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Coluna · Júnior Gurgel

SEGUNDO TURNO: NADA DE NOVO NO FRONT

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Restando apenas dez dias para o final das eleições presidenciais de 2026, nada de novo aconteceu para alterar significativamente o quadro do primeiro turno, cujo resultado surpreendeu o governo e comprometeu seriamente seu projeto de continuísmo (reeleição). Desde a redemocratização – primeira eleição direta para Presidente da República, 1989 – o país não registrou em sua história uma disputa tão renhida com resultados tão inesperados, quanto a atual.

Fazendo uma analogia ao futebol, em 1958 as probabilidades do Brasil vencer a Copa do Mundo estavam aquém de uma desvairada utopia. O Chefe da Delegação da CBD – Confederação Brasileira de Desportos (hoje CBF) – era Paulo Machado de Carvalho. Um advogado e empresário do ramo das comunicações, ligado ao entretenimento, fundador da Record. Sua única experiência com o futebol até então era ser um dos dirigentes do São Paulo Futebol Clube. Após as derrotas de 1950 – perdendo a final do Maracanã para o Uruguai – e sua eliminação na fase de grupos em 1954, o país tinha perdido o seu encanto pelo futebol. Como ninguém se dispôs a chefiar a delegação brasileira, Paulo Machado de Carvalho se propôs a fazer uma festa na Suécia e como “azarão” venceu a nossa primeira Copa do Mundo, ganhando o título de “Marechal da Vitória”. Êxito repetido em 1962.

No sorteio, o Brasil ficou no “grupo da morte”. Seus adversários eram a Áustria, Inglaterra e União Soviética, festejada pela crônica esportiva como a seleção surpresa e provável campeã do torneio. No primeiro embate, o Brasil venceu a Áustria por 3×0. No segundo jogo, empatou com a Inglaterra. O primeiro 0x0 da história da Copa. O terceiro seria a Rússia, que indiscutivelmente nos eliminaria. Paulo Machado de Carvalho ordenou ao técnico Vicente Feola que trocasse toda a linha de frente. Eram jogadores acima dos 30 anos, conhecidos e previsíveis, traumatizados com as derrotas de 1950 e 1954.

Usou a tática do “elemento surpresa”. Estrearam Pelé, Garrincha; Vavá; Zagallo; Didi e na lateral Nílton Santos. Vencemos os russos por 2×0. Nas quartas de finais, 1×0 contra o País de Gales, gol de Pelé, com apenas 17 anos. Semifinais, enfrentamos a França. 5X2, com três gols de Pelé. Na final, enfrentando os anfitriões, Suécia. Repetiu-se os 5×2, com dois gols de Vavá, dois gols de Pelé e o último de Zagallo. O Capitão Belini levantou pela primeira vez a Jules Rimet.

Voltando a política, para Lula o tempo não passou. Seu adversário direto, Flávio Bolsonaro, é mais novo 40 anos. O PT está preso a um passado analógico e ignorou o avanço das novas tecnologias, como a internet e redes sociais. Um time de septuagenários e octogenários para enfrentar uma juventude que domina as novas ferramentas do futuro, como a IA.

A lista dos derrotados é encabeçada por ninguém menos que o bruxo Zé Dirceu. Na sequência, Rui Falcão; Marina Silva; Jorge Viana; Fernando Haddad; Patrus Ananias; o Clã Calheiros em Alagoas; o Clã Arraes em Pernambuco; Os Barbalhos no Pará; Benedita da Silva (RJ) ao lado de Eduardo Paes; Gleisi Hoffmann; Randolphe Rodrigues; o Clã Sarney, que deu um abraço de afogado no grupo do ministro Flávio Dino e todos perderam. Senador Weverton (Weverton); Erika KoKay; Paulo Pimenta; Tiririca; Contarato; Manuela d’Ávila; as novatas da sigla, Soraia Thronicke; Simone Tebet; Eliziane Gama e uma dezena de outros caciques da legenda em todo o país. Se Lula perdeu o primeiro turno com este “esquadrão de ouro”, como vencerá o segundo?

Flávio Bolsonaro iniciou sua campanha enfrentando seis máquinas: Palácio do Planalto; Presidência do Senado; Presidência da Câmara dos Deputados; STF e maioria do TSE e a mídia profissional militante. Lula apostava vencer no primeiro turno. Mas, chegou atrás e com suspeitas de manipulação nas urnas eletrônicas, segundo denúncia do deputado federal Príncipe Phelipe de Orleans e Bragança, que insiste em afirmar: Flávio Bolsonaro venceu a eleição no primeiro turno.

Cita seu Estado, São Paulo, como exemplo. O PL elegeu dois senadores com mais de 11 milhões de votos. Tarcísio de Freitas abocanhou 14.491.874. Fernando Haddad 8.423.656. Se o voto de Flávio era “casado” com o de Tarcísio, por que só apareceu nas urnas 12.972.023? Uma diferença a menos de 1.569.851. O mais intrigante – para o deputado – foi a diferença entre Lula e Fernando Haddad. Lula, segundo o TSE, obteve em SP 9.505.413. Fernando Haddad que puxava seus votos, ficou atrás (?) com 8.426.565. Lula superou Haddad com 978.848. Quanto a Bahia, a roleta é viciada. As chances da direita vencer são as mesmas de um apostador quebrar o “Tigrinho”.

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Júnior Gurgel

Colunista do A Palavra Online.

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