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CRISE DO CONGRESSO: OPINIÃO DE WILSON SANTIAGO

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Tivemos uma longa conversa telefônica com o deputado federal Wilson Santiago, sobre a crise instalada na Câmara e Senado, com obstrução física da oposição, impedindo a abertura dos trabalhos com realização de sessões após o “recesso branco”. O conflito está vindo de fora para dentro – segundo Santiago – motivado por dois episódios inesperados: as manifestações populares do domingo 03/08/2025 nas principais capitais brasileiras, seguidas da prisão domiciliar do ex-presidente Jair Bolsonaro.

O povo esqueceu o “tarifaço”, CPMI do INSS, IOF… As lideranças incendiaram as redes sociais, transformando em cinzas uma pauta elaborada para o segundo semestre, a partir da LDO e do próprio Orçamento Geral da União. Está faltando bombeiros para debelar as chamas e baixar a temperatura.

O Congresso é a Casa do Povo, destino final e abrigo de todas as reivindicações da população, que busca democraticamente soluções republicanas através do debate parlamentar, parturiente de novas leis e reformas que atendam suas constantes demandas, quer sejam nas áreas da Segurança Pública, Saúde, Educação, Meio Ambiente, Trabalho, e imbróglios Institucionais entre os poderes. “Vivemos mais um dos momentos delicados da história de nossa democracia, com sensibilidades afloradas pelo radicalismo”.

Discorrendo sobre a história, Santiago ressaltou que após a campanha das “Diretas Já” o povo só voltou às ruas protestando e cobrando mudanças, em 2013. Rio e São Paulo realizaram grandes manifestações populares, sob o pretexto do aumento das tarifas dos transportes coletivos. Os governadores recuaram, mas o povo permaneceu indo às ruas, sem ser puxado por lideranças políticas ou por movimentos ideológicos. Como ainda não existiam as redes sociais, a classe política não conseguiu identificar suas insatisfações. Vieram as eleições de 2014, e com ela uma grande renovação nas Casas Legislativas.

Continuando, Santiago ressaltou que “momentos piores, e em alguns casos semelhantes ao atual, o Brasil já viu por ocasião do impeachment da ex-presidenta Dilma Rousseff e a votação da Reforma Trabalhista”. A Câmara dos Deputados foi invadida, houve quebra-quebra, depredaram ministérios e houve confronto entre manifestantes e policiais. Até a Cavalaria do Exército esteve na Esplanada dos Ministérios para conter as ações criminosas de vândalos. Tudo foi superado com o tempo. O Congresso fez seu papel, democraticamente respeitando a maioria, e se posicionando ao lado do povo.

Wilson Santiago foi líder do PMDB na Câmara dos Deputados num período em que não existiam as Emendas Parlamentares Impositivas. Líderes partidários eram respeitados, porque ministros não atendiam deputados federais. Quem os recebiam eram assessores parlamentares.

Os pleitos individuais eram encaminhados pelos líderes dos partidos, principalmente das maiores legendas – PMDB, PSDB, PFL e PT. O PMDB pôs três vezes Michel Temer na presidência da Câmara. Emplacou ainda Henrique Eduardo Alves, Eduardo Cunha e Rodrigo Maia. O PFL, Inocêncio de Oliveira, o PP Severino Cavalcanti. PSDB Aécio Neves. O PT, João Paulo e Arlindo Chinaglia. O Senado foi comandado por longo tempo pelo PMDB (depois MDB) com Humberto Lucena, José Sarney e Renan Calheiros. A única interrupção foi ACM (Antônio Carlos Magalhães). Todas as divergências partidárias convergiam para acordos saudáveis, salvando o interesse nacional.

O presidente Hugo Motta é muito próximo a Wilson Santiago – um dos coordenadores de bastidores da sua eleição – sucedendo a Arthur Lira. Por mais que disfarce, Motta escuta o experiente Santiago. Perguntamos sua opinião sobre solução (sem traumas) que “esbarre” o confronto direto entre Hugo e os parlamentares do PL, PP, União Brasil, evitando inclusive divisão dentro do próprio Republicanos. “A solução é simples, projetos com 257 assinaturas, leva-se a plenário. O painel revela quem vence”. Aprovado na Câmara, vai para o Senado e um possível veto presidencial. O que a maioria dos atuais deputados jamais fará é enfrentar o massacre dos “algoritmos” (redes sociais), num ano antevéspera de eleições gerais”.

Hugo deve evitar os erros de Rodrigo Maia, que resolveu desafiar o povo e enfrentar as ruas. Terminou só, isolado, sem mandato, e não conseguiu eleger seu sucessor. Desertou da vida pública.

Redação A Palavra

Equipe de jornalismo do A Palavra Online.

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