Júnior Gurgel

Jornalista político, memorialista e Ghost writer. Ex- diretor de Jornais e Emissoras de Rádio na Paraíba, com atuações no Radiojornalismo.

ÚLTIMO ENCONTRO DE JOÃO AZEVEDO COM ALPB REGISTRA EXÉRCITO PRONTO PARA COMBATE

Publicado em 1 de abril de 2026

Observando os detalhes da foto que ilustra a matéria, nos chamou a atenção o posicionamento dos vinte e dois deputados estaduais e três federais que atenderam ao convite do governador João Azevedo, e se fizeram presentes, ao último encontro oficial entre os Chefes do Poder Executivo e Legislativo. Adriano Galdino no centro, João Azevedo ao seu lado e Lucas Ribeiro – no comando dos destinos da Paraíba a partir de amanhã – atrás, com a mão no seu ombro, num gesto humilde e confiante de quem se sente acolhido e protegido, pela força do guardião que está à sua frente.

Esta cena deve ter provocado um frio na barriga de Cícero Lucena. O momento é de profunda reflexão. Fazer a opção correta entre a razão e a emoção será o desafio do “Mago Alquimista”, que deve estar insone há alguns dias, tendo sua paz sufocada pelas incertezas. Vinte e dois deputados estaduais, dos trinta e seis que têm assento na Casa Epitácio Pessoa, representam praticamente dois terços do Parlamento paraibano, com mandatos e bases eleitorais estruturadas. Enfrentar este grande exército, armado e com farta munição para sustentar uma longa guerra até outubro próximo, não é um ato de coragem. É uma decisão suicida. Lutará em duas frentes, contra Lucas e Efraim?

O presidente da ALPB, Adriano Galdino, andou por toda a Paraíba durante o ano de 2025 procurando viabilizar sua candidatura à sucessão de João Azevedo. Mas, ao perceber que o governador já tinha feito sua escolha, ensarilhou suas armas. Na época, com mais soldados que Cícero Lucena hoje, Galdino poderia ter continuado sua marcha até as convenções. Não era necessário renunciar. Pelo contrário, poderia botar pregos nos caminhos de João Azevedo, criando obstáculos como CPI, e derrotando projetos do governo. Mas, fez a leitura correta. Teria que dividir suas bases, e as de Murilo Galdino, pondo em risco antecipadamente a reeleição do seu irmão.

Galdino pressentiu que não tinha como enfrentar o Palácio da Redenção. Uma máquina enxuta, governo bem avaliado e com dinheiro em caixa. Trocar de discurso e posição ideológica – após oito anos ao lado de João – seria uma contradição perceptível pelo eleitor independente, que não acompanha o quotidiano da política partidária. Correria o risco de ser julgado como um aventureiro ou oportunista. Se tornaria um agressor, e João a vítima. Será o vice de Lucas Ribeiro. Não há registros de desentendimentos entre os dois. O primeiro desafio de Lucas será buscar a pacificação.

Cícero Lucena, apesar da larga experiência adquirida ao longo de sua vida pública, imaginou que seria mais convincente que Adriano Galdino. Através do diálogo e da intimidade com o governador, se sentia capaz de demover a ideia de João: ter um “candidato para chamar de seu”. Aviso dado numa entrevista em Campina Grande (janeiro de 2025), sendo deselegante na ocasião, pois estava ao lado de Adriano Galdino. Para Efraim Morais, é preferível a permanência de Cícero. Assegurará o segundo turno e poderá obter seu apoio, após uma derrota acachapante para Lucas. A disputa ficaria bem equilibrada, e em sintonia com a campanha presidencial.