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Um pote de história

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O vaso de flores em cima embeleza o pote que saciou a minha sede de curiosidade. Vaso e pote formam um conjunto de contraste, em recanto da sala de jantar da modesta casa de duas primas de minha mãe, na tentativa útil de harmonizar o passado e o presente, o antigo e o moderno. As flores ornam o ambiente, mas devem ser oferecidas a elas, por preservarem essa antiguidade familiar que armazena os primórdios da memória política campinense.

Ainda criança, conheci o pote de barro que esfriava a água que dessedentava a sede de quem morava na casa de Valdemar Araújo, tio de mãe. A mudança familiar para o Sertão, aos 12 anos, contribuiu, por mais memória afetiva que tivesse, para que eu só voltasse ao sítio de Bolar, como todos os parentes o chamavam, depois de adulto. E poucas vezes, por causa do trabalho. Numa dessas, vi que a casa era outra e mudou de lugar; o pote, não. Mantinha-se intacto.

Recordo que antes da pandemia estive lá, e o verniz desgastado do pote atiçou minha curiosidade. “Eita, o pote de Bolar ainda existe!”, comentei. Logo, Vivi, uma das primas maternas, contou a história da herança preservada. Após o processo epidêmico, estive umas duas vezes lá e não me atentei sobre esse vaso antigo

Recentemente, em pouco mais de um mês, voltei ao Estreito duas vezes por causa da saúde de Vivi, que inspira cuidados. A última, no feriado de quinta-feira, com dona Cleonice, que chegara um dia antes de mais uma viagem por Santa Catarina e São Paulo. Voltei a indagar sobre o pote, e Carminha, a outra prima, recordou toda história contada antes pela irmã.

Nunca havia me atentado sobre a minha árvore genealógica. Pouco sei em relação ao Araújo e ao Almeida, que sobrenomeiam meu nome. A história do pote me fez pesquisar sobre o Araújo e, pelo menos, tomei conhecimento de sua origem espanhola; o Almeida paterno, já sabia, é da região de Boa Vista.

Bolar, o tio de minha mãe, herdou o pote de Antônio Chagas de Araújo, pai de minha avó Maria Araújo, a quem eu chamava de Mãe Sinhá e que viveu 100 anos. O recipiente barroso fora um legado material de Francisco Camilo de Araújo ao sobrinho Antônio Chagas, o meu bisavô materno.

Francisco Camilo, sim, aquele… O primeiro prefeito de Campina Grande, que governou a cidade de 2 de março de 1895 a 7 de janeiro de 1901, e nomeia rua no bairro do Catolé.

Redação A Palavra

Equipe de jornalismo do A Palavra Online.

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