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MUDANÇA RADICAL E ERROS DO LULA III – (Parte I)

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A eminência parda do PT, o pragmático Zé Dirceu, após três derrotas consecutivas de Lula (1989/1994/1998) tomou as rédeas da legenda em 2001, e criando o “campo majoritário” abortou a pré-candidatura do senador Eduardo Suplicy, evitando o fim do Partido dos Trabalhadores nas eleições de 2002. Expulsou teóricos e intelectuais de “sovaco” de suas fileiras, defenestrou o socialismo romântico, baniu todos os radicais – como ele foi outrora – defensores da luta armada pelo poder.

A queda do Muro de Berlim desencadeou uma crise humanitária (fome) em todos os países comunistas, inclusive Cuba, a “vitrine” da América Latina. Lula e o PT ficaram sem discurso. Todavia, ainda lhes restava uma grande base eleitoral. O meio artístico, as Centrais Sindicais e as Pastorais da Igreja Católica Romana. Um contingente expressivo, porém distante de alcançar uma vitória presidencial através do voto direto.

Dirceu abraçou o fisiologismo político, para salvar o PT e aproveitar a última oportunidade de disputar – com chances de vitória – uma eleição geral. Procurou o PL de Valdemar da Costa Neto. A adesão custou 16 milhões de dólares, como foi revelado em confissão por ocasião do “mensalão”. Atraíram um senador da direita, José de Alencar (MG), para compor a chapa como vice. Receberam o apoio do PTB de Roberto Jefferson, e conquistaram até o voto do deputado federal mais radical da legenda, ex-presidente Jair Bolsonaro. Receberam apoio da FEBRABAN – desconfiava de José Serra. Conquistaram a maioria da FIESP/CNI. Veio até Pedro Cordeiro, do PP.

Lula chegou ao segundo turno, vendendo a alma ao diabo. Descaracterizou totalmente o PT e foi execrado por seus fundadores. Quem comandou a transição foi seu maior adversário – que imediatamente tornou-se seu correligionário e ministro – Ciro Gomes. Continuando como mentor de Lula, Dirceu comandava o governo na Chefia da Casa Civil. Era quem resolvia tudo, ninguém procurava Lula. Seu projeto pessoal avançava. Sucederia Lula em 2006. Não abriria espaço para sua reeleição. Mas, veio o “mensalão”, e com ele o fim de seus sonhos de um dia ser presidente do Brasil.

Desde o governo Sarney, foi reinaugurado um velho método de fazer política. As ideologias tinham sucumbido, em seu lugar ressurgiu o “clientelismo” praticado nos anos sessenta, antes dos militares assumirem o poder. O governo Lula I foi totalmente loteado. Armínio Fraga foi convidado a permanecer no Banco Central. Por questões éticas, não aceitou. Dirceu/Lula foram atrás de Henrique Meirelles, do PSDB, eleito deputado federal com a maior votação da história de Goiás. Gastou uma fábula para derrotar Lula e Iris Rezende, elegendo Marconi Perillo (PSDB). Meirelles foi apenas diplomado. Antes de ser empossado (fevereiro 2003), renunciou e assumiu a Presidência do Banco Central (02/01/2003). O Ministério das Minas e Energia e a Petrobras foram entregues de “porteira fechada” a Sarney, para acomodar a bancada do PMDB. Luiz Furlan (dono da Sadia) rachou o PFL e ficou com o Ministério do Desenvolvimento Econômico Indústria e Comércio Exterior. Só ficaram fora o PDT de Leonel Brizola, alguns descontentes do PFL e parte do PSDB.

Mesa farta, todos queriam permanecer no banquete. No “mensalão” Lula deixou sacrificar toda a elite petista. Frágil, temendo um impeachment, entregou o governo a seus aliados sem olhar seus passados e legendas. Foi reeleito e elegeu sua sucessora. Durante seus dois mandatos, sua única derrota no Congresso foi o fim da CPMF.

Redação A Palavra

Equipe de jornalismo do A Palavra Online.

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