Maldade ambiental na Almirante Barroso
As plantas que conserva viçosas no quintal e o jardim mais admirado da Almirante Barroso que mantém na frente de casa não foram suficientes para a satisfação pessoal de minha mãe com a natureza mais próxima. Precisou plantar, desafiando os limites de sua idade, uma muda de ipê no canteiro da avenida e desde então vive a ansiedade de uma floração sempre adiada. Pela dificuldade de cuidados e por um crime ambiental
O trânsito intenso da via não deixa que Dona Cleonice cuide de forma adequada a handroanthus albus , pois nós, os filhos, sempre a alertamos do perigo que é atravessar o trecho entre a calçada e o canteiro. Além dessas dificuldades no trato do ipê fincado, a ação criminosa de um humano quase matou a planta, justo quando ela já ganhava altura além de sua grade protetora.

Minha mãe chegara de mais uma de suas viagens pela casa dos filhos que moram fora e ficou encantada com a desenvoltura do ipê, que crescera e já formara copa como nunca antes. Dias depois, em mais uma de suas observações do crescimento da planta, avistou-a, do portão de casa, golpeada pelo meio, reduzida a um galho.
Dona Cleonice sentiu o golpe! Ficou triste, magoada, mas, com os meses avançando, o ipê, cuja altura ficara no meio da grade, pareceu reagir, voltou a crescer, embora muito lentamente, entre as algarobas gigantes. E a mulher, voltou a sorrir na esperança, ainda distante, de que a floração vingue.
Aliás, foi o segundo golpe que ela sofreu este ano com suas plantas e seu admirável jardim, meses antes do Dia da Árvore e da chegada da Primavera. Duas vistosas e floridas rosas-do-deserto, uma delas presente de aniversário de uma neta, foram roubadas de seu horto particular, em dias seguidos.
O rapinante, certamente um profissional da jardinagem, não deixou rastro. Improvisou um anzol de graveto, fez uma espécie de rede na ponta, introduziu-o entre as grades e puxou as plantas.
Mas Dona Cleonice, na plenitude de seus 86 anos, mostrou-se resiliente: já substituiu as rosas-do-deserto por outra planta mais florida e de uma beleza celestial, vinda de Rondônia. Um encanto aos nossos olhos.










