da Paraíba. Cássio derrotado em 2018 de forma humilhante, e sem mandato... Cícero apesar de sertanejo, raciocinou como “brejeiro”: em tempos de pouca farinha, primeiro o meu pirão.

    Romero Rodrigues e os irmãos Cartaxo (Luciano e Lucélio) tiveram sua oportunidade em 2018. O primeiro ainda elegeu um Deputado Estadual, seu irmão, com pouquíssimos votos. Cássio perdeu para Daniella, Pedro teve uma desidratação inimaginável em seus sufrágios e o atual Prefeito de Campina Grande, Bruno Cunha Lima, perdeu para a esposa do saudoso deputado estadual João Henrique, outro que tombou ao enfrentar o vírus. Luciano e Lucélio não elegeram o vice Manuel Júnior.

    João Azevedo continua navegando em “mar de Almirante”. Mas, é bom alertá-lo que não existem grandes travessias, sem tempestades. Ricardo Coutinho será candidato. A queda de braço PT x Bolsonaro, pode não influenciar no pleito estadual. Entretanto, não é prudente esquecer que Ricardo – mesmo com a desventura de 2020 – não tem nada a perder. Quanto a questão da “elegibilidade”, o STF não o negará. Na Corte Alta de Justiça do país, ainda tem sete Ministros indicados por Lula, patrono da causa de Ricardo Coutinho.

    Alguns cronistas do quotidiano político ainda apostam na candidatura de Cássio Cunha Lima, como “legítima” oposição. Mas, ele conta com quem mais, para formar este bloco? Paradoxalmente, é tudo que o governador deseja: dividir seus oponentes e evitar o “voto útil” no primeiro turno.

  • Governo João Azevedo: OS EFEITOS DA POLITICA DE DISTENSÃO

    14/06/2021

    Saudoso Petrônio Portela, ministro da Justiça do ex-presidente Ernesto Geisel, após episódio Abril de 1977- quando o governo usou o AI-5 e fechou o Congresso Nacional - eliminando as esperanças dos políticos cassados de retornarem à vida pública, apareceu como um grande moderador, criando o que ele batizou de “distensão”. Entretanto, todos os sinais apontavam para um recrudescimento pior que 1968, haja visto restar apenas um ano para escolha do sucessor de Geisel.

    Eleições diretas para governadores, prefeitos das capitais e cidades consideradas áreas de segurança nacional? Nem pensar! Pleito direto para Presidência da República? Impossível. O radicalismo insano do MDB – manipulado nos bastidores integrados pelas esquerdas radicais e setores da economia insatisfeitos com o crescente processo de privatizações - levou as grandes lideranças pró democracia a medir forças com o Governo.

    A distensão foi uma grande obra cívica construída tijolo por tijolo. Petrônio Portela - patrono esquecido da causa - convocou a classe política para discutir “Brasil”, despido de qualquer ideologia radical importada. Ouvir os anseios da sociedade civil organizada, alheia às demandas da “guerra fria”, em seu auge: Jimmy Carter x Leonid Brejnev. A distensão relaxou a tensão, culminando com o fim do AI-5, e a Lei da Anistia Ampla Geral e Irrestrita (agosto de 1979) presidente João Batista Figueiredo.

    Governador João Azevedo, conhecedor ou não da história, instintivamente está buscando os mesmos caminhos percorridos por Petrônio Portela, usando a “distensão política” para defenestrar o “radicalismo” plantado desde o “episódio do Clube Campestre” (1998). Neste ínterim, só quem perdeu foi a Paraíba: mais de duas décadas sem Emendas de Bancadas e Coletivas. Centenas de milhões de reais perdidos, tão necessários para investimentos em infraestrutura. Dividida em dois “lados”, ora Ronaldo/Cássio x Maranhão; Maranhão x Ricardo Coutinho (preposto de Cássio); Ricardo contra todos, que só provou que o saudoso cronista Nelson Rodrigues estava certo: “toda unanimidade é burra”.

    Já percebemos que velhos radicais aproveitadores e beneficiários da intriga politiqueira tentam colocar palavras na boca do governador, forçando-o a se posicionar ideologicamente no plano nacional. Não acreditamos que João Azevedo irá repetir o erro de (*)Baggio e Zico: perder um pênalti, que marcou suas vidas para sempre.

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    *Roberto Baggio um dos mais populares jogadores da Seleção Italiana, brigado com o técnico e contundido, errou o pênalti que levaria Brasil ou Itália ao tetra campeonato. Zico, o melhor da Seleção de Telê, perdeu um no México, quando fomos eliminados pela França.

  • João Azevedo é o maquinista do trem da Índia com destino às eleições de 2022

    12/02/2021

    Apoiado por vinte e seis - dos trinta e seis - deputados estaduais com assento no poder legislativo paraibano, João Azevedo continua recebendo passageiros e “caronistas” no seu “Trem da Índia”, que já percorreu mais da metade da distância que o separa do destino final: eleições 2022. Causa perplexidade para quem acompanha o quotidiano político/partidário a habilidade do governador na condução de seu projeto de reeleição, que pode levá-lo a “autoproclamar-se” como primeira força política do Estado, já que estão fora do páreo José Maranhão, Ricardo Coutinho - e até o momento - Cássio Cunha Lima.

    Lembramos que Ronaldo Cunha Lima chegou ao governo do Estado como “terceira força”. Protagonistas que ocupavam os dois primeiros lugares eram Tarcísio Burity e Wilson Braga, à frente dos destinos da Paraíba no período de 1978 a 1990. Ronaldo venceu graças à Constituição de 1988, que criou o segundo turno. No primeiro, Braga obteve uma maioria de 40 mil votos sobre Ronaldo.

    Entre 1990 e 2014, cenário político da Paraíba esteve polarizado, se revezando no poder figuras de Ronaldo/Cássio Cunha Lima e José Maranhão. Um grupo que se dividiu, deixando fora do páreo Burity e Wilson Baga. Ricardo Coutinho foi prefeito da Capital eleito por José Maranhão. Governador do Estado, com apoio de Cássio Cunha Lima. Em 2014 – depois de 24 anos - reelegeu-se como “terceira força” e assumiu o “podium” 2018, derrotando Cássio e Maranhão. Um para o Senado, outro para o Governo do Estado.

    João Azevedo se instalou no Palácio da Redenção para “guardar” o assento de Ricardo Coutinho até 2022. Porém, o “Mago” tropeçando em seus próprios passos foi preso, suspeito de comandar um esquema de corrupção e desvio do erário público. Sequelas do cárcere o levaram a ocupar a quarta colocação na disputa pela PMJP (2020). Ontem (11.02.2020), as contas de sua gestão foram rejeitadas pelo TCE. Fica inelegível.

    Cada nova investida da “operação calvário” dificulta a reabilitação política de Ricardo Coutinho. As deserções em suas tropas deixam seu Exército desfalcado. Seu único deputado federal (Gervásio Filho) está subindo no “Trem da Índia”, ao lado de “desafetos” de outrora, como Manoel Ludgério – que pede uma vaga para o ex-prefeito de Campina Grande Romero Rodrigues – mesmo que seja em vagões separados, distantes do Senador e da Senadora do Clã Rego.

