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Gravador “esquecido” de Gonzaga uniu vozes de Alcimar e Marinês em grande sucesso

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Participar das comemorações do aniversário do Rei do Baião no Museu Fonográfico Luiz Gonzaga, no bairro do Cruzeiro, enquanto funcionou, foi meu programa predileto no dia 13 de dezembro. Parecia vivenciar uma noite de São João nas festividades de final de ano. Sem a exposição do acervo (onde ele se encontra?) de José Nobre, festejemos os 113 anos de Gonzaga relembrando fatos e acontecimentos de sua vida dedicada à música nordestina.

Aliás, quanto mais nos aprofundamos na história de Luiz, mais nos surpreendemos com sua influência eterna e sua capacidade de descobrir talento e juntar valores. Foi assistindo aos cortes da participação de Alcimar Monteiro no Canapé Podcast que tomei conhecimento da influência direta de Gonzaga na sua carreira. No modo de vestir e na saída do anonimato.

Em intervalo de um show, Gonzaga elogiou a voz de Alcimar (Você tem uma voz diferente demais) para alertá-lo de que lhe faltava uma maneira exclusiva de se vestir, como artista. “Veja eu. Se botar um toco, meu chapéu, meus óculos, meu gibão, minha sanfona podem fotografar que sou eu”. Foi quando Monteiro passou a adotar o figurino branco, inspirado na sua espiritualidade e o chapéu, na maneira que seu pai – Artur Monteiro – usava.

Alcimar Monteiro gravara quatro discos antes, sem conseguir tornar-se conhecido. Nem no Nordeste, quanto mais em nível nacional. O sucesso veio quando ele fez dupla com Marinês na música “Diz, paixão”, no disco Forroteria, lançado em 1986, que foi a mais tocada no São João daquele ano. No mesmo disco, Alcimar regravou com Gonzaga a música Roendo unha.

Já imaginou quem apresentou Marinês a Alcimar? Se pensou Luiz Gonzaga, acertou. “Queria muito gravar com Marinês, pois a voz de Marinês é igual à minha: aguda, afinada”. Numa terça-feira, Gonzaga gravou com Alcimar a música de Luiz Ramalho e deixou o gravador no ambiente do cearense, propositadamente, acredita este; na quinta veio buscar o aparelho, trazendo Marinês. “Trouxe mais uma coisinha aqui para você”, avisou.

Logo, Alcimar apresentou um rosário de músicas para que ela escolhesse a que gravariam juntos. A escolhida foi “Diz, paixão”, que Alcimar mostrara a vários cantores e nenhum quis gravar. “Quero esta”, apontou Marinês. Gravaram, o disco foi lançado e logo a música rejeitada por muitos caiu no gosto popular, fez Alcimar Monteiro conhecido e vendeu 500 mil cópias.

Redação A Palavra

Equipe de jornalismo do A Palavra Online.

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