Selo da Livraria Pedrosa me evoca os passos de Bióca
Divisar aquele senhor vindo do calçadão assim que tomei acesso à sacada do Diário da Borborema, após fechar a página de esportes, naquela tarde de poucas notícias, me desanuviou toda tensão que vivera instantes antes. A lepidez de seus passos denunciava que não estava lá; apenas passara, tentando se esgueirar de possíveis conhecidos e não se atrasar para o aconchego amigo e cultural que buscava.
Com a celeridade que saia do calçadão, atravessou em diagonal a Rua Venâncio Neiva, como que queria aportar no DB e, assomando a calçada, foi-se ladeando os carros estacionados para, mais à frente, dobrar a Monsenhor Sales, sentido Maciel Pinheiro. Na esquina dessa rua, entrou na Livraria Pedrosa e permaneceu por horas em bate-papo com o livreiro José Pedrosa e outros frequentadores da casa.

Os passos firmes e lépidos do homem suscitavam minha admiração, seu passado histórico justificava minha atenção. Um passado admiravelmente histórico! Antônio Fernandes Bióca trouxe a primeira bola de futebol para Campina Grande e liderou a fundação do Treze Futebol Clube.
A cena me veio à mente ao abrir o livro de Josué Montello para iniciar a leitura, adquirido meses antes no sebo da Getúlio Vargas. A contracapa com a gravura solitária do título continha o selo da Livraria Pedrosa, e nele o preço – Cr$ 4.500,00 – e o seu conhecido lema “Faça do livro o seu melhor amigo”. Confesso que me emocionei.
Comecei a ler Josué Montello por incentivo do amigo Severino Marinho Leite, que me emprestava os títulos de sua coleção. E foram dois livros do escritor maranhense – Diário da tarde e Diário do entardecer – os últimos que adquiri, em promoção, na Livraria Pedrosa. A casa já estava em processo de fechamento e poucos meses depois cerrou as portas.











