Júnior Gurgel

Jornalista político, memorialista e Ghost Wharit. Ex- diretor de Jornais e Emissoras de Rádio na Paraíba, com atuações no Radiojornalismo.

UM GOLPE DE SORTE 

Publicado em 26 de janeiro de 2023

Não é a primeira vez que Lula acusa o ex-presidente Michel Temer de golpista. Vez por outra, ele distorce a história e tenta reescrever ao seu modo, dentro de um contexto ideológico, se vitimizando por crimes de sua autoria, praticados ao longo dos 14 anos que o PT esteve à frente dos destinos do Brasil. Em sua primeira viagem ao exterior, Lula tem se referido mais ao ex-presidente Bolsonaro que ao seu projeto de governo, se é que existe. Não satisfeito, e olhando no retrovisor, ataca agora Michel Temer.

A ex-presidente Dilma Rousseff foi impedida de continuar no comando do Executivo quando perdeu a capacidade de diálogo com o Congresso – pressionado pelo povo – que começou a exigir mudanças na política econômica, para conter o avanço da recessão instalada logo após sua reeleição em 2014. Em apenas dois anos o PIB encolheu 6%. O desemprego alcançou 14 milhões de brasileiros, e o crédito desapareceu. O número de falência de empresas alcançou patamares recordes.

É injustificável uma Nação com uma população de 210 milhões de habitantes, riquíssima em recursos minerais, tendo em seu território a maior floresta tropical do planeta e sua imensurável biodiversidade – enorme potencial ainda desconhecido pela pesquisa cientifica – entrar em recessão, quando todo o mundo estava em plena expansão com PIB crescendo 3% ao ano. No Brasil não ocorreu guerras, pandemias ou grandes catástrofes como furacões, terremotos, tsunamis…

A tragédia era a má gestão e incompetência, ancorada numa corrupção sistêmica inimaginável até hoje, pois a Lava-Jato se limitou apenas a desvendar parte do rombo da Petrobras, sem ter se aprofundado nos bancos estatais, fundos de Pensões; Eletrobras; trinta e oito Ministérios; além de mais 230 outras empresas públicas. O País estava em “estado de coma”, praticamente irreversível. Se não tivesse ocorrido o impeachment da Presidenta, hoje – comparando ao que vive os argentinos – o paraíso seria lá.

Justiça seja feita: o ex-presidente Michel Temer teve a coragem de salvar o País, usando medidas politicamente impopulares. A Reforma Trabalhista, por exemplo, encorajou a volta do empreendedorismo. Surgiram milhões de novas micro e pequenas empresas. O fim do Imposto Sindical poupou o Tesouro Nacional de desembolsar anualmente mais de 6 bilhões de reais, doados ao peleguismo improdutivo e corrupto.

O Brasil tinha mais de 17 mil ONGs e 11.700 Sindicatos. Se somarem todos os Sindicatos do Ocidente, não se consegue chegar próximo ao número existente na era do Brasil petista. Em todo o mundo talvez não exista 17 mil ONGs. A PEC do teto dos gatos, não só gerou confiança, mas, encorajou o mercado. O País assumia compromisso de gastar menos, e criar superavit, para pagar sua dívida interna.

Proibição de concursos e novas contratações no serviço público por dez anos, foi uma medida austera, para reduzir o tamanho anômalo de um Estado obeso, carregado nas costas por “desnutridos” contribuintes. Temer criou a Lei da Governança das Estatais, afugentando os sanguessugas da classe política, que se alojavam lá. A Lei da repatriação de divisas, trazendo de volta para o País centena de bilhões depositados em paraísos fiscais, gerando cerca de 50 bilhões de impostos ao Tesouro Nacional. Concordamos com a resposta do ex-presidente Michel Temer a Lula: sua gestão foi um golpe de sorte para o Brasil. Legado aproveitado por Bolsonaro, que fez o País voltar a crescer.