Construir uma rodovia, nos anos 70, parecia ser mais rápido
A produção de uma réplica de rodovia continua asfaltada na minha memória afetiva, e constitui a atividade mais lúdica que presenciei em toda minha vida. Inspirada nas obras de construção da BR 230, como parte da Transamazônica, cortando a Paraíba a partir de Cabedelo até a divisa com o Ceará no início dos anos 70, a brincadeira resultou numa estrada à semelhança de uma BR de verdade, feita de terra batida, com curvas, subidas e descidas.
A cópia foi arquitetada e desenhada por um grupo de pré-adolescentes de Malta, nos três meses que lá morei em 71, utilizando equipamentos artesanais, parte deles feitos por eles mesmos — caminhões, caçambas, máquinas semelhantes à frota da construtora. Pareciam formar uma espécie de consórcio mirim.
O vaivém dos meninos construindo o autorama de terra teve como cenário o descampado existente logo após o início da cidade, à margem esquerda da rodovia, sentido Condado. Recentemente estive na região e a configuração do terreno joga areia na nossa memória afetiva; está totalmente habitado.

Sonho delirante do Milagre Brasileiro, a rodovia Transamazônica visava interligar Norte e Nordeste, mas nunca foi concluída; na região amazônica continuam estradas sem uma camada de asfalto. A BR 230 teve a construção iniciada em outubro de 1970 e a inauguração, em agosto de 1972, mesmo inacabada – como continua até hoje na região Norte. Na Paraíba, a entrega festiva aconteceu em Cajazeiras, em 14 de junho.
As obras evoluíram numa rapidez que hoje impressiona e contrastam com as de sua duplicação, a partir de Campina Grande, e triplicação, em Cabedelo. Pela lentidão das obras atuais, dá para a gente desconfiar dessa rapidez ansiada. Lembro, no entanto, endossando as estatísticas do tempo, que a primeira viagem que fiz ao Sertão com meu pai, de carona no caminhão do tio Cleodon, foi em 1968 ou 1969, por Salgadinho e Passagem. Esse, o itinerário para se chegar a Patos, antes da construção da BR 230.

A duplicação do trecho Campina Grande – Farinha foi iniciada em fevereiro de 2018, segue o cronograma das obras e previsão de entrega ainda este ano. A triplicação em Cabedelo teve início em março de 2017, sofreu paralisações e segue em passos de tartaruga. Há promessas de que seja concluída até o ano que vem.
Nos anos de 1970, portanto, a construção da BR 230 de Cabedelo a Cajazeiras durou dois anos; passados 50 anos, as obras de duplicação do trecho Campina Grande/ Farinha já duram oito e sua conclusão, este ano, é classificada apenas como prevista. Antigamente, o ritmo de construção de uma rodovia parecia ser bem mais rápido.











