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MOTIVOS QUE MUDARAM A POSTURA DE ALEXANDRE DE MORAES

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Na oitiva do ex-presidente Jair Bolsonaro – interrogado pelo seu implacável algoz ministro Alexandre de Moraes – autor da ficção “tentativa de golpe de Estado e Atentado ao Estado Democrático de Direito”, enredo canhestro criado para incriminar o líder da direita brasileira, surpreendeu o país. Na maior audiência da história da TV Justiça, com transmissão ao vivo através de outras emissoras, milhões de telespectadores assistiram com surpresa a perfeita encenação teatral do ministro Alexandre de Moraes, digna dos brilhantes intérpretes, como Procópio Ferreira, Paulo Autran, Lima Duarte ou Paulo Gracindo.

Por que Alexandre de Moraes mudou seu amedrontador humor, sua cólera de justiceiro vingativo, e representou o papel de um magistrado brando, dócil, risonho e até cordial. Foi cuidadoso com as palavras e perguntas e só faltou pedir desculpas a Bolsonaro, pelo incômodo de levá-lo para depor. Tinha que polir sua imagem, debilitada pelos seus recorrentes abusos, responsáveis pela alta impopularidade do STF. Temendo vexames, três ministros titulares faltaram à sessão, foram representados por juízes substitutos.

O PT e as esquerdas aguardavam um desfecho funesto, apocalíptico, radical e humilhante, incriminando com provas irrefutáveis Jair Bolsonaro. A expectativa era que ele saísse preso e algemado do STF. Apostaram num enfrentamento irascível, com exacerbações de Bolsonaro desacatando a autoridade do interrogador.  Um momento era ideal, para tirar todo o foco da enxurrada de críticas que alvejam diariamente o governo, transferindo o debate do desgaste de Lula para o campo político ideológico.

O ministro não mudou. É o mesmo que ameaçou prender Aldo Rebelo, dez dias antes, por desacato a autoridade, ao se recusar responder ou concordar com aquilo que ele deseja ouvir. Neste interregno surgiram fatos novos, ocorridos 72 horas antes. A Justiça do Estado da Flórida – reduto tradicionalmente Republicano – terra do ex-governador, hoje vice-presidente David Vence, havia acatado uma denúncia contra Alexandre de Moraes. O autor é o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que exige indenizações por danos morais e materiais a sua empresa de Tecnologia – acrescidos de lucros cessantes – como reparações a indevida intromissão de Alexandre de Moraes, que causou estragos a sua plataforma ao exigir remoção de conteúdo, listas com endereços, dados pessoais de brasileiros que residem na terra do Tio Sam. Uma ação cível, com desdobramentos penais. Se condenado, valores indenizatórios serão milionários.

Na audiência de Bolsonaro a mídia internacional estava presente. Principalmente a norte-americana, que já o pôs com destaques em suas manchetes acusando-o de “ditador”, perseguidor, violador da liberdade de expressão, e dos direitos humanos, após relatos das prisões de manifestantes indefesos (idosos e crianças), evento do 08 de janeiro. Ao ser citado pelo Secretário de Estado Marco Rubio como um provável alvo da Lei Magnitsky, Moraes esperou a intervenção do Estado Brasileiro em sua defesa. O Itamaraty se limitou a registrar o episódio numa simples nota formal. E Lula não convocou uma entrevista coletiva, para desafiar os Estados Unidos e Donald Trump, apoiando abertamente os atos do “seu” ministro.

Dia seguinte, longe dos holofotes, Moraes retomou a ofensiva. Votou pela regulamentação das redes sociais, criticou a monetização das Big Tech e acusou seus proprietários de lucros bilionários (?). Ontem, mandou prender novamente o delator Mauro Cid, mas revogou o mandado quando a PF ainda estava no apartamento do réu. Em seguida, expediu outro mandado de prisão, para o ex-ministro de Bolsonaro, Gilson Machado, que acompanhava o ex-presidente em visitas no Rio Grande do Norte. À noite, revogou. Moraes começa a ficar só e isolado. Tenta salvar a PF de seus improvisados inquéritos, tendo como fonte ou prova um delator cujas versões são embasadas no “achismo”. O PGR Paulo Gonet começa a perceber que está enrolado até o pescoço com sua denúncia, após o robusto vazamento do processo, publicado na Revista Veja. Exibe provas cabais que Mauro Cid mentiu o tempo todo. A verdade, mesmo que tardia, um dia vem à tona. Infelizmente, não tem como reparar danos, nem recuperar o tempo perdido. O passado, sempre fica no passado.

Redação A Palavra

Equipe de jornalismo do A Palavra Online.

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