Minha primeira comunidade festeja 60 anos
Até minha mãe se surpreendeu com o anúncio de que minha primeira comunidade católica está festejando seis décadas. Parece que foi ontem que o menino de sete, oito anos que eu fui ajudou voluntariamente a transportar tijolos, auxiliando o paciencioso Pedro Domingos no carregamento de sua carroça de burro na construção da Igreja de Santa Cruz, onde fiz a minha primeira comunhão.
Naqueles anos de Bossa Nova, Jovem Guarda, Iê-iê-iê, mas de muito forró aos meus ouvidos, o bairro do Cruzeiro foi dividido em dois, derivando o bairro de Santa Cruz, a partir de onde se localiza hoje o Colégio Panorama. Territórios mais rurais do que urbanos, sua rua Almirante Barroso plantava em quase toda a extensão uma fila de casas de um lado e de outro, que limitavam seus quintais com hectares de roçados.

Se à esquerda da avenida estimava-se o índice populacional daquela área urbana, delineando o bairro da Liberdade e o do Cruzeiro até a Igreja de São Francisco, à direita dimensionavam-se os terrenos para agricultura e pecuária. Álvaro Araújo, José Félix, Patrício Lopes (este, meu avô), Seu Napoleão, Antônio Elias da Casa de Farinha, Antônio Ribeiro, Joca Miranda são nomes de proprietários de pequena ou média gleba na região.
Mas foi em um terreno da família de Dinamérica Correia (Dona Merquinha) que a igreja foi edificada. Não sei como se deu a aquisição do lote — se por doação, negociação direta ou compra terceirizada. Sua construção está na minha memória. Nunca esqueci a imagem da meia-parede levantada e do dia em que me deu a veneta de ajudar Pedro Domingos a carregar seu veículo de tração animal com tijolos da caieira improvisada do terreno do meu avô.
Recordo que, quatro anos depois, fomos acolhidos, eu e minha irmã Socorro, ao Catecismo pela catequista Dona Lourdes. Na Igreja de Santa Cruz (a mudança de padroeiro veio décadas depois), recebi minha Primeira Eucaristia. Foi uma fase muito feliz para mim.
O Catecismo de Dona Lourdes não era só aprendizado católico, mas também lazer, entretenimento e cultura. No mês de junho, a coordenação promovia danças, quadrilhas e outras festividades, mostrando ao catequisando a cultura regional; em dezembro, havia a encenação do nascimento de Cristo, e naquele ano eu fui um dos Reis Magos.
Pois é… A minha primeira comunidade, a Igreja de Santa Cruz, agora Nossa Senhora das Dores, comemora 60 anos.











