Marcos Marinho

Jornalista, radialista, fundador do ‘Jornal da Paraíba’, ‘Gazeta do Sertão’ e ‘A Palavra’, exerceu a profissão em São Paulo e Brasília; Na Câmara Federal Chefiou o Gabinete de Raymundo Asfóra e em Campina Grande já exerceu o mandato de Vereador.

Nosso JP velho (e novo) de guerra…

Publicado em 8 de setembro de 2026

Os dias que antecederam à fundação propriamente dita do Jornal da Paraíba, que se deu em 05 de setembro de 1971, foram especialmente para mim, um jovem de apenas mal completados 18 anos de idade, bastante marcantes. Primeiro, porque da profissão eu nada conhecia, a não ser o fato de ter o irmão mais velho, Ismael, como um dos luminares do jornalismo daquela época, e segundo porque passei a beber do néctar de geniais profissionais como Nilo Tavares, o próprio Ismael Marinho, José Levino, William Tejo e Josusmá Viana, dentre outros, já aí selando meu nome para o futuro de brilho que veio a acontecer para nós dois: eu e o jornal que estava em gestação.

Fundada a empresa “Editora Jornal da Paraíba Ltda.”, seus 12 sócios titulares (Raimundo Lira, Josusmá Coelho Viana, Julio Costa, Mauricio Almeida, José Carlos da Silva Júnior, Luiz Motta Filho, Ademar da Costa Santos, João Batista Dantas, Humberto César de Almeida, Otto Muniz, Artur Monteiro e João Rique Ferreira) alugaram o térreo do prédio que Lamir Motta & irmãos estavam construindo no começo da rua João Suassuna (ainda hoje inconcluso), praticamente vizinho à agência do Banco do Nordeste do Brasil (BNB), e ali começamos a difícil caminhada.

A Josusmá foi dada a incumbência de gerenciar a empresa e, nessa condição, adquirir os equipamentos necessários a fazer o jornal funcionar, bem como recrutar a equipe que o levaria às bancas de todo o Estado, tarefa que ele se desincumbiu com maestria e muito zelo. Em Mossoró, sabedor de que o jornal de lá fechara as portas, comprou quatro linotipos, uma impressora manual e as caixetas alfabéticas de produção tipológica. Caixetas e linotipos chegaram a Campina Grande primeiro; a impressora veio três dias depois. E enquanto técnicos especializados faziam a montagem das linotipos, nós repórteres e redatores, capitaneados por Nilo Tavares, sentados no chão de mosaico do prédio fomos separar as letras e deixá-las na ordem, em suas caixetas, para que Chico dos Carimbos, que se incorporara à equipe gráfica, ter seu labor facilitado e exercê-lo com a necessária rapidez que um veículo diário exigia.

Parte dessa comprida e interessante história eu contei sexta passada (dia 05) a Lenildo Ferreira e seus companheiros – ouvintes também – do jornalismo brilhante da Campina FM, a emissora que meu saudoso primo Hilton Motta fundou em Campina Grande, a presenteando como a primeira emissora a transmitir sua programação na modernidade do sistema de Frequência Modulada (FM) e som estereofonico. Atendendo à convocação da Chancelar Ida Steinmuller e do nosso presidente Vanderley de Brito, creio que me desincumbi a contento da pauta do quadro com o qual o Instituto Histórico de Campina Grande (IHCG), sob magistral comando deles, e do qual tenho o orgulho de ser Membro Efetivo, a cada primeira sexta feira de cada mês reaviva a memória campinense.

O Jornal da Paraíba continua vivo no modo on line e enobrece Campina Grande e seu bravo povo. Entrou em idade provecta, mas seus informes e comentários continuam jovens e atuais, prestando excelente serviço a todo esse Estado que lhe emprestou o nome.

“SUMIRAM” COM LUIZITO MOTTA E OTTO MUNIZ

Aproveitando a passagem dos 55 anos do Jornal da Paraíba, recorri ao Googlle para ver se “combinávamos” na memória, uma vez que o danado do alemão (ou austríaco) Alzheimer (nada a ver com a família da querida Ida) que tanto estrago já causou a familiares meus e agora já corre feito Papa Léguas ao meu encalço para deletar tudo o que consegui aprender e guardar nos escaninhos cerebrais, acabei por descobrir que baixaram, sabe-se lá quem e por quais motivos, da lista de 12 fundadores do JP, os ilustres nomes de Luiz Motta Filho e Otto Muniz.

O Google diz com toda a sua inteligência (artificial ???) que foram tão somente 10 os homens que tiveram a iluminada ideia de botar o JP nas bancas: Julio Costa, Mauricio Almeida, Ademar Borges da Costa Santos, João Batista Dantas, Humberto César de Almeida, Josusmá Coelho Viana, José Carlos da Silva Júnior, João Rique Ferreira, Artur Monteiro e Raimundo Lira.

Dos 12, apenas vivo está Otto Muniz, mas não sei como anda a memória dele, para poderemos desmentir o “doutor” Google. E também vou ligar para Lula Motta, primogênito de Luizito que é diretor geral da Assembleia Legislativa do Estado, para ver se ele me diz também alguma coisa, porque seu pai chegou a dirigir o jornal por um bom tempo antes de Zé Carlos adquirir todas as cotas e assumir o controle total da empresa.