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PACTO ADRIANO GALDINO E CÍCERO LUCENA ISOLA JOÃO AZEVEDO

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O governador João Azevedo, ignorando o calendário eleitoral, esqueceu que “quem é coxo parte cedo”. No início de sua gestão deveria ter estabelecido regras, com vistas a sua sucessão. Critérios com metas a serem alcançadas pelos pré-candidatos da sua base, que sonham em sucedê-lo. Deixar sua escolha para a 25ª hora, corre o risco de repetir os desacertos de Wilson Braga (1986), Burity II (1990) e José Maranhão (2002). Braga era para ter apoiado Burity ou Humberto Lucena. Trapaceou quem não deveria, o vice José Carlos da Silva Júnior, a quem iludiu por todo o tempo, e o convenceu a renunciar para ser seu sucessor, impedindo-o de assumir o governo e comandar sua eleição. Através de um pleito indireto via ALPB, elegeu Milton Cabral, político em fim de carreira. Finalmente, ouvindo apenas Lúcia Braga, lançou o então senador Marcondes Gadelha, totalmente despreparado para a disputa. Venceu Burity, que foi para o MDB com o discurso do “traído” (elegeu Wilson Braga em 1982) e deixou Braga com a pecha de “ingrato e traidor”.

Em 1990 o erro se repetiu. Burity esperou Braga procurá-lo, antes de lançar um terceiro candidato, João Agripino Maia (Neto), que levou o pleito para o segundo turno. Percebendo que não tinha mais forças sobre João Neto, e pelo nível da campanha, seria uma incoerência apoiar diretamente Braga. Porém, ainda mandou dois recados para unir-se a João Neto, que o esperou a pedido de Burity. Sua arrogância por ter saído na frente com cerca de 40 mil votos sobre o segundo colocado, Ronaldo Cunha Lima, o impediu de consumar uma vitória acachapante.

Ronaldo não perdeu tempo, nem oportunidade. Fechou com João Neto, e Buriti assistiu à distância o final precoce de duas carreiras políticas. A sua e a de Braga. João Agripino Maia transferiu todos os seus 137.573 mil votos. Ronaldo venceu o pleito com 132.573 mil sufrágios de maioria.

O barco do governo João Azevedo está com sobrepeso, e a madeira do lastro começa a dar sinais – com os primeiros estalos – que não resistirá.

O leme começa a ficar pesado para realizar manobras rápidas e necessárias, capazes de resistir às ondas que crescem, avolumam-se, prenunciando tempestades. Temendo o naufrágio, muitos estão vestindo coletes salva-vidas, prontos para pularem fora.

Dos três pré-candidatos a deputado federal, previstos hoje como os mais votados em 2026 (segundo fontes com amostragens confiáveis), as vagas serão de Hugo Motta, Pollyanna Dutra e Ricardo Coutinho, independentemente da Paraíba permanecer com 12, ou descer para 10, o número de representantes na Câmara. O PSB de João Azevedo elegerá apenas Pollyanna Dutra (que nega ser candidata). Talvez, o ex-prefeito de Sousa. Sobrarão Gervásio Maia e Ricardo Barbosa. Este último, pronto para embarcar no Republicanos. O cargo que exerce, presidente do Porto de Cabedelo, é indicação do Republicanos. Gervásio, após duras críticas ao governo, terminará ao lado de Hugo Motta, no projeto de Nabor para o Senado.

O pacto celebrado entre Adriano Galdino e Cícero Lucena – se não for abortado rapidamente – garantirá a vaga de um dos dois, no segundo turno. Pelo que aparenta, João perdeu dois grandes “marujos”. Com a verticalização da polarização nacional, Efraim tem amplas possibilidades de chegar também ao segundo tempo da disputa. E o candidato de João? Seu supersecretário Deusdete Queiroga, em entrevista concedida ao jornalista Heron Cid, confirmou o nome de Lucas Ribeiro, e confessou até sua predisposição de ser seu companheiro de chapa, caso seja convidado. Em Campina Grande, começaram a cogitar Bruno Cunha Lima como candidato ao Senado, e sua esposa vice de Efraim Filho. Romero também pode arriscar o Senado. Caso seja derrotado, voltará à PMCG para um terceiro mandato. Veneziano Vital do Rêgo mergulhou. Mas, sinalizou simpatias pelo pacto Adriano e Cícero, sonhando com sua reeleição.

Diante deste quadro desagregador, fica difícil o projeto de João Azevedo para o Senado Federal. A culpa é de quem chacoalhou o recipiente? Usando a metáfora das formigas, no recipiente (governo João Azevedo) formigas pretas conviviam harmoniosamente com as vermelhas, até alguém de fora chacoalhar o vaso. Vermelhas culpando as pretas e vice-versa, começam a brigar e se matarem, esquecendo que nunca foram inimigas. Foram vítimas da ação de um manipulador.

Aguinaldo Ribeiro, chacoalhou o vaso?

Redação A Palavra

Equipe de jornalismo do A Palavra Online.

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