Valberto José

Jornalista, habilitado pelo curso de Comunicação Social da Universidade Regional do Nordeste (URNE), hoje UEPB. Colunista esportivo da Gazeta do Sertão e d’A Palavra, passou pelo Diário da Borborema e Jornal da Paraíba; foi comerciante do setor de carnes, fazendo uma pausa de 18 anos no jornalismo.

Visual do Gigantão da Prata está um ouro

Publicado em 6 de fevereiro de 2026

O ano de 1976 não significou, para mim, apenas a conquista da sonhada maioridade; marcou o renascimento de um menino feliz entrando na sua fase adulta, readquirindo o sorriso perdido na adolescência com a mudança repentina de cidade. A aprovação no teste seletivo do Colégio Estadual Elpídio de Almeida possibilitou o meu retorno a Campina Grande antes dos 18 anos e abriu espaço para outras conquistas.
Foi o que me trouxe à memória a reportagem sobre matrícula escolar da rede estadual de ensino, exibida ao vivo no JPB2 da TV Paraíba, tendo como cenário o Gigantão da Prata. Desconfio que a gravação no local tenha sido estratégica por mostrar a reforma realizada em sua linda arquitetura colonial e que nos remete ao estilo eclesiástico.

A pintura moderna, com detalhes circulantes em cores contrastantes e tons harmônicos emoldurando portas e janelas, realçou ainda mais o conjunto arquitetônico do colégio e muito me encantou na visão televisiva. Tanto encanto, que não resisti e enviei as imagens a parentes e amigos que moram fora e passaram nas suas carteiras escolares. Todos vibraram, alguns se emocionaram.

Num instante me vi no taxi, acompanhada da tia Rita, saindo do bairro da Palmeira para efetivar minha matrícula, pedindo parada uma rua antes da escola com receio de que o dinheiro que levava não desse para pagar a corrida. Pura imaturidade de um jovem saindo da adolescência já acostumado às dificuldades da vida.

Vi-me também com a farda cáqui fechado – calça e camisa, faltando o boné na visualidade militar – que parecia transformar o estilo eclesiástico do prédio em quartel da PM. Reencontrei-me acessando o ônibus de Luiz Leal em frente aos Correios, optando pelo de motor atrás para colocar em cima a mochila com cadernos e livros nas cores rubro-negras e, junto a mais três colegas, agitar a viagem como se fosse nas arquibancadas do “Amigão”.

Além de me encantarem, as imagens da fachada do Gigantão da Prata com os detalhes na pintura, me despertaram para a realidade do avanço do tempo. Está fazendo meio século dessa reviravolta na minha vida. O retorno à cidade natal, a continuação dos estudos e a entrada no mercado de trabalho. Parodiando aquele antigo jingle bancário, o tempo passa, o tempo voa e a minha vida continua numa boa. Nem tanto, mas estou feliz.