
Júnior Gurgel
Jornalista político, memorialista e Ghost writer. Ex- diretor de Jornais e Emissoras de Rádio na Paraíba, com atuações no Radiojornalismo.
CÍCERO LUCENA: UM GENERAL SEM EXÉRCITO
Publicado em 6 de maio de 2026A série de pesquisas que vem sendo realizada mensalmente pelo portal de notícias Polêmica Paraíba – parceria com o Instituto Setas – mostra um declínio lento e gradual do ex-prefeito Cícero Lucena e sua estagnação abaixo de 30%, índices que comprometem sua chegada ao segundo turno das eleições 2026. Neste décimo levantamento, divulgado hoje (06/04/2026), o resistente Cícero Lucena ainda aparece liderando a disputa com 29,5%. Lucas Ribeiro, encostando com 28% e Efraim Filho alcançando os 18,7%.
Cícero e Lucas estão empatados tecnicamente dentro da margem de erro de 2,5%. Levando-se em consideração a dinâmica que o empate técnico favorece a quem vem crescendo, Lucas pode ter ultrapassado Cícero, atingindo 30,5% e o ex-prefeito da Capital descido para o patamar de 27%, ficando ao alcance de Efraim Filho que oscilará para 21%, estabelecendo uma diferença de 6% para alcançar a segunda posição. Pesquisa é uma fotografia do momento. Todavia, a campanha é um longa-metragem. Os trailers deste filme vem mostrando cenas – observadas em seu roteiro – apontando um desfecho final da sua parte I, primeiro turno em 03/10/2026.
Cícero Lucena lançou uma candidatura independente, com propósito de debater a Paraíba distante da radicalização nacional. Não era um outsider, sua postura pode ser comparável a uma “grife”. Um modelo atrativo, com cores neutras, que atraia o consumidor (eleitor). Um bom discurso, pregando a distensão e se distanciando da direita radical, conquistando a simpatia dos moderados das esquerdas. A fórmula era semelhante a de Raquel Lyra – governadora de Pernambuco – no pleito de 2022. Nem Lula, nem Bolsonaro em seu palanque. Uma alternativa diferenciada. Inspirou-se na vitória esmagadora do Senador do Rio Grande do Norte, Styvenson Valentim – eleições 2018 – quando derrotou Garibaldi Alves, José Agripino e a oligarquia dos Rosados. Todos os bolsonaristas, esquerdas e grande parte dos petistas o elegeram. Styvenson não teve apoio de um único prefeito, ou vice-prefeito, dos 173 municípios potiguares. Seu canal de comunicação foi direto com o povo. Desprezado pela grande mídia, copiou Jair Bolsonaro. Criou através das redes sociais um canal direto com o povo.
A ansiedade de Cícero Lucena o levou a tomar uma decisão precipitada na disputa nacional. Abraçou o projeto de reeleição do Senador Veneziano Vital do Rêgo, que o envolveu com o PT, partidarizando seu discurso, entrando numa peleja que não era sua. Esta briga era entre João Azevedo, Veneziano, Hugo Motta, disputando quem seria o predileto para sentar no colo de Lula. A partir desta decisão arriscada, Cícero começou a perder espaço. Com o apoio de Veneziano, caiu de 38% para 29,%. Cícero não é o candidato de Lula, é rejeitado pelo PT raiz – esteve no PSDB para derrotar o PT – criou sem necessidade uma rejeição no bojo do eleitorado radical. Ele é esquerda ou direita?
A direita tem nomes. Efraim Filho e Marcelo Queiroga. A esquerda é uma aventura oportunista. Lula quer todos ao seu lado e não escolherá um palanque na Paraíba. Veneziano Vital do Rêgo deu um “abraço de afogado” em Cícero Lucena. O vice de Lucas Ribeiro, após rompimento, ainda pode ser Mersinho Lucena. Fumariam o cachimbo da paz. Cícero, Daniella, Aguinaldo e João Azevedo sempre estiveram juntos. Veneziano Vital do Rêgo foi o elemento desagregador.
Separou todos, na esperança de sair vitorioso no primeiro turno. Nabor avança, Queiroga tem o confortável apoio da direita, e repetindo 2022 é ele que desta feita poderá sobrar na curva. O empuxo do Titanic Lula, sem dúvidas o afogará. Cícero Lucena ainda é o grande General sem tropas.
