Valberto José

Jornalista, habilitado pelo curso de Comunicação Social da Universidade Regional do Nordeste (URNE), hoje UEPB. Colunista esportivo da Gazeta do Sertão e d’A Palavra, passou pelo Diário da Borborema e Jornal da Paraíba; foi comerciante do setor de carnes, fazendo uma pausa de 18 anos no jornalismo.

O “pelotão de milionários”

Publicado em 21 de julho de 2026

O fracasso da Seleção Brasileira diante do Uruguai, na Copa do Mundo de 1950, inspirou Nelson Rodrigues a cunhar, em 1958, a célebre frase “complexo de vira-lata”, título de uma de suas crônicas. A metáfora do jornalista e dramaturgo traduziu o sentimento de inferioridade de alguns brasileiros, diante do resto do mundo, naquele tempo, de que tudo o que é de fora é bom, é melhor.

A expressão pareceu mexer com o brio dos convocados pelo técnico Vicente Feola. O Brasil iniciou, então, um processo de desvencilhar-se do vira-latismo através do futebol, naquele mesmo ano, conquistando seu primeiro título mundial, na Suécia, e consolidando a imagem de potência nesse esporte com o tricampeonato de 1970.

Paradoxalmente, a imagem de país do futebol não é mais a mesma. Vem sendo arranhada nas últimas seis competições da FIFA com os repetidos fracassos da nossa seleção, lembra o jornalista e especialista em marketing, Gustavo Miller, em sugestivo artigo no portal UOL, intitulado “Em defesa do rebranding total da seleção brasileira”. “Derrota silenciosa da imagem”, sugere ele.

O Brasil, em 24 anos de futebol sem garra, de poucos dribles e sem brilho, sem resultado, está perdendo admiradores fora e colecionando conformados em casa, como que acostumados com os fracassos. No grupo familiar de que participei vendo a salgada derrota brasileira para a Noruega, ninguém demonstrou profundidade de sentimento, na frustação do resultado, mesmo torcendo por um placar em nosso favor.

Não há mais aquela sintonia e identificação entre os jogadores da Seleção Brasileira e o torcedor nacional. A grande maioria deles é desconhecida no país, consequência da crescente, e agora também de forma prematura, exportação de atletas para a Europa. Em resumo, o povo brasileiro não se sente mais representado pelo bico da chuteira.

O colunista do UOL traduz, nas entrelinhas, a causa desse distanciamento quando descreve o comportamento dos atletas hermanos nesta Copa, diante de sua nação. “A Seleção (Argentina) se apresenta como um pedaço do povo, não como um pelotão de milionários”, comparou Gustavo Miller.