AS FICHAS CAÍRAM… E NÃO FOI MERA COINCIDÊNCIA
A simultaneidade de acontecimentos inesperados no mesmo ambiente não passa de mera coincidência, sugere o sujeito com um mínimo de ceticismo.
Atribuiria a imprevisibilidade do momento à distração, à falha humana ou à falha de logística. Tais possibilidades não podem ser descartadas, mas essa lógica perde fôlego quando acontece em um evento religioso, no qual o acaso vira providência divina e tudo termina nos conformes.
A pequena representação de nossa comunidade vivenciou momentos dessa natureza no XIX Encontro Diocesano do Terço dos Homens, realizado no último domingo, em Soledade. Pessoalmente, foi um dia de abastecimento espiritual fundamentado no louvor, adoração, pregação, oração e meditação dos Mistérios do Terço. Uma bênção!
Além do alimento espiritual, o dia permitiu conhecer pessoas e vivenciar a mística do movimento com conhecidos e gente de outras comunidades.

Oportunamente, revi Anchieta Araújo após muitos anos — uma chance de ouvi-lo como diácono pela primeira vez, na performance de sua pregação em um momento formativo. Ele nos lembrou, através do tema, que “somos o modelo de Cristo na Igreja doméstica”.
Foi surpreendente vivenciarmos o paradoxo entre a convicção e o ceticismo num acontecimento inesperado diante de um público estimado em 2.500 pessoas.
A reserva e o pagamento antecipados garantiam o almoço dos participantes, que recebiam uma ficha, no dia, para utilizar o bufê.
Ao chamado para a refeição, enquanto a multidão saía do ginásio em fila desordenada, nosso coordenador procurou sua ficha e não a encontrou.

— Perdi a ficha — disse ele, a voz denotando preocupação.
— Deve ter ficado no carro — alertei.
No vai-não-vai da confusão, um casal se adiantou e ficou ao nosso lado na caminhada hesitante, ouvindo a conversa aflita.
— Ele achou uma ficha — falou a mulher, enquanto o marido confirmava, logo passando-a à mão de Agenor.
Recuperada a ficha, nos dirigimos à escola em frente, onde o almoço seria liberado. No interior, a fila organizou-se em duplas e seguiu seu itinerário até se unificar na área de entrega.
Prestes a adentrar a sala de serviço, Zé Carlos, um dos nossos, avista um pequeno papel, sem nada escrito no lado exposto, bem aos meus pés.
— Parece que é uma ficha — supõe.
De imediato, flexiono o quadril e apanho o papel.
— É uma ficha, sim — confirmo, ainda levantando o corpo. Da portaria, quem controlava o acesso gritou que o homem aflito ao seu lado perdera a sua. Em segundos, passei-a à mão dele.
Duas fichas perdidas e recuperadas. E devolvidas aos donos.
Mera coincidência? Prefiro acreditar que foi providência divina.











