Emir Gurjão

Pós graduado em Engenharia Nuclear; ex-professor da Universidade Federal de Campina Grande; Secretário de Ciências, Tecnologia e inovação de Campina Grande; ex-secretário adjunto da Representação do Governo da Paraíba, em Campina Grande; ex-conselheiro de Educação do Estado da Paraíba.

O Protagonista Invencível: por que alguns vencem sem freio — e o preço que cobram – Um caso real

Publicado em 29 de dezembro de 2025

Existe um tipo de vencedor que não é, necessariamente, o mais competente. Nem o mais ético. Nem o mais equilibrado. Mas ele tem uma característica que, na prática, derruba muita concorrência: ele simplesmente não desiste.

Esse personagem vive como se a vitória fosse um destino. “Se dá para pensar, dá para fazer” não é motivação; é identidade. E essa identidade cria um efeito curioso: obstáculos continuam existindo, mas muitos deixam de ter poder psicológico sobre ele — especialmente os obstáculos autoimpostos, aqueles que travam a maioria das pessoas: dúvida, vergonha, medo de errar, necessidade de aprovação, culpa antecipada, preocupação exagerada com a opinião alheia.

O protagonista é invencível é se recusa considerar uma derrota. Para ele, fracassar não é um resultado possível; é uma ofensa . Por isso, quando tudo aponta para o errado, ele faz o que poucos conseguem: continua.

Essa teimosia pode parecer irracional. E muitas vezes é. Mas ela funciona como um “escudo” contra o desgaste emocional. Enquanto outros param para analisar, recalcular, justificar ou esperar o momento perfeito, ele empurra a porta repetidas vezes até que uma delas abra.

se houver falha, muda a fachada e tenta de novo; ouve cem “nãos” e trata como estatística; se perde apoio, troca o discurso e segue com a mesma fome; se é rejeitado e continua expondo até alguém notar. O mundo recompensa volume de tentativas. E ele joga nesse modo.

Ele alimenta a própria imagem, reforça internamente que é “especial”, “feito para isso”, “excepcional”. Esse sentimento de destino manifesto é o que dá energia em dias em que qualquer pessoa racional recuaria.

E há um segundo efeito: pessoas ao redor tendem a ceder. Não porque concordem, mas porque querem “seguir em frente”. A presença dele cria pressa, constrangimento e uma sensação de inevitabilidade. Ele empurra o ambiente para girar no ritmo dele.

Só que essa força costuma vir com um defeito grave: o protagonista invencível frequentemente trata os outros como personagens secundários. Quem é útil entra no enredo; quem não é, some. Relações viram peças. Lealdade vira conveniência. E, se for preciso descartar alguém para manter a marcha, ele descarta. Eles não carregam o freio moral que desacelera a maioria. Eles tomam decisões sem o peso do arrependimento, sem a pausa da empatia, sem a exigência de coerência.

E “nunca parar” tem um benefício oculto: não existe o momento de olhar para trás. Sem pausa, não há prestação de contas. Sem pausa, não há pedido de desculpas. Sem pausa, não há reconhecimento de fragilidade.

Para ser “tão bem-sucedido quanto ele”, a receita emocional seria quase anti-humana:

nenhuma autoanálise, nenhuma dúvida, nenhuma admissão de fraqueza, nenhum arrependimento.

Ele acredita que pode fazer qualquer coisa, e que nada o impedirá. E acredita também em uma lógica perigosa: não importa estar certo agora; a vitória futura provará que ele estava certo. Porque, no final, “quem venceu” reescreve a história.

Aqui está o ponto mais difícil de negar: no mundo real, muitas vitórias vêm de insistência, não de virtude. Os “vencedores” frequentemente são aqueles que toleram mais rejeição, suportam mais caos, atravessam mais atrito — e seguem tentando quando todo mundo já parou.

A verdade genial e insana por trás do protagonista invencível.

a coragem de insistir, a tolerância ao erro, a blindagem contra a opinião alheia, a disciplina de continuar.

Mas precisa adicionar o que ele não tem:

método, feedback real, responsabilidade, reparo de danos, respeito por pessoas que não são “cenário”.

Ele é determinado — mas humano o suficiente para não destruir o caminho. Escrito por Emir Candeia Gurjão, em momentos de reflexão sobre pessoas com quem conviveu, e este artigo sobre uma delas, você consegue identificar uma que se parece com esse texto? Campina Grande, 07:25 horas dos dia 28 de Dezembro de 2025.