
Valberto José
Jornalista, habilitado pelo curso de Comunicação Social da Universidade Regional do Nordeste (URNE), hoje UEPB. Colunista esportivo da Gazeta do Sertão e d’A Palavra, passou pelo Diário da Borborema e Jornal da Paraíba; foi comerciante do setor de carnes, fazendo uma pausa de 18 anos no jornalismo.
Maldade ambiental na Almirante Barroso
Publicado em 25 de setembro de 2026As plantas que conserva viçosas no quintal e o jardim mais admirado da Almirante Barroso que mantém na frente de casa não foram suficientes para a satisfação pessoal de minha mãe com a natureza mais próxima. Precisou plantar, desafiando os limites de sua idade, uma muda de ipê no canteiro da avenida e desde então vive a ansiedade de uma floração sempre adiada. Pela dificuldade de cuidados e por um crime ambiental
O trânsito intenso da via não deixa que Dona Cleonice cuide de forma adequada a handroanthus albus , pois nós, os filhos, sempre a alertamos do perigo que é atravessar o trecho entre a calçada e o canteiro. Além dessas dificuldades no trato do ipê fincado, a ação criminosa de um humano quase matou a planta, justo quando ela já ganhava altura além de sua grade protetora.

Minha mãe chegara de mais uma de suas viagens pela casa dos filhos que moram fora e ficou encantada com a desenvoltura do ipê, que crescera e já formara copa como nunca antes. Dias depois, em mais uma de suas observações do crescimento da planta, avistou-a, do portão de casa, golpeada pelo meio, reduzida a um galho.
Dona Cleonice sentiu o golpe! Ficou triste, magoada, mas, com os meses avançando, o ipê, cuja altura ficara no meio da grade, pareceu reagir, voltou a crescer, embora muito lentamente, entre as algarobas gigantes. E a mulher, voltou a sorrir na esperança, ainda distante, de que a floração vingue.
Aliás, foi o segundo golpe que ela sofreu este ano com suas plantas e seu admirável jardim, meses antes do Dia da Árvore e da chegada da Primavera. Duas vistosas e floridas rosas-do-deserto, uma delas presente de aniversário de uma neta, foram roubadas de seu horto particular, em dias seguidos.
O rapinante, certamente um profissional da jardinagem, não deixou rastro. Improvisou um anzol de graveto, fez uma espécie de rede na ponta, introduziu-o entre as grades e puxou as plantas.
Mas Dona Cleonice, na plenitude de seus 86 anos, mostrou-se resiliente: já substituiu as rosas-do-deserto por outra planta mais florida e de uma beleza celestial, vinda de Rondônia. Um encanto aos nossos olhos.
