
Júnior Gurgel
Jornalista político, memorialista e Ghost writer. Ex- diretor de Jornais e Emissoras de Rádio na Paraíba, com atuações no Radiojornalismo.
PADRE ALBENI FLAGRA O FOGO AMIGO DE JOHNNY BEZERRA
Publicado em 23 de junho de 2025No último sábado (21/06/2025) o jornalista Padre Albeni nos telefonou, convidando para um encontro no Parque do Povo. Viria num “bate e volta” para desfrutar alguns momentos d’O Maior São João do Mundo e registrar em reportagem itinerante a grandiosidade da festa. Infelizmente não cumpri com o combinado. Filhos e netos de Natal chegaram sem avisar. Justifiquei a ausência e o involuntário constrangimento que lhe causei. Sem ter com quem sentar para conversar, Albeni ficou circulando em meio à multidão. Deparou-se com o prefeito de João Pessoa, Cícero Lucena, acompanhado do médico Jhonny Bezerra, ex-candidato a prefeito pelo PSB/Republicanos nas eleições do ano passado (2024).
Jhonny Bezerra, com uma comitiva, acompanhava Cícero Lucena, distribuindo abraços e apertos de mãos. Na falta de seu equipamento profissional, Albeni não perdeu a oportunidade e os entrevistou. Apesar da baixa qualidade do áudio – barulho ensurdecedor do ambiente – Cícero aproveitou a oportunidade e fez seu discurso de pré-candidato. Albeni “cravou” uma pergunta com precisão. Ele seria o candidato da oposição? O astuto “alquimista” tergiversou. Usando com habilidade as palavras, confirmou que suas andanças tem o propósito de apresentar seu nome, oferecer sua experiência administrativa e conquistar apoios para seu projeto sobre a Paraíba do futuro. Indagado se o seu vice seria Jhonny Bezerra, Cícero elogiou suas qualidades de gestor na área da saúde e seu bom desempenho nas urnas da Rainha da Borborema em 2024. Repetindo a mesma pergunta a Jhonny Bezerra, a resposta teve conteúdo semelhante, sinalizando que estaria disposto a ir à luta.
A pergunta de Albeni a Cícero Lucena foi pertinente. Um dia antes, circularam em todos os grupos políticos do aplicativo WhatsApp declarações de Hugo Motta defendendo a candidatura para o Senado de João Azevedo, admitindo que Lucas Ribeiro seria o candidato natural da base governista. A mídia profissional não procurou checar o fato. Por outro lado, não houve desmentido. A alegação dos profissionais da imprensa tem sido a dificuldade de conseguirem falar com o presidente da Câmara dos Deputados. Não atende o telefone, não retorna as ligações, nem responde mensagens enviadas.
O encontro casual de Albeni nos deixou perplexo. Todas as cadeias de comunicação do Estado têm um estúdio com repórteres espalhados em todas as dependências do Parque do Povo. Só Albeni enxergou Cícero e Jhonny Bezerra, com seus respectivos séquitos? Quem tem interesse no silêncio, o governo? E quanto ao Dr. Jhonny, por que esqueceu de convidar seu coordenador da campanha de 2024, deputado federal Murilo Galdino? O compromisso era manter a coesão do grupo na campanha de 2026. Jhonny Bezerra declarava que seu coração estava dividido entre o PSB e o Republicanos. Mas, Cícero Lucena “ainda” é do PP. Se o evento não foi combinado com o governador, o Diário Oficial desta semana trará novidades.
A falta de pulso – em tempo hábil – do governador João Azevedo, pode levá-lo a um final de gestão confusa, seguida de derrota acachapante. O deputado Adriano Galdino trabalha diuturnamente sua candidatura há mais de dois anos. Por que o governador não conversou com o Republicanos e comunicou ao seu “triunvirato” (Hugo, Adriano e Wilson Santiago) que tinha um nome, um preferente, e abrisse espaço para negociações? A esta altura, Galdino já assumiu compromissos, disseminou suas bases, criou expectativas que dificultam dar um “cavalo de pau”. Quanto a Cícero Lucena, todos sabiam que se fosse reeleito, tentaria o Senado. Mas, mudou de opinião. Botou João contra a parede, e quer o governo. O Republicanos em nenhum momento desestimulou Adriano Galdino. Tarde demais para tentar freá-lo, na reta de chegada.
Este filme assistimos em 1986. A Paraíba era o maior canteiro de obras do Nordeste. A bajulação palaciana ampliava a miopia de Wilson Braga. “O governador é quem Braga indicar”. Só o saudoso Soares Madruga previu a tragédia. Alertou inúmeras vezes que a base queria a volta de Burity. Para Braga, só restavam duas alternativas. Acabar a briga com Burity ou filiar-se ao PMDB e apoiar Humberto para o governo. Burity esperou com paciência. Quando se sentiu defenestrado filiou-se ao PMDB. Venceu a chapa completa e Braga – considerado imbatível para o Senado – perdeu para o neófito Raimundo Lira.
