
Júnior Gurgel
Jornalista político, memorialista e Ghost writer. Ex- diretor de Jornais e Emissoras de Rádio na Paraíba, com atuações no Radiojornalismo.
SABATINAS DOS PRESIDENCIÁVEIS NA TV GLOBO: QUEM VENDEU MELHOR SEU PEIXE?
Publicado em 30 de agosto de 2026Quando Juscelino Kubitschek (antigo PSD) se preparou para lançar sua campanha à Presidência da República reuniu um grupo de intelectuais, grandes jornalistas e publicitários, incumbindo-lhes a missão de levar seu nome aos mais distantes grotões do Brasil, encravados nas distantes regiões Norte/Nordeste, onde era desconhecido. Tinha acabado de encerrar seu mandato de governador do Estado de Minas Gerais e com o apoio decisivo de João Goulart, como vice (que era votado separadamente na época), resolveu enfrentar uma empreitada com poucas chances de êxito. A UDN (União Democrática Nacional), partido da direita, lançou Juarez Távora; o bilionário (populista) Ademar de Barros – ex-governador de São Paulo de 1947 a 1951, disputou pelo PSP (Partido Social Progressista), considerado centro direita; o nacionalista Plínio Salgado – fundador da Ação Integralista Brasileira anos 30 – inspirado no fascismo, confundido “confusamente” como extrema direita (?), foi o candidato do Partido de Representação Popular (PRP).
Vésperas do início da corrida presidencial, a equipe de “notáveis” se reuniu e apresentou a Kubitschek um plano de governo, como munição para seus discursos, e o slogan da campanha, extraído do discurso de Winston Churchill após a derrota da Inglaterra ao lado da França em 1940, culminando na retirada de Dunquerque. “Resistiremos! E com sangue, suor e lágrimas, venceremos o inimigo”. O slogan de JK seria: “com sangue, suor e lágrimas, reconstruiremos o Brasil”.
O genial José Maria Alckmin, amigo e conselheiro de JK, coordenador da campanha, condenou imediatamente. “Não podemos mais exigir sacrifícios do povo.
Temos que levar esperança, fazê-los sonhar com grandeza e prosperidade. Vamos procurar os publicitários. Nos Estados Unidos, as agências de publicidades estão modelando o perfil dos candidatos”, disse ele. Surgiu então o melhor slogan da campanha de 1955: “Juscelino, cinquenta anos em cinco”.
Assistimos atentamente as duas principais entrevistas realizadas pela Rede Globo de Televisão, sabatinando os dois candidatos mais competitivos e ora empatados tecnicamente. O presidente Lula e o senador Flávio Bolsonaro. Lula gastou todo seu tempo na defesa, tentando desconstruir e atribuir a ilações às ligações de seu governo, filho e amigos com os escândalos de corrupção do roubo dos aposentados do INSS, e o envolvimento societário de Jaques Wagner com Daniel Vorcaro. Não soube responder por que na Bahia, onde o PT governa há 20 anos, a criminalidade explodiu e está fora de controle. Sobre o prejuízo das estatais, tergiversou. E quanto aos Correios foi enfático: não privatizará. Não falou em corte de gastos, nem como reduzirá a dívida pública, pagando mais de 1 trilhão de juros ao ano.
Ao se referir às suas conquistas, todas estavam no retrovisor. “Entreguei o Brasil (2010) crescendo 7% ao ano, indo à TV e pedindo ao povo para consumir (gastar). Quem pagou a conta? O próprio povo seis anos depois, governo Dilma II, quando o PIB apresentou resultado negativo de – 6% e o país quebrou. Lula não vendeu nenhuma mensagem de esperança aos brasileiros, como o fez em 2002 (fome zero), em 2006 (PAC I) e em 2010, a descoberta do pré-sal, com expectativas de centenas de bilhões de dólares em investimentos estrangeiros no país. Acusou a Lava-Jato de destruir o país, e olhando nos olhos de Renata Vasconcellos cobrou que a imprensa (claro que a Globo e ela) lhe devia um pedido de desculpas. Falando baixinho, Renata justificou que apenas noticiou os fatos. E o futuro, a esperança, o amanhã do povão? Terras raras e mineração. Para a grande audiência, uma utopia ininteligível. Nem o Congresso Nacional domina um tema que envolva a geopolítica. O candidato não apresentou projeto para tirar 82% das famílias do SERASA. Como conterá a inflação, e quando os juros cairão para evitar a falência das grandes empresas, do Varejo ao Agro e a Indústria? Todos estão numa interminável fila indiana em busca de recuperação judicial (quebrados).
Flávio Bolsonaro foi inquirido a responder por que ele era amigo do banqueiro Daniel Vorcaro. Que tolice! Todos eram e queriam estar ao seu lado, até Lula, os presidentes da Câmara, do Senado e ministros do STF. Prestação de contas do patrocínio do filme sobre a vida de Jair Bolsonaro. O patrocínio não envolveu dinheiro público, foi um negócio privado. De tanto insistirem, Flávio indagou se a Globo iria prestar contas dos 260 milhões do Banco Master destinados a patrocinar o programa de Luciano Huck. Neste momento, viraram a página e iniciaram com um novo capítulo: atos de 08/01//2023 e a condenação de seu pai.
Tentativa de Golpe de Estado. Com quem? Os comandantes militares foram todos nomeados por Lula. Organização armada? Não foi apreendido nem um estilingue. Depredação do patrimônio público. Como se faz isto a mais de 8 mil quilômetros de distância? Bolsonaro estava nos Estados Unidos. E finalmente, quem era o comandante da Guarda Palaciana? A defesa convocou ele e o General G. Dias. O ministro Alexandre de Moraes não acatou o pedido. Dos quatro ministros, dois eram inimigos declarados de Bolsonaro e um terceiro ex-advogado de Lula na Lava-Jato. O único imparcial (Luiz Fux) votou contra a condenação.
Nas considerações finais, Flávio prometeu um futuro esperançoso para os brasileiros. O “Tesouraço”. Cortará os 30 impostos criados no governo Lula, reduzindo preços e baixando a inflação. Enxugará a máquina pública com demissão de milhares de “ASPONES” (Assessores de porra nenhuma) que drenam dos cofres do tesouro nacional dezenas de bilhões de reais mensais. Privatizará todas as estatais deficitárias; Gastando menos, sobra dinheiro para pagar a dívida, reduzir a taxa Selic e o custo do crédito destinado ao empreendedorismo.