    Cícero Lucena não quer ficar fora da aventura, corre para chegar primeiro que o Clã Ribeiro, representado pela Senadora Daniella e seu irmão deputado federal Aguinaldo Ribeiro. Lá já estão Wilson (pai e filho) Santiago, Efraim Filho; Hugo (pai e filho) Mota; Damião e Ligia, atual vice de João Azevedo; deputada federal Edna Henrique e seu filho Michel (ocupando vaga do pai) ... Vai haver eleição para governo ou “aclamação”?

    Ricardo Barbosa (quem diria) já com um pé em Brasília, comanda um “blocão” de 20 deputados estaduais. O recado está dado a Gervásio: ele vem para a ALPB ocupando a vaga de Ricardo, que o substituirá em Brasília.

    A oposição está refém do “liseu” (falta de dinheiro) ou fonte financiadora para campanha. Inexiste outro “meio” de transporte para chegar a 2022, senão o “Trem da Índia”. Curiosidade: alguma possibilidade ou risco de descarrilhamento? o “Trem” suporta o peso? A viagem segue o curso, e a cada “Estação” mais passageiro a bordo, não importa o desconforto.

  • MANOEL LUDGÉRIO ESQUECEU ADRIANO GALDINO?

    02/02/2021

    A sugestão do deputado estadual Manoel Ludgério – em entrevista ao Portal Maispb – apontando alternativas como celebração de um “acordão” envolvendo os Cunha Lima e o governador João Azevedo - evitando uma disputa no pleito do ano vindouro - deixa transparecer a fragilidade da pré-candidatura do ex-prefeito de Campina Grande Romero Rodrigues, cuja postulação permanece restrita aos limítrofes do município.

    Ludgério - nas entrelinhas de suas palavras – revela o que seria um segredo: Romero Rodrigues (hoje) não tem condições de arregimentar um “exercito”, com tropas suficientes para enfrentar o contingente aquartelado no Palácio da Redenção. Faltam-lhes “meios” e tema que sustente um forte discurso de oposição, capaz de sensibilizar o eleitorado paraibano. Inspirado no ditado popular que “o homem é senhor do que cala e escravo do que fala”, o “silêncio” de João Azevedo tem emudecido os Cunha Lima, Ricardo Coutinho, PT... Não se sabe se isto é uma estratégia, ou pura intuição.

    Uma paz pública é o que defende Manoel Ludgério, quando não existe guerra entre João Azevedo e seus “supostos” adversários. Cita o Rio Grande do Norte como exemplo, porém, não conhece a história da paz que culminou em desastres.

    A primeira paz pública no Rio Grande do Norte foi celebrada para reconduzir Jessé Pinto Freire ao Senado Federal, nas eleições de 1978. Liberaram Aluízio Alves (ainda cassado e antes da anistia) para subir em palanques, discursar e fazer campanha. Aluízio indicou o vice de Lavoisier Maia (Geraldo Melo), que posteriormente foi govenador. Quatro anos depois (1982) Aluízio foi candidato ao governo e perdeu para o neófito José Agripino Maia. Este foi o preço que Aluízio pagou pela “paz pública”: levou velhos aliados apaixonados para os braços dos Maia, de onde se recusaram a sair em 1982.

    Tentando escapar quatro anos depois (1986) Aluízio Alves “rachou” parte da base dos Maia, que elegeram dois Senadores, mas, perderam por 14 mil votos para Geraldo Melo, candidato dos Alves. Aos poucos o Clã foi se recompondo, e criou-se a alternância do poder entre Alves e Maia. Num cochilo dos Alves, Vilma de Farias se elegeu governadora, na sucessão de Garibaldi depois de oito anos governando o RN.

    Mais e Alves pela segunda vez se sentaram para “conversar” em 2006 e celebrarem outra paz pública. Tinham que derrotar Vilma de Farias, que tentaria se reeleger e emplacar uma “terceira força” política. Primeira pesquisa: Garibaldi 67%, Vilma de Farias 19%. Seria uma vitória acachapante se não tivessem esquecido o presidente da Assembleia Legislativa Robson Farias, que estava há quatro anos no comando do poder legislativo Potiguar. Robson tinha uma estreita relação com os deputados. E, decidiu apoiar Vilma, na condição de ser o seu sucessor em 2010.

    O voto é secreto, e no mundo político, compromissos “cumpridos” nem dinheiro cobre. Vilma chegou ao segundo turno, e de virada, derrotou o imbatível Garibaldi com mais de 100 mil votos de maioria. Fez uma excelente gestão. Cometeu apenas um erro que lhes custou toda a sua carreira política: não cumpriu o prometido a Robson Farias, que permanecia como presidente da Assembleia já no quarto mandato.

    Caminhando lado a lado desde 2006, Alves e Maia costuraram um acordão envolvendo até o PT e o governo federal e lançaram Henrique Eduardo Alves (2014) para

    o governo do estado. O filho predileto e sucessor de Aluízio, com 10 mandatos de deputado federal, na época era presidente da Câmara dos Deputados. Esqueceram mais uma vez o sempre ignorado, Robson Farias. Orgulho ferido, o presidente da AL-RN se lançou candidato contra Henrique, e com apoio imperceptível - sem alardes - dos seus amigos deputados estaduais, venceu o único que não tinha como perder.

    Atualmente nenhum membro da família Maia tem mandato no Rio Grande do Norte. Dos Alves, só resta um, Walter, deputado federal que dificilmente se reelegerá (2022). Manoel Ludgério não reconhece o espaço e importância de Adriano Galdino? Indicou seu irmão Secretario de Articulação Política do Governo e pala terceira vez presidi a ALPB. Quem somaria mais para uma reeleição de João Azevedo: Romero Rodrigues ou Adriano Galdino? Se Romero entrar pela porta da frente do Palácio da Redenção, os Regos saem pela porta dos fundos. Regos não convivem com Cunha Lima.

  • ESCRITO NAS ESTRELAS?

    26/01/2021

    Em apenas duas décadas (2001/2021), as transformações ocorridas nos quadros políticos da Paraíba – com ascensões e quedas de seus principais protagonistas – exceto os alcançados pela compulsória, foi algo inimaginável e distante de qualquer previsibilidade, antevista pela crônica do quotidiano e seus futurologistas.

    Em 2001 - um ano antes do pleito de 2002 - Jose Maranhão governava a Paraíba – gestão das águas - Ney Suassuna, seu grande aliado, era Senador da República licenciado e ocupando o poderoso Ministério da Integração Nacional. Popularidade em alta, já era considerado “governador em férias”. Ronaldo Cunha Lima, convalescente de um AVC - no deserto PSDB - não sabia se ainda iria ser candidato a reeleição.

    Saudosos Wilson Braga e Tarcísio Buriti – lideranças de peso por serem ex-governadores - compunham o exército imbatível das forças políticas sob o comando de José Maranhão (2001). Esperavam serem indicados como seu companheiro de chapa para o Senado. Roberto Paulino (vice) assumiria, e a vitória de Ney era inquestionável. Efraim Morais, primeiro Secretário da Câmara dos Deputados era o Escudeiro Mor de Maranhão.

    Ex-governador Cássio Cunha Lima, ainda estava como prefeito de Campina Grande, já percorria todo o Estado em campanha para o governo, com apoio de Cícero Lucena prefeito da Capital. A classe politica considerava “Quixotesco” o projeto de Cássio Cunha Lima, pela falta de apoios regionais expressivos.

