
Júnior Gurgel
Jornalista político, memorialista e Ghost writer. Ex- diretor de Jornais e Emissoras de Rádio na Paraíba, com atuações no Radiojornalismo.
TRAGÉDIA ANUNCIADA: CPMI DO BANCO MASTER
Publicado em 7 de janeiro de 2026Somando todos os grandes escândalos que sacudiram a nação a partir de 1988, o assalto a economia popular praticado pelo Banco Master e seus comparsas – com gabinetes na Praça dos Três Poderes – supera as roubalheiras dos Anões do Orçamento, Mensalão; CPIs dos Bingos; Correios; Gautama (Zuleido Veras/Renan Calheiros); Petrolão (Lava-Jato), e a apuração ora em curso do roubo dos aposentados do INSS.
A próxima CMPI, que promete ser instalada a partir de fevereiro – liquidação do Banco Master, pelo Banco Central – mistura ideologias e revela a verdadeira face da bandidagem, dos nascidos para roubar. Um contingente de criminosos psicopatas, contumazes, frios e destemidos, que ao longo das últimas três décadas se exibem para uma população pobre, ignorante e amedrontada, como comensais de uma farra sem fim (baile de máscaras) com fantasias variadas. Uns se apresentam usando Togas de Ministros das Cortes de Justiça e Eleitoral. Outros, como “austeros” controladores das contas públicas. Os portadores de mandatos populares se misturam com fiscais da lei, MP, MPF e PGR. Todos embriagados por uma insaciável ganância, de acumularem fortunas bilionárias, encontram brechas na lei para livrarem os “trombadinhas” do colarinho branco. Acobertam a corrupção sistêmica, mas nada gratuito. Exigem sua fatia no bolo. Não importa de onde venha o dinheiro. Em suas contas, são apenas números, que aumentam seus saldos e alimentam seus caríssimos sonhos de consumo.
A Lava-Jato identificou um rombo de 44 bilhões de reais, até então o maior esquema de corrupção do Brasil. O Banco Master foi liquidado por emitir títulos “frios” comprados pelo BRB, na ordem de 12 bilhões de reais. Mas, o rombo inicialmente é estimado em 80 bilhões.
Fundos de Pensões de Estados e Municípios, pressionados pela banda podre da classe política, foram forçados a investir no Banco Master. Dinheiro do servidor público que faltará para pagar suas aposentadorias. O Master lavava todo o dinheiro das Organizações Criminosas a partir do PCC e Comando Vermelho. Captava investimentos do cidadão comum, oferecendo 140% do CDI. A pergunta do Mercado é porque o Banco Central levou tanto tempo para liquidá-lo. Todos sabiam que lá na frente, após desviarem toda a dinheirama para paraísos fiscais, chegaria o dia do Master pedir “recuperação judicial”. Seus titulares estariam fora e os novos donos pagariam apenas o valor dos depósitos, sem juros e correções, por um prazo de até 30 anos.
A contratação da advogada, esposa do “Xerifão” Alexandre de Moraes, foi para amedrontar o BC e a Faria Lima. Em seguida, entra Dias Toffoli com seu invejável currículo de anular as devoluções do roubo da Lava-Jato, principalmente dos maiores clientes do escritório de sua ex-esposa: Odebrecht, J & F, JBS e Friboi. Abriu até possibilidades de questionamento jurídico, para devolução do produto do roubo aos ladrões. Gilmar Mendes, Moraes e outros tiveram eventos internacionais patrocinados pelo Master. Uma nota de rodapé circulou nas redes sociais noticiando a renúncia do ministro da Justiça Ricardo Lewandowski. Fez parte do Conselho do Banco Master seu filho, advogado, defendendo algumas instituições que descontaram sem autorização dinheiro dos aposentados, e seus depósitos eram realizados no Banco Master. A operação que rastreou o dinheiro do PCC em São Paulo, chegando a Faria Lima pelo Master, foi “vazada” pela PF. Dos 14 mandados de busca e apreensão, apenas quatro foram realizados com êxito, e pela Polícia de São Paulo, não pela PF comandada pelo Ministério da Justiça. Nos bilhões roubados pelo Master encontrarão digitais até de Zé Dirceu, que defendeu o TCU para se intrometer na liquidação do Master, sugerindo impedimento da venda de seus ativos – bens móveis e imóveis. Se o Congresso não recuar, nem abafar, tudo cairá no colo de Lula e de alguns ministros do STF. Em tempo: CPMI tem prerrogativas para quebrar sigilo bancário, fiscal e telefônico de ministros do STF, STJ, TCU. E pode pedir prisões ou afastamentos, sem esperar por impeachment.
