Valberto José

Jornalista, habilitado pelo curso de Comunicação Social da Universidade Regional do Nordeste (URNE), hoje UEPB. Colunista esportivo da Gazeta do Sertão e d’A Palavra, passou pelo Diário da Borborema e Jornal da Paraíba; foi comerciante do setor de carnes, fazendo uma pausa de 18 anos no jornalismo.

Sugestão de rurícola surpreende perdidos na mata transicional

Publicado em 5 de março de 2026

A zona rural nos surpreende nestes tempos modernos de tecnologia digital e internet. A modernização no campo não está restrita apenas à substituição da tração animal por veículos motorizados (como transporte de duas rodas); estende-se por toda a área da tecnologia digital, embora o sistema dependa de redes de conectividade e das condições financeiras de seus habitantes.

No mês passado, duas irmãs e uma tia moradoras em outros Estados estiveram nos visitando e sempre arranjavam um lugar para onde ir, um meio de visitar um parente ou um amigo e conhecer um destino turístico do nosso Estado. Participar do ‘Crescer’ conhecendo o Centro de Convenções foi marcante para elas. Afora os passeios que fizeram acompanhadas de outros familiares, levei-as em três sítios amigos e ao Santuário do Deus Pai Todo Poderoso, em Malta, além de inúmeras rodadas pela nossa cidade.

Aliás, a viagem do trio foi muito bem planejada, a partir da determinação de Albanete, residente em Porto Velho. Certa de que passaria férias no Nordeste, ela mandou buscar nossa mãe; após um mês, as duas vieram por Teresina, onde mora o mano Afonso. Lá, encontraram nossa mana Socorro, radicada em Santa Catarina, e nossa tia Rita, de São Bernardo do Campo. O quarteto ainda veio por Sobral, onde mora um filho da “nortista”.

Se na última vez que tentei ir à localidade Monte Alegre, na região do Distrito de São José da Mata, não acertei o itinerário por dentro – e isso faz uns 10 anos -, não seria desta vez que acertaria. Por dentro, significa pegar a PB 138 e logo após o Lucas, antes do Estreito, rumar pelas terras que foram do meu avô (Sítio Cajazeiras), sair no Capim Grande e, de lá, seguir até chegar na casa do amigo Gel.

Agora, na companhia das manas, o destino era o Sitio Olho D’água, que pela BR 230 seria rota certeira, acessando-o após o posto da PRF, na Farinha. Perguntei às três por onde a gente iria, e minha mãe, de pronto, sugeriu pelo Capim Grande. Não teria como rejeitar um itinerário tão nostálgico assim. Me tornaria menino outra vez, só que na direção de um carro, em vez de no lombo do animal guiado por um dos tios, ou a pé.

Então, transpus o viaduto ainda em construção, na BR 230, e acessei a PB 138, com as forasteiras admirando a expansão imobiliária de Campina Grande a partir do Verdejante e Portal Sudoeste. Aproximando-se da curva da estrada, avistando a granja do tio Clóvis no alto, liguei a seta à direita e peguei a estradinha estreita, agora ladeada por uma pequena vila de casas, que nos levava à casa de meus avós.

Avançando poucos metros, senti uma ponta de tristeza ao observar que a estradinha não passa mais pela frente da velha casa, mas por trás. Logo, o sentimento foi substituído pela alegria de ver, pela retaguarda territorial, que o conjunto – casa, casa de morador, curral e cerca – está bem cuidado. Quando fomos chegando ao Capim Grande, minha mãe recordou pessoas ali residentes no tempo de sua juventude.

Ainda na localidade, pedimos informação do caminho a seguir até Monte Alegre. — Pode seguir em frente, sempre em frente, e bem na frente, à direita — disse um senhor. E fomos seguindo, seguindo, até parar numa fazendola, após passar por três casas abandonadas na mata transicional. — Aqui é a Serra de Joaquim Vieira — disse a mulher, superando a desconfiança, com simpatia matuta.

Voltamos e perguntamos em mais duas casas, sempre informados de que após um pé de castanhola e uma casa branca estaria nosso destino. E haja pé de castanhola e casa branca, sem que acertássemos o caminho. Na última casa, parei e permaneci no carro; mãe e uma das manas desceram e foram até à porta. Uma mulher saiu fora e ficaram conversando, sem que eu tivesse certeza de que ela indicasse o caminho certo.

Depois veio outra mulher, que, após umas trocas de palavras, sugeriu: — Coloque no GPS.

Chegamos, enfim, ao nosso destino, a casa de Toinho e Graça Raposa, sem utilizar a sugestão tecnológica, mas perdemos a ordenha da tarde. Pena que Dona Cleonice ficou sem o leite cru que tanto aprecia.