    Uma das boas produções de Hollywood no ano de 1985, foi o filme “De Volta Para o Futuro”. Roteiro que emaranha aventura, ficção científica e comédia romântica, de estrondoso sucesso na bilheteria. Dois jovens procuraram um velho professor, que projetou um veículo para eles voltarem no tempo até 1950. E os viajantes conseguem conversar com Albert Einstein, a quem confidenciam que vinham do futuro, do ano de 1985. Na cena, Einstein se mostrando perplexo e desconfiado, Indagou: quem é o presidente dos Estados Unidos no ano 1985? Ronald Reagan, responderam os garotos. Impossível! Retruca Einstein. Um ator medíocre, presidir a grande nação Americana!?

    Imaginemos esta mesma viagem do tempo realizada nos dias de hoje (2021), voltando até o ano de 2001. Quem conseguiria prevê a ascensão e queda de Ricardo Coutinho? Prefeito duas vezes da Capital, e duas vezes governador? Derrotas de Wilson Braga e Buriti para o Senado Federal? Eleição de Cássio Cunha Lima e Efraim Morais? O sonho do saudoso tribuno Viral do Rego ter se realizado em seus descendentes, com dois filhos, e agora sua esposa, passando pela Casa Revisora do Congresso Nacional?

    Duas derrotas consecutivas do Clã Cunha Lima em Campina Grande, perdendo a Prefeitura para Veneziano Vital do Rego; duas derrotas consecutivas de Cássio Cunha Lima, após eleito e reeleito governador, disputando seus retornos ao governo e ao Senado; Daniella Ribeiro se eleger Senadora da República? Aguinaldo Ribeiro ter ocupado o Ministério das Cidades, liderança do governo na Câmara e atualmente líder da maioria? Damião Feliciano deputado federal e sua esposa duas vezes vice-governadora? João Azevedo de simples eleitor chegar ao Governo do Estado? Será que tudo isto é obra do místico “destino”, ou estava “escrito nas estrelas”? O que tramam os astros para 2022? A derrota dos invencíveis – como 2001 - ou a vitória dos previamente derrotados?

  • STF CRIA VERSÃO PARA JUSTIFICAR DECISÃO INJUSTA

    20/01/2021

    Em nota oficial divulgada pela mídia nacional, segunda-feira (18/01/2020) – após repercussão internacional do caos causado pelo CONID-19 no Amazonas - Ministros do STF desmentiram o presidente Jair Bolsonaro, sobre o impedimento imposto ao mesmo de comandar as ações de combate ao COVID-19. Esqueceram os Magistrados, que foram eles, em seus atos rotineiros de atropelar a Constituição, quem “empoderou” Estados e Município para enfrentarem o vírus mortal.

    O povo – em especial o brasileiro – têm memória curta. Entretanto, tratando-se de um fato tão recente, se torna impossível em curto prazo, um “apagão” em nível de amnesia coletiva. Que se registre os acontecimentos com precisão, para evitar que a “mentira” do STF, repetida num futuro bem próximo (2022), se torne verdade.

    Entre março/abril de 2020, o impiedoso Congresso Nacional irrequieto, raivoso e desconfortável com o combate ostensivo a corrupção pelo governo Bolsonaro, encontrou a oportunidade para saquear o Tesouro Nacional - mesmo explorando uma tragédia humanitária - sem o menor pudor.

    Usando perversamente o pretexto de conter, combater e debelar um quadro de infecção epidemiológica que começava a se alastrar pelo país (COVID-19), Congresso Nacional sob o comando de Rodrigo Maia e Alcolumbre, criaram um movimento diretamente com governadores e prefeitos, para pedirem liberações urgentes de dezena de bilhões de reais, necessários para matar o vírus.

    Ministério da Saúde nas mãos um membro do DEM, ex-colega de bancada de Maia e Alcolumbre - quando esteve por dois mandatos como deputado do “centrão” - Luiz Henrique Mandetta foi o homem missão, designado para tarefa de tonar a crise inadministrável pelo governo federal, via Ministério da Saúde.

    Enquanto Mandetta esteve no Ministério da Saúde, nenhum plano logístico foi discutido com todo o governo, que envolvesse inclusive as Forças Armadas. Instituição indispensável, que está permanentemente pronta para enfrentar quadros de calamidades públicas, como uma pandemia.

    A resistência do governo em saber quanto, como e aonde seria gasto o dinheiro público, irritou o Congresso, governadores e prefeitos, que buscaram no STF decisão política que os favorecessem. O Brasil é uma República Federativa. Ainda tem o que se discutir? Claro que esta seria uma ação do governo federal. Todavia, como a Carta Magna é reformada diariamente, não através de PEC, mas, por entendimento de seus pares, STF deu poderes a Estados e Municípios e deixou para o governo federal, só o dever de pagar a conta ou cobrir o “rombo” da gastança irresponsável.

    O que se viu nos três primeiros meses foi uma avalanche de denuncias com prisões de Secretários de Estado, Municípios; Prefeitos; Distribuidores de Medicamentos...

    Atingiu até o governador do Rio de Janeiro Wilson Witzel, afastado e impedido de governar por malversação dos recursos do COVID-19.

    Sobre os ombros de quem pesará o crime de dezenas de bilhões de reais desviados e superfaturados, gastos nas eleições municipais de 2020? A decisão não foi do Congresso, que não tinha poderes para tanto. Precisaria de uma PEC. O STF não deveria ter feito tamanho estrago no país. TCU e CGU terão que se manifestar sobre a “farra”.

    Agora, percebendo o erro, Ministros não conseguem negar, porém afirmaram na “nota” que não impediram o Presidente de agir. Como? A fonte de recursos, diretrizes e gestação das políticas de combate ao COVID-19 é Ministério da Saúde. A dinheirama foi despejada em Estados e Municípios, Butantã; FIOCRUZ... Qual espaço ocuparia o governo federal?

  • ROMERO: candidato de cima para baixo

    16/01/2021

    Apostando no radicalismo Romero Rodrigues se lança candidato de cima para baixo

    Abrindo espaço numa agenda repleta de pendências - com urgências “semanas de atraso” - o presidente Jair Bolsonaro recebeu ontem (14.01.2021) o ex-prefeito de Campina Grande Romero Rodrigues, num encontro que consumiu quarenta minutos do seu preciosíssimo tempo. O momento foi inoportuno. Chefe da Nação vive grandes tensões com as eleições para presidentes da Câmara e Senado, COVID-19; calendário nacional de vacinação; diplomacia para acelerar na ANVISA liberação da vacina FIOCRUZ; calamidade pública na Amazônia; posse do novo presidente dos Estados Unidos...

    Contestando o proverbio Português “Rei morto, Rei posto”, Romero Rodrigues recém “apeado” do cargo, além de mostrar prestígio junto ao presidente Bolsonaro, revelou a existência de um misterioso “túnel” - até então desconhecido - que ligava a Prefeitura de Campina Grande ao Palácio do Planalto (?). O fato surpreende, pela postura de seus principais aliados: Clã Ribeiro, adversários do Presidente. Cássio e Pedro Cunha Lima, idem. Romero (2018) não elegeu – com seu apoio direto – nenhum deputado federal ou senador. Quem “estreitou” a relação?

