Acho que Flávio José me causa um efeito psicológico
Qualquer pesquisa feita no Google sobre quem é hoje o principal cantor de forró ou forró pé de serra, a resposta instantânea aponta Flávio José. Quando a pergunta indaga quem, na atualidade, é o principal nome da música nordestina, ele figura entre os 10, junto com Elba Ramalho e Alceu Valença, além de Safadão e outros do chamado forró eletrônico e do piseiro.
Estive com Flávio José em duas oportunidades. A primeira, na redação do Diário da Borborema em 1987 ou 1988, em trabalho de divulgação do disco lançado naquele ano. Não o conhecia, mas o companheiro Tobias de Pace, responsável pelo espaço do futebol amador do jornal, me passou toda ficha dele, de funcionário do Banco do Brasil a músico do grupo Tropicais de Monteiro.
Na segunda oportunidade, uns sete anos passados, antes da pandemia, portanto, chegamos, eu e meu irmão Bia, na Nutricarnes, em José Pinheiro, onde Flavio José exercia, naquele momento, o sagrado direito de consumidor. O mano pediu-lhe para tirar uma foto juntos e me chamou; ainda hoje acho que não fiquei bem na imagem fotográfica.
Ouvindo-o desde o estouro de “Que nem vem-vem”, adquiri com o tempo, diante da performance musical do monteirense, um problema psicológico. Não posso ouvir um novo xote, que fico a pensar ou digo a quem está por perto “que se fosse com Flávio José era mais bonito”. Só pode ser psicológico! Talvez seja o desejo de escutá-lo cantando uma nova composição, o que não o faz há muitos anos.
Há três meses que ouço ‘Santana o Cantador’ interpretando “Por onde anda você”, uma beleza de xote; também escuto Flávio Leandro em sua melhor performance vocal cantando “Chega pra cá”; tenho ouvido ainda Nonato Costa com a participação de Flávio Leandro em “Meu mundo cinza”. Mas não tem jeito: com Flávio José essas músicas ficariam mais bonitas, penso.
Interessante que todas são xotes, lindos xotes românticos, diria, que acalmam a alma, deixando-a mais serena, e o coração no seu bate-bate compassado. Não é à toa que Flávio José, com sua voz argentina, é considerado o Rei do Xote. Se Lindu, do Trio Nordestino, era considerado a voz de ouro, Flávio José é a voz de prata. Uma bela voz de prata a brilhar e a encantar, como uma noite de luar, pelos rincões nordestinos.











