Júnior Gurgel

Jornalista político, memorialista e Ghost writer. Ex- diretor de Jornais e Emissoras de Rádio na Paraíba, com atuações no Radiojornalismo.

Sem candidato a governador, PL poderá se transformar no PT na Paraíba

Publicado em 20 de novembro de 2025

A última campanha que o PT/PB apresentou candidato a governador na Paraíba foi no distante 2002, quando Lula chegou ao poder. O então deputado federal Avenzoar Arruda disputou o Governo do Estado, obtendo mais de 200 mil votos – sem apoio de sua própria legenda – e conseguiu levar a disputa para o segundo turno, culminando na vitória de Cássio Cunha Lima (PSDB). Lula veio à Paraíba e no “abraço da lagoa” recebeu apoio de José Maranhão. Desprezou seu “companheiro” histórico, fundador do partido.

Passaram-se vinte e três anos e a agremiação política dos trabalhadores continua raquítica, sendo “sombreada” na Paraíba por outras siglas. Esteve sob o domínio de José Maranhão (MDB), que ainda deu uma chance a Luciano Cartaxo de ser seu vice, derrotado nas urnas, vitorioso no tapetão. Mas, quando Cartaxo – apoiado por Luciano Agra – elegeu-se prefeito da Capital, estava filiado ao PV. Ricardo Coutinho (PSB) assumiu o comando (de fato) da legenda, desde 2012 até 2020, quando rompeu com seu sucessor, João Azevedo. O comportamento do PT na Paraíba é semelhante ao de um “gato”. O bichano é amigo da casa, diferente do cão, que segue e protege seu dono.

O ex-ministro Marcelo Queiroga, presidente do PL-PB, tem que exigir do seu pré-candidato Efraim Filho (União Brasil) sua filiação ao PL. “A esposa de César não basta ser honesta, deve parecer honesta”. Conversando com um dos próceres da família Morais, procuramos sondar quem seria o segundo nome para o Senado – companheiro de chapa de Marcelo Queiroga – e se o mesmo era de Campina Grande. “Não, o segundo voto é de Nabor Wanderley (?). Era para ser de Veneziano, mas o cabeludo lançou um candidato a deputado, adversário dos Morais em Santa Luzia. Ele foi quem perdeu, concluiu”. A pergunta que não cala: Queiroga sabia da trama? Veneziano e agora Nabor?

Diante dessa premissa, o projeto de Marcelo Queiroga (senador) passa a ser natimorto. Cícero Lucena assumirá o protagonismo da oposição ao Governo do Estado, passando a ser um forte competidor. João Azevedo casará seus votos com Nabor, que ainda contará com a segunda opção de Efraim Filho. O Palácio da Redenção ganhará “musculatura” com o Republicanos e o “corpo mole” do União Brasil. Emplacará dois senadores. Efraim Filho elegerá seu irmão deputado federal, e poderá levar o pleito para o segundo turno, entre Cícero e Lucas Ribeiro.

Cícero Lucena não terá o menor constrangimento em procurar ou receber o apoio da família Morais no segundo turno. Aliás, Efraim (pai) e Cícero Lucena já estiveram no mesmo barco, nas eleições de 2002. Em todo o Nordeste, os candidatos a governador do PL estão crescendo. No vizinho RN o candidato da governadora Fátima Bezerra (PT) atrofiou. Ela briga por uma das vagas para o Senado, com perspectiva de ficar na quarta colocação. O PL-PB irá deixar “correr frouxo”? Está na hora de chamarem o pastor Sérgio Queiroz, Wallber aparar as arestas com Nilvan, encontrarem dois ou três nomes de Campina Grande, um para vice ou segunda opção de Queiroga, e dois suplentes. Efraim disse que o foguete não tinha marcha ré. Mas, inventou um freio de mão, que está frustrando a direita, os conservadores, bolsonaristas e Cristãos Patriotas.