    A demonstração de força de Romero surte efeito midiático perecível, com precedentes históricos, como por exemplo o empenho de Lula em eleger Roberto Paulino e José Maranhão (2002/2006) e uma última tentativa frustrada em 2010. Saudoso Júlio Rafael, esteve presente nos três eventos, desempenhando a importante missão de “rachar” o PT, trabalho que levou a cabo com brilhantismo. Que falta fez Júlio a Cássio em 2014... Partiu prematuramente em junho de 2013.

    Todos recordam os feitos exitosos de Júlio Rafael - com apoio de seu amigo e confidente Zé Dirceu - criando os comitês: Lula lá (PT), Cássio cá (PSDB), em João Pessoa e Campina Grande, quando PT e PSDB estavam numa disputa renhida pela Presidência da República. Estes episódios, apontam para uma logística indiscutível: construção de candidaturas se inicia pelas bases (alicerce) e não pelo “teto”.

    Provavelmente, conselheiros políticos de Romero Rodrigues apostam no radicalismo direita x esquerda nas eleições de 2022. Estão corretos. Mas, quem representará as esquerdas na Paraíba? João Azevedo é centro. O esquerdismo do PSB (Ricardista) e PT de Luís Couto/Anastácio, são barcos à deriva. Um nome “psolista”?

    O mapa do resultado das urnas de 2020 mostrou com clareza que o “radicalismo” estabelecido entre direita x esquerda é um tema debatido em nível nacional, abrangendo questões que na visão do eleitor, só o Presidente da República e o Congresso Nacional têm competência para resolver. Não está na alçada, nem no poder de caneta de um governador ou prefeito.

    Romero se lançou. Aparecerá uma terceira postulação? Caso contrário, o pleito de 2022 será decidido em primeiro turno

  • OS REGOS LARGARAM NA FRENTE

    14/01/2021

    Com dois assentos no Senado Federal (mãe e filho), filiação de Veneziano Vital do Rego ao MDB - momento importantíssimo para a legenda que lançou uma candidata para disputar a presidência da Casa Revisora do Congresso Nacional – o clã Rego se transforma no maior e mais importante aliado do governador João Azevedo, com vistas a seu projeto de reeleição.

    O processo constante de distanciamento dos extremos - sobretudo das esquerdas - tem conduzido naturalmente João Azevedo para o “centro”. Ao abdicar do radicalismo doutrinário e “raivoso” protagonizado pelo seu antecessor, criou-se naturalmente a oportunidade de diálogo, anseio da classe política – independente de siglas - que elege sempre como prioridade, temas de equilíbrio e crescimento gradual do Estado, mesmo em tempos de pandemia.

    Como um bom enxadrista, João Azevedo fez lances importantes nas eleições municipais de 2020, livrando-se de muitos “xeques”. “Flertou” com o PP de Cícero Lucena (Capital), apoiou a oposição de Campina Grande, e na maioria dos principais redutos do Estado manteve apoios “formais”. Não fechou portas, nem criou “labirintos” para sua jornada do ano vindouro (2022).

    Evidente que como prefeito de João Pessoa, Cícero Lucena buscará ampliar seu território político. Tentará se inserir no projeto João Azevedo – única alternativa – após seu rompimento traumático com os Cunha Lima. Talvez queira indicar um vice e eleger um deputado federal. Mas, não dispõe de “cacife” como os Regos. Uma chapa do PP/PSDB a esta altura é projeto natimorto.

    Resta saber o que fará os irmãos Cartaxo. Estéreis politicamente, não aproveitaram a oportunidade de 2018, que seria Luciano e não Lucélio, e sobraram na curva em 2020. Luciano fez uma boa gestão na Capital. Entretanto, faltou-lhes a coragem e ousadia do saudoso Luciano Agra, quem lhes deu o primeiro mandato. No presente, tudo o que pode almejar é uma vaga para a Câmara dos Deputados.

    Restam Romero Rodrigues e o PP, com Daniella e Aguinaldo. Só quem pode “queimar cartuxos”, sem riscos de ficar sem mandato, é Daniella Ribeiro que tem mais quatro anos no Senado Federal, e mesmo derrotada, seu nome não ficará “congelado” por tanto tempo.  

    Como se posicionará Romero Rodrigues? O melhor prefeito de Campina Grande do século XXI! Reunirá condições e apoios para enfrentar João Azevedo? Ou terá que dividir espaços com Aguinaldo, Pedro Cunha Lima para retornar ao seu mandato de deputado federal, interrompido quando se elegeu prefeito de Campina Grande em 2012?

    Quanto a Senadora Nilda Gondim, provavelmente passará um bom tempo no Senado. Apesar de estar se recuperando com sucesso do COVID-19, pelos depoimentos dos sobreviventes que estiveram na UTI, as sequelas são terríveis. Além do temor de uma reinfecção, o que seria fatal.

  • O RESISTENTE

    04/01/2021

    Governador João Azevedo entra no terceiro ano de sua gestão, voando em céu de brigadeiro. Dois primeiros anos do seu mandato – pelo menos um tutelado pelo ex-governador Ricardo Coutinho - foram marcados pelas turbulências da “operação calvário”. Momentos dramáticos para a tripulação, a quem só restava o aviso de “apertar os cintos”. Previsões otimistas? Uma “aterrisagem forçada”: afastamento ou renúncia.

    Sorte, prudência e fé salvaram-no de um desastre fatal, trágico e catastrófico. Hoje, mesmo com “nuvens carregadas” e sem previsões precisas da “meteorologia” do Poder Judiciário, João Azevedo pilota sua aeronave com otimismo, pretendendo continuar a travessia sobre o “atlântico pandêmico” ainda em 2021, chegando em terra firme em 2022, para reabastecer e decolar novamente em busca de sua reeleição.

    Analistas políticos experientes consideram que o melhor momento de um governante está na ausência das críticas, nos poucos elogios recebidos pelos formadores de opinião “profissionais”. Oportunidade ímpar, onde não se oferece discurso para municiar as canhoneiras da beligerante oposição. Mudando o roteiro da analogia para o futebol, no entendimento do eleitor comum “time que está jogando bem, não se mexe”. Tocando a bola, João e sua equipe continuam no jogo, observando a eliminação de seus principais adversários na fase “classificatória” do pleito municipal de 2020.

    Na Capital - mais um ano atípico - torna-se inimaginável o surgimento de “outsiders” que agrupem forças políticas das oligarquias municipais estruturadas em todo o Estado. O clã dos Rego de Campina Grande abandonou em definitivo o “mago girassol” e tenta ocupar espaço junto a João Azevedo, no propósito de participar dos dois últimos anos da gestão, marcar território e compor sua chapa majoritária. Governador precisa fincar estacas nos alicerces do Compartimento da Borborema.

    Este espaço estava sendo vislumbrado pelo PP do clã Ribeiro, enquanto Aguinaldo esteve como pré-candidato a presidência da Câmara dos Deputados. Daniella Ribeiro elegeu o filho vice-prefeito da Rainha da Borborema. Indiscutivelmente seria candidata a governadora e João Azevedo disputaria o Senado Federal. Entretanto a desistência de Aguinaldo – cremos que involuntária – enfraqueceu o prestígio do grupo que deixa de ter cacife para impor ou reivindicar posições na chapa majoritária de 2022.

