
Marcos Marinho
Jornalista, radialista, fundador do ‘Jornal da Paraíba’, ‘Gazeta do Sertão’ e ‘A Palavra’, exerceu a profissão em São Paulo e Brasília; Na Câmara Federal Chefiou o Gabinete de Raymundo Asfóra e em Campina Grande já exerceu o mandato de Vereador.
Setenta e Três… Até chegar o BASTA, tudo continua com Ele
Publicado em 18 de março de 2026Ao completar 13 anos de idade, eu não conseguia imaginar nunca que chegaria aos 40. A morte do mano Iremar com 17 anos, atropelado por um ônibus de Seu Genésio (linha da Prata) lotado de estudantes do Gigantão, me dava a infantil certeza de que eu também não demoraria a ir embora…
Ora, se Iremar, meu mano mais chegado em face da idade quase igual que tínhamos, já que os outros três filhos de Dona Virgilia – Ismael, Israel e Izael – eram homens de “barba feita”, e a malvada apressadamente o decepara, tava claro que logo eu seria o próximo a ela vir buscar.
E da minha cabeça esse número (40) não saia… Chegou 18, depois 20 e 25 e o medo da malvada aumentou. Muito mais quando eu, aos 28 anos com dois filhos a criar, vi-me obrigado a largar São Paulo e voltar para Campina Grande para ajudar em casa, que meu velho sofrera um AVC (na época, chamava-se trombose) e a missão de carregar o “fardo” seria minha.

A morte não tardou a nos visitar, mas desta feita levou Seu Ovidio, aos 63 anos de idade, deixando-nos na orfandade – eu, os manos e todos os netos dele.
Era noite de 25 de maio de 1981, data de fundação da nova Gazeta do Sertão, onde eu assumira o cargo de editor-chefe e estava nas oficinas acompanhando o fechamento da edição, a tempo de ainda fazê-la circular na cerimônia de lançamento, festa que acontecia no Clube da Bolsa e à qual eu não pude comparecer, por razões mais do que óbvias.
Antes de velar o corpo do meu pai, subi à pé do prédio da Gazeta (na Estação Velha, ao lado da antiga Caranguejo) até a igreja de São Vicente de Paulo, no Açude Velho, onde antes das lágrimas ensoparem o meu rosto cansado tive tempo e forças para pedir com toda fé da minh’alma que Jesus autorizasse a malvada a me buscar somente quando eu chegasse, assim como Seu Ovidio, aos 63 anos de vida, deletando dos seus apontamentos aquela data de 40 já próxima, que eu pré-fixara como meu limite no universo terrestre.

Bruno e Camila, criancinhas ainda, precisavam dos cuidados paternos, foi a justificativa para tentar “sensibilizar” nosso Criador.
Fui atendido!
Passaram-se os 40, os 50… E outra vez corri a pedir tempo ao Senhor. Eu tinha acabado de festejar 60 anos de idade e me inscrevi – eu e a Márcia – por indicação do filho Bruno e da nora Sandra para o Encontro de Casais com Cristo (ECC) da nossa Paróquia.

“Senhor, aumenta meu prazo”, roguei com fé dobrada.
E hoje, pela sua divina graça, comemoro 73 anos de idade!!!
Que Ele me dê o que considerar justo doravante. 83, 93, 103…

Por hoje já me dou plenamente satisfeito. 73 é o “melhor número” da Matemática, por causa de suas propriedades únicas, popularizadas por Sheldon Cooper em The Big Bang Theory. É o 21º número primo, seu inverso, 37, é o 12º primo (e 21 é \(7\times 3\)), e em binário, 73 é um palíndromo (1001001), com seus dígitos 7 e 3 sendo também primos em suas posições (4º e 2º).
Essas características, que envolvem um “jogo de espelhos” numérico, foram provadas matematicamente como sendo exclusivas do 73.
E eu soube agora que não há um único número “mais forte”, mas os Números Mestres (11, 22, 33) são os mais poderosos por seu alto potencial, com destaque para o 22 (Mestre Construtor), que une intuição (2) e solidez (4) para grandes realizações. Outros números fortes são o 8 (prosperidade e poder material) e o 1 (liderança e inovação), dependendo da área da vida (negócios, espiritualidade).

