Valberto José

Jornalista, habilitado pelo curso de Comunicação Social da Universidade Regional do Nordeste (URNE), hoje UEPB. Colunista esportivo da Gazeta do Sertão e d’A Palavra, passou pelo Diário da Borborema e Jornal da Paraíba; foi comerciante do setor de carnes, fazendo uma pausa de 18 anos no jornalismo.

Refrão de música de Antônio Barros alivia dores do amor em noite junina

Publicado em 19 de junho de 2026

A composição de Antônio Barros ‘Naquele São João’ foi o grande sucesso do Trio Nordestino em 1968 e está entre as 12 músicas do álbum ‘É forró que vamos ter’, lançado naquele ano. Venâncio tinha apenas 10 anos quando ouvira a canção pela primeira vez, no Forró de Zé Lagoa, programa apresentado por Rosil Cavalcante na Rádio Borborema, mas o impacto sentimental do refrão somente viria a sentir uns 15, 16 anos depois.

“Eu fiquei tão triste/Eu fiquei tão triste naquele São João/Porque você não veio/Você não veio/alegrar meu coração”. Paradoxalmente, a letra não traduz com exatidão a tristeza de Venâncio, pois ela confirma que, apesar de esperar a noite inteira, “bem na hora, meu amor chegou”. O Maior São João do Mundo vivia seus primeiros anos, e nem toda turma se animava a ir às palhoças armadas no antigo Coqueiros de Zé Rodrigues.

Não era o dia nem a véspera de São João, mas naquele sábado de junho a turma de Valmira, namorada de Venâncio, combinara um forró na residência de Leo, um dos líderes. Justamente nessa noite, ele chegou à casa da amada bem mais tarde, e a encontrou meio “sonolenta”, sem a animação de sempre, gerando, inicialmente, uma certa desconfiança do rapaz de que ela estaria doente. “Não. Estou cansada, trabalhei muito hoje”.

Passava das 21h quando as irmãs de Valmira saíram do quarto, cumprimentaram o cunhado, e uma delas foi abrindo a porta, justificando que iam ali. A moça, insistindo em abrir a boca de sono, nem deixou o rapaz perguntar nada, foi logo dizendo que as manas seguiam a uma festinha na casa de Leo. Ele nada mais perguntou, trocaram algumas carícias e, bem antes das 22h, o rapaz resolveu ir embora, sob a justificativa de que teria de acordar cedo para o racha dominical.

Despediram-se, no portão, com um beijo rápido. Venâncio não mais olhou para trás na esquina, como de costume, contornou a praça, atravessou a larga avenida e chegou ao ponto do ônibus, onde ficou estrategicamente atrás do poste, de onde podia ver a casa da moça. Minutos depois, saía ela, de blusa trocada, tomando o rumo da festa.

De imediato, Venâncio seguiu em seu encalço, devagarinho, para que desse tempo de ela entrar. Depois, aproximou-se do portão, sendo bem recebido pela turminha que se encontrava na varanda; antes que perguntasse pela namorada, alguém se ofereceu para chamá-la de dentro da casa. “Boa festinha!” disse, ao ver a moça, e foi saindo. Ela o acompanhou, iniciando um monólogo que só parou na calçada de casa, quando ele lhe desejou boa noite e foi embora.

No outro dia, ainda meio zonzo da noite mal dormida, Venâncio levantou-se, fez um lanche apressado e foi para o “racha”. Jogou os dois tempos e, ao término, até pensou em voltar logo para casa, sem participar da resenha confraternizadora, mas resolveu ficar, estranhamente sem querer beber nada. Desconsolado, sentou-se ao chão, escorando-se na parede e contou a um colega o que acontecera, concluindo que “é muito ruim ser desconsiderado pela namorada”. E começou a cantar: Eu fiquei tão triste, eu fiquei tão triste naquele São João…”.