    Resta saber quem enfrentará o “resistente” João Azevedo, que sem radicalismo, vê pelo retrovisor Ricardo Coutinho, José Maranhão, Cássio Cunha Lima... Despido de vaidade e na certeza que está apenas cumprindo seu dever.

  • DECISÃO DO STF CULMINA EM MOTIM DA POPULAÇÃO

    28/12/2020

    As manifestações ocorridas no Estado da Amazônia, contra o novo decreto do governador que impõe mais um lockdown - evitar proliferação do COVID-19 - gerou um quadro de desobediência civil, quando a população foi as ruas desafiar sua autoridade. Em resposta, o chefe do poder executivo da Amazônia tomou medidas extremas, como ordenar a Polícia Militar a abrir fogo contra os insurretos. Felizmente, a tropa se conteve ao perceber que o povo não recuava, gesto que evitou um banho de sangue.

    A cidade de Búzios (litoral do Estado do Rio de Janeiro) já havia feito o mesmo. Estado de São Paulo, dezena de municípios anunciaram esta semana que não cumprirão o decreto do governador João Dória. Ato que além do lockdown, suspende a gratuidade do transporte público aos usuários acima de sessenta anos. O Brasil vive sua maior crise institucional das últimas sete décadas, algo somente comparável ao fato histórico ocorrido após o suicídio de Getúlio Vargas, quando o presidente da Câmara dos Deputados Carlos Luz, estava interinamente como vice-presidente, “internou” o vice em exercício Café Filho e com apoio da Suprema Corte, pretendia implantar uma Ditadura, impedindo a posse do presidente e vice eleitos (outubro de 1955) Juscelino Kubistchek e João Goulart.

    Marechal Henrique Teixeira Lott – um dos tenentes de 1922 – estava como Ministro da Guerra. Usou sua coragem cívica para impedir um golpe de Estado, dando um contragolpe e restabelecendo a ordem Constitucional. Ordenou que as tropas do Exército cercassem o Palácio do Catete (sede do governo) no Rio Janeiro então Capital da República, Câmara dos Deputados; Batalhões da Polícia; Correios e Telégrafos...Ato seguinte (ainda em novembro de 1955) o vice-presidente do Senado Nereu Ramos, com apoio do Marechal Lott, convocou o Congresso, que cassou o mandato de Carlos Luz e votou o impeachment de Café Filho. Fechou a Suprema Corte e decretou “Estado de Sítio” até 31 de janeiro de 1956, quando Juscelino e Goulart foram empossados.

    A ingovernabilidade da época tinha origem na corrupção desenfreada movida pela ganancia insaciável: “em casa de pouco pão, todos gritam e ninguém tem razão”. O Tesouro Nacional não era o suficiente para alimentar a “fome” do Congresso e seus parasitas de sempre. Se não fora a “espada de Lott”, que garantiu todo o governo de JK, abortando outras rebeliões ou “quarteladas”, não se tem noção do que teria sido o destino deste país.

    Quando nos reportamos as “semelhanças históricas”, é que percebemos hoje no Brasil de 2020, repetição de 1955. O povo elegeu um Presidente (2018) que o Congresso e STF não querem deixa-lo governar. Vargas foi eleito, não conseguiu e suicidou-se. Bolsonaro resiste, pelo apoio popular, graças as redes sociais. A grande mídia golpista, em conluio com a maioria dos governadores dos Estados, quer depô-lo a todo custo. Resta saber se aparecerá em tempo hábil, um Marechal Lott do século XXI. Não estamos fazendo apologia ao intervencionismo. Mas, qual o poder do Presidente da República?

    Quem está provocando todo este “clima” de insegurança e governabilidade? O STF. Quadro de pandemia é o mesmo que “estado de guerra”. O Presidente da República, com a poio das Forças Armadas é a única autoridade Constitucional competente, para legalmente está a frente da crise. O STF tirou-lhes estes poderes e os transferiu para Estados e Municípios. Esvaziou sua autoridade mais uma vez, constantemente atropelada pelo Congresso Nacional. Como se não bastasse, rasgou a Carta Magna pela enésima vez, e decidiu pela obrigatoriedade da vacina, com punição aos desobedientes. Isto é Ditadura! Basta observar-se o número de sentenças, liminares e decisões colegiadas do STF em 2020: 100 mil. O país está “engessado” na Justiça. Com certeza o Presidente Jair Bolsonaro não assinou 100 mil decretos neste ano de 2020. Da mesma forma, os Presidentes das duas Casas Legislativa (Câmara/Senado) estão longe de alcançar o STF.

  • MEMÓRIA CURTA

    05/12/2020

    Seu Cabral (Severino Bezerra Cabral) uma das maiores lideranças política de Campina Grande do século XX – que se elegeu, e elegeu o Prefeito de sua preferência na Rainha da Borborema de 1947 até 1968 - tomou a decisão de se imortalizar através da construção do Teatro Municipal de Campina Grande. Uma obra gigante, para uma cidade que tinha um perfil de entreposto comercial e pouca vocação para cultura. Seu projeto arquitetônico, avançado e único, sem as “curvas” do concreto – inovação proposta pelo gênio Oscar Niemeyer – tinha um modelo de navio. Quando perguntavam a seu Cabral se era um navio, ele respondia que achava parecido.

    A inauguração seria no final de seu mandato (1963), e a curiosidade reinante era o nome que receberia o Teatro. Na época, a Câmara Municipal tinha grandes intelectuais como Raimundo Asfora, Ronaldo Cunha Lima; Figueiredo Agra... Que começaram a sugerir nomes como Augusto dos Anjos, José Américo de Almeida; José Lins do Rego; Assis Chateaubriand... Mas, seu Cabral resistia, e insistia que o nome seria surpresa.

    Analfabeto funcional, seu Cabral depositava toda sua confiança em Souza da Pipoca, vereador que atuava como um líder informal na Câmara e nos bastidores da política. Mesmo grau de instrução de seu Cabral. Quem tivesse algo complicado para resolver com seu Cabral e Souza não resolvesse, podia desistir. Asfora, Ronaldo; Figueiredo Agra... E quase a unanimidade da Câmara cobraram de Souza um nome ideal para ser eternizado na obra mais bela de Campina Grande dos anos sessenta. Imbuído da importante missão, Souza enfrentou seu chefe: “o nome tem que sair seu Cabral...” Sem rodeios, seu Cabral foi na bucha: Teatro Severino Cabral. Souza o aplaudiu e concordou

    com a ideia. Entretanto, quando chegou com a noticia na Câmara, a reação por parte dos parlamentares intelectuais foi um protesto veemente, ameaçado de não ser aprovado. Cabral era um analfabeto... Uma agressão a memoria e cultura da cidade... Isto jamais.

    Souza foi o portador do descontentamento da bancada. E, instruíram-no para argumentar: “seu Cabral não era escritor, artista, poeta...” Seu Cabral ouviu e mandou um recado de volta: vai ser Severino Cabral e vou está presente na sessão. Todos temiam Cabral por sua coragem pessoal. Alto, 1,90, as vezes intolerante, sua mão sempre ia ao pé do ouvido de alguém, que de forma desaforada o ofendesse. Chegou o dia da sessão, e Cabral estava presente. A turma dos intelectuais usou mais uma vez Souza. Quando a propositura foi apresentada e posta em votação, Souza argumentou: “seu Cabral tem que ser um nome ligado as letras, artes; poesia... Cabral o interrompeu: “Souza pergunte a quem mandou você discordar de mim, em qual time jogou Getúlio Vargas e Plinio Lemos? Os dois campos de futebol da cidade são em nome deles”. Silêncio reinante, a propositura foi aprovada por unanimidade.

