Mais molecagem do que propostas: debate com Lula expôs o ‘despreparo’ de Flávio para governar
No primeiro debate entre os dois principais candidatos à Presidência da República no pleito de domingo, em segundo turno, capitaneado pela TV Band com um “pool” de veículos de comunicação, ficou evidente, ontem à noite, o ‘despreparo’ do senador Flávio Bolsonaro, o concorrente do PL e herdeiro do ex-presidente Jair Bolsonaro, para governar o país.
As confusas propostas apresentadas pelo representante da extrema-direita demonstraram absoluto desconhecimento sobre problemas e desafios envolvendo a conjuntura nacional, levando-o a apelar para provocações em tom de molecagem contra o antagonista, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), sem se preocupar em responder ao que, de fato, interessava aos telespectadores.
A rigor, essa performance não surpreendeu aos eleitores que acompanham a trajetória errática de Flávio no figurino de candidato, improvisado que foi para a vaga que o pai tinha a ilusão de ocupar e que acabou sendo barrada pela decretação de sua prisão, atualmente em caráter domiciliar.
O histórico do “senador das rachadinhas”, como é conhecido, inclusive, em jargão policial, é de um parlamentar que exerce um mandato inócuo e inútil, sem grandes propostas relevantes para os destinos do Brasil, além de limitado na abordagem fundamentada das questões que desafiam a capacidade de gestão de líderes políticos.
O candidato da extrema-direita não conhece o Brasil, não sabe, por exemplo, as carências de uma região populosa como o semiárido e não tem noção da importância de projetos que Lula executou como o da transposição das águas do rio São Francisco para atender a região do semiárido. O mesmo se dá sobre o potencial de outras regiões, como Sul, Sudeste e Centro-Oeste.
Para fugir desses temas que, conscientemente, sabe que não domina, ele atacou Lula e seu filho, Fábio Luís da Silva, o “Lulinha”, acusando-o de ligações escusas com lobistas que teriam canais de acesso ao governo do pai e líder petista.
Já Lula questionou Flávio repetidas vezes por ter pedido R$ 134 milhões ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro para supostamente bancar a produção de Dark Horse, filme sobre a vida de Jair Bolsonaro.
“O que você fez com esse dinheiro? É só explicar. Onde você colocou esse dinheiro?”, perguntou.
Houve sucessivas acusações de corrupção no debate, o que induziu o presidente Lula a propor que ambos abrissem seus sigilos bancários e telefônicos antes das eleições. Flávio escafedeu-se argumentando pifiamente:
Eu não tenho nada a esconder, Lula, é que o seu dinheiro é por fora sempre, não está na sua conta”. Em outro trecho de suas falas, Flávio Bolsonaro considerou urgente tirar Lula da presidência. “É o melhor jeito de controlar o orçamento”, tentou ironizar.
As diferenças de concepção ficaram patentes em outros assuntos. No campo da Segurança Pública, Flávio prometeu que, se eleito, vai declarar guerra ao narcoterrorismo, classificar facções como organizações terroristas e aumentar o tempo de prisão para os líderes de organizações criminosas.
Ele garantiu que vai recuperar “cada metro” dos territórios ocupados pelo crime organizado, mas não detalhou como. O senador defendeu a castração química de estupradores e a redução da maioridade penal, propondo, também, criar o “Smart Brasil”, inspirado no programa “Smart Sampa”, da Prefeitura de São Paulo, com instalação de câmeras nas ruas para identificar criminosos.
Lula, por sua vez, defendeu a aprovação da PEC da Segurança no Congresso e a criação do Ministério da Segurança Pública para que a União possa coordenar ações com os governos estaduais e prefeituras. O presidente também lembrou a aprovação do programa Celular Seguro, que protege os aparelhos em caso de roubo ou furto, e defendeu que jovens precisam de escolas de tempo integral em vez de encarceramento precoce.
Lula resumiu: “Para o trabalhador e para a comunidade, proteção. Para o bandido, prisão. Vai ser assim quando aprovar a PEC da Segurança”.
Flávio propôs estabelecer o “Padrão Einstein” no SUS, hospital que era presidido pelo médico Claudio Lottenberg, anunciado como ministro da Saúde num eventual governo. Apresentou como principal medida a criação de um prontuário eletrônico unificado interligado pelo CPF para facilitar o direcionamento correto de pacientes e consultas via telemedicina.
Lula reagiu, lembrando das mais de 700 mil mortes na pandemia de covid-19 no governo de Jair Bolsonaro e do atraso na entrega das vacinas contra a doença.
O candidato do PL fez um mea-culpa sobre o governo do pai, disse que a saúde não foi a área técnica com melhor resultado, mas afirmou que Lula foi imunizado com as vacinas compradas durante a gestão Bolsonaro.
O debate foi considerado um dos piores dos últimos tempos por analistas da mídia sulista, mas pôs a nu o Calcanhar de Aquiles de Flávio Bolsonaro: o despreparo para ser presidente da República.
Fonte: Da Redação (Por Nonato Guedes/Polêmica Paraíba)










