Júnior Gurgel

Jornalista político, memorialista e Ghost writer. Ex- diretor de Jornais e Emissoras de Rádio na Paraíba, com atuações no Radiojornalismo.

TRUMP x LULA: A OPORTUNIDADE DO CONGRESSO RECUPERAR SEU PODER

Publicado em 10 de julho de 2025

A carta do presidente Donald Trump endereçada ao presidente do Brasil, comunicando a imposição de uma tarifa de 50% sobre todos os produtos brasileiros exportados para os Estados Unidos, foi um nocaute que levou Lula a beijar a lona. Porém, não foi surpresa para quem acompanha o quotidiano político. Pelo comportamento de Lula, e sua hostilidade à pessoa de Donald Trump, o esperado está aquém do previsto. Lula foi contra Trump nas eleições de 2024. Não devia ter se metido em briga de cachorro grande. Pregava que a eleição de Trump seria uma ameaça ao mundo, ele ressuscitaria o nazismo. Após sua eleição e posse, o mundo todo o procurou. Lula nunca agendou uma audiência, como representante do Brasil, um importante parceiro comercial dos Estados Unidos, país que mais investe no gigante adormecido.

Orientado pelo “caduco” Celso Amorim, Lula começou a andar – bater pernas – mundo afora fazendo críticas aos Estados Unidos e a Donald Trump. Elogiando a China, se aproximando do Irã, defendendo o grupo terrorista Hamas e acusando Israel de cometer um holocausto contra os palestinos. Prega abertamente a “desdolarização”, defendendo transações com moedas locais. Não condenou a fraude eleitoral da Venezuela, e foi a Argentina pedir liberdade para Cristina Kirchner, presa por corrupção, inelegível pelo resto da vida.

Quem semeia ventos, colhe tempestades. Qual o poder e importância de Lula, para fazer arruaças intimidatórias? Como ele tem uma posição de esquerda e defende seus “chegados”, Trump é de direita e defende seus amigos, como o ex-presidente Jair Bolsonaro.
Lula perdeu a credibilidade dos Estados Unidos, que também não acredita mais no Poder Judiciário do Brasil, e considera ambos inimigos dos interesses de suas grandes empresas, as Big Tech, responsáveis por trilhões de dólares do PIB americano. A única alternativa para salvar a economia do país é o Congresso Nacional. Leis têm que ser votadas, pondo freios no STF e limites em Lula, evitando um impeachment. Alckmin está pronto para assumir.

Em briga de elefantes, quem sofre é a grama. Quando todos os bilionários norte-americanos que ajudaram a derrotar Donald Trump em 2020 se juntaram para elegê-lo em 2024, ficou claro para o mundo o surgimento de uma nova ordem econômica, com mudanças profundas e radicais, descartando a globalização. Os Estados Unidos, única superpotência econômica e militar do planeta, não iria repetir os mesmos erros históricos do Império Romano e Otomano. Os dois caíram quando suas colônias enriqueceram, se armaram e rebelaram-se, tornando-se independentes.

Após a II guerra mundial o colonialismo passou a ser econômico. Instituíram uma moeda universal (dólar americano), passaram a controlar a pesquisa e novas tecnologias, financiarem a produção de todo o Ocidente, Oriente, Ásia e América Latina, e intermediarem a sua comercialização. Reconstruíram a Alemanha e o Japão que eles mesmos destruíram; tiraram a China da miséria; Coreia do Sul e Taiwan, da pobreza extrema passaram a ser os maiores poupadores do mundo (ambos não têm dívidas externas). Destruíram o Vietnã e hoje investem em sua prosperidade capitalista. O último conselho de Henry Kissinger, um dos construtores do império americano, antes de partir em 2023 aos 100 anos, foi investir na Índia, para transformá-la no maior mercado consumidor do planeta.

O comércio mundial composto por 267 países, em 2024 atingiu 33 trilhões de dólares. Mesmo ocupando a 24ª posição no ranking, como grande exportador de commodities, o Brasil representa apenas 1%. Pela segunda vez, a China ano passado ultrapassou os Estados Unidos e ocupou a primeira posição, exportando 3,6 trilhões de dólares. Estados Unidos, 2,98 trilhões.

Eis a razão da eleição de Trump, e seu programa de governo. América em primeiro lugar, ou de volta a sua grandeza de outrora. O “tarifaço” trará o equilíbrio em sua balança comercial. Reduziu 4,5 trilhões de dólares em impostos, cortou 1,5 trilhões de programas sociais, semelhantes ao Bolsa Renda do Brasil, e investirá 3,5 trilhões de dólares na indústria armamentista. O PIB do Brasil em 2024 alcançou 2,179 trilhões de dólares. O nosso país é emergente, pobre, endividado e dependente. Sem estrutura para enfrentar uma guerra comercial contra os Estados Unidos.