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Coluna · Valberto José

QUANDO MEU FUSCA DESPENCOU

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Como a maioria das pessoas da minha idade que não dispunha de verba para adquirir um carro novo, o primeiro carro que comprei foi um Fusca, pago com o que sobrou da indenização de quando saí do Diário da Borborema, após reformar a casa, em 95. Optei pelo Volks em um tempo em que esse costume já começava a mudar e o carro preferido de quem tinha essas condições já era o Chevette.

Havia o agravante de que eu não sabia dirigir e só queria aprender num quatro-rodas que fosse meu. Então, aquele Fusca foi a minha escola. O professor foi o meu vizinho Mazinho, também um iniciante na arte de ensinar e sem carteira de motorista. Ao mesmo tempo que me monitorava ao volante, ele aprendia a instruir — e esse estágio despretensioso acabou levando-o a trabalhar em autoescolas locais.

Nessa fase de aprendizado automotivo, vivenciei boas aventuras nesse Fusca. Como na primeira vez que ousei sair da cidade indo para um sítio familiar; sem a habilitação, tive que chamar uma pessoa habilitada para passar na famigerada Manzuá. Liberado no posto da operação, assumi a direção do carro e, quando fui transpor a porteira de entrada, bati o para-lama dianteiro no mourão, assustando quem a abriu.

Em outra ocasião, resolvi ir a Boqueirão com a mulher e os filhos e, novamente, tive que chamar um motorista habilitado. Convidei o meu instrutor, que escalou um primo; este, embora habilitado, não tinha prática na direção e foi até Queimadas no maior nervosismo. Passado o posto da Manzuá, dei-lhe uma gratificação e ele voltou; Mazinho assumiu o controle até o açude.

O danado foi quando o Fusca descambou de uma altura de 20 metros. Nem uma foto encardida eu guardo desse carro tão popular.

Após um ano e meio, decidi trocar o Fusca por um Chevette. Mas Deus é bom, protege quem tem paciência, e sabe o que é melhor para nós. Ele agiu através do tino comercial do meu irmão Bia e me abençoou com um Uno Mille 1995, que acabei comprando apesar do valor alto das prestações.

Numa das minhas idas a Areia, vi numa loja de artesanato réplicas de Fusca confeccionadas em madeira. Foi amor à primeira vista. Comprei duas, pensando em presentear meus netos Miguel e José, mas, quando as coloquei na mesa do meu computador, resolvi ficar com as peças. Além de ornamentarem o móvel de estudo e leitura, elas servem como brinquedo para os meninos quando chegam à nossa casa.

Mas o que aconteceu mesmo com o meu Fusca quando despencou daquela altura? Nada. O que despencou foi uma das réplicas do carro de cima da mesa do computador, sem sofrer qualquer avaria.

Foto de Valberto José

Valberto José

Colunista do A Palavra Online.

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