UMA FRENTISTA À FRENTE DO SEU TEMPO
O surgimento, rápido e determinado, de uma mulher para abastecer meu carro no posto a que sou fiel desde a inauguração, não me causou surpresa alguma, naquela tarde de um ano atrás. Surpreendente foi o desfecho do atendimento, quando ela, desconhecendo essa minha fidelidade comercial, pediu de forma comovente que eu voltasse. “Muito obrigada e volte sempre para eu manter meu emprego”, apelou.
Saí de lá satisfeito com o atendimento, enternecido pelo apelo e encantado pela consciência profissional da Jéssica, cujo nome só passei a saber há uma semana, na conversa rápida em mais um atendimento diferenciado. A frentista do Posto GS, aquele do viaduto de acesso ao Amigão e ao Condomínio Terras Alphaville, usa essa retórica comercial e é atenta às necessidades momentâneas do cliente ou à sua insatisfação num instante imprevisível.
Foi como naquela tarde de horário de pico em que parei o meu decano na bomba e fiquei esperando o atendimento. Depois de mim, chegou outro cliente, e mais outro, e ambos foram atendidos. Mas, quando um terceiro carro estacionou e o frentista caminhou em sua direção, liguei o meu, decidido a abastecer em outro posto.

— Senhor, não vá embora, pois já vou lhe atender! — gritou Jéssica, que atendia na bomba vizinha. De imediato, desliguei a ignição.
Logo, a moça deixou o veículo no abastecimento automático, correu em direção ao meu e fez as perguntas de praxe. Em seguida, inseriu a ponteira no tanque, acionou o gatilho e voltou para concluir o serviço. Ao retornar ao meu atendimento, pediu desculpas e, quando efetuei o pagamento, suplicou com voz terna.
— Senhor, não deixe de vir aqui por isso, não.
Não é à toa que Jéssica foi contratada pela direção do posto há cerca de um ano. Antes, ela trabalhou como garçonete por 11 anos em um conhecido restaurante da cidade. Adivinha quem era seu cliente assíduo? Se pensou no dono do posto, acertou em cheio.
Nos primeiros meses em que a moça me atendia, sempre repetia o apelo enternecedor, o que me fazia refletir que um colaborador desse nível cativa o cliente, ajuda o comércio a crescer e a cidade a se desenvolver. Nas comemorações de seus 162 anos, Campina Grande deve muito a profissionais simples, humildes e conscientes como a frentista Jéssica.










