
Valberto José
Jornalista, habilitado pelo curso de Comunicação Social da Universidade Regional do Nordeste (URNE), hoje UEPB. Colunista esportivo da Gazeta do Sertão e d’A Palavra, passou pelo Diário da Borborema e Jornal da Paraíba; foi comerciante do setor de carnes, fazendo uma pausa de 18 anos no jornalismo.
O menino que se refez repórter
Publicado em 3 de abril de 2026Segurar o impacto da emoção da notícia anunciada é o maior atestado de competência de um apresentador de TV. Não nos surpreende a compostura de Carlos Siqueira na contenção da emotividade diante da homenagem de seus liderados, pelos 41 anos de atividades jornalísticas, e que foi ao ar disfarçada de TBT sobre Assis Chateaubriand e chamada por ele, no JPB2 da TV Paraíba.
Eu e Carlinhos, como o chamávamos nos bastidores dos nossos primeiros encontros em reportagens esportivas, iniciamos no batente ao mesmo tempo, em 1985; eu no jornalismo impresso, ele no jornalismo radiofônico. A aproximação mesmo, embora trabalhássemos em empresas rivais, veio com sua ida para a televisão, na ocasionalidade dos encontros em reportagens nos treinamentos de Treze e Campinense.
Nossos encontros tornaram-se raros quando saí do Diário da Borborema em 92 e continuaram na sujeição da raridade do tempo, mesmo eu indo trabalhar no mesmo Grupo de Comunicação, no Jornal da Paraíba, em 95. Lembro de dois, um no velório de Joacir Oliveira e outro na Crisma dos nossos filhos, Hélder e Siqueirinha, na capela interna do São Vicente de Paulo.
Mas foi um encontro, acontecido 18 anos depois que deixei a imprensa, que me marcou muito e que comprova seu lado atencioso de que sempre falam, composto por um misto de cordialidade, afabilidade e cortesia. Busquei, junto com o meu saudoso filho Gláuber, um hóspede de quatro patas no bairro do Mirante; parei no endereço indicado, toquei a campainha e aguardei que atendessem.
De costas para a casa vizinha, me mantive na posição, embora da sua garagem saísse um carro, posicionando-se para tomar seu espaço momentâneo na rua e seguir seu destino. Continuei imóvel na espera ansiosa, quando uma voz forte, e ao mesmo tempo gentil, me surpreende, chamando meu nome. Era o Carlos Siqueira, saindo para expediente na TV abrindo o sorriso e os braços abertos para o abraço festivo. Meu filho ficou encantado com o gesto. Anos depois, novos encontros na igreja do Aluízio Campos; apenas cumprimentos formais, pois ele estava servindo.
Foi linda a homenagem de sua equipe! Não é que eu acabei participando de forma anônima. A edição da matéria mostrou a página e a narração brilhante de Artur Lira citou a manchete que eu escrevera e editara, na versão impressa de APALAVRA em 91/92. Usando o pseudônimo Valmar de Almeida, publiquei a série Perfil do Cronista, na qual focalizava os profissionais da crônica esportiva de então, e Carlos Siqueira foi um dos perfilados. O menino que se fez repórter também se tornou um grande apresentador.