    Seu Cabral se imortalizou. Mas, por ironia do destino, os dois maiores Prefeitos do século XX de Campina Grande foram Vergniaud Borborema Wanderley (pronuncia-se Verniô) e Enivaldo Ribeiro. O primeiro demoliu o centro antigo da cidade e construiu ruas e avenidas largas. O segundo, fez o Plano Diretor que até hoje está aí, e foi um recorde em obras. Todavia, não deixaram nada escrito sobre suas obras. Agora está se despedindo de sua gestão Romero Rodrigues. Em nossa opinião o maior Prefeito de Campina Grande do século XXI. Cometendo o mesmo erro de Vergniaud e Enivaldo. Em duas décadas, poucos se lembrarão de sua gestão.

  • MEXERAM COM O LEÃO FERIDO

    01/12/2020

    Adágio popular: “você entra na política pelos amigos, não sai pelos inimigos”. Mas, quem são estes inimigos? Frase cunhada pelo saudoso Senador do RN Dinarte Mariz: “politica é a arte de atrair adversários e trair correligionários”. Evidente que os inimigos são aqueles que sempre estiveram ao seu lado, bajularam; ocuparam espaços e se projetaram sob a hipócrita insígnia da “lealdade”.

    Ávidos pelo poder, no mundo político são raras as “criaturas” que controlam a ganância, e se contêm para não se voltarem e destruírem o seu “criador”. Willian Shakespeare - em sua obra Júlio César - descreve de forma brilhante os instintos da traição pelo poder, sempre perpetrados por aqueles que estão em sua volta, gozam de privilégios, confiança; intimidade, e posicionam-se acima de qualquer suspeita. Este é o “elemento surpresa”, imprevisto por conta da “gratidão”, sentimento nobre, porém, jamais cultivado pela maioria daqueles que ambiciona alcançar o topo da pirâmide.

    Nas eleições de 2018, enquanto Cássio Cunha Lima procurava viabilizar sua volta para o Senado Federal, todos se uniram e conspiraram para derrota-lo de forma humilhante. Os irmãos Cartaxo, sua companheira Daniella Ribeiro; Ricardo Coutinho; Ney Suassuna; dissidências em sua própria família... Tudo sob o olhar perplexo de outro traído: Jose Maranhão. Os Regos não podem figurar nesta lista. São seus únicos inimigos políticos autênticos e históricos. Ricardo e José Maranhão, foi ou são ainda circunstanciais. Todos tinham um projeto político e Cássio era o poste no meio da ponte.

    Sangrando como Júlio Cesar (2018), após seis punhaladas, Cássio Cunha Lima sobreviveu. Ficou fora de combate, abandonado pelos amigos; fiéis seguidores e ex-companheiros de jornadas, sem forças sequer para sustentar a espada e o escudo. Optou pelo silêncio. Cuidou em sarar as feridas da alma, mesmo sabendo que ficariam as cicatrizes como lembrança permanente.

    Eis que agora em 2020, chega Brutus (Cícero Lucena), o único que não apareceu na emboscada de 2018. Tinha que cravar também uma adaga, no peito do já considerado moribundo político, Cássio Cunha Lima. Até tu Cícero? A carta desabafo do ex-senador foi pertinente. Após o assassinato de Júlio César, surgiu o Cristianismo, como Religião e Filosofia. A gratidão está intrinsicamente ligada aos dois principais mandamentos desta ordem humanista que prega a paz entre os homens, a fé e esperança ao recomendar o dom do perdão e o poder da renúncia.

    Cássio renunciou a política e perdoou seus agressores, como um bom Cristão. Mas, como esquecer? E agora, depois de Cícero? Com certeza vai voltar ao campo da honra e travar mais uma batalha em 2022. Provavelmente este não seria seu desejo. Mas, perder, reconhecer a derrota e ser eternamente tripudiado! Mexeram com um leão ferido O instinto de defesa o moverá para um contra-ataque feroz, mortal e talvez até irracional.

  • O DESASTRE ELEITORAL DE 2020

    21/11/2020

    A ausência de uma legislação eleitoral permanente, infelizmente constantemente alterada a cada dois anos - ajustando-as às conveniências do Congresso Nacional – culminou num modelo que se exauriu em definitivo no pleito deste ano de 2020, quando foi posto em prática o excêntrico Fundo Especial de Financiamento de Campanha, ou “Fundão Eleitoral”.

    A nefasta experiencia do “Fundão Eleitoral” agora em 2020 instituiu (provavelmente) em definitivo a compra obrigatória de votos - crime eleitoral que vem sendo combatido após 1986 - ocasião em que se realizou o pleito com vistas à instalação da Assembleia Nacional Constituinte de 1988. Na época, os mais diversos setores da economia do país investiram em candidatos para defenderem seus interesses na elaboração da nova Carta Magna – atual Constituição Cidadã.

    Neste ano de 2020 todos os votos foram comprados e venceu quem gastou mais. Inexistiram os debates ideológicos. Valores e preparos intelectuais dos postulantes foram nivelados por baixo. Estabeleceu-se o “leilão”: quem pagou mais, levou o sufrágio. Não se discutiu o hoje e o amanhã do município, numa perspectiva futurista da Nação, debatendo modelos econômicos e conjunturas político/social. Esmagadora maioria do eleitorado adotou a “Lei de Gerson” (levar vantagem em tudo) ao saber da existência de 3,0 bilhões de reais destinados a candidatos, para serem gastos em suas eleições.

    Depois de quarenta anos, com todos os avanços tecnológicos e acesso a informação instantânea (internet), as declarações de Pelé, o Rei do Futebol – contemporânea a publicidade de Gerson veiculada na mídia vendendo as pilhas Rayovac - estão imortalizadas: “o brasileiro não sabe votar... Ainda não conhece o valor de um voto”.

    O desastre 2020 só vem constatar que nunca houve vontade politica do Congresso Nacional em acabar com a corrupção no país, processo que se inicia a partir das eleições. O experimento do “Fundão Eleitoral” e das “nominatas partidárias” foi um tiro no pé. Se estas regras prevalecerem para 2022, nenhum parlamentar do famigerado “Centrão” retornará às Casas Legislativas do país.

    O custo de um mandato de deputado federal será de no mínimo 10 milhões de reais. Estadual, metade. E de um Senador da República, inimaginável. Isto tendo como base valores do voto para vereador (2020) que oscilou entre R$ 300,00 e 600,00 dependendo do tamanho da cidade: quanto menor, mais caro o sufrágio. O fenômeno da pura democracia vivida em 2018, disputa renhida entre Direita x Esquerda, conservadores e progressistas – sem o abuso do poder econômico – culminando na vitória de Bolsonaro – ora pode se considerar como um fato raro e inusitado, instante de lucidez e cidadania que jamais se repetirá em nossa história.

