Os “dois pra lá dois pra cá” de um casal em “apê” paulista

Há uma desconexão gritante entre minha paixão pela sonoridade dos ritmos nordestinos e a prática gostosa a que eles nos impelem. Sou apaixonado por forró e não danço, por mais comichões que o toque da sanfona, o batuque do zabumba e o tilintar do triângulo possam provocar nas minhas pernas e nos meus pés.
Quando confesso que gosto de forró e não danço, quem escuta meu lamento sempre vem, com indisfarçável admiração, me alertar que é muito fácil, são apenas “dois passos pra lá e dois pra cá”. Tentei várias vezes, mas me falta o gingado no corpo, embora os pés e as pernas insistam estimular.
Nascida e criada no ABC paulista, a prima Jussara herdou a paixão familiar pelas coisas do Nordeste, entre as quais gostar de forró. Após um intervalo de cerca de cinco anos sem pisar em solo nordestino, ela nos deu o prazer de sua presença, oportunidade em que apresentou o companheiro de vida e de aventuras aos familiares nativos.
Pena que o tempo foi curto, cinco dias apenas, mas o bastante para me encantar com a harmonia dos dois e dimensionar o interesse dele pela cultura do Nordeste. Nesse período, Guilherme vivenciou admiravelmente cada momento em nosso chão, conhecendo o Parque o Povo, a Vila Sítio São João, o artesanato; provando nossa culinária, degustando nossa cachaça, além de dançar e ouvir o nosso forró tradicional.

A prima se disse indignada com o encurtamento do show de Flávio José. Na sexta-feira, véspera de São João, após 11 dias da volta a São Paulo, me envia mensagens perguntando como estão os festejos e lembrando que “hoje é o dia principal”.
Não fui ao “PP” naquela noite, mas vi a reprise do show de Elba pela TV; enviei-lhe mensagem dizendo que foi espetacular e ela interagiu lamentando que queria ter visto. “Hoje trabalhei ouvindo Flávio José”, confessou.
Se não bastasse toda essa demonstração de apreço às nossas tradições, na curtíssima passagem por aqui, o casal confessou que o passatempo preferido nos momentos de folga é ouvir música e tomar um bom vinho, no “apê” em que moram em São Bernardo do Campo. Mas quando toca as músicas Sala de Reboco, de Zé Marcolino, e Feira de Mangaio, de Sivuca e Glorinha Gadelha, eles não se limitam a ouvir. Entram no compasso do “dois pra lá, dois pra cá”.











