O surf de Cícero e seu projeto de poder

Publicado em 25 de setembro de 2025

O prefeito Cícero Lucena, surfando numa onda de sorte, põe em prática o seu projeto de poder, aproveitando um momento oportuno para salvar sua gestão e se posicionar como um candidato competitivo nas eleições do ano vindouro. Ao romper com o governador João Azevedo, comprometeu seu principal programa – área da saúde – carro chefe da sua reeleição, que ora passa por sérias dificuldades de caixa. A única solução para salvá-lo, e continuar como pré-candidato, seria abraçar o PT e o governo Lula. Pedir socorro ao Ministério da Saúde. Emendas individuais e de bancada são insuficientes para cobrir um rombo crescente, atualmente acima de 200 milhões de reais. Só o orçamento do governo federal, celebrando convênios diretos com a PMJP, trará recursos necessários para tapar uma cratera que se aprofunda a cada dia.

Seu gesto de procurar ontem (24/09/2025) Edinho Silva, novo presidente do PT, foi um ato calculado de coragem e ousadia, num momento único e propício, com probabilidades de êxito total. Encontrou o nome certo na hora certa. O mais forte e festejado (hoje) no partido, após ter conseguido um feito, visto pela última vez em 2016, nas manifestações contra o impeachment de Dilma Rousseff. Edinho alcançou uma proeza que nem Lula foi capaz de realizá-la, durante toda a campanha de 2022. Levar as esquerdas novamente às ruas, com cartazes, bandeiras e palavras de ordem.

No último domingo, nas principais Capitais do país, alguns milhares de militantes das esquerdas resolveram caminhar e concentrarem-se em praças e avenidas, para protestarem contra a PEC da Blindagem e a Anistia. Embora em números inferiores às grandes mobilizações da direita, Edinho Silva surpreendeu. A execução de um projeto meticulosamente planejado e organizado, deixou todos boquiabertos. Seu resultado o levou a conquistar em definitivo o respeito do presidente Lula, passando a ser o novo Supremo Comandante das tropas das esquerdas, que enfrentarão a direita bolsonarista e conservadora, na batalha das eleições de 2026.

A história se repete em forma de espiral. Edinho Silva representa hoje o papel de Zé Dirceu em 2001, quando criou na legenda o “campo majoritário”. Acabou com a pré-candidatura do senador Eduardo Suplicy – nome preferido nas prévias que não foram realizadas – expulsou as alas históricas, ideológicas e radicais da legenda, e trouxe a centro-direita, com o PL de Valdemar da Costa Neto e o senador conservador José Alencar (MG), para ser o vice de Lula. Este tipo de manobra em guerra é denominado “elemento surpresa”. Atacar o inimigo, num momento e local inesperado.

Não adianta o governador João Azevedo continuar procurando Lula – como o fez em 2022 – e ser destratado, ao ver no guia eleitoral o petista ao lado de Veneziano Vital do Rêgo, apontando-o como seu candidato na Paraíba. Desta feita, o que ouvirá será uma recomendação para apoiar Cícero Lucena e eleger Veneziano senador. As cartas do jogo estão nas mãos de Edinho Silva, considerado pelo núcleo ideológico do PT como a “direita da esquerda” (?). Quem está por trás? O “Maquiavélico” Zé Dirceu.

Cícero e Ricardo Coutinho se abraçarão. Edinho, como Dirceu, dará um murro na mesa e exigirá que todos os filiados do PT apoiem Cícero, que inclusive poderá até se filiar à legenda. Em 2002, o governador José Maranhão e seu candidato Roberto Paulino apoiaram Lula. Mas, quem mandava no diretório e destino da legenda na Paraíba era Júlio Rafael, amigo de Dirceu. Júlio criou um comitê “Lula lá, Cássio cá”, em Campina Grande e João Pessoa. Cozete Barbosa – uma das fundadoras do PT – prefeita da Rainha da Borborema, seguiu a orientação de Zé Dirceu, e votou em Cássio Cunha Lima.

Fonte: Da Redação (Por Júnior Gurgel)