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Mereço a estatueta de coadjuvante nesse processo

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Não me surpreende a constatação científica de que a convivência com pessoas difíceis acelera o envelhecimento biológico. A realidade antagônica doméstica, não obstante o sentido oposto do exemplo, endossa os estudos publicados na revista PNAS (Proceedings of the National Academy of Sciences), no mês passado; essa veracidade, expressa no modo de agir e falar, frequentemente é perceptível aos olhos alheios.

Na conformidade do estudo, conviver com pessoas de temperamento difícil nos deixa com aparência envelhecida em torno de 1,5% ou nove meses a mais no processo. O efeito se dá porque interações negativas com frequência ativam o eixo hipotálamo-hipófise-adrenal, causando o excesso de cortisol e adrenalina, mantendo o corpo sempre em estado de alerta constante, o que desgasta o organismo.

Antigamente, quando uma pessoa mantinha uma aparência mais jovial, dizia-se que ela tinha um calibre bom. Há tempo que não escuto essa frase, embora presencie, frequentemente, a admiração de muitos por minha mãe não aparentar a idade que está completando, e isso me enche de satisfação. “Como tua mãe é nova!”, costumo ouvir.

Essa simulação natural da idade materna poderia desabonar o estudo científico, pois meu pai era uma pessoa de difícil convivência. Mas não. A colocação de três pontes de safena aos 40 e poucos anos o transformou em um homem novo, mais tranquilo e de convívio mais fácil; acredito que a fé de minha mãe, que a faz tão serena, também a torna mais jovem.

No âmbito doméstico, testemunho que a ancianidade feminina não chegou em sua plenitude. Nem no corpo, nem na mente. Recordo que, no trabalho, colegas já admiravam a aparência jovem de minha mulher, Margarida. Naquela tarde de pouco serviço, conversávamos em grupinho, e essa jovialidade passou a ser tema; diante da concordância unânime, um confrade justificou: “Isso é mulher bem-amada”. Não costumo me gabar, mas garanto que sou coadjuvante nesse processo.

Redação A Palavra

Equipe de jornalismo do A Palavra Online.

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