O DECLÍNIO CUNHA LIMA (Por Bastos Farias)
O jornalista Bastos Farias, um dos mais gabaritados repórteres políticos com atuação no jornalismo campinense, onde edita o portal “‘Da Paraíba” e integra programa noticioso diário na Rádio Pop, antiga Cariri FM, analisou ontem com bastante propriedade o que classificou como “O declínio Cunha Lima”.
Diz ele que um “reino dividido não prospera”, por ser bíblico.
– “A desunião traz destruição. Seja em um reino, em uma cidade ou em uma família (casa). A falta de harmonia e os conflitos internos impedem que o grupo permaneça de pé ou prospere…”, avalia o repórter e prossegue:
– “Não precisa desenhar. O declínio do grupo Cunha Lima começou a acontecer com a derrota do ex-senador Cássio Cunha Lima nas eleições de 2018, quando CCL abandonou a vida pública depois de aparecer nas pesquisas como reeleito para o Senado em primeiro lugar e terminar em quarto lugar, perdendo a disputa para Veneziano Vital do Rêgo e Daniella Ribeiro.
Perdia o clã a sua principal liderança, após a morte do ex-governador Ronaldo Cunha Lima (seu pai). Desiludido, Cássio se afastou da política e deixou o grupo igualmente órfão.
Tentaram um novo Ronaldo ou um novo Cássio. Mas Pedro Cunha Lima, o escolhido, não demonstrou aptidão, apesar de ter sido eleito duas vezes deputado federal e ter “batido na trave” como candidato a governador.
E os sinais de enfraquecimento ficaram ainda mais evidentes na eleição municipal passada: candidato a vereador em Campina Grande, Ronaldo Cunha Lima Neto, herdeiro de Ronaldo e Glória Cunha Lima, não conseguiu se eleger. O neto do poeta não passou de 3.001 votos!
Nestas eleições de 2026, o sinal mais evidente da derrocada foi a divisão familiar. O prefeito Bruno Cunha Lima (UB) optou pelo apoio a Efraim Morais (PL) para o Governo do Estado, em detrimento da posição de Cássio, Pedro e Diogo Cunha Lima, que marcharam com Cícero Lucena (MDB), inclusive, sendo Diogo candidato a vice.
Estava feito o estrago. Ontem, a Paraíba acompanhou o grupo descer mais um degrau: além do insucesso de Diogo com Cícero, Romero Rodrigues (Podemos) não foi reeleito deputado federal; enquanto Tovar Correia Lima perdeu feio na disputa à Assembleia Legislativa.
Romero, a exemplo de Tovar, não é Cunha Lima. Mas é primo de Glória Cunha Lima pelo sangue Rodrigues, família oriunda do distrito de Galante.
Tovar também tem estreitas ligações: é casado com uma filha do ex-conselheiro do Tribunal de Contas do Estado (TCE), Fernando Catão, irmão de Dona Glória e tio de Cássio Cunha Lima.
Das perdas, a de Tovar foi sem dúvidas a mais sentida pelos, digamos influentes (mesmo que distantes) do clã. E deve dar o que falar!
Aguardemos…”
A crônica de Bastos analisando os resultados do pleito de domingo é recheada de notinhas, que me permito aqui republicar:
BOMBARDEADO – A candidatura de Romero Rodrigues (Podemos) foi verdadeiramente impactada negativamente por aliados, que saíram candidatos e contribuíram de forma decisiva para o insucesso do deputado, que lutava pela reeleição.
PONTA DO LÁPIS – Ao contrário de Nelson Gomes (Podemos, com 3.874 votos, que somou para o partido, outras candidaturas prejudicaram: Gerana Gouveia (PL) com 3.173, Alexandre do Sindicato (PL) com 4.185, Carol Gomes (PL) com 7.037, Nágila Santana (PL) com 774 e Tia Mila (PL) com – 562.
PONTA DO LÁPIS II – Romero ficou de fora da Câmara por conta de 6.440 votos. Ruy Carneiro, do seu partido, foi o único deputado federal eleito, tendo obtido 102.885 votos, contra 96.446 de Romero.
PONTA DO LÁPIS III – Somados os votos dos aliados, o número é de 15.731. A metade teria levado Romero de volta à Câmara Federal. Sem falar na votação dos candidatos de fora que foram apoiados na cidade.
DECEPÇÃO – Cícero Lucena (MDB) teve uma votação pífia em Campina Grande. Não chegou a 10 mil votos, apesar do seu vice ser da cidade, o empresário Diogo Cunha Lima.
MUITO ESTRANHO – A grande maioria dos institutos de pesquisa apresentava o médico Jhony Bezerra (PSD) com grande votação e com amplas chances de edição. Quando o resultado das urnas foi divulgado, a decepção: somou pouco mais de 30 mil sufrágios.
CORPO MOLE? – O que teria acontecido com os votos de Nabor Wanderley (REP) em Campina Grande? Ficou em quinto lugar, atrás até mesmo de Marcelo Queiroga (PL) e Major Fábio (PL)…
CORPO MOLE? II – Comoo explicar este cenário, levando em consideração que Nabor anunciou o apoio de 17 vereadores, além de suplentes de vereador, ex-vereadores e lideranças comunitárias? Será que este pessoal realmente “gastou sola de sapato” e “suou a camisa”?
ARRANHÕES – Veneziano Vital e Cícero Lucena saíram “arranhados” da campanha, a exemplo de Romero Rodrigues/Ruy Carneiro e Tovar Correia Lima/Bruno Cunha Lima.
RESCALDO – Olhos para Campina Grande…











