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EM TEMPO: JOÃO AZEVEDO NÃO É CANDIDATO A REELEIÇÃO

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Quando o ex-presidente FHC instituiu o processo da reeleição, estava consciente da formatação de um protótipo plebiscitário. Após os quatro anos do seu primeiro mandato o país estava confiante, seguro e otimista com sua gestão, que havia extirpado o cancro da hiperinflação.

Realizou dezenas de pesquisas e seus índices de aprovação oscilavam em torno de 70%. Simulações realizadas – cenários distintos – sem o seu nome, chapas encabeçadas por outras lideranças nacionais, os candidatos patinavam entre 15% e 20%. Com seu apoio, apenas o seu padrinho político Itamar Franco, criador do Real, atingia 40%.

O governador João Azevedo foi eleito em 2018 no primeiro turno. Quando disputou a reeleição (plebiscito) em 2022, o povo julgou sua administração. Venceu com dificuldades, aos 45 minutos do segundo tempo. Para sua sorte, todas as suas realizações ainda tinham as digitais do ex-governador Ricardo Coutinho. No primeiro turno, João contou com apoio de Cícero Lucena e os redutos de Efraim Filho. O fiel da balança no segundo turno foi o Republicanos, que assegurou a vitória. Cássio no lugar de Pedro não teria sido derrotado. Em 2002, loteou o governo para vencer Roberto Paulino, ficando apenas com a Casa Civil.

Uma pesquisa realizada pelo Instituto Data Ranking – em todo o Estado – postada no último 12/08/2025 no Portal FONTE 83, revela com nitidez um “instantâneo” que mostra o sofrível poder de transferência de votos do governador João Azevedo, com índices que comprometem até o seu próprio projeto em disputar uma das duas vagas para o Senado Federal. Cícero Lucena (prefeito de João Pessoa) lidera com 33,83%, seguido por Efraim Filho, 16,06, Pedro Cunha Lima “colado” com 15,09%, todos bem distantes do vice-governador Lucas Ribeiro, 8,95%, grudado em Adriano Galdino com 7,09%. Efraim e Pedro, juntos, empatam tecnicamente com Cícero Lucena.

Somando-se os números dos pré-candidatos que não receberão o apoio do Palácio da Redenção – dois da oposição, e dois ainda na base do governo – observa-se um raquítico percentual de Lucas Ribeiro e a hercúlea tarefa de suplantar 72,07%, com apenas 8,95% do Palácio da Redenção. A expectativa dos eleitores “Palacianos”, para reverter este quadro, é uma enxurrada de bilhões de reais. Algo semelhante às inundações do Rio Grande do Sul, não com água, mas com grana. João Azevedo dispõe de bilhões em caixa. Hugo Motta, presidindo a Câmara dos Deputados, só atende o governo Lula; Aguinaldo Ribeiro, escolhido para relatar um projeto de 544 bilhões de reais, que lhe faculta cortar Benefícios Fiscais de milhares de empresas, a partir de montadoras de automóveis, como a CAOA.

Infelizmente a história nos mostra que dinheiro é necessário, porém, não decide uma eleição. Orestes Quércia conseguiu se eleger governador de São Paulo, numa campanha inicialmente polarizada entre os gigantes Paulo Maluf, ex-governador (PDS), e Antônio Ermírio de Moraes (PTB). Uma briga entre os grupos Lutfalla/Eucatex, contra Votorantim. Não faltou nada a Maluf nem a Antônio Ermírio de Moraes, exceto a preferência do eleitor. Na última semana de campanha, Maluf contratou a TELESP para disponibilizar ligações “interurbanas” gratuitas, através dos “orelhões”. Todos os nordestinos poderiam ligar para seus parentes, habitantes dos nove Estados da região. Antônio Ermírio de Moraes quebrou a superstição de Roberto Carlos, que até então se recusava a fazer shows em ambientes abertos (auge de sua carreira), e o levou para encerrar seus últimos oito comícios, botando-o inclusive para pedir votos aos seus fãs.

Tempos depois, Quércia em uma longa entrevista na TV Cultura atribuiu sua conquista a Deus, em primeiro lugar, e em seguida a sua resistência. Em diversos momentos o seu partido (MDB) praticamente o obrigou a retirar a postulação. Queriam trocá-lo por outro nome. Pressão exercida por seus dois candidatos ao Senado, Mário Covas e Fernando Henrique Cardoso. A campanha durou seis meses. Só nos últimos 60 dias Quércia conseguiu se aproximar de Maluf. Eduardo Suplicy começou a puxar o voto útil de todas as esquerdas. Mas, ainda estava distante de Antônio Ermírio. Redobrou seus esforços, esqueceu sua casa e andou ininterruptamente até o dia da eleição. Saiu em primeiro lugar, com 5.576.795. Antônio Ermírio obteve 3.675.176 e Maluf 2.668.425. Nesta época, ainda era turno único.

Redação A Palavra

Equipe de jornalismo do A Palavra Online.

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