
Júnior Gurgel
Jornalista político, memorialista e Ghost writer. Ex- diretor de Jornais e Emissoras de Rádio na Paraíba, com atuações no Radiojornalismo.
O INFAUSTO CARNAVAL DE LULA
Publicado em 20 de fevereiro de 2026A decepção de Lula e do PT – ressaca do carnaval 2026 – terá desdobramentos significativos, na avaliação de sua pretensão em disputar a reeleição. O líder petista vive o mesmo drama do saudoso Miguel Arraes em Pernambuco, nas eleições de 1998. O até então imbatível presidente do PSB, que havia governado o Estado por três vezes, foi esmagado nas urnas por Jarbas Vasconcelos, que venceu no primeiro turno com uma maioria acachapante, ultrapassando um milhão de votos. Arraes tinha envelhecido.
O esforço concentrado da legenda (PT) em busca de reduzir índices de rejeição do seu candidato, não tem logrado êxito. A sigla enxovalhou seu discurso, quando abraçou causas das “minorias”, que afrontam e fortalecem a cada dia a ampla “maioria”, alicerçada no tradicionalismo, com raízes na formação cristã conservadora. Na democracia, quem governa é a maioria. Como vencer uma eleição, apoiado só pela minoria? O PT teve a chance (Fênix) de ressurgir das cinzas. Quatro anos para formar novas lideranças e enxergar as mudanças rápidas e radicais, que vêm ocorrendo no mundo. Porém, o narcisismo exacerbado de Lula o impediu de criar suas “criaturas”.
Um grupo de radicais (privilegiados apaniguados do Poder), artistas sem público, pseudos intelectuais de sovaco*, apoiados pela mídia militante de baixa audiência, compraram a ideia de um vereador (malandro) de Niterói, para botar Lula na passarela do samba. A expectativa era arrancar um mínimo de aclamação e usar “cortes” para pulverizar nas redes sociais, mostrando a popularidade do governo, atestada na Marquês do Sapucaí (Rio) onde se concentraram cerca de 50 mil pessoas.
O desfile da Escola de Samba Acadêmicos de Niterói, homenageando Lula e sua trajetória política, foi meticulosamente planejado pela primeira dama Janja da Silva, que ao lado de Celso Amorim, teve suas vaidades tolhidas, e passaram a conviver com o desconforto do ostracismo deprimente. O enredo (partidariamente) foi perfeito, em sintonia com as alegorias elaboradas pelos extremistas da legenda. O erro foi o ano, e o momento. Trabalho de profissionais talentosos culminaram numa produção hollywoodiana, paradoxalmente, completamente desconectado com o público presente (?). Não houve manifestações eufóricas, nem entusiasmo da plateia, que sequer sabia cantar a letra do samba enredo. Ambiente lotado, mas nos raros momentos registrados pelas câmeras da Rede Globo mostrava o público com braços cruzados, perplexo e observando disciplinadamente a passagem de quatro mil figurantes.
Nas arquibancadas do Sambódromo algumas bandeiras do CPX demarcavam o território, deixando transparecer que se tratava de uma “claque” paga, recrutada e vigiada. Lula já vinha de uma estrondosa vaia em Salvador (BA), e num camarote em Recife (PE) passou despercebido pelos foliões, que dançaram o ritmo acelerado do frevo. A cajadada teve um efeito bumerangue. Não matou dois coelhos, criou um grande vexame e problemas com a Justiça Eleitoral. A Escola ficou em último lugar e foi rebaixada. Os jurados não acataram a ideia apologista de homenagear quem ainda está no poder. O PL entrou com uma ação no TSE, acusando Lula de abuso do poder político, econômico e midiático. Ninguém protestou, nem polemizou. Estamos no micro período eleitoral e este tipo de propaganda antecipada é conduta vedada.
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(*) INTELECTUAIS DE SOVACO – Nos anos setenta, era comum membros da juventude que compunha a “esquerda festiva”, andarem com livros Marx e John Reed – que nunca leram – debaixo do sovaco. Eram considerados “intelectuais”.
