EU E A POLÍTICA
Não, não levo jeito para discussões, debates e brincadeiras de cunho político. Sobretudo em tempos de cólera como os de hoje, marcados pela polarização e pelo radicalismo. Nessa campanha, preferi o silêncio, certo de não alimentar desavenças nem suscitar intrigas.
Foram inúmeras as mensagens recebidas de amigos próximos, amigos das redes sociais, e até desconhecidos, no WhatsApp, Instagram e Facebook. Todos na insistência da conquista do voto ou tentando influenciar na minha decisão diante da urna eletrônica.
Optei por não responder ou comentar. Tranquilizei uns três de que sou pela democracia. E sou! Sou da democracia que respeita, que não agride, que não usa linguagem chula. Da democracia que entende o posicionamento contrário.
A criança, o adolescente que fui em tempo de ditadura sabe o valor da democracia. Quando menino, fui alertado por um sentinela de que não podia passar na calçada de um quartel; juvenil, vi a diretora da escola amordaçar a boca de um aluno com esparadrapo.
Não vale a pena brigar por causa de política, nem se intrigar por causa de políticos. Hoje são adversários, inimigos até; amanhã, estão juntos no mesmo palanque. Políticos, com as honrosas exceções, só pensam em si mesmos e em suas famílias. E há os que nem na família pensam.
Também não vale a pena endeusar políticos. O eleitor consciente vê os dois lados do seu parlamentar e do seu governante. Não enxerga somente seus acertos e fecha os olhos para seus erros.
Quando eu tinha 16 anos, o senador Rui Carneiro, num comício em Patos, me impressionou ao orientar o eleitor a não votar em branco nem anular o voto. ‘Vote no adversário, mas não vote em branco nem nulo’, disse ele. E foi reeleito.
Há quatro anos, no segundo turno, não segui o conselho do político de Pombal. Este ano, no segundo turno novamente, não me acovardei e optei pela democracia. Foi lindo ver a juventude na rua e as imagens dos idosos saindo de casa para votar.
Comporto-me, de público, como um ser apolítico, mas, na verdade, sou muito atento às notícias da política. Gosto de ler a opinião dos especialistas ao meu alcance, de modo especial os locais.
Sei que as decisões mais próximas são as que mais nos afetam, podendo influenciar os rumos de instâncias superiores ou de maior alcance.











