
Júnior Gurgel
Jornalista político, memorialista e Ghost writer. Ex- diretor de Jornais e Emissoras de Rádio na Paraíba, com atuações no Radiojornalismo.
NA PESQUISA DO MÊS DE ABRIL O INSTITUTO VERITÁ TRAZ NÚMEROS QUE CONSOLIDAM A RADICALIZAÇÃO NA PARAÍBA
Publicado em 8 de maio de 2026O Instituto Veritá postou nos portais de notícias – com ampla repercussão nas redes sociais – resultado de sua amostragem realizada na Paraíba no final de abril (2026) trazendo novos índices, completamente diferentes dos últimos divulgados pelo seu concorrente, Instituto Seta.
Não nos cabe questionar suas metodologias distintas, o jornalismo registra fatos. A veracidade das informações é de inteira responsabilidade das fontes e seus protagonistas. Aqueles que contestarem, sentirem-se frustrados, contrariados ou prejudicados, o caminho é a Justiça Eleitoral, que registra a pesquisa. Tem poder de suspender e proibir sua exposição ao público, multar e processar criminalmente, caso sejam constatadas fraudes propositais.
Na leitura deste humilde “escrevinhador” de província com cinco décadas de aprendizado na área, os números do Instituto Veritá se aproximam de uma realidade insistentemente mascarada pela mídia. Tudo pode mudar a partir de amanhã. Entretanto, hoje só existem dois lados (clima pastoril e seus cordões). Direita e Esquerda. O centro é o ninho do oportunismo, que aposta no resultado do jogo nos últimos minutos da partida (analogia ao futebol), pegando carona no time vencedor.
Na disputa pelo Governo do Estado, Lucas Ribeiro crava 43,1%. Este resultado é fruto do seu desempenho? Absolutamente não. São percentuais de aprovação do ex-governador João Azevedo. Para a grande maioria dos paraibanos, João ainda é governador e Lucas é a continuidade de sua gestão. Ainda não dá para perceber qual a diferença entre Lucas e João. É uma mistura homogênea (café com leite). Lucas aparenta ser um governador preposto, refém de João, repetindo historicamente Roberto Paulino e José Maranhão. Trocaram apenas os “figurinos”. Os personagens são os mesmos.
Nas eleições de 2022, João esteve derrotado na primeira semana do segundo turno. Adriano Galdino o salvou e o elegeu no entorno de Campina Grande – compartimento da Borborema – onde se concentram cerca de 800 mil votos. Galdino elegeu Efraim Filho para o Senado Federal, derrotando Pollyanna Dutra e Ricardo Coutinho. Veneziano Vital do Rêgo, ex-prefeito de Campina Grande – eleito e reeleito – amargou em sua terra natal o terceiro lugar, perdendo para o radialista Nilvan Ferreira. João Azevedo ficou na lanterna. O inteligente aprende com os erros dos outros. Lucas, se não enxergar Campina Grande, poderá ser o Veneziano de 2022, ou o João Azevedo.
Efraim Filho alcançou 34,5%, consolidando sua presença no segundo turno. Cícero Lucena desceu para 19,1%, reflexo de uma candidatura de centro em ambiente polarizado. Ele comunga com os ideais da direita ou esquerda? Repetindo o erro de Cássio Cunha Lima, esteve ao lado de João Azevedo desde 2018. Saiu por que? Cássio Cunha Lima em dezembro de 2013 manifestou em entrevista seu apoio à reeleição de Ricardo Coutinho. Três meses depois rompeu e lançou sua candidatura. Na época tinha 10 dos 21 secretários de Estado. Ricardo foi a vítima traída.
A coleta do Instituto Veritá mostra indícios de coerência. João Azevedo, candidato ao Senado Federal, aparece com os mesmos números do governador Lucas Ribeiro: 43,4%. Marcelo Queiroga, dentro da margem de erro, 31,3%, atrás de Efraim com 34,5%. Veneziano Vital do Rego despenca para 14,0%, descendo a ladeira ao lado de Cícero Lucena, e seus 19,1%. Cícero, Lucas; João Azevedo e Hugo Motta brigam para ser o candidato de Lula. Na Paraíba, o líder petista em todos os institutos de pesquisa estagnou – com possibilidades de queda – em 55%. Efraim e Marcelo Queiroga – se conseguirem fazer o dever de casa – serão votados por 45% do eleitorado no primeiro turno. Mudar este quadro? Só um fato novo emotivo e estonteante.
