
Valberto José
Jornalista, habilitado pelo curso de Comunicação Social da Universidade Regional do Nordeste (URNE), hoje UEPB. Colunista esportivo da Gazeta do Sertão e d’A Palavra, passou pelo Diário da Borborema e Jornal da Paraíba; foi comerciante do setor de carnes, fazendo uma pausa de 18 anos no jornalismo.
Semelhanças e coincidências de um encontro casual
Publicado em 27 de maio de 2026Numa dessas coincidências da vida, na reta final de serviços de pintura em casa, a vizinha inicia uma reforma em sua residência. Dias desses, enquanto os homens trabalhavam nas paredes do muro da frente, eu limpava a expansão metálica da garagem – preta devido ao acúmulo anual de poeira – quando ouvi, alto, na calçada confinante, a conversa animada de um senhor que chegara, parecida com a de um parente meu, embora a deste bem menos agradável. Abusada até.
Não resisti e desci da escada em que me encontrava, na labuta momentânea, para ver quem coloquiava tão facilmente, quase num monólogo teatral, e acabei formando o quarteto de ouvintes do moço. Incrível a semelhança física dele com o meu parente. Assim como este, ele gosta de animais e lamentou várias vezes a perda de três mulas, que ele e a mulher revezavam em montaria.
Aliás, nem precisava de suas lamentações como prova de seu amor pelos animais; o quadrúpede que lhe servia no momento, bem nutrido e de pelo brilhante, comprovava seus cuidados e seu zelo pelos “bichos brutos”; portando, além desse referencial, ainda o atestado de trabalho por quase uma década em fazenda nas cercanias de Campina Grande.
A conversa atraente do moço me segurou no lado de fora, descansando do serviço interno que eu realizava, enquanto ele executava a tarefa para a qual fora contratado. Quanto mais eu o ouvia, mais semelhanças e coincidências encontrava entre ele e aquele parente, que não vejo há muito tempo, mas que continua morando nesta cidade, após um longo período fora do Estado.
Diante de tantas coincidências e semelhanças entre os dois, comecei a conjecturar hipóteses, até a de descobrir, de repente, um novo parentesco. O homem nasceu em Patos, cidade em que meu familiar trabalhou um tempo, e carrega o mesmo sobrenome dele. Descartei essa possibilidade, porém, após conferir a idade de ambos. Não bate.
Até pressenti que o prestador de serviços teria a mesma sina de abandonar a família, como fizera esse meu parente. Graças a Deus, me enganei. A confirmação de que deixou de trabalhar na fazenda porque sua mulher se acidentou quando o ajudava na execução de um serviço comprova que ele não seria capaz de praticar uma indignidade dessas.

