
Valberto José
Jornalista, habilitado pelo curso de Comunicação Social da Universidade Regional do Nordeste (URNE), hoje UEPB. Colunista esportivo da Gazeta do Sertão e d’A Palavra, passou pelo Diário da Borborema e Jornal da Paraíba; foi comerciante do setor de carnes, fazendo uma pausa de 18 anos no jornalismo.
A data justifica a dose
Publicado em 18 de setembro de 2026Se você gosta de uma boa cachaça e não tomou nenhuma dose no último domingo, está em débito com a data — assim como eu. Afinal, 13 de setembro é o Dia da Cachaça. Mas ainda há tempo; isto é, se o seu desejo aflorar e, data venia, seu médico permitir. Ainda estamos na semana dela, e restam mais uma e meia para o mês terminar. É o mês dela! Que não nos falte saúde e disposição, mas que bebamos com moderação.
Sei que minha disposição depende da liberação médica, então falemos de bares. Preferencialmente de um cuja especialidade é desta saborosidade vinda do engenho. Quem seguia para o Distrito dos Mecânicos pelo bairro Jardim Paulistano, via Rua Getúlio Cavalcante, continuava pelo asfalto à direita e se deparava logo de frente com a Cachaçaria de Agamenon, na Rua José Firmino da Silva.
Quem faz esse itinerário hoje estranha não ver mais o estabelecimento funcionando no local onde esteve por 32 anos. Esse bar realmente foi vendido há uns cinco anos e serviu para a expansão de um supermercado vizinho, mas voltou a funcionar, de forma discreta, na rua de trás, a Gabriel Chabo, por “livre pressão” de sua fiel clientela. Um deles se empenhou tanto que até arranjou o ponto.
Além da cachaça especial que oferece, o bate-papo muito agradável de Agamenon nos cativa, especialmente quando o assunto é a bebida especializada da casa. Nunca vi um dono de bar entender tanto de cachaça, das marcas, quanto ele. Se você quiser saber a diferença entre Matuta e Triunfo, por exemplo, ele tem a resposta na ponta da língua.
Agamenon sempre tem algo sobre o aperitivo a nos dizer. A última que ele me revelou é que não existe cachaça mais forte do que outra, como os apreciadores sentem. Há, sim, o teor da acidez mais alto, o que faz com que ela desça queimando. “Nunca colocaram a acidez no rótulo”, retruquei. “Só falta isso”, concordou.
O novo endereço da Cachaçaria Agamenon é mais discreto, mais escondido. E bem aconchegante. Tanto que já nos abraça na rua. É que seus portões se abrem para a calçada, como a simbolizar o aconchego do dono para com seus clientes.
O funcionamento no local, no entanto, está com os dias contados: abrirá apenas até o final do mês. Tempo, sim, de comemorar o Dia da Cachaça, para quem não o fez. Mas reabrirá em novo local — no final da Rua Edésio Silva, no Jardim Paulistano — sob a denominação Espetinho do Agá, a liderança de sua filha e a supervisão paterna.
