SEM NEY SUASSUNA VENEZIANO PODERÁ PERDER A REELEIÇÃO NA FALTA DO SEGUNDO VOTO

Publicado em 11 de outubro de 2025

A estratégia de trabalhar e conquistar o segundo voto, na disputa pelo senado federal, levou um noviço na política, empresário Raimundo Lira – eleições de 1986 – ocupar uma das vaga, com votação superior ao seu companheiro de chapa, saudoso Humberto Lucena, na época, vivendo o seu melhor momento da vida pública.

 O favorito indiscutível para o senado, aparecendo em primeiro lugar em todas as pesquisas, era o ex-governador Wilson Braga. A Paraíba tinha se transformado no maior canteiro de obras do Nordeste, com o Projeto Canaã. Investimento de 350 milhões de dólares, valores atualizados nos dias de hoje, correspondem a 1,034 bilhões de dólares, ou algo em torno de 5,8 bilhões de reais. O ex-senador Milton Cabral, eleito indiretamente pela Assembleia Legislativa em Abril de 1986, comandava a campanha de Braga para o senado, e do ex-senador Marcondes Gadelha, para o Governo do Estado.

Wilson Braga, além do Canaã, pavimentou rodovias, construiu conjuntos habitacionais; tinha um leque de ações sociais, através da FUNSAT; desenvolveu um ambicioso programa na área da educação e dobrou o número de funcionários públicos do Estado. Foram mais de 60 mil contratações, em quatro anos. Na época, antes da Constituição Cidadã (1988) para ter acesso ao serviço público, não era exigido o concurso. A caneta funcionou. Na Polícia Militar, o efetivo triplicou, alcançando mais de 11 mil homens. Trinta e seis anos depois (2022), o efetivo era de apenas 8.990 militares.

Raimundo Lira foi candidato ao lado de Humberto Lucena. Wilson Braga, teve como companheiro de chapa, Maurício Brasilino Leite, que não lhes trouxe um único voto. Todos os votos de Humberto foram “casados” com Lira, que avançou sobre o segundo voto de Wilson Braga. Urnas apuradas, Lira ficou em primeiro lugar, Humberto em segundo, e Braga em terceiro, perdendo uma eleição previamente ganha.

O fato se repetiu em 2018, quando o campeão de votos – segundo pesquisas da época até a última semana que antecedeu o pleito – era ex-governador Cássio Cunha Lima. Estava eleito, como Braga em 1986. Foi derrotado por Daniella Ribeiro e Veneziano Vital do Rêgo, perdendo até para Luís Couto, amargando uma quarta colocação. Cássio não teve o segundo voto de sua companheira de chapa, Daniella Ribeiro, nem dos seus maiores adversários da época, Veneziano Vital do Rêgo e Luís Couto, apoiados por Ricardo Coutinho, que elegeu no primeiro turno, o atual governador João Azevedo.

Quem “puxou” o segundo voto de Daniella e Luís Couto? Ney Suassuna e seu trabalho sorrateiro, tarefa levada a cabo e com êxito, em apenas quinze dias úteis. Assumiu a 1ª Suplência de Veneziano Vital do Rêgo, em 19/09/2018. No dia 04/10/2018, Veneziano Vital do Rêgo saiu das urnas, com 844.786; Daniella Ribeiro, 831.701; Luís Couto 792.420; Cássio Cunha Lima, 601.343 sufrágios.

No quadro atual, faltando onze meses para eleição, o candidato ao senado que está disparado nas pesquisas, é o governador João Azevedo. Em segundo lugar, Veneziano Vital do Rêgo, embolado com Nabor Wanderley, uma candidatura surgida há pouco mais de um mês. Em último lugar, Marcelo Queiroga. Nabor e Queiroga crescerão.

Falta “articulação” para Veneziano conquistar o segundo voto de João Azevedo, ou de Nabor Wanderley, colado com o de João Azevedo. O de Marcelo Queiroga é impossível, por razões ideológicas. Quem irá buscar o segundo voto para Vené? Neste jogo, apesar do Cabeludo ser um bom centroavante – como Braga e Cássio – falta o meio campo, para desarmar o adversário, e lança-lo frente ao gol. Nossa lembrança hoje de Ney, é pelo seu aniversário, festejado no mesmo dia em que se comemora os 161 anos da Rainha da Borborema.

Fonte: Da Redação (Por Júnior Gurgel)