
Júnior Gurgel
Jornalista político, memorialista e Ghost writer. Ex- diretor de Jornais e Emissoras de Rádio na Paraíba, com atuações no Radiojornalismo.
VEXAME NO ESVAZIADO ENCONTRO DO BRICS
Publicado em 8 de julho de 2025O desacerto recorrente do antiamericanismo protagonizado (politicamente) pelo conselheiro do presidente Lula, Celso Amorim, para quem o tempo não passou e ainda vivemos em plena guerra fria onde a extinta União Soviética era uma superpotência comunista que desmoronou com a queda do muro de Berlim, tem levado Lula e o Brasil a tumultuar a diplomacia internacional. O Brasil passa vexames, tropeça e comete equívocos inoportunos, levando-nos a perder uma posição centenária de equilíbrio e respeito nas relações internacionais. A velha e boa diplomacia brasileira – antes do globalismo ideológico – foi responsável pelo ingresso da China na Organização Mundial do Comércio (OMC) em 2001, após ser barrado por onze anos. Seu ingresso suspendeu todas as restrições a seus produtos, na Europa e Estados Unidos, mesmo com protestos da Alemanha, França e Reino Unido.
Os chineses não respeitam a propriedade intelectual, se recusam a pagar royaltys e ignoram patentes. Copiam tudo e de todos. Baratearam produtos e achataram salários nos países desenvolvidos, fechando grandes plantas fabris, instaladas no bloco do G-7. Porém, o avanço da China – atualmente principal parceiro comercial de 127 países – ocorreu quando o brasileiro Roberto Azevêdo foi eleito Presidente da OMC em 2013. Foi o único a ser reconduzido por aclamação, para um segundo mandato. Ficou à frente do órgão até 2020, renunciando no último ano de sua gestão após o esvaziamento da instituição, iniciada no governo Donald Trump (2017) e mantida por Joe Biden. Roberto Azevedo promoveu o “Encontro de Fortaleza” em 2014, ocasião que fundaram o NBD, Novo Banco de Desenvolvimento (dentro do BRICS), para competir com o FMI. Os chineses começaram a Investir em países da África Subsaariana, Sudeste Asiático, Extremo Oriente e Oriente Médio.
A Chinas tornou-se a segunda maior economia do planeta.
Lula confundiu um incipiente bloco de negócios com uma plataforma globalista de esquerda e antiamericana. Não atentou para as abissais divergências de costumes, religião e cultura entre as nações que se fizeram presentes ao último encontro, ou cúpula. Dos onze países reunidos, apenas dois têm um regime de governo democrático: Brasil e Índia. Os demais são autocracias e tem até uma Teocracia (Irã). Os dois principais líderes do bloco original, China e Rússia (Vladimir Putin e Xi-Jinping), enviaram representantes. Putin é condenado pelo Tribunal Penal Internacional por crime contra a humanidade. Temeu ser preso. Xi-Jinping, sabendo que seria usado, e evitando aprofundar a crise com os Estados Unidos, esquivou-se. Lula em seu discurso afirmou que a “desdolarização é um caminho sem volta”. Pregou pagamentos em moedas próprias (?). Criticou as tarifas de Donald Trump, ameaçando-o de retaliação. Enlouqueceu?
No final deste encontro dos sócios do BRICS no Rio de Janeiro – talvez tenha sido o último – encerrado ontem (07/07/2025), foi produzido um documento com 130 páginas, que não liga nada a coisa nenhuma. Um adágio milenar determinante profetizava: “todos os caminhos levam a Roma”, centro do mundo por mais de 1.500 anos. O BRICS é um Banco de investimentos criado em 2001, por Jim O’Neil, então economista chefe de projetos da Goldman Sachs, um dos maiores bancos de investimentos do planeta, fundado em 1869, pertencente a uma família judaica Ashkenazi.
“Building Better Global Economic BRICs”. Seu principal objetivo era se tornar uma opção ou alternativa ao FMI e ao Banco Mundial, oferecendo assistência e análises econômico-financeiras, empresariais, acadêmicas e de comunicação aos países em desenvolvimento.
Quando foi que a Goldman Sachs deixou de ser a “eminência parda” do BRICS? Tudo termina em dólares, e nos Estados Unidos, a nova Roma, desde o final da II Guerra Mundial. Brasil, Rússia; Índia; China; África do Sul; Egito; Emirados Árabes Unidos; Etiópia; Irã e Indonésia. Um verdadeiro “saco de gatos”. Juntarem-se ateus, hindus; xiitas, sunitas; cristão romanos e ortodoxos, para formarem uma nova ordem política/econômica universal? É algo totalmente impossível. A Argentina, que no governo anterior andou procurando uma vaga, após Javier Milei assumir a presidência desistiu. O mesmo fez a Arábia Saudita, com a adesão do Irã. Existe uma lista com 14 novos candidatos, dentre os quais Cuba, Venezuela, Uganda… Todos na busca de investimentos em “dólares” da China. Não aceitam o Yuan, ou o Renminbi (moedas chinesas).