E na minha área (radiocomunicações), hoje em dia uma das expressões mais utilizadas é “73”, e para quem não sabe de cor, significa cumprimentos, saudações, olá, adeus. Pelo menos é nesse sentido que os macanudos usam esse código que também começa a ser usado com mais regularidade nos walkie talkies (PMR446).
Mas de onde vem esse código setenta e três?
No final de um contato com um amigo, a maioria dos cebeístas e rádio amadores gritará um caloroso “73”. É tão popular que pode observar os operadores de rádio CB assinarem “73” na parte inferior de um e-mail ou até mesmo num post nas redes sociais.
A definição formal de 73 é “Atenciosamente” – é uma boa maneira de dizer adeus que é exclusiva para comunicações rádio.
Quase assim que os telégrafos começaram a enviar mensagens, os operadores perceberam que estavam a enviar as mesmas mensagens repetidamente. Muitas vezes, essas mensagens eram destinadas a outros operadores para facilitar o uso das mensagens. Por exemplo, um operador pode perguntar a outro operador: “Está pronto?” significando se está pronto para receber uma mensagem. Outra mensagem comum seria pedir ao operador do outro lado da linha para esperar.
Em vez de enviar essas mensagens repetidamente, os operadores desenvolveram um atalho para mensagens comuns. Para economizar tempo, eles enviavam um número em vez da mensagem completa. Por exemplo, o número 1 significava (e significa) “Espere um minuto”. “Estás pronto?” foi encurtado para o número 6. Um operador enviava 134 quando queria perguntar: “Quem está a operar?” Este código foi padronizado em 1857 e publicado no National Telegraphic Review Operator’s Guide daquele ano.
O Guia também define a mensagem 73. Hoje, entendemos que isso significa “com os melhores cumprimentos”, mas naquela época a definição literal era bem diferente da definição que SE tem hoje. Em 1857, 73 significava literalmente “Meu amor para si” (all my love to you). Apesar de representar um sentimento floreado, os operadores de telégrafo adotaram esse código como uma forma de cumprimentar uns aos outros na linha telegráfica e desejar felicidades uns aos outros.
Em 1859, a Western Union Company publicou o “Código 92”. Este código é semelhante à lista publicada em 1857 e consiste numa lista de números de 1 a 92 que representavam mensagens virtuais que deveriam ser usadas por todos os operadores nas linhas da Western Union. No Código 92, o significado de 73 mudou de “todo meu amor” para “aceite meus cumprimentos”. A mensagem ainda é bastante formal, mas era assim que as pessoas falavam naquela época.
Entre 1859 e 1900, a definição literal continuou a mudar. O The Telegraph Instructor de Dodge define-o simplesmente como “elogios”. Theodore A. Edison’s Telegraphy Self-Taught, que foi publicado pela primeira vez no início de 1900, mais uma vez define 73 como “aceite meus cumprimentos”. A edição de 1908 do Dodge Manual dá duas definições: “elogios” e a definição de hoje, “com os melhores cumprimentos”.
A propósito, o Código 92 também define algumas outras mensagens que ainda estão em uso hoje: 88 e 30. 88 é definido como “amor e beijos”. Às vezes ouvirá 88 sendo usado no final de contatos entre operadores masculinos e femininos, especialmente quando esses operadores são marido e mulher. Se ouvir a Banda do Cidadão às vezes vai ouvir dizer “oitos” no final de um contato. Isso é apenas uma abreviação de 88.
O Código 92 define 30 como “não mais” ou “o fim”. Ainda encontra esse código, escrito como “-30-”, no final dos comunicados de imprensa. Sinaliza a quem está lendo o comunicado de imprensa que chegou ao fim e que não há mais nada a seguir. Hoje, ao enviar tráfego, usaríamos o prosign AR em vez de 30.
O uso de 73 continua a mudar, ainda hoje. Por exemplo, operadores QRP, ou seja, operadores que usam menos de 5 W de potência de saída, assinam com o código 72. (72 é menor que 73, certo?) Esse uso de 72 remonta pelo menos ao início da década de 1990.
Embora “com os melhores cumprimentos” possa ser a definição formal de 73 hoje em dia, ela é usada de uma maneira muito menos formal, muito mais cordial hoje em dia. Não se está dizendo apenas “adeus”, mas também “obrigado” e “espero vê-lo novamente em breve”.
O número 7 no significado espiritual representa sabedoria, introspecção, busca pela verdade e espiritualidade profunda, sendo associado à intuição, análise e busca por conhecimento, com influências de “guerreiros espirituais” que buscam o autoconhecimento e propósito, além de simbolizar perfeição e completude em contextos bíblicos e culturais, como nos 7 dias da criação e 7 cores do arco-íris.
Por isso, amigo leitor, com meu pedido de desculpas pelo excesso de texto, permita-me dar-lhe hoje, AGORA, meus 73 abraços em homenagem à nossa sólida, sincera e eternamente respeitosa amizade, que vai durar até que Deus determine a malvada me trazer o BASTA.