  • STJ MOSTRA A FORÇA DO CORPORATIVISMO

    19/02/2020

    A decisão “corporativa” de manter a liminar que determinou soltura do líder da ORCRIM girassol, Ricardo Coutinho - concedida pelo plantonista provisório à época Ministro Napoleão Nunes Maia – amplia mais ainda o profundo fosso que separa uma nova sociedade em mutação (sedenta por Justiça) do distante e inatingível Poder Judiciário, regiamente pago pelo suor do trabalhador brasileiro, que almeja punições severas contra os ousados e arrogantes malbaratadores do erário público.

    Alcançado pela compulsória marcada para este ano, precisamente em 30/12/2020, quando completará 75 anos, Napoleão Maia foi salvo por seus pares da 6ª turma (STJ) ontem (18/02/2020) placar de 4x1. Em final de carreira, ser punido por companheiros, mesmo que por erro grave e insanável? Mancharia sua “biografia”. A opção em “salvar” o Ministro de sua ultima travessura, culminou em danos à figura de um Desembargador do TJ-PB probo, digno e de conduta ilibada, que por méritos chegou ao TJ-PB, dispensando qualquer apoio político de sua ilustre família.

    A 6ª turma do STJ não avaliou a periculosidade de um quadrilheiro em liberdade... Doravante irá destruir provas, intimidar testemunhas; chantagear autoridades e obstruir a Justiça. Qual a diferença entre os crimes praticados por Ricardo Coutinho e Sérgio Cabral? Provavelmente seja a figura do julgador: Juiz Marcelo Bretas que o meteu na cadeia, e quando vislumbrou que seria boicotado pelas Cortes Superiores, sentenciou-o a 180 anos de cadeia. Mostrando seu destemor do mundo político e suas influencias, encarcerou Pezão, no exercício de suas funções como governador do Rio de Janeiro, saindo algemado do Palácio da Guanabara.

    Quem assistiu ao julgamento no TSE (24.04.2018) do então governador Ricardo Coutinho – transmitido pela TV Justiça - percebeu a “indisfarçável simpatia” do Ministro Napoleão Maia pelo réu socialista, fundador da quadrilha girassol. Amor à primeira vista? Mesmo sendo o relator, não leu seu voto, sequer teve a preocupação de fundamentá-lo usando qualquer “entendimento” da confusa e ininteligível legislação eleitoral. A remissão fiscal de impostos como IPVA, ICMS (gol de prata); Multas e Taxas do DETRAN-PB, prejuízo ao erário estimado em 36 milhões de reais, em plena campanha eleitoral de 2014, na visão de Napoleão Maia, não desequilibrou a disputa do pleito. Absurdo! Dezenas de milhares de votos de proprietários de motocicletas foram trocados pelo perdão da dívida do IPVA.

    “Assistencialismo necessário” (?) foi a tese vergonhosamente “improvisada” pelo Ministro Relator Napoleão Maia, alegando que motocicleta no Nordeste era um “jumento motorizado”. Que conhecia a pobreza da região, e que todo tipo de “assistencialismo” – mesmo em período eleitoral – era importante e bem vindo, para amainar o sofrimento desta gente. Sem “assistencialismo” o nordestino morre de fome e sede. Onde se encontra esta lei, artigo ou Jurisprudência? Finalizou alegando que a vontade popular deveria ser respeitada. Mas, não houve “vontade” e sim “motivação” do eleitor pelo dinheiro e os benefícios da máquina pública.

    A Ministra Rosa Weber tentando minimizar o vexame, não escondeu sua sinceridade: “no meu entendimento este tipo de ação é conduta vedada e desequilibra qualquer pleito”. Concordou com o Vice Procurador Geral Eleitoral, Nicolao Dino - irmão do governador do Maranhão Flávio Dino (PCdoB) - que compõe o arco de alianças dos partidos de esquerdas, onde se inclui o PSB. Separando o “homem ser, do homem função”, Nicolao Dino pediu a cassação da chapa de 2014, por considerar uma “aberração” o TRE-PB não ter observado os crimes cometidos durante a campanha.

    Jornalista Flávio Lúcio, que tripudia com ironia em seus textos o Desembargador Ricardo Vital e GAECO-PB, após resultado do julgamento da 6ª turma lhes pôs uma “alcunha” de o “Sérgio Moro da Paraíba”. O zelo, conhecimento e preparo do Desembargador Ricardo Vital em nada difere do respeitado Juiz, homenageado em todo o planeta por sua coragem de prender e condenar o Chefe de Estado mais corrupto da história do século XX e XXI, do mundo civilizado.

    Sérgio Moro do Paraná, não esperou fechar o “conjunto da obra” da corrupção contumaz que sorveu dos cofres públicos trilhões de reais, instalada no país desde 2003. Bastou o Triplex do Guarujá. Demais criminosos envolvidos na gang, seriam pegos pelas delações e seu efeito dominó. Teve que encarar o Ministro Teori Zavascki, que atendendo pedido da então Presidenta Dilma, concedeu liminar a Renato Duque. Duque tinha diversos crimes, porém, bem menos graves que os de Ricardo Coutinho. Duas semanas depois, o Justiceiro do Brasil o pôs novamente na cadeia. E, cuidou em sentenciá-lo, evitando que o exemplo encorajasse outros delinquentes, e se criasse a esperança da impunidade.

    Para Ricardo e seus comparsas, tudo está dentro do planejado: em 120 dias terá sua candidatura a prefeito registrada e ficará impedido de ser preso até 31/12/2020, a não ser em flagrante delito. A Justiça, neste período engajada no processo eleitoral, dificilmente terá tempo para julgar um processo, que a cada dia fica mais extenso.   

  • ESTRATÉGIA POLÍTICA DE RC PODERÁ VENCER O JOGO

    15/02/2020

    Já não existe mais o que se delatar sobre os desvios milionários da gestão Girassol. Para se condenar um ladrão, não precisa provas que roubou milhões ou irrisórios centavos, a pena é a mesma. O que o GAECO- PB ainda não alcançou foi a estratégia dos advogados de Ricardo Coutinho, e onde pretendem chegar, quando exibirem troféu de uma vitória, debaixo do nariz do Poder Judiciário da Paraíba.

    Decorreram-se quatorze meses de investigações, prisões; delações com revelações tão estapafúrdias, que se não fossem amparadas em materialidades, o conjunto das provas seria difícil de merecer credibilidade, em função da ousada selvajaria da quadrilha e seu chefe – ex-governador Ricardo Coutinho – que ainda chegou a ser detido provisoriamente. Entretanto, como um prolixo discurso de bêbado, tudo já foi dito, mas, ainda não sabemos quando irão finalizar esta “peça” de retórica. 

    O processo se arrasta... Aguardam mais delações? As que já existem são suficientes para um século de cadeia. Uma queda de braço entre o GAECO-PB, MP e PGR, quer a volta de Ricardo Coutinho ao cárcere. Para que? Virá Gilmar Mendes ou Dias Toffoli e põe ele na rua, usando o mesmo “entendimento” e até decisão da Suprema Corte sobre prisão em segunda Instância. Neste caso, estão fazendo o “jogo” do ex-governador, ou morderam a “isca” de seus advogados?

    Chegamos ao mês de fevereiro (2020). Em Junho, se inicia o período eleitoral. É exatamente esta oportunidade que Ricardo Coutinho aguarda para sair pela porta da frente, sem fugir da Justiça. Carnaval, Páscoa e São João, e pelo visto, o chefe da OCRIM Girassol não será condenado. Se isto não ocorrer – o que achamos pouco provável – será candidato a Prefeito de João Pessoa.

    A partir do registro de sua candidatura, não pode mais ser preso, a não ser em “flagrante delito”. Quanto à possibilidade de uma condenação em pleno período eleitoral, mesmo que ocorra, uma “liminar” de plantão o deixará disputar o pleito. Se porventura vencer, será diplomado e empossado. Os processos da Operação Calvário iniciarão sua longa jornada procrastinatória, com vistas alcançarem a prescrição.

    O Desembargador continua “notificando” mais suspeitos, o GAECO-PB mantém sua “volante” procurando encontrar mais comparsas do bando, quando o líder já está cercado? Redundância absurda! A grande noticia seria: “processo concluso para julgamento”. Aí, a expectativa seria - não pelos anos de cadeia de seus prováveis condenados - mas, pela inelegibilidade de Ricardo Coutinho no pleito que começa em 130 dias. O Chefão da Máfia Girassol continua “ficha limpa” para a Justiça Eleitoral.

    Dispondo de milhões de reais, indiscutivelmente Ricardo Coutinho disputa com chances de vitória as eleições da Capital. Seu discurso deixará o eleitor “tonto” e inseguro: “sou ficha limpa... Não tenho nenhuma condenação na Justiça... Investigam-me por delações de ladrões que roubaram no meu governo, traíram minha confiança... Se eu fosse culpado, não estaria aqui pedindo seu voto”. Alguém duvida? Aguardem!

    Em tempo: Ricardo Coutinho nunca sofreu uma derrota no TRE-PB, não tem contas rejeitadas pela Assembleia Legislativa; nenhum outro tipo de condenação, sequer pelo PROCON. Para o eleitor e opinião pública, já saturada com tanta ação do GAECO-PB sem reação imediata do TJ-PB, se ele esteve durante todo este tempo no bordel, vestido de Freira, fica uma incógnita: talvez estivesse apenas em meio às prostitutas.

  • NÃO VÃ O SEPARAR O JOIO DO TRIGO?

    05/02/2020

    O pastor Shimidt, guardião da fé dos fieis de uma pequena cidade da Alemanha, durante o momento mais difícil da II Guerra (final de 1944), confessou quando interrogado pelas tropas aliadas - qual seu papel no conflito e por que estava na prisão quando os vencedores derrotaram os Nazistas.

    A resposta do líder religioso foi simples e intrigante: “vou procurar saber, se é que ainda existe alguém que possa me explicar”. Continuando, elucidou: “primeiro prenderam meu vizinho da direita, por entenderem que ele era comunista. Eu não era. Em seguida vieram e levaram o da esquerda, suspeito de ser Judeu. Não sou Judeu. Um dia me levaram (?)”. O clima de vingança pela inevitável queda do III Reich culminou na busca de culpados, criando em seguida à rota de fuga do “salve-se quem puder”.

    A Operação Calvário, desencadeada pelo GAECO-PB, teve origem no Rio de Janeiro, chegou à Paraíba, Goiás e Rio Grande do Sul. A metástase deste câncer talvez tenha atingido todo o país, de forma direta e indireta. Entretanto, o envolvimento da unanimidade da classe política paraibana é discutível e inaceitável. Todos estavam participando destas atividades criminosas? Até a oposição? Não acreditamos. Esta na hora de separar o joio do trigo.

    Por que a Assembleia Legislativa não instalou imediatamente uma CPI, para apurar quem participou deste assalto aos cofres públicos? Silenciou ou se intimidou? O fato estapafúrdio do TCE – Tribunal de Contas do Estado, órgão de Assessoria do Parlamento ter sido denunciado, e o Poder Legislativo Paraibano – independente segundo a Constituição – não instalar um inquérito, admite a culpa de todos, inclusive a dos deputados não importando sua legenda ou posição política, por omissão.

    Início de Janeiro deste ano (2020) faleceu o ex-deputado federal Ibsen Pinheiro, presidente da Câmara dos Deputados no ano de 1992, que corajosamente aceitou a denuncia, e pôs em Plenário o impeachment do então presidente Fernando Collor de Melo. Um ano depois - setembro de 1993 – “estourou” o escândalo dos “Anões do Orçamento”. Ibsen, inocente, foi forçado a renunciar para não ser cassado. O fato acabou com sua vida pessoal e política. Teve que mudar de cidade, deixar a barba crescer; perdeu todos os amigos e foi condenado ao eterno ostracismo.

    Crise de consciência do gerente da sucursal da revista Veja em Brasília, vinte e dois anos depois, numa entrevista ao programa de Jô Soares, confessou que a matéria estava errada. A cópia do depósito feito por Ibsen tinha data atrasada. Na hiperinflação, o governo tinha cortado três zeros. Portanto, o que seria três mil Cruzeiros, figurou na reportagem de capa como três milhões de cruzeiros. Antes de a revista circular, o gerente ligou para o editor na sexta-feira e toda a hierarquia da Editora Abril. Tarde demais... Recusaram-se a mudar a capa. O efeito foi devastador.

    Canalhice maior foi o comportamento delinquente dos maus profissionais da grande mídia, que sabiam do erro que cometeram - assassinato da honra de Ibsen – não se recusaram em ser agraciados com o Prêmio Esso de Jornalismo, e mesmo depois de revelado a trama, ninguém até hoje devolveu a honraria para justificar a falta de caráter.

    A instalação de uma CPI pela Assembleia Legislativa do Estado da Paraíba, para apurar com rigor o coro de denuncias vulgarizadas pela mídia - objetos de delações premiadas - é ato de ofício da Casa, que representa um poder independente. Não é para inocentar culpados. O Parlamento dispõe de mecanismos para investigar, apurar, poder de policia para convocar membros do GAECO e se inteirar - não só da veracidade dos fatos - mas, como se procederam desenrolar dos acontecimentos.

    A operação Gautama (2007) desencadeou uma série de outras denúncias e outras operações como a “Navalha”. Todos os caminhos levavam ao então Presidente do Senado Renan Calheiros. E em meio a tantas revelações, surgiu a existência da “Sala Cofre” do Senado, onde continha os “Atos Secretos” e provavelmente farto material sobre o funcionamento da Casa Revisora do Congresso, desconhecido pelo público. A Policia Federal obteve autorização para busca e apreensão no Gabinete do Presidente do Senado e da Sala Cofre. Mas, a reação de Renan os impediu de cumprir o mandado.

    Ao tomar conhecimento que a PF viria ao Senado, Renan Calheiros convocou a Polícia Legislativa – armada até os dentes – e passou a ordem: “não discutam, o primeiro que entrar, arrombando a porta, atirem para matar”. Em seguida, respaldado pela Constituição, pediu Tropas Federais para guardar o Congresso. Ministro e PF recuaram. Mas, semanas de negociações, a PF foi levada a Sala Cofre e colheram os documentos que procuravam. Renan foi afastado da Presidência. Permaneceu como Senador e depois voltou a comandar o Senado por duas vezes. Errado ou não, ganhou respeito de seus pares.


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