Júnior Gurgel

Jornalista político, memorialista e Ghost writer. Ex- diretor de Jornais e Emissoras de Rádio na Paraíba, com atuações no Radiojornalismo.

PRESENTE DE ADRIANO GALDINO A JOÃO AZEVEDO BENEFICIARÁ LUCAS RIBEIRO: GOVERNARÁ SEM DAR SATISFAÇÕES AO PARLAMENTO

Publicado em 29 de janeiro de 2026

A relação institucional e pessoal do presidente da ALPB, Adriano Galdino, com o governador João Azevedo, se encontra muito distante dos gloriosos dias de outrora. A “camaradagem siamesa” do chefe do Poder Executivo com o presidente do legislativo possibilitou o governo “voar em céu de brigadeiro” durante mais de sete longos anos. Nenhum outro governador na história da Paraíba foi tão bem tratado e poupado pela ALPB quanto João Azevedo. Mas, no insano predatório mundo político gratidão e lealdade são sentimentos raros. Durante este longo trajeto percorrido por João e Adriano era impossível se conjecturar qualquer “rachadura”, nos profundos alicerces concretados na sólida argamassa da amizade, sinceridade e confiança mútua existente entre os dois. Infelizmente, “matrimônio político” quando entra em crise termina inevitavelmente em divórcio litigioso e irreconciliável. Cristal quebrado.

João Azevedo renunciará no dia 02/04/2026 e disputará uma das duas vagas para o Senado da República. Será que na hora de preencher o formulário do registro de sua candidatura olhará para trás e por um instante reconhecerá o empenho de Adriano Galdino em aprovar suas contas na ALPB, com recomendações do TCE-PB para rejeitá-las? João estaria fora da vida pública e melancolicamente encerraria sua gestão carregando um estigma até o final dos seus dias. Distante do poder, passaria anos frequentando assiduamente as “barras dos tribunais”, defendendo-se de um contencioso judiciário que afetaria sua honradez e o levaria a gastar proventos de sua aposentadoria com advogados. A única luz no fim do túnel seria a terceira instância. Se vitorioso, evitaria condenação por crime de improbidade administrativa, punido com inelegibilidade por oito anos, bens penhorados, devolução ao erário público. Ainda teria que escapar de uma condenação (ação penal), que Paulo Maluf não conseguiu. Doente e aos 84 anos, o STF o encarcerou e o pôs para cumprir dois anos de cadeia na Papuda.

O orçamento do Poder Executivo de 25 bilhões de reais, com gastos previstos para o exercício de 2026, foi votado e aprovado pela ALPB – sob o comando de Adriano Galdino – e sancionado por João Azevedo há cerca de duas semanas. Sem sentimentos, Escorpião é movido por instinto. João vetou dezenas de milhões de reais destinados a centenas de emendas parlamentares, que comprometerão a reeleição dos atuais deputados estaduais. Quebra de compromissos resulta em perda de votos nas bases. Adriano e seu “masoquismo” – que só Freud explica – ainda foi mais além. Deixou uma margem de 30% para gastos e remanejamento de despesas orçamentárias, a serem realizadas pelo governo sem a necessidade de autorização legislativa (?). Com reservas de 8,9 bilhões de reais, Lucas Ribeiro poderá gastar até 2,6 bilhões em programas eleitoreiros, distribuindo convênios, destinando recursos para ONG, Fundações e outras instituições sem ter que justificar desembolso ou pedir autorização à ALPB.

Os amigos e conselheiros “mais chegados” a Adriano Galdino esqueceram de avisá-lo que em 2026 o Palácio da Redenção já o tinha escolhido para uma tarefa na cozinha. Prepararia um grande banquete. O ágape é para ser degustado por comensais convidados, não para quem preparou o “cozido”.