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MUDANÇAS RADICAIS E ERROS NO LULA III – (Parte III)

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Lula concluiu o segundo mandato alcançando uma aprovação de 80% da sua gestão. No descortinar de 2010, seus adversários eram simbólicos. Fazendo política com “P” maiúsculo, arregimentou um grande exército de fiéis seguidores, muitos de alta patente, como o ex-presidente José Sarney, Miguel Arraes (comandante do PSB); oligarquia dos Alves (RN) e a governadora Vilma de Faria, dissidente dos Maia; Cid Gomes no Ceará; Renan Calheiros (AL); na Paraíba Ricardo Coutinho e José Maranhão se enfrentaram, mas votaram na candidata de Lula. Região Sul, o futuro governador Tasso Genro; Paraná, Roberto Requião; Espírito Santo, Roberto Casa Grande… Qual o segredo, método ou tática usado por Lula para juntar figuras ideologicamente tão diversas e misturar todos com o PT? Era um bom “negociador” e todos ganhavam.

O PMDB comandava as duas Casas Legislativas. Michel Temer presidia a Câmara dos Deputados e José Sarney o Senado Federal. O PFL havia definhado. O PDS já tinha se dissolvido, o pouco que lhe restava se fundiu ao PL, na época ainda comandado por Paulo Maluf. PCB entrou em processo de extinção e o PCdoB ao lado do PSOL e PSTU representavam a extrema esquerda, porém debaixo da sombra de Lula, votando no PT.

Lula elegeria com facilidade qualquer figura política para sucedê-lo. Porém, surpreendeu todos quando apresentou como candidata a ministra Chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff. Uma técnica que nunca tinha sido testada nas urnas, “ex-Brizolista” – Cristão novo no PT – com passagem na guerrilha urbana, motivo para afastar ou desagregar grande parte dos “misturados”. O guia eleitoral, exibido na TV e transmitido pelo rádio, traria o passado de Dilma, abriria feridas já cicatrizadas. A partir de Sarney, quase toda a Arena – partido majoritário dos governos militares – estava ao lado de Lula. A desculpa era que o petista surgiu politicamente dos meios sindicais, com apoio da Igreja, e nunca tinha sido comunista. Dilma havia sido militante e guerrilheira. Tentaram demover Lula de sua opção. Mas, todas as alternativas apresentadas foram rechaçadas. Eleger Dilma era um desafio para estabelecer sua liderança. Errou feio. Se não tivesse ocorrido o impeachment, teria sido defenestrado da vida pública. O candidato de Dilma – após ser reeleita – seria Aloizio Mercadante.

A candidata de Lula enfrentou José Serra – concorrendo pela segunda vez – com mais experiência, um bom discurso preparado para a disputa. Mesmo assim, a campanha só foi para o segundo turno porque Dilma não agregava. Nos primeiros comícios e debates ficaram visíveis suas limitações cognitivas, mostrando um raciocínio lento, frases incompletas, paradoxalmente prolixa, e com enormes dificuldades de interagir com o eleitor. Lula ocupou mais tempo na TV do que a própria candidata. O povo votou em Lula.

Entre 2011 e abril de 2016 (após ser reeleita) Dilma exonerou 88 ministros. Uma média de um novo ministro a cada 22 dias. Seu comportamento minou a liderança de Lula. Todos os ministros eram indicados por ele, que imaginou continuar no comando do governo, e Dilma na cadeira de Presidente exercendo as funções de sua Chefe de Gabinete. Até o coordenador financeiro de sua campanha, Antônio Palocci, nomeado Chefe da Casa Civil, foi exonerado após dez meses da posse. A cada exoneração, Lula se distanciava de sua volta em 2014.

Foi pressionado a romper e se lançar contra a presidente que ele elegeu. Mas, temeu ser derrotado. O PSDB vinha se fortalecendo com Aécio Neves, e ele poderia não chegar ao segundo turno. Sua participação na campanha (2014) foi mínima. Ao anunciarem a vitória – após o apagão no telão do TSE que mostrava Dilma perdendo – dirigiu-se ao Centro de Convenções em Brasília, e fez um discurso agradecendo a todos.

Prestes a encerrar – sopraram no seu ouvido – ela olhou à sua esquerda, no final da fila estava Lula. Fez uma rápida referência ao ex-presidente, agradecendo “seu empenho”.

Na sequência, Parte IV, final.

Redação A Palavra

Equipe de jornalismo do A Palavra Online.

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