Emir Gurjão

Pós graduado em Engenharia Nuclear; ex-professor da Universidade Federal de Campina Grande; Secretário de Ciências, Tecnologia e inovação de Campina Grande; ex-secretário adjunto da Representação do Governo da Paraíba, em Campina Grande; ex-conselheiro de Educação do Estado da Paraíba.

Um Editor em Defesa de um Governo- uso de Matemática Viciada para Enganar Leitores

Publicado em 17 de julho de 2025

Na edição de 17 de julho de um jornal online de Campina Grande, utilizou a coluna “Aparte” como trincheira ideológica. O que poderia ser uma análise jornalística sobre gastos públicos foi, na verdade, mais um exercício sutil — e perigoso — de manipulação de números para atacar o presidente da Comissão do Orçamento, deputado Hugo Motta, e, ao mesmo tempo, proteger o governo Lula.

O editor comparou os gastos do Congresso Nacional brasileiro com os dos Estados Unidos de forma aparentemente técnica:

“O Congresso brasileiro consome 0,12% do PIB nacional, enquanto o Congresso dos EUA consome 0,02% do PIB americano.”

A VERDADE POR TRÁS DOS NÚMEROS
O Congresso brasileiro tem um orçamento estimado em R$ 15 bilhões por ano, o que representa cerca de 0,12% do PIB brasileiro, que gira em torno de R$ 12,6 trilhões.

O Congresso dos EUA tem um orçamento de aproximadamente US$ 6,3 bilhões, com um PIB de cerca de US$ 28 trilhões, o que representa 0,022% do PIB.

Aqui está a armadilha:
O editor menciona a diferença percentual (0,12% contra 0,02%), mas ignora que o PIB americano é quase 6 vezes maior que o brasileiro. Ou seja, o valor nominal gasto nos dois países não é diretamente comparável sem levar em conta o contexto da economia, do sistema político e do tamanho das máquinas legislativas.

🎯 A FINALIDADE IDEOLÓGICA
A comparação feita na coluna é uma construção artificial, com aparência de técnica, mas usada para um ataque direcionado a Hugo Motta — um parlamentar em ascensão, que tem pautado temas incômodos ao Executivo — e, ao mesmo tempo, um escudo para o presidente Lula, cujo governo enfrenta cobranças crescentes por gastos e falta de reformas estruturais.

Essa tática é comum onde parte da imprensa deixa de servir ao público para servir ao poder. Quando um editor, dono de jornal e formador de opinião usa a matemática como camuflagem ideológica, ele não informa — ele manipula.

Quando uma autoridade da imprensa joga números soltos — sem contexto, sem proporcionalidade, sem análise crítica — está induzindo o público ao erro de julgamento.

Isso não é jornalismo.
Isso é militância travestida de informação.