Marcos Marinho

Jornalista, radialista, fundador do ‘Jornal da Paraíba’, ‘Gazeta do Sertão’ e ‘A Palavra’, exerceu a profissão em São Paulo e Brasília; Na Câmara Federal Chefiou o Gabinete de Raymundo Asfóra e em Campina Grande já exerceu o mandato de Vereador.

NO “COMÍCIO” DE ADRIANO

Publicado em 16 de setembro de 2026

A convite de Adriano Galdino e seu mano Federal Murilo, via Valéria Aragão, encarregada pela espetacular organização do evento, participei ontem à noite no gigante Salão Flor de Lys, bairro Santa Rosa aqui em Campina Grande, daquilo que a gente já pode entender como a versão moderna do velho e saudoso comício de meio de rua, alegria de eleitores de periferia nas memoráveis campanhas de outrora, onde a oratória épica de Argemiro de Figueiredo, Félix Araújo, Plinio Lemos, Raymundo Asfóra, Antonio Vital do Rego e outros tantos luminares, dava ao eleitor a sensação de que a cada eleição a escolha de um candidato para se votar se tornava cada vez mais fácil.

Senti saudades do bafo de cachaça das dezenas de paupérrimos cidadãos, que gastavam seus suados trocadinhos com a “papuda” no bar da esquina para aliviar o frio da noite e soltar palavrões em direção a “oradores” que escorregavam no que queriam dizer…

Mas, lá no perfumado Flor de Lys com seu salão climatizado e vigiado por batalhões de fortes seguranças, garrafinhas de água mineral geladas à disposição de todos, e o som eletrônico em alto volume ajudando os jovens a se mexer, deu pra ver – saudar e sentir – que os tempos agora de fato são outros.

Comício já era, isso é realidade, mas se dele nem o palanque (ou a carroceria de um velho Scania) restou, saudemos a permanência dos discursos, que é ainda o que salva nas campanhas do momento.

Ontem, por exemplo, quem salvou a noite nesse item foi Adriano Galdino, que ao abrir a boca sabe expressar de verdade o que o povo quer ouvir. Sem demagogia, sem palavreado rebuscado, sem trejeitos (dancinhas e que tais) decentes e nem os maledicentes tão em voga, e muito menos promessas enganosas que hoje infestam a pauta da maioria dos candidatos.

O discurso dele, ao estilo curto e grosso, proferido logo depois da “fala” da bela Primeira Dama do Estado, Camila Mariz, que no evento foi escalada para fazer as vezes do marido que cumpria agenda em João Pessoa, foi sim o ápice da festa.

Eu sei que um bom discurso precisa de uma estrutura clara (início, meio e fim), uma mensagem central bem definida e uma conexão forte com o público.

E foi exatamente isso que todos assistimos na vez de Adriano. Ele não fez perguntas provocativas, não baixou ao nível de ter que insultar adversários, e ao agradecer a presença daquela multidão que lá o aplaudia nem foi longo, morno ou meloso; ao contrário, parecia mais abraçar a plateia do que simplesmente dizer “muito obrigado”.

Na hora de marcar terreno, “vendeu” seu peixe como produto realmente de primeira, que na verdade era o que tinha em mãos: dois candidatos a Senador com longa folha de bons serviços prestados ao Estado, um irmão deputado federal sedento por continuar ajudando o Brasil a melhor se desenvolver, um candidato a governador jovem mas já amalgamado no labor proativo de uma pauta vitoriosa com mais de quatro anos de dedicação, e um Presidente da República que igual a ele conhece o sabor de um prato de cuscuz com tripa de porco e mocotó de boi.

Se pediu votos para renovar seu mandato, nem lembro se ouvi… Mas isso, no caso de Adriano, é desnecessário. Suas ações, seus gestos, sua colaboração indormida em prol do crescimento sustentável do solo Pátrio e a mão amiga sempre espalmada para sempre fazer o bem falam por ele.

NÃO ESTRAGUEM A PRIMEIRA DAMA!

Hoje, ainda embalado pela plenária de Valéria Aragão e Adriano Galdino atrevo-me a fazer um parenteses necessário, talvez como se estivesse a falar com Petra, Virgilia, Camila ou Amanda, as herdeiras filhotas mulheres aqui de casa.

Meu leitor aqui desse espaço bem deve recordar quando fiz uma crônica (A dama orfã que a Paraíba começa a aplaudir – A Palavra Online) sobre a história da nossa especialíssima Primeira Dama, Camila Mariz. Fui o primeiro jornalista do Estado a revelar para o grande público as marcas do seu drama pessoal de criancinha órfã de mãe aos 10 anos de vida. Criada e educada pela avó, Camila graduou-se em Direito, superou as dificuldades que o destino lhe impôs e hoje, mãe de dois lindos filhos, dividindo o Lar com Lucas Ribeiro e ao lado dele compartilhando o administrar desse Estado, não precisa ser estragada pelo lado ruim dessa “coisa” apelidada mundo da política partidária.

É muito cruel, nesses tempos de emendas parlamentares aviltadas e surrupiadas pela volúpia de detentores de mandato, de Supremo Tribunal Federal manter-se desmoralizado perante a Nação, de jogatina eletrônica, sem freios, continuar anestesiando a juventude, de repente alguém virar protagonista em uma história que carece de muito mais mãos limpas do que possa imaginar a nossa vã filosofia…

A ‘menina’ de Lucas está nesse meio. E não deve se contaminar!

Minha primeira reação ontem quando a vi entrar no Flor de Lys puxada pelas mãos de Valéria e escoltada por meia dúzia de seguranças, no aturdir do vozeirão do locutor anunciando-a como a maior autoridade do planeta Terra, podem crer que eu me assustei. Ou melhor: tive pena dela, aquele pedacinho de gente com os olhos quase saltando das órbitas, de repente a se ver protagonizando um momento para o qual, eu acredito, nem se preparou e não o esperava.

Empurraram Camila salão à dentro, povo sendo afastado pelo meio para ela poder chegar ao palco e lá, um tanto aturdida por todo aquele embalo, fazer o que a agenda lhe exigia: discursar!!!

Por mais querida que ela agora já seja, por mais interesse que o seu minúsculo (mignon) físico possa vir a despertar nos eleitores, ainda está bastante verde para dar conta da “missão” que querem lhe empurrar goela a dentro. E ela até que muito se esforçou para dizer àquele grande público, em iluminado improviso, que seu bom marido é o “tampa de Crush” do momento, a “bola da vez” da administração pública estadual sem a qual nada irá prosperar. Começou pelo problema do Hospital da CLIPSI que Lucas resolveu, avançou pela construção do Hospital da Mulher que está em fase de conclusão lá perto do Trauma e bordou o quadro com as melhores tintas que seu jovem coração poderia obrar naquele instante.

Me permito entender que esse não é o papel de uma Primeira Dama, mas o mundo continua a surpreender também a esse semi-ancião septuagenário.
Alcancei Glauce Burity no seu “reinado” quando o marido a indicou Chefe do escritório da LBA e ela deu conta…

Vi Dona Antonieta sempre ao lado de Ernany Sátyro ajudando-o nas noites difíceis da Granja Santana a preparar suas duplas dosezinhas de uísque e, nesses momentos, também enveredar pela administração e ajudar o marido com sábios femininos aconselhamentos, que fatalmente disporiam para melhor os atos que o Diário Oficial viriam adiante publicar…

Fátima Bezerra, a mais lorde das Primeiras Damas que já circulou no Poder estadual, praticamente governou a Paraíba em perfeita sociedade com José Maranhão, que a consultava, ouvia a sua opinião e a atendia…

Lúcia Braga não deixava Wilson dar um passo sem que antes a ouvisse. O marido deu-lhe a área crítica da ação social (FAC e outros órgãos) para ver ela mais abrir o coração e se aproximar dos mais necessitados, o que o fez com invulgar competência que por muito pouco não veio a se tornar a própria titular do mandato de Chefe do Estado, trabalho aliás que a credenciou a ser deputada federal e lá em Brasília fazer ainda mais pelo nosso torrão.

Glorinha Cunha Lima foi outro marcante exemplo de Primeira Dama que ganhou luz própria sem a necessidade de fazer discurso em palanques eleitorais… Seu projeto de apoio e fortalecimento das creches foi excepcional em todos os municípios paraibanos.

E Silvia Almeida, até o maldito dia em que descobriu que o marido pulava a cerca de casa, dava show na gestão da política do artesanato estadual, que hoje é uma das mais exemplares recferencias internacionais da genialidade da nossa gente.

Não quero com isso expor algum desejo de limitar o trabalho de Dona Camila Mariz, mesmo porque o seu nível cultural e de inteligência são merecedores de elogios e de ganhar oportunidades para realçá-lo ainda mais.

Mas ela pode mesmo se altear com missões voluntárias, assim como aqui em Campina Grande, tempos atrás, aconteceu com outra exemplar Primeira Dama (municipal), minha amiga Aninha (Ana Claudia Vital) que ao lado da sogra Ozanilda Gondim formou a dupla de voluntárias mais operosa que a prefeitura municipal já conheceu até hoje, graças à quaI a rejeição ao nome de Veneziano não se tornou mais gritante depois que expirou seu tempo como gestor municipal.

Espero que não me leve a mal a dupla de jovens que manda hoje na Paraíba, mas essa é a minha melhor colaboração ao futuro brilhante que pode aos dois estar reservado na vida pública estadual.

E repito: por favor, deixem os discursos por enquanto com os candidatos e, por favor mesmo, não estraguem Camila